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quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Obras espirituais de misericórdia

 



1. As obras espirituais de misericórdia são sete: 1º dar bons conselhos; 2º ensinar os ignorantes; 3º castigar os que erram; 4º consolar os tristes; 5º perdoar as injúrias; 6º sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7º rogar a Deus por vivos e defuntos. 

2. Chamam-se espirituais porque se referem à alma do próximo. 

3. No juízo final temos de ser julgados acerca das obras de misericórdia. Com efeito, assim fala Nosso Senhor no Evangelho: Quando o Filho de homem vier em sua glória, e todos os Anjos com ele, então se assentará sobre o trono da sua glória, e perante ele serão ajuntadas todas as gentes, e apartá-los uns dos outros como o pastor aparta as ovelhas dos cabritos. E porá as obvelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai; possui reino que vos está aparelhado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; fui estrangeiro, e me recolhestes; nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; estive na prisão, e viestes a mim. Então lhe responderão os justos, dizendo: Senhor, quando é que te vimos faminto, e te alimentamos; ou sedento, e te demos de beber? E quanto te vimos estrangeiro, e te recolhemos; ou nu, e te vestimos? Ou quando te vimos enfermo ou na prisão, e viemos a ti? E o Rei respondendo-lhes dirá: Em verdade, vos digo que quando o fizestes a um destes meus irmãos mínimos, a mim o fizestes. 


Explicação da gravura

5. A gravura representa as quatro principais obras espirituais de misericórdia.


Ensinar os ignorantes

6. Acima vê-se São João Batista ensinando o povo, e dando bons conselhos à multidão que o interroga. 

7. Ao ângulo superior esquerdo, vê-se um irmão das escolas cristãs ensinando e educando crianças. 


Dar bons conselhos

8. Esta obra está representada na gravura, à esquerda, por São João Batista censurando Herodes, exprobarando lhe o mal comportamento e dizendo-lhe: "Não te é lícito viver com a mulher do teu irmão ainda vivo."


Consolar os tristes

9. Esta obra representada à direita por Nosso Senhor consolando a viúva de Naim e ressuscitando-lhe o filho. Lemos no Evangelho: Ia Jesus para a cidade chamada Naim, e iam com ele seus discípulos e uma grande turba. E chegando perto da porta, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe que era viúva, e ia com ela muita gente da cidade. E vendo-a o Senhor, moveu-se a compaixão dela, e disse-lhe: Não chores. E chegando-se, tocou a tumba ( e os que a levavam pararam) e disse: Mancebo, a ti te digo, levanta-te, e o defunto se assentou, e começou a falar, e deu-o a sua mãe. 

10. No ângulo superior direito, vê-se um rapaz que, apartando-se dos pais, consola o irmão mas novo, mostrando-lhe o céu, onde hão de encontrar-se um dia. 


Rogar a Deus por vivos e defuntos

11. Essa obra está representada na parte inferior da gravura por Judas Macabeus rogando a Deus com o exército pelos soldados mortos na batalha. Acabando de rezar, fez um peditório, mandando o produto a Jerusalém com ordem de oferecer um sacrifício pelos pecados dos defuntos soldados. 

12. Vê-se também no ângulo direito inferior uma mulher rezando na campa dos seus defuntos. 

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

Obras corporais de misericórdia




 Explicação da gravura 

1. A misericórdia é uma virtude que nos leva a ter compaixão das misérias do próximo e a aliviá-las. 

2. Há duas classes de obras de misericórdia, as corporais e as espirituais. 

3. As corporais são as que se referem ao corpo do próximo. 

4. São sete: 1º dar de comer a quem tem fome; 2º dar de beber a quem tem sede; 3º vestir os nus; 4º visitar os enfermos e encarcerados; 5º dar hospedagem aos peregrinos; 6º remir os cativos; 7º enterrar os mortos. 

5. A gravura representa as principais. 


Dar esmola aos pobres

6. A primeira obra corporal de misericórdia é acudir aos pobres nas suas necessidades. 

7. A gravura na parte superior, representa o profeta Elias multiplicando a farinha e o azeite da viúva de Sarepta. 

No tempo em que a fome matava muita gente no reino de Israel, o Senhor disse a Elias: "Vai para Sarepta, na terra dos Sidônios, porque ordenei a uma viúva que cuidasse de teu sustento. Obedeceu Elias, e logo ao entrar nas portas da cidade encontrou a viúva. Tinha Elias muita sede, pelo que lhe disse: "Dá-me um pouco d'água". E como a mulher ia já andando para buscá-la, gritou-lhe Elias: "Peço-te que me tragas também um bocado de pão". Respondeu a viúva: "Viva o senhor teu Deus, que pão não tenho: só me resta um punhado de farinha na panela e uma lágrima de azeite na almotolia; andando aqui apanhar alguns gravetos para ir fazer umas papas para mim e meu filho, e depois de havermos comido esse pouco que nos resta, é preparar-nos para morrer. "Disse-lhe Elias: "Não temas, faze primeiro para mim dessa pouca farinha um pãozinho cozido no recaldo e traze-me; para ti e teu filho o farás depois. Porque eis aqui o que diz o Senhor Deus: "Não faltará a farinha na panela, nem diminuirá o azeite na almotolia". Foi a mulher e fez como Elias lhe tinha dito; e desde aquele dia não faltou a farinha nem o azeite. Logo depois morreu o filho desta mulher. Então Elias clamou a Deus, "Ó Senhor e Deus meu, por quem sois, fazei que a alma desde menino torne a entrar no seu corpo". Ouviu o Senhor a oração de Elias e o menino ressuscitou. 

Vê-se, neste exemplo, que Deus gosta de premiar os que praticam a caridade para com os pobres. 

9. No ângulo superior de esquerda vê-se uma mulher que dá esmola a um necessitado.


Visitar os enfermos e encarcerados

10. Esta obra acha-se representada pelo bom Samaritano do Evangelho, à esquerda da gravura. 

11. Um homem descia de Jerusalém para Jericó, e caiu em mãos de salteadores, os quais também o despojaram, e dando-lhe muitas pancadas, foram-se, deixando-o meio morto. E sucedeu que certo sacerdote ia pelo mesmo caminho, e vendo-o, passou de largo. E o mesmo fez um levita. Porém um certo samaritano, indo de caminho, veio junto a ele, e vendo-o, moveu-se de compaixão, e chegando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhe nelas azeite e vinho, e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o à estalagem e teve cuidado dele. E partindo no dia seguinte, tirou dois dinheiros, e deu-os ao estalajadeiro, e disse-lhe: Tem dele cuidado, e tudo o que demais gastares, quando tornar, te pagararei. 

12. No ângulo inferior da esquerda vê-se uma irmã da caridade cuidando de um doente. 


Dar pousada aos peregrinos

13. Está representada esta obra de misericórdia na gravura por Abraão oferecendo a hospedagem aos Anjos que iam a destruir as cidades de Sodoma e Gomorra. 

14. No ângulo inferior da direita vê-se um frade dando hospedagem a um peregrino.


Enterrar os mortos

15. Está representada esta obra pelo santo homem Tobias, sepultando um dos companheiros do seu cativeiro. 

16. No ângulo superior da direita vê-se um Padre aspergindo com água benta a campa de um defunto que acabam de enterrar. 

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 


As virtudes evangélicas ou conselhos




1. As virtudes evangélicas são as que se referem as virtudes cardeais e que são especialmente aconselhadas no evangelho, chamando-se por isso conselhos evangélicos. 

2. São três: pobreza voluntária, castidade perpétua e obediência inteira as quais se pode acrescentar a humildade cristã.

3. Se pratica a pobreza voluntária renunciando, por amor de Deus, à posse dos bens terrenos. 

4. Se pratica a castidade perpétua vivendo castamente, abstendo-se não só de toda a sorte de pecado carnal, mas ainda do matrimônio [continência]. 

5. Se pratica a obediência inteira, renunciando, por amor de Deus, à própria vontade para se submeter à dos superiores em tudo que não seja pecado. 

6. São três e não mais os conselhos evangélicos principais, porque são também três os impedimentos da perfeição, os quais são tirados pelos ditos conselhos. Esses impedimentos são: o amor dos bens da fortuna, o amor dos prazeres carnais, o amor das honras humanas. 

7. Estes conselhos servem para observar mais facilmente os mandamentos de Deus e unir-vos mais estreiramente com Ele, sacrificando-lhe todos os nossos bens. 

8. Estes conselhos, quando se convertem em lei por meio de votos solenes, formam os estados perfeitos da religião cristã, que se chamam ordens religiosas ou religiões, segundo a regra de cada um dos fundadores. 

9. A humildade é uma virtude pela qual, reconhecendo os nossos defeitos e fraquezas referimos a Deus o pouco de bom que em nós encontramos. Nos leva pois esta virtude a submeter-nos de coração não só aos superiores, mas ainda aos inferiores e iguais. 

10. Eis aqui como Nosso Senhor, no Evangelho, chama um jovem ao caminho da perfeição: "Um dia um Jovem de qualidade fez a Jesus esta pergunta: Bom Mestre, que devo eu fazer para possuir a vida eterna? Jesus lhe respondeu: Tu sabes os mandamentos: não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honrarás pai e mãe. Disse o homem: todos estes mandamentos tenho um guardado desde a minha infância. O tendo ouvido Jesus disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me. Quando o moço ouviu isto, se entristeceu porque era muito rico. E Jesus, vendo que ele ficara triste, disse: Que dificultosa coisa é entrarem os ricos no reino de Deus; é mais fácil entrar um camelo pelo fundo duma agulha. E disseram os que ouviam: Visto isso, quem é que pode salvar-se? Respondeu-lhes Jesus: O que é impossível aos homens, é possível a Deus. (Lc 18, 18-27). 


Explicação da gravura

11. Representa a gravura superior, à esquerda, um exemplo de humildade dado por São João Batista. Um dia, os Judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas a João para lhe perguntar: Quem és tu? E ele confessou e não negou: Eu não sou o Cristo, nem Elias, nem profeta. E o enviados perguntaram-lhe: Porque pois batizas, se tu não és o Cristo nem Elias, nem profeta? João lhes respondeu: Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele a quem não conheceis. Este é o que virá após mim, e já era antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia das sandálias. 

12. Os primeiros cristãos praticavam de um modo perfeito a pobreza voluntária. Os que tinham terras e prédios, vendiam-os, e como se vê na gravura superior, à direita, traziam aos Apóstolos o valor deles que depois era distribuídos dos pobres. 

13. A gravura inferior, à esquerda, nos representa um exemplo de perfeita obediência de São Tiago e de São João, filhos de Zebedeu. Um dia que estavam concertando suas redes, Nosso Senhor os chamou para serem seus discípulos. E eles logo deixando o barco, as redes e os pais o seguiram. 

14. Na parte inferior da gravura, à direita, está representado Nosso Senhor Jesus Cristo, o amigo dos corações puros, e ao pé dele quatro santos que sobressaíram na castidade mais perfeita, que é a virginal. São, à direita do Salvador, Maria Santíssima e São João Batista; à esquerda São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, e São João Evangelista, o apóstolo predileto. 


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 



terça-feira, 7 de janeiro de 2025

As virtudes cardeais



1. As virtudes morais são aquelas que tendem diretamente a regular os nossos costumes. 

2. Há muitas virtudes morais; as principais são: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança. 

3. Chamam-se virtudes cardeais porque são a fonte e a base de todas as outras virtudes morais. 


Prudência

4. A Prudência é uma virtude que nos faz atentos e acautelados para as diferentes circusntâncias da vida, sabermos discernir o que nos convêm praticar ou omitir. 


Justiça

5. A Justiça é uma virtude que nos leva a dar a cada um o que lhe pertence.

Serve também para regular os nossos pensamentos e sentimentos para com os outros, torna-nos humildes e desconfiados para conosco. 


Fortaleza

6. A Fortaleza é uma virtude que nos dá animo para cumprir os deveres do cristão. 


Temperança

7. A Temperança é uma virtude que põe freio aos desejos desordenados e nos leva a usar com moderação dos bens temporais.


Explicação das gravuras

8. A Prudência está representada na parte superior da gravura à esquerda pelo Juízo de Salomão. 

Um dia apresentaram-se diante de Salomão duas mulheres pedindo-lhe que decidisse uma contenda. Disse uma: "Esta mulher e eu moramos sós na mesma casa e cada uma de nós tinha um menino. Uma noite morreu o filho desta mulher. Enquanto eu dormia, veio ela, tirou o meu filho, e pôs no lugar dele o seu filho morto. Quando me levantei, dei com o menino morto, mas reparando bem vi que não era o meu." Interrompeu-a a outra mulher dizendo. Não é assim como tu dizes; o teu filho é que morreu, o meu está vivo". E assim se disputavam perante o Rei. Então disse Salomão: "Trazei uma espada, e parti o menino vivo ao meio, e dai metade a uma mulher, metade a outra". 

A verdadeira mãe do menino, ouvindo estas palavras, ficou transpassada de susto, e toda cheia de angústia e amor maternal, disse a Salomão: "Ah! Senhor, por quem sois, dai-o a ela vivo, e não o mateis". Ao contrário dizia a outra: "Não seja nem para mim, nem para ti, parta-se ao meio". Salomão pronunciou então a sentença; "Não se parta o menino, mas dê-se inteiro e vivo aquela, porque essa é sua mãe.

9. A gravura, na parte superior, à direita, representa Nosso Senhor ensinando a justiça aos Fariseus e aos Herodianos. Tendo-lhes estes perguntando se era lícito ou não dar tributo à César, disse-lhes Jesus: "Mostrai-me a moeda do tributo. De quem é esta imagem e esta inscrição? - Disseram eles: "De César". Então lhes disse Jesus: "Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

10. Na parte inferior esquerda a gravura, como exemplo de fortaleza, representa a história de Judite. Vendo esta santa mulher que a cidade de Betulia onde vivia estava para cair nas mãos do general assírio Holofernes, resolveu salvar a pátria ou morrer. Ornada de suas mais custosas galas, foi ao arraial dos Assírios. Holofernes recebeu-a com todo o agrado, deu em honra dela um grande banquete, e tendo bebido em demasia adormeceu profundamente. Então Judite, tomando a própria espada do general decepou-lhe a cabeça. 

11. Representa a gravura na parte inferior direita o Rei Davi, dando um grande exemplo de temperança. Um dia que guerreava Davi contra os Filisteus que ocupavam Belém, levado pela sede, exclamou: "Quem me dera um pouco de água da cisterna que está ao pé da porta de Belém"! - Imediatamente três valentes atravessaram o acampamento dos Filisteus e trouxessem a Davi água da cisterna. Mas este não quis bebê-la e ofereceu-a ao Senhor dizendo: "Deus me livre de beber o sangue daqueles valentes que assim expuseram a vida"! 

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

domingo, 5 de janeiro de 2025

As virtudes teologais




1. A virtude é uma disposição ou hábito da alma que nos leva a obrar o bem e a evitar o mal.

2. A virtude é natural e sobrenatural.

3. Virtude natural é aquela que nos leva a obrar o bem por motivos simplesmente naturais, como dar esmola a um pobre porque a razão nos diz que devemos socorrer o nosso semelhante. 

4. Virtude sobrenatural é aquela que nos leva a obrar o bem por motivos de fé, como dar esmola a um pobre porque a fé nos mostra nele o próprio Jesus Cristo.

5. As virtudes sobrenaturais são de duas classes: as teologais e as morais. 

6. São três as virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade. 

7. Chamam-se teologias porque têm a Deus por objetivo imediato. A Fé refere-se a Deus como primeira verdade; a Esperança refere-se a Deus como nosso sumo bem; a Caridade refere-se a Deus como sumo bem em si mesmo.

8. Estas três virtudes propriamente não se adquirirem; são dons gratuitos de Deus em que nós as infunde pelo santo Batismo; mas desenvolvem-se com as práticas que a religião nos ensina. 


A fé

9. A Fé é uma virtude sobrenatural pela qual cremos em Deus e tudo aquilo que Ele revelou à santa Igreja e que ela nos propõe para crer.

10. Devemos crer nas verdades reveladas, porque Deus é a própria verdade que nem pode enganar-se nem quer enganar-nos.

11. A Fé é de absoluta necessidade para a salvação.


A esperança

12. A Esperança é uma virtude sobrenatural pela qual desejamos e esperamos a vida eterna que Deus nos prometeu, e os auxílios para alcançá-la. 

13. Os motivos da nossa esperança são a onipotência e a bondade de Deus, a fidelidade de suas promessas, e os merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

14. Aplicaremos à nós mesmos os merecimentos de Jesus Cristo por meio das boas obras feitas com os auxílios da sua graça. 


A caridade 

15. A caridade é uma virtude sobrenatural pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. 

16. Amar a Deus sobre todas as coisas é preferir a Deus a toda e qualquer coisa, e estar pronto a perder tudo, e até a própria vida antes que separar-mo-nos dele. 

17. Devemos amar a Deus porque é infinitamente perfeito, infinitamente bom, infinitamente amável e porque é o nosso supremo bem e o nosso último fim. 

18. Daremos a conhecer que amamos a Deus, pela fidelidade em observar os seus mandamentos. 


  Explicação da gravura

19. A Fé está simbolizada na parte superior da estampa por uma virgem sustendo a cruz com a mão direita e tendo na esquerda um archote aceso, para indicar que a fé ilumina a nossa alma. 

20. O santo patriarca Abraão praticou a fé de um modo heróico, crendo que Deus, que lhe ordenara de imolar o seu filho Isaac, cumpriria contudo a promessa que lhe fizera de dar-lhe uma posteridade numerosa.

21. A Esperança está simbolizada à esquerda por uma virgem tendo na mão direta uma coroa e na esquerda uma âncora. 

22. Vê-se na parte inferior esquerda o patriarca Jó que no excesso do seu padecer sempre esperou em Deus e não foi baldada a sua esquerda. 

23. A caridade está simbolizada à direita por uma virgem tendo na mão um cálice com a hóstia e mostrando com a esquerda o seu coração em chamas. 

24. Vê-se no ângulo inferior direito a Nosso Senhor sentado a mesa de Simão o Fariseu, e Maria Madalena que lançando-se aos pés de Jesus, os banha de lágrimas, os enxuga com os cabelos, beija-os e os perfuma com bálsamo. 


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

A inveja - A ira - A preguiça


 


A inveja

1. A inveja é um sentimento que temos do bem do próximo, e uma alegria interna do mal que lhe acontece. 

2. Este vício dá-se a conhecer quando estamos desfazendo nos merecimentos e nos louvores alheios, ou falamos com gosto nos defeitos do próximo.

3. Os principais pecados do que a inveja é causa são o ódio do próximo, a alegria dos seus males, o desejo de os causar, as maledicências, as calúnias e toda a sorte de injustiças. 

4. A virtude oposta a inveja é o amor fraternal, virtude pela qual desejamos ao próximo aquele bem que quereríamos para nós mesmos, e nos entristecemos dos seus males como se fossem nossos próprios. 

5. Os remédios contra a inveja são: 1º lembrarmos que somos todos filhos do mesmo Deus e irmãos em Jesus Cristo; 2º rezar por aqueles a quem nós temos inveja e fazer-lhes bem; 3º aplicar-se na prática da humildade.


A ira 

6. A ira é uma alteração desordenada da alma que nos faz repelir com violência o que nos desagrada, a qual anda acompanhada do desejo de vingança. 

7. Os principais pecados do que a ira é causa são: as blasfêmias, as imprecações ou pragas, as injúrias, as rixas e os homicídios.  

8. As causas ordinárias da ira são a soberba e a teima na própria opinião. 

9. A ira não é pecado quando tem por fim opôr-se ao mal e o que está regulada pela moderação. 

10. Por falta de advertência e de consentimento o primeiro movimento da ira não é pecado; ms devemos reprimi-lo logo que demos por ele. 

11. A virtude oposta a ira é a paciência, pela qual sofremos em paz as injúrias e as tribulações por amor de Deus. 

12. Os remédios contra a ira são: 1º Lembrar-nos frequentemente da mansidão e paciência de Nosso Senhor Jesus Cristo na sua vida, na sua paixão e na cruz. 2º Acostumar-se a calar e a reprimir-se. 


A preguiça

13. A preguiça é um gosto desordenado de descanso e uma frouxião e desprazer em cumprir o próprio dever. Há também a preguiça espiritual, chamada acídia, que é uma desordenada tristeza e fastio das coisas de Deus. 

14. Os principais pecados de que a preguiça é causa são a ociosidade, o desalento, a frouxidão, a negligência dos deveres de cristão, e a desesperação. 

15. A preguiça é mãe de todos os vícios; produz a inconstância e a inutilidade da vida. 

16. A virtude oposta a preguiça é a diligência e o zelo ao serviço de Deus. A diligência é uma virtude pela qual com facilidade e prontidão cumprimos os nossos deveres e exercitamos as obras de zelo.

17. Para vencer a preguiça é preciso: 1º lembra-se que o trabalho é uma lei imposta por Deus a todos os homens; 2º fazer um regulamento de vida e cumpri-lo; 3º não dormir muito; 4º não perder inutilmente o tempo. 


Explicação da gravura

18. São três gravuras. A primeira representa a José que, por inveja, foi pelos seus irmãos vendido a mercadores ismaelita que o levaram para o Egito. 

19. A segunda representa Esaú voltando da caça furioso ao saber que o irmão Jacó tinha recebido a bênção do pai. 

20. A terceira representa o preguiçoso deitado na sua fazenda inculta. 


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

A avareza - A luxúria - A gula


 A avareza

1. A avareza é um amor desordenado dos bens temporais, principalmente do dinheiro.

2. Os sinais da avareza são: 1º o desejo inquieto e desmedido de adquirir bens temporais; 2º o buscá-los por meio injustos; 3º ou não os gastar no que é preciso.

3. Os efeitos e principais pecados de que a avareza é causa são: 1º o esquecimento de Deus; 2º a dureza para com os pobres; 3º a insensibilidade pela própria conservação; 4º a velhacaria e a injustiça. 

4. A avareza é um grande pecado. São Paulo diz que os avarentos não hão de entrar no reino dos céus. 

5. Os pobres podem ser avarentos, porque este pecado consiste também no desejo desmedido dos bens temporais.

6. A virtude oposta à avareza é a liberalidade, virtude pela qual se gasta moderadamente a própria riqueza. 

7. Os remédios principais contra a avareza são: 1º Lembrarmos que Nosso Senhor foi pobre; 2º a lembrança da morte que há de tirar-nos todos os nossos bens; 3º a esmola aos pobres, segundo as nossas posses. 


A luxúria

8. A luxúria é um apetite desordenado dos prazeres sensuais; é o vício vergonhoso da impureza condenado pelo sexto mandamento. 

9. Os efeitos e principais pecados de que a luxúria é causa são: 1º o ódio contra Deus; 2º o esquecimento dos deveres de cristão; 3º a cegueira do entendimento; 4º a dureza do coração; 5º a impiedade. 

10. A virtude oposta à luxúria é a castidade, virtude com que se refreia e doma a carne rebelde. 

11. Os remédios são: a oração, a modéstia, a mortificação, a devoção à Santíssima Virgem, mãe nossa.


A gula 

12. A gula é o gosto desordenado de comer e beber mais do que é necessário. 

13. Os principais pecados de que a gula é causa são: a embriaguez, a sensualidade, as descomedimentos, a blasfêmia, as rixas. 

14. A embriaguez voluntária é um pecado mortal porque priva o homem do uso da razão, desfigura nele a imagem de Deus tornando-o semelhante aos brutos, e porque o expõe a toda a sorte de crimes e de desordens. 

15. As virtudes opostas à gula são a temperança e a abstinência. A abstinência é uma virtude pela qual se refrea o apetite desordenado de comer e de beber em demasia. 

16. Os remédios contra a gula são: 1º rezar antes e depois das comidas; 2º praticar algumas mortificações nas mesmas comidas; 3º evitar as tavernas e as pessoas que à elas nos poderíam levar.

17. A gula, disse o Espírito Santo nas Escrituras sagradas, matou e mata mais gente do que a espada. 


Explicação das gravuras

18. São três gravuras.

A primeira representa a Judas vendendo Jesus Cristo por trinta dinheiros.

19. A segunda nos mostra o filho pródigo guardando porcos. 

20. A terceira representa a Esaú que chegando cansado da caça vende à Jacó o seu direito de primogênito ( o morgado) por um guisado de lentilhas.

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 


A soberba




1. O pecado atual ou pessoal é aquele que cometemos com a nossa própria vontade tendo chegado ao uso da razão. 

2. Pode se pecar de quatro modos, a saber: por pensamentos, palavras, obras e omissões.

3. Pecados de pensamento são os que se cometem pela mente e com o coração, tais como a inveja, o ódio, os juízos temerários, os maus desejos, etc. 

4. Pecados de palavras são os que se cometem falando, como as mentiras, as calúnias, as murmurações, as blasfêmias, etc.

5. Pecados de obras são os que se cometem por meio dos sentidos do corpo, como o roubar, o espancar, o ferir e matar, etc. Os sentidos corporais são cinco: ver, ouvir, cheirar, gostar e apalpar. 

6. Os pecados de omissão são aqueles que se cometem quando se deixa culpadamente de cumprir aquilo que estamos obrigados a fazer. 

7. O pecado atual divide-se em mortal e venial.

8. O pecado mortal é aquele que se comete transgredindo gravemente a lei de Deus, com perfeita advertência do entendimento e pleno consentimento da vontade. 

9. Chama-se mortal porque tira da alma a graça de Deus que é a vida sobrenatural da alma, como a alma é a vida do corpo. 

10. O pecado mortal: 1º torna-nos inimigos de Deus; 2º faz-nos escravos do demônio; 3º priva-nos do mérito das boas obras; 4º faz-nos réus do inferno.

11. O pecado venial é a transgressão da lei de Deus em matéria leve, ou em matéria grave, quando não haja perfeita advertência ou pleno consentimento. 

12. O pecado venial não destroí a caridade, mas diminui-lhe o fervor, e por isso desagrada a Deus. Deve evitar-se o pecado venial, porque desagrada a Deus, dispõe para o pecado mortal, e porque Deus o pune nesta vida e na outra. 

13. O remédio do pecado mortal é uma confissão bem feita, e enquanto esta não se faz, um ato de contrição perfeita e propósito firme de emenda. 

14. O pecado venial tem muitos remédios, mas o melhor é um ato de arrependimento verdadeiro e a emenda da culpa. 


Pecados capitais 

15. São sete: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Chamam-se capitais, porque são origem e cabeça de outros muitos pecados menores. Chamam-se vulgarmente mortais, mas nem sempre o são. São mortais ou veniais segundo a matéria, a advertência do espírito e o consentimento da vontade. 

A soberba

16. A soberba é uma estima desordenada de si mesmo e desprezo dos outros.

Os efeitos e sinais da soberba são: 1º a grande estimação e presunção de si; 2º a preferência aos outros; 3º o grande amor dos louvores e vanglória; 4º a ambição; 5º a teima na sua opinião; 6º a impaciência no padecer. 

Deus castiga este pecado na vida, permitindo que os soberbos façam coisas com que sejam humilhados e confundidos. 

A virtude oposta a soberba é a humildade, virtude pela qual o homem se submete de coração aos seus superiores, e sendo necessário, até aos iguais e inferiores. 


Explicação da gravura

17. A gravura representa o combate dos anjos bons com os maus que se rebelaram contra Deus por soberba. 

18. No ângulo inferior esquerdo vê-se a torre de Babel, que os descendentes de Noé queriam, por soberba, levantar até ao céu. 

19. No ângulo inferior direito vê-se o Fariseu orgulhoso e o publicano humilde a orar no templo. 


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

sábado, 16 de novembro de 2024

O Juízo




O JUÍZO PARTICULAR 
 

1. O juízo particular é o que se faz à hora da morte. Segundo a opinião comum, este juízo faz-se no próprio lugar onde morremos. 

2. Depois da morte, a nossa alma estará na presença de Jesus Cristo para ser julgado pelas suas obras e ouvir pronunciar a sentença que há de fixar a sua sorte eterna. 

3. O Evangelho nos ensina quão necessário é pensar no juízo particular. 

4. Como se tivessem ajuntado à roda de Jesus muitos gentios, de sorte que uns a outros se atropelavam, começou Ele a dizer a seus discípulos: Guardai-vos do fermento dos Fariseus que é a hipocrisia, porque nenhuma coisa há oculta que não venha a descobrir-se. As coisas que dizestes nas trevas, às claras serão ditas, e o que falastes ao ouvido no gabinete será apregoado sobre os telhados. A vós pois, amigos meus, os digo, que não tenhais medo daqueles que matam o corpo, e depois disto não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem haveis de temer: temei aquele que depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vos digo, temei a este. Não se vendem cinco pardais por dois asses* e nem um deles só está em esquecimento diante de Deus? E até os cabelos da vossa cabeça todos estão contados. Pois não temais, porque de maior valia sois vós que muitos pardais. Ora eu vos declaro que todo o que me confessar diante dos homens, também o Filho do Homem o confessará diante dos Anjos de Deus; o que porém me negar diante dos homens, também será negado diante dos Anjos de Deus. E todo o que proferir uma palavra contra o Filho do Homem ser-lhe-á dado perdão; mas aquele que blasfemar, contra o Espírito Santo, não lhe será isto perdoado... (Lc 12,1-10). Estejam cingidos os vossos lombos e nas vossas mãos tochas acesas, e sede vós semelhantes aos homens que esperam a seu Senhor ao voltar das bodas, para que quando vier e bater à porta, logo lhe abram. Bem-aventurados aqueles servos, a quem o Senhor achar vigiando quando vier; na verdade vos digo que ele se cingirá e os fará sentar à mesa e passando por entre eles, os servirá. E se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e assim os achar, bem-aventurados são os tais servos. Mas sabeis isto, que se o pai de família soubesse a hora em que viria o ladrão, vigiaria sem dúvida e, não deixaria minar a sua casa. Vós pois estais apercebidos, porque à hora que não cuidais, virá o Filho do homem. Disse-lhe então Pedro: Senhor, tu propôs esta parábola respeititiva só a nós, ou também a todos? E o Senhor lhe disse: Quem crês é o dispenseiro fiel e prudente, que pôs o Senhor sobre a sua família para dar a cada um a seu tempo a ração de trigo? Bem-aventurado aquele servo, que quando o Senhor vier, o achar assim obrando. Verdadeiramente vos digo que ele o constituirá administrador de tudo quanto possui. Porém se disser o tal servo no seu coração: Meu Senhor tarda em vir; e começar a espancar os servos, e as criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, virá o Senhor daquele servo no dia em que ele o não espera, e na hora em que ele não cuida, e removê-lo-á, e pôr-lo-á à parte com os infiéis. (Lc 12,35-47). 


Explicação da gravura

5. A gravura representa o juízo particular que terá lugar logo depois da morte. 

6. A esquerda está o juízo do justo, e a direita o juízo do pecador. O tribunal de Cristo vê-se elevado na própria casa onde acabam de expirar. 

7. A alma do justo é apresentada a Jesus pelo anjo da guarda, precedido da Virgem e de São José. Um anjo sustenta na mão esquerda a coroa para premiá-lo, e na direita a balança da justiça, onde se pesam os merecimentos do difunto.

8. A alma do pecador comparece também diante do juíz supremo, mas esconde a sua face. Está acompanhada pelos demônios e ligada por uma cadeia a Lúcifer. Jesus Cristo repele-a e da contra ela a sentença da eterna reprovação.

*Asses: pequena moeda chamada dipônio entre os romanos.

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

A morte do justo e a do pecador

 



1. Morte boa e feliz é a morte do Cristão que está em graça.

2. Morte desgraçada é a do pecador em estado de pecado mortal: é a suprema desgraça para o homem. 

3. Diz a Sagrada Escritura que a morte dos pecadores é péssima.

4. Péssima é, 1º porque o pecador sente muito deixar os bens temporais aos quais ele unicamente se afeiçoou, e que lhe lembram os seus pecados; 2º porque há de sofrer em breve no inferno o terrível castigo duma vida criminosa.

5. Morte péssima foi a de Herodes que nos é narrada nos Atos dos Apóstolos: Herodes, tendo feito buscar a Pedro (que o anjo livrara da prisão), e não o achando, feito exame a respeito dos guardas, os mandou justiçar, e passando da Judéia e a Cesaréia, deixou-se aqui ficar. Ora Herodes estava irritado contra os de Tiro e de Sidônia. Mas estes, de comum acordo o foram buscar, e com o favor de Blasto, que era seu camarista, pediram paz, porque das terras do rei é que o seu país tirava a subsistência. E um dia assinado, Herodes vestido em traje real, se assentou no tribunal e lhes fazia uma falta. E o povo o aplaudia dizendo: Isto são vozes de Deus e não de homem. Porém subitamente o feriu o anjo do Senhor, pelo motivo de que não tinha tributado honra a Deus, e comido de bichos, expirou. (At 12, 19-24).

6. Péssima também foi a morte de Judas o traídor, cuja narração lemos nos mesmos Atos: Então (depois da Ascenção do Senhor) os Apóstolos voltaram para Jerusalém... e tendo entrado em certa casa, subiram aos quartos de cima onde permaneciam Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago filho de Alfeu, Simão o zeloso, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveraram unanimamente na oração com as mulheres e com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos deles. Naquele dias, levantando-se Pedro no meio dos irmãos (e montava a multidão dos que ali se achavam juntos a quase cento e vinte pessoas) disse: Varões irmãos, e necessário que se cumpra a Escritura, que o Espírito Santo predisse por boca de Davi acerca de Judas, que foi o condutor daqueles que prenderam a Jesus, o qual estava entre nós alistado no mesmo número, e a quem coube a sorte deste ministério. E este possui de fato um campo do preço da iniquidade, e depois de se pendurar rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. E tão notório se fez a todos os habitantes de Jerusalém aquele sucesso, que se ficou chamando aquele campo, na língua deles, Haceldama, isto é, campo de sangue. (At 1,12-20). 

10. A Sagrada Escritura diz que a morte dos justos é preciosa aos olhos do Senhor.

11. A morte do justo é preciosa, 1º porque ela livra o justo de todos os males desta vida; 2º porque o justo ama a Deus e tem a consciência em paz; 3º porque o justo está para receber no céu o prêmio das boas obras que praticou durante a vida.

Explicação da gravura

12. Representa a gravura a morte do justo, e a morte do pecador. O justo, resignado e sossegado recebe as últimas consolações da religião, cercado dos parentes e amigos que oram por ele, animado pelo santo anjo da guarda; Jesus Cristo e a Virgem Santíssima o contemplam do céu, e o demônio envergonhado e raivoso foge para o inferno. 

13. O pecador repele com desprezo o sacerdote: o seu anjo da guarda afasta-se chorando, e os demônios cercam a cama, esperando o último suspiro do doente para se apoderarem da alma pecadora.

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 


segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Os últimos fins do homem - A morte


 

A MORTE

1. Os últimos fins ou novíssimos do homem são a morte, o juízo, o inferno e o paraíso.

2. É bom lembrarmo-nos frequentemente os nossos últimos fins; esta lembrança afasta o pecado e nos excita ao fervor e ao zelo no serviço de Deus. Diz a Escritura sagrada: "Lembra-te de teus últimos fins e nunca mais hás de pecar."


A morte

3. A morte é o fim da vida, a separação da alma do corpo, a passagem da vida à eternidade.

4. Depois da morte do corpo corrompe-se e desfaz-se em pó; mas há de ressuscitar no fim do mundo.

5. A alma vai comparece na presença de Deus para ser julgada pelas suas obras.

6. Pelo pecado dos nossos primeiros pais entrou a morte do mundo. Proibiu-lhes Deus que comessem do fruto da árvore sita no meio do paraíso, ameaçando-os de morte de desobedecessem. Pelos pérfidos conselhos do demônio transgrediram aquele mandamento e foram condenados à morte, eles e todos os seus descendentes.

7. É pois certíssimo que todos os homens hão de morrer. São Paulo diz: "Decretado foi: todos os homens hão de morrer uma vez."

8. Mas quando morreremos? Quando aprouver a Deus; incerta é a hora da morte. Por isso Nosso Senhor disse: "Vigiai e orai, porque não sabeis nem o dia nem a hora". Quis Deus que a hora da morte fosse incerta e desconhecida, para que estivéssemos sempre preparados para morrer, já que todos os dias podemos morrer.

9. A melhor preparação para a morte é uma vida cristã. 

10. A preparação próxima para a morte é uma boa confissão e a recepção dos últimos sacramentos. É preciso não esperar os últimos dias da enfermidade ou doença para preparar-se para a morte, porque é expôr-se à condenação eterna, morrendo impenitente, como o indica Nosso Senhor no seguinte lugar do Evangelho: Um dia, um homem da plebe disse a Jesus: Dize a meu irmão que reparta comigo da herança. Porém Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu a mim juíz ou partidor sobre vós-outros? Depois lhe disse: Guardai-vos e acautelai-vos de toda a avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui. Sobre o que lhe propôs esta parábola dizendo: O campo de um homem rico tinha dado abundantes frutos, e ele revolvia dentro de si estes pensamentos dizendo: Que farei, que não tenho aonde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto; derrubarei os meus celeiros e far-lo-ei maiores, e neles recolherei todas as minhas novidades e os meus bens. E direi à minha alma: Alma minha, tu tens muitos bens em depósito para largos anos; descança, come, bebe, regala-te. Mas Deus disse a este homem: Néscio, esta noite, te virão a demandar a tua alma, e as coisas que tu ajuntaste para quem serão? - Assim é o que entesoura para si e não é rico para Deus. (Lc 12, 13-22)


Explicação da gravura

11. A gravura representa a São Francisco de Borja, fidalgo da corte do imperador Carlos V. Tendo falecido a esposa do imperador, foi Francisco encarregado de levar o cadáver da imperatriz à Grenada. Chegado o préstito à cidade, abriu-se o féretro ou caixão para que se certificasse que o corpo nele contido era o da imperatriz. À vista do cadáver já podre e desfigurado, tão comovido ficou Francisco de Borja que resolveu renunciar às vaidades e ao mundo. Entrou na Compahia de Jesus, onde se tornou um grande santo.

12. Nos ângulos superiores vê-se um homem e uma mulher mirando-se ao espelho, e vendo a sua caveira. Na cabeça deles está a palavra Hoje, e no espelho a palavra: Amanhã. 

13. Na parte inferior vê-se um cemitério com cruzes e monumentos funerários e inscrições, com campas abertas deixando ver esqueletos.

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Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 






domingo, 3 de novembro de 2024

A oração dominical

 




Explicação da gravura

1. A gravura trata da oração dominical ou Pai-Nosso; oração dominical quer dizer oração do Senhor, porque Nosso Senhor Jesus Cristo foi quem a compôs, para nos ensinar a orar. 

2. Consta a oração dominical de uma invocação e de sete petições.

3. As palavras da invocação são: Pai Nosso que estais no céu, que são como um pequeno prefácio, ou exordio para a oração dominical.

4. Chamamos a Deus nosso Pai, porque Jesus Cristo quer que oremos a Deus com amor e confiança filial. 

5. Dizemos Pai nosso e não Pai meu porque devemos orar como irmãos uns dos outros, e como membros da Igreja, pertencentes a mesma família do Pai celestial.

6. Acrescentamos: que estais no céu, para levantar nossos corações a contemplar o infinito poder de Deus que resplandece particularmente na obra dos céus, e ainda para nos advertir que a nossa oração, para obter os bens temporais, deve ser também encaminhada a conseguir os bens celestiais.

7. 1º petição: Santificado seja o vosso nome. - Pedimos nesta primeira petição que Deus seja conhecido em todo o mundo e que o seu santo Nome seja honrado e glorificado como cumpre. Podemos todos santificar o nome de Deus, reconhecendo como dom seu todo bem assim espiritual como temporal, mas santificar-se particularmente aquele santo nome obedecendo ao que ele nos manda. Está representada esta petição pela cura dum coxo, operada por São Pedro quando disse: Em nome de Jesus, levanta-te e anda.

8. 2º petição: Venha a nós o vosso reino. - Pedimos com estas palavras que venha depressa o reino de Deus, isto é, que Deus reine nas almas dos cristãos pela graça, e que acabamos as batalhas que temos com o mundo, o demônio e a carne, cheguemos à eterna bem-aventurança. Mas devemos fazer violência a nós mesmo para arrebatar esta glória. Está representada esta petição por Tobias profetizando o advento do reino de Deus. 

9. 3ª petição: Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. - Pedimos a graça para cumprir os mandamentos, venerada e obedecida em todo o mundo de tão bom grado como os Anjos obedecem no céu. Está representada no centro da gravura por Nosso Senhor orando no jardim das Oliveiras.

10. 4ª petição: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Pedimos assim o pão quotidiano tanto espiritual que é a graça de Deus, como temporal, que é o sustento necessário para nos conservar no serviço de Deus. Representada está a 4ª petição por um anjo que traz um pão ao profeta Elias. 

11. 5ª petição: Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos pecados como perdoamos as ofensas que nos fazem. O perdão das injúrias é uma condição sem a qual é uma condição sem a qual não podemos receber de Deus o perdão de nossos pecados. A petição quinta está representada por Jesus Cristo perdoando na cruz aos seus verdugos, e por Davi poupando a Saul que o perseguia para matá-lo.

12. 6ª petição: Não nos deixeis cair em tentação, - Pedimos a Deus que nos livre das tentações, ou não permitindo que sejamos tentados, ou dando-nos a graça de não sermos vencidos. As tentações, se não consentimos nelas, são úteis e meritórias, porque nos fazem ser humildes e recorrer à Deus: vem a ser uma ocasião de merecimento na terra, e de glória no céu quando ficamos vencedores. Para não sermos tentados devemos fugir particularmente três coisas: a ociosidade, o dormir muito e a intemperança. 
A gravura representa a tentação de Nosso Senhor no deserto.

13. 7ª petição: << Mas livrai-nos do mal. >> Pedimos a Deus que nos livre de todo o mal tanto da alma como do corpo, no tempo e para a eternidade. Nas adversidades devemos sofrer com paciência e submeter-nos à vontade de Deus. 
A gravura representa Daniel miraculosamente preservado da fúria dos leões. 


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Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

domingo, 20 de outubro de 2024

A oração


 Da oração em geral



1. A oração é uma elevação da nossa alma e do nosso coração a Deus para pedir-lhe o que é mais conveniente para a nossa salvação eterna.

2. Temos todos obrigação de orar, e por duas razões. A primeira é porque Nosso Senhor o mandou formalmente, dizendo que convinha orar sempre a Deus, e a segunda são as nossas necessidades contínuas.

3. Há duas espécies de oração: mental e vocal; ou por outro modo de coração e de boca.

4. A oração mental ou de coração é aquela em que se ora a Deus com a mente e com o coração, sem recorrer a certas palavras de costumes.

5. A oração de boca ou vocal é aquela que se faz com palavras.

6. Deus conhece as nossas necessidades, mas quer Ele que lhe dirijamos nossas preces, porque, com impetrar o que pedimos, quer que reconhecemos e exaltemos a sua benignidade para conosco.

7. Pode se fazer oração em todo lugar e em todo tempo, mas devemos principalmente orar de manhã e à noite, nas tentações e tribulações, e na igreja porque é o lugar consagrado a Deus e a casa propriamente da oração; porque ali se celebram os sagrados mistérios: porque o concurso de muitos que oram juntos torna a oração mais eficaz e poderosa.

8. A nossa esperança de que havemos de ser ouvidos na oração funda-se nas promessas de Deus onipotente, misericordioso é fidelíssimo, e nos merecimentos de N. S. Jesus Cristo, em nome do qual, como Ele mesmo nos ensinou e como pratica a Igreja, havemos de pedir as graças na oração.

9. Da oração provêm os seguintes frutos: 1º honra-se e louva-se a Deus; 2º aumenta-se a virtude; 3º enfraquecem-se as paixões; 4º aplaca-se a justiça de Deus.

10. A oração não é ouvida por culpa de quem ora, quando quem ora está em desgraça de Deus sem vontade de converter-se.

11. A oração não é ouvida por causa do modo como é feita, quando lhe faltam as condições necessárias, cujas principais são: atenção, humildade, fé e perseverança. 

12. Orar com atenção quer dizer que nos devemos aplicar à oração sem nos distrairmos voluntariamente, e orar de coração em quanto rezarmos com a boca.

13. Orar com humildade quer dizer que nos devemos reputar indignos de alcançar o que pedimos e acompanhar a oração com reverente compostura do corpo.

14. Orar com fé quer dizer que Deus pode e quer ouvir-nos pelos merecimentos de seu divino filho.

15. Orar com perseverança quer dizer não cessar de pedir a graça que havemos mister, acrescentando sempre: se for da vossa vontade.

16. As nossas orações não são ouvidas pelo motivo de coisa que pedimos, quando pedimos coisas que não convêm à nossa eterna salvação.

17. O que devemos pedir é o que se contém no Pai-nosso.

18. Podemos pedir a Deus a saúde e os bens temporais, com tal que isto se faça com submissão à sua vontade.

19. Devemos orar por nós, pelos nossos pais e parentes, por nossos superiores espirituais e temporais, em geral por todos os homens, não excetuando os nossos inimigos, pela nossa pátria, e pelas almas do purgatório a fim de livrá-las das suas penas e introduzi-las no céu. 



Explicação da gravura


20. No meio está Moisés orando numa colina em quanto os Hebreus lutam na planície contra os inimigos.

21. Vê-se no ângulo superior esquerdo uma família a rezar em comum. No ângulo superior direito, uma família a rezar antes da comida. No ângulo inferior esquerdo, uma família rezando antes do trabalho.

22. No ângulo inferior direito vê-se a Santo Antão orando com atenção e fervor diante do Crucifixo em quanto os demônios procuram distrair e tentá-lo de mil maneiras.


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.


 


sábado, 19 de outubro de 2024

4º Mandamento da Igreja: Jejuar quando manda a Igreja




 5º Mandamento da Igreja: Não comer carne nas sextas-feiras e nos Sábados.¹

1. A Igreja nos manda jejuar na quaresma toda, exceto os domingos, nas quatro temporas, e nas vigílias de algumas festas.

2. O jejuar consiste a comer uma só vez ao dia com abstinência de certas comidas, que são as carnes de animais terrestres e aves de pena, os ovos e laticínios² que são produzidos pelos animais. 

3. Nos devemos abster dessas comidas por mortificação, pois são nutritivas e mais gostosas.

4. Comer carne nos dias de jejum, sem causa, é pecado mortal.

5. Dizemos que para jejuar se há de comer uma só vez ao dia, porque a consoada* somente é permitida pelo costume. Podemos comer à consoada coisas de pouca substância e em pequena quantidade.

6. Para comer ovos e laticínios ao jantar em dias de jejum é preciso tomar a Bula da santa Cruzada.

7. O preceito do jejum principia a obrigar a vinte e um anos completos.³

8. A Igreja sendo mãe não quer prejudicar a saúde de seus filhos, e por isso dispensa da obrigação do jejum os que não tem boa saúde ou que tem muito trabalho extraordinário.

9. A quaresma são quarenta dias de jejum e penitência, instituídos pela Igreja, 1º para honrar e imitar o Jejum de Jesus Cristo no deserto; 2º para excitar-nos a fazer penitência; 3º para preparar-nos à celebrar os mistérios da paixão de Cristo; 4º para dispor-nos a comunhão pascal.

10. O jejum das quatro temporas foi instituído: 1º para consagrar pela penitência cada uma das estações do ano; 2º para pedir a Deus a conservação dos frutos da terra; 3º para dar-lhe graças pelos frutos já recebidos; 4º para suplicar-lhe que dê bons ministros à sua Igreja.

11. Foi instituído o jejum das vigílias para que os fiéis se preparem a celebrar mais, devotamente as festas. 

12. Nos ordena a Igreja a abstinência em cada semana para nos estimular a viver na penitência e fazer-nos exercitar na mesma, escolheu a sexta-feira em honra da paixão de Jesus Cristo e o sábado em memória da sua sepultura.

13. Principia a obrigar o preceito de não comer carne deste os sete anos completos.

14. Quem está dispensado da abstinência não está dispensado do jejum: são coisas diversas.

15. Nos dias de jejum não se pode comer carne e peixe na mesma comida.


Explicação da gravura

16. Na parte superior da gravura, vê-se a N. S. Jesus Cristo tentado pelo demônio no deserto.

17. À direita, um padre impõe a cinza na cabeça dos fiéis no primeiro dia da Quaresma dizendo: Lembre-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar. 

18. À esquerda, nas temporas do verão, está representado a ordenação dos subdiáconos; mais abaixo, nas têmporas do outono, está representada a ordenação dos diáconos; embaixo, nas têmporas do inverno, está representado a imposição das mãos na ordenação dos padres; mais acima, à direita, nas têmporas da primavera, está representada a consagração das mãos na ordenação dos sacerdotes.

19. Na parte superior da gravura à direita vê-se o velho Eleazar a quem querem obrigar a comer carnes proíbidas pela lei.

20. Na parte superior vê-se ainda representado um festim onde se serve carne em dia proíbido. Ao centro vê-se um baile em tempo de quaresma, e mais abaixo o inferno onde se precipitam.

21. No ângulo esquerdo inferior vê-se, profeta Jonas profetizando a ruína de Nínive.

22. No ângulo direito vê-se São João Batista pregando penitência aos Judeus.


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1. A Igreja hoje, após o Concílio Vaticano II mudou um pouco as regras do jejum. Hoje de forma obrigatória ele ( o jejum) só é mandado para a Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa. As outras sextas-feiras ou sábados ficam a decisão do fiel para modelar sua devoção.

2. Da mesma forma, a abstinência [em todas as sextas-feiras do ano] hoje se toma para com as carnes de animais de sangue quente, ou seja, bovinos, suínos e aves. Os ovos e laticínios são permitidos mesmo em dias de abstinência, assim como os peixes e frutos do mar.

3. O jejum torna-se obrigatório a partir dos 18 anos e a abstinência a partir dos 14. 

*Consoada: leve refeição noturna, sem carne, que se toma em dia de jejum.

P.S.: "Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropiados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias). CIC 1438


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.



domingo, 19 de novembro de 2023

1º Mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira nos domingos e dias santos.




1. Sendo a Igreja uma sociedade perfeita, recebeu do seu divino fundador Jesus Cristo o poder de fazer leis.

2. Todos os cristãos estão obrigados a obedecer à Igreja, porque Jesus Cristo declarou que desobedecer à Igreja é desobedecer a Ele mesmo.

3. A Igreja nos impõe mandamentos para nos dirigir na observância dos mandamentos de Deus, e tornar-nos mais fácil a prática do Evangelho.

4. Os principais mandamentos da Igreja são cinco:

1º Ouvir missa inteira nos domingos e dias santos.

2º Confessar ao menos uma vez por ano.

3º Comungar pela Páscoa da Ressurreição.

4º Jejuar na Quaresma, nas quatro temporas e nas vigílias de algumas festas.**

** Hoje este mandamento é: Jejuar na Quarta-feira de cinzas e Sexta-feira da Paixão.

5º Não comer carne nas sextas feiras e nos sábados.**

** Embora o mandamento de abstinência de carne nas sextas-feiras ainda vigore, hoje o quinto mandamento da Igreja é: Pagar o dízimo segundo o costume.

5. Disse que eram cinco os mandamentos principais da Igreja, porque há outros que não são gerais para todos os fiéis, ou que se acham suprimidos ou comutados, tal é o de pagar dízimos e primícias. Não se achando hoje em vigor este preceito, devemos em consciência pagar o que a lei nos prescreve para a manutenção do culto e sustentação dos ministros do altar. 

6. Cumpre-se este mandamento assistindo ao santo sacríficio da missa com modéstia de corpo, com atenção do espírito e com devoção do coração.

7. Deseja a Igreja que os fiéis assistem a missa paroquial ou conventual, 1º porque os membros da frequesia unem-se todos para orarem juntos com o pároco; 2º porque participam mais abundantemente daquele sacrifício que por eles principalmente se oferece; 3º porque ouvem as máximas do Evangelho, que os párocos devem explicar à estação desta missa; 4º porque ficam sabendo as ordens particulares da Igreja que à essa missa se publicam, assim como as pastorais e circulares dos prelados, diocesanos.

8. A Igreja nos manda ouvir missa nos domingos e dias santos, porque, com ouvir missa, se exercita o ato mais excelso da nossa santa Religião, sendo a missa o sacrifício do corpo e sangue de Jesus Cristo oferecido sobre nossos altares debaixo das espécies do pão e vinho, em memória do sacrifício da cruz que nela se renova e continua. O sacrifício da missa difere porém do sacrifício da cruz somente em que na cruz o sacrifício foi cruento isto é, derramando sangue, e na missa não porque é incruento; na cruz morreu Jesus Cristo realmente, e na missa somente misticamente.

9. A vítima do sacrifício da missa é o mesmo Jesus Cristo que foi a vítima da cruz; o sacerdote principal é Jesus Cristo, o mesmo que também foi o sacerdote no sacrifício da cruz. O padre que diz a missa é também em certo modo o sacerdote, mas é porque fala em nome de Jesus Cristo e fazendo a sua figura. 

10. Jesus Cristo, na missa, está realmente no altar, desde a consagração até a comunhão, como vítima e como sacerdote, oferecendo aquele sacrifício pela sua Igreja, e pedindo pelos que ouvem aquela missa, oferecendo ao Pai toda a sua vida, morte e merecimentos. 

11. Além dos domingos, os dias de festas de obrigação são atualmente em todo o Portugal, os dias: do Natal, Ano Bom (Santa Maria, Mãe de Deus), dos Reis, da Ascenção, do Corpo de Deus, do Coração de Jesus, desde o meio dia da quinta-feira santa até ao meio dia da sexta-feira: os dias da Purificação, Anunciação, Assunção e Imaculada Conceição de Nossa Senhora; os dias de São João Batista, São Pedro e São Paulo e de Todos os Santos. 

12. Há outros dias da guarda para outras partes do reino, como o dia de São Vicente no Patriarcado e no Algarve, é o dia de Santo Antônio no Patriarcado. 


Explicação da gravura 

13. Representa a gravura o sacrifício da missa, as festas principais do ano, a devoção particular aos dias da semana. 


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.