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quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

As virtudes evangélicas ou conselhos




1. As virtudes evangélicas são as que se referem as virtudes cardeais e que são especialmente aconselhadas no evangelho, chamando-se por isso conselhos evangélicos. 

2. São três: pobreza voluntária, castidade perpétua e obediência inteira as quais se pode acrescentar a humildade cristã.

3. Se pratica a pobreza voluntária renunciando, por amor de Deus, à posse dos bens terrenos. 

4. Se pratica a castidade perpétua vivendo castamente, abstendo-se não só de toda a sorte de pecado carnal, mas ainda do matrimônio [continência]. 

5. Se pratica a obediência inteira, renunciando, por amor de Deus, à própria vontade para se submeter à dos superiores em tudo que não seja pecado. 

6. São três e não mais os conselhos evangélicos principais, porque são também três os impedimentos da perfeição, os quais são tirados pelos ditos conselhos. Esses impedimentos são: o amor dos bens da fortuna, o amor dos prazeres carnais, o amor das honras humanas. 

7. Estes conselhos servem para observar mais facilmente os mandamentos de Deus e unir-vos mais estreiramente com Ele, sacrificando-lhe todos os nossos bens. 

8. Estes conselhos, quando se convertem em lei por meio de votos solenes, formam os estados perfeitos da religião cristã, que se chamam ordens religiosas ou religiões, segundo a regra de cada um dos fundadores. 

9. A humildade é uma virtude pela qual, reconhecendo os nossos defeitos e fraquezas referimos a Deus o pouco de bom que em nós encontramos. Nos leva pois esta virtude a submeter-nos de coração não só aos superiores, mas ainda aos inferiores e iguais. 

10. Eis aqui como Nosso Senhor, no Evangelho, chama um jovem ao caminho da perfeição: "Um dia um Jovem de qualidade fez a Jesus esta pergunta: Bom Mestre, que devo eu fazer para possuir a vida eterna? Jesus lhe respondeu: Tu sabes os mandamentos: não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honrarás pai e mãe. Disse o homem: todos estes mandamentos tenho um guardado desde a minha infância. O tendo ouvido Jesus disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me. Quando o moço ouviu isto, se entristeceu porque era muito rico. E Jesus, vendo que ele ficara triste, disse: Que dificultosa coisa é entrarem os ricos no reino de Deus; é mais fácil entrar um camelo pelo fundo duma agulha. E disseram os que ouviam: Visto isso, quem é que pode salvar-se? Respondeu-lhes Jesus: O que é impossível aos homens, é possível a Deus. (Lc 18, 18-27). 


Explicação da gravura

11. Representa a gravura superior, à esquerda, um exemplo de humildade dado por São João Batista. Um dia, os Judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas a João para lhe perguntar: Quem és tu? E ele confessou e não negou: Eu não sou o Cristo, nem Elias, nem profeta. E o enviados perguntaram-lhe: Porque pois batizas, se tu não és o Cristo nem Elias, nem profeta? João lhes respondeu: Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele a quem não conheceis. Este é o que virá após mim, e já era antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia das sandálias. 

12. Os primeiros cristãos praticavam de um modo perfeito a pobreza voluntária. Os que tinham terras e prédios, vendiam-os, e como se vê na gravura superior, à direita, traziam aos Apóstolos o valor deles que depois era distribuídos dos pobres. 

13. A gravura inferior, à esquerda, nos representa um exemplo de perfeita obediência de São Tiago e de São João, filhos de Zebedeu. Um dia que estavam concertando suas redes, Nosso Senhor os chamou para serem seus discípulos. E eles logo deixando o barco, as redes e os pais o seguiram. 

14. Na parte inferior da gravura, à direita, está representado Nosso Senhor Jesus Cristo, o amigo dos corações puros, e ao pé dele quatro santos que sobressaíram na castidade mais perfeita, que é a virginal. São, à direita do Salvador, Maria Santíssima e São João Batista; à esquerda São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, e São João Evangelista, o apóstolo predileto. 


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 



sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

A avareza - A luxúria - A gula


 A avareza

1. A avareza é um amor desordenado dos bens temporais, principalmente do dinheiro.

2. Os sinais da avareza são: 1º o desejo inquieto e desmedido de adquirir bens temporais; 2º o buscá-los por meio injustos; 3º ou não os gastar no que é preciso.

3. Os efeitos e principais pecados de que a avareza é causa são: 1º o esquecimento de Deus; 2º a dureza para com os pobres; 3º a insensibilidade pela própria conservação; 4º a velhacaria e a injustiça. 

4. A avareza é um grande pecado. São Paulo diz que os avarentos não hão de entrar no reino dos céus. 

5. Os pobres podem ser avarentos, porque este pecado consiste também no desejo desmedido dos bens temporais.

6. A virtude oposta à avareza é a liberalidade, virtude pela qual se gasta moderadamente a própria riqueza. 

7. Os remédios principais contra a avareza são: 1º Lembrarmos que Nosso Senhor foi pobre; 2º a lembrança da morte que há de tirar-nos todos os nossos bens; 3º a esmola aos pobres, segundo as nossas posses. 


A luxúria

8. A luxúria é um apetite desordenado dos prazeres sensuais; é o vício vergonhoso da impureza condenado pelo sexto mandamento. 

9. Os efeitos e principais pecados de que a luxúria é causa são: 1º o ódio contra Deus; 2º o esquecimento dos deveres de cristão; 3º a cegueira do entendimento; 4º a dureza do coração; 5º a impiedade. 

10. A virtude oposta à luxúria é a castidade, virtude com que se refreia e doma a carne rebelde. 

11. Os remédios são: a oração, a modéstia, a mortificação, a devoção à Santíssima Virgem, mãe nossa.


A gula 

12. A gula é o gosto desordenado de comer e beber mais do que é necessário. 

13. Os principais pecados de que a gula é causa são: a embriaguez, a sensualidade, as descomedimentos, a blasfêmia, as rixas. 

14. A embriaguez voluntária é um pecado mortal porque priva o homem do uso da razão, desfigura nele a imagem de Deus tornando-o semelhante aos brutos, e porque o expõe a toda a sorte de crimes e de desordens. 

15. As virtudes opostas à gula são a temperança e a abstinência. A abstinência é uma virtude pela qual se refrea o apetite desordenado de comer e de beber em demasia. 

16. Os remédios contra a gula são: 1º rezar antes e depois das comidas; 2º praticar algumas mortificações nas mesmas comidas; 3º evitar as tavernas e as pessoas que à elas nos poderíam levar.

17. A gula, disse o Espírito Santo nas Escrituras sagradas, matou e mata mais gente do que a espada. 


Explicação das gravuras

18. São três gravuras.

A primeira representa a Judas vendendo Jesus Cristo por trinta dinheiros.

19. A segunda nos mostra o filho pródigo guardando porcos. 

20. A terceira representa a Esaú que chegando cansado da caça vende à Jacó o seu direito de primogênito ( o morgado) por um guisado de lentilhas.

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 


quinta-feira, 21 de abril de 2022

6º Mandamento de Deus: Guardar castidade.





1. O sexto mandamento proíbe todas as ações vistas e palavras contrárias à castidade.

2. Castiga Deus os pecados contra a castidade de muitos modos, mas especialmente com a cegueira da alma, pena gravíssima, a qual faz que um homem dominado do vício da desonestidade não olha nem a Deus, nem a própria honra, nem ainda a própria vida. 

3. Para evitar este vício vergonhoso devem se fugir 1º a ociosidade; 2º a guia; 3º as vistas licenciosas; a vaidade e a imodéstia no vestir; 5º os livros e espetáculos desonestos; 6º as cantigas lascivas; 7º as danças e posturas indecentes, etc.

4. Este mandamento nos ordena a castidade da alma e do corpo. Para adquirir e conservar a castidade deve-se: 1º Pedi-la amiudadas vezes a Deus, de quem é dom especial; 2º frequentar os sacramentos; 3º ser devoto de Maria Santíssima; 4º afligir o corpo com jejuns e mortificações.

5. O pecado contra a castidade é gravíssimo: 1º porque mais do que qualquer outro pecado destrói em nós a imagem e semelhança de Deus, tornando-nos semelhantes aos animais; 2º porque profana os nossos corpos que são membros de Jesus Cristo e os templos do Espírito Santo. 

6. Nosso Senhor declara que o demônio da impureza não se expulsa senão pelo jejum a mortificação e a oração: Um homem dentre o povo disse a Jesus: Eu te trouxe meu filho possuído de um espírito mudo, o qual onde quer que o apanha, o lança por terra, e o moço deita espuma pela boca, e range com os dentes, e vai se mirrando. Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam. Trouxeram então o moço. E ainda bem ele não tinha visto a Jesus, quando logo o espírito imundo o começou a agitar com violência até que caiu por terra, onde se revolvia babando-se todo. E perguntou Jesus ao pai dele: quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse: Desde a infância. E o demônio o tem lançado muitas vezes no fogo, e muitas na água para o matar. Porém, se tu podes alguma coisa, ajuda-nos: tem compaixão de nós. Disse-lhe pois Jesus: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. E imediatamente o pai do moço gritando dizia com lágrimas: Sim, Senhor, eu creio; ajuda tu a minha incredulidade. E Jesus, vendo que o povo concorria, ameaçou o espírito imundo dizendo-lhe: Espírito surdo e mudo eu te mando, sai desse moço e não tornes entrar nele. Então, dando grandes gritos, e maltratando-o muito, saiu dele, e ficou como morto, de modo que muitos diziam: está morto. Porém tomando-o Jesus pela mão o levantou e eles se ergueu. E depois que entrou em casa, perguntaram-lhe seus díscipulos particularmente: Porque o não podemos nós expelir? E ele lhes disse: Esta casta de demônios não se pode fazer sair, senão a força de oração e de jejum. (Mc 9,16-29). 


Explicação da gravura


7. Na parte superior, está representando o dilúvio, no qual pereceram todos homens, exceto Noé e a sua família. Deus enviou esse terrível castigo para punir os homens que se entregavam a todos os crimes, particularmente ao da impureza. Noé que era virtuoso salvou-se dentro da arca. 

8. Vê-se inferiormente o incêndio do Sodoma e Gomorra, cidades que foram destruídas por Deus em castigo do pecado de impureza. 

9. Vê-se na parte inferior à direita a Sansão, que cego pela paixão, revelou a Dalila o segredo da sua força. Esta mulher infame mandou-lhe cortar os cabelos, entregando-o aos Filisteus que lhe queimaram os olhos e condenaram a mover a mó dum moinho.

10. A esquerda veem-se dois filhos de Jacó matando o rei Sichem que desonrara uma sua irmã. 



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O TEU GRANDE PODER






O poder de procriar

Um diamante pode ser besuntado com alcatrão, de modo que todo o seu esplendor fique oculto. Debaixo dessa capa negra continuará a existir uma gema de brilhante beleza. Mas se nunca vimos um diamante a não ser sujo de alcatrão, a nossa opinião sobre essas pedras preciosas será mais do que negativa. 
Também o poder de procriar se reveste de extraordinária beleza; é um magnífico dom de Deus. Mas é muito possível que pense erradamente sobre o sexo uma pessoa cujos conhecimentos sexuais se tenham iniciado em conversas de rua nos anos de infância, e tenham amadurecido em conversas obscenas na fábrica ou no bar da esquina.
Esse equívoco pode ser intensificado pela inabilidade dos pais. No propósito de introduzir o filho na virtude da modéstia podem deixar nele a impressão - que depois é difícil desfazer por completo - de que os órgãos genitais são, de certo modo, pecaminosos ou repulsivos. Há pais que, de vergonha, entram em pânico se veem o Júnior, com seus quatro anos de idade, entrar na sala sem as calças. Muito mais sensato seria tomá-lo pela mão, sorrir-lhe, beijá-lo e levá-lo, como quem não quer a coisa, até o lugar onde deixou esquecida a sua roupinha. Há pais que, pela sua atitude errônea em relação ao sexo, tendem a perpetuar na sua prole essa falsa apreciação.
Nada do que Deus fez é mau, e muito menos hão de sê-lo os órgãos genitais, que são instrumentos especiais de que o Senhor se serve para o seu trabalho de criação. Uma lição de modéstia deve ser uma lição de reverência. Uma criança deve aprender que as partes privadas do seu corpo são uma zona sagrada que pertence a Deus de um modo muito especial. Na medida da sua capacidade de compreensão, pode-se explicar-lhe que tudo o que é verdadeiramente santo deve permanecer coberto, tal como o tabernáculo coberto por um véu sobre o altar e o cálice que o sacerdote leva para a celebração da Santa Missa. E não é necessário dizer que as perguntas de menino devem ser respondidas com precisão e sem dar sinais de embaraço, de maneira a satisfazer-lhe a curiosidade que sente no momento. 
Toda a educação posterior da virtude da castidade consistirá simplesmente em aumentar nos filhos este sentido inicial de reverência. O precioso poder de gerar que Deus confiou aos rapazes e às moças deve ser amado e protegido até que, no santo sacramento do Matrimônio, Ele escolha uma e outro como participantes do seu poder criador. Qualquer uso deste grande dom fora do casamento é uma traição à confiança de Deus, uma grave irreverência, a profanação de um poder que é sagrado porque diz respeito diretamente a Deus. Este é o significado da castidade.
Há muitas virtudes contra as quais é possível pecar venialmente por se tratar de matéria leve. É pecado venial furtar dez centavos, como também o é contar uma mentira inocente. Mas contra a virtude da castidade não há "matéria sem importância". Qualquer excitação consciente e deliberada do poder sexual, procurada fora da vida matrimonial, é um pecado grave. Assim os toques e os abraços não castos, chamados eufemisticamente "beijinhos" ou "carícias", são tão gravemente pecaminosos como a união carnal entre os que ainda não chegaram a ser companheiros de Deus pelo casamento. 
Mesmo dentro da vida conjugal os direitos de Deus devem ser respeitados escrupulosamente. Se marido e mulher exercem o seu poder procriador e, ao mesmo tempo, interpõem um obstáculo positivo à ação criadora de Deus - isto é, afastam Deus da sua união mediante o emprego de métodos anticoncepcionais - tornam-se culpados de pecado mortal. "Trate de ficar de fora disso, meu Deus", é o que esses casais dizem implicitamente. Há também aqui um certo pecado contra a virtude da esperança, uma falta de confiança em Deus. "Não podemos sustentar outro filho", ou "a minha saúde não o permite", costuma ser a desculpa preferida. E Deus, que conhece perfeitamente esse problema e sabe melhor do que nós qual é resposta, é deixado de lado sem a menor consideração.
A razão pela qual são mortais todos os pecados deliberados contra a castidade está na tremenda importância da faculdade sexual para a prosperidade da raça humana. Se uma cidade situada num vale obtém toda a água de que necessita de um manancial próximo, os habitantes dessa cidade cercá-lo-ão convenientemente para protegê-lo do gado ou de excursionistas pouco cuidadosos, e ao mesmo tempo colocarão em lugares bem visíveis uns cartazes em que se leia: "Proibida a entrada". Isto porque, se a água chega a ser contaminada, toda a população sofrerá as consequências. 
O bem estar da humanidade depende do reto emprego do poder de procriar, que é o manancial, a fonte da vida. Esta é a causa pela qual Deus levantou em redor da faculdade sexual a firme barreira do casamento e dispôs também um cartaz que diz: "Não atravesse", no sexto e no nono Mandamentos. Na sua infinita bondade, Deus dignou-se fazer-nos partícipes do seu próprio poder de criar. Mas tudo deve desenvolver-se do modo como Ele estabeleceu. Deus não pode permanecer indiferente se o seu precioso dom é utilizado como um brinquedo e o poder da paternidade se converte num passatempo. 


Homem, mulher e Deus.

Não há dúvida de que a prática da virtude da castidade constitui para muitas pessoas, sejam casadas ou solteiras, um problema de vida cristã. Isto não nos deve supreender. Depois do instinto de conservação, o instinto sexual é o mais forte de todos os impulsos humanos. E precisamente por ser o mais forte, é o mais avesso à disciplina. Existe uma razão que explica a violência desses nossos desejos básicos. Deus no-los concedeu para que os seus desígnios pudessem ser cumpridos. 
Deus outorgou-nos o instinto de sobrevivência ou de conservação porque desejava assegurar-se de que nós, como indivíduos, viveríamos todo o tempo que nos foi concedido e não abreviaríamos a nossa vida e saúde expondo-nos a perigos desnecessários. Dentro dos seus limites, este instinto trabalha bem: comemos quando temos necessidade de alimentar-nos, olhamos para a direita e esquerda antes de atravessar uma rua de muito trânsito, consultamos o médico quando nos sentimos indispostos. Mas se nos deixássemos arrastar por este instinto, o espatáculo que poderíamos oferecer seria bem triste. Em momentos de pânico, as pessoas atropelam-se umas às outras, sem se importarem de matar, desde que salvem a própria vida; em épocas de escassez, lutam e até se assassinam mutuamente por umas migalhas de pão; submetidas à tortura, atraiçoam os amigos para conservar a pele. Tudo isto é o que faríamos nós também se não aprendêssemos a autodisciplinar-mos, se não quiséssemos perceber que existem outros valores superiores à mera sobrevivência. 
Além do instinto de conservação, Deus favoreceu os homens com o instinto de conservação da raça, o instinto sexual. Para levar à prática os planos divinos, não é necessário apenas que o indivíduo cuide da sua existência, mas também que a raça humana se perpetue, gerando aqueles que amanhã serão os administradores do universo criado. Como a perpetuação da raça é coisa tão importante nos planos divinos, o próprio Deus acrescentou ao exercício do poder sexual um alto grau de prazer físico. Assim como fez acompanhar de prazer o ato de comer para que não morramos por falta de apetite, do mesmo modo associou ao ato de procriar um prazer físico ainda maior, para que a raça humana não venha a perecer por falta de estímulos à paternidade. 
Vimos que o instinto de sobrevivência pode degradar-nos se lhe permitimos ultrapassar os  seus próprios limites; se, por exemplo, nos aferrarmos à vida à custa dos nossos semelhantes ou, num plano mais baixo, se nos acostumarmos ao prazer de comer e pecamos por gula. Do mesmo modo, o instinto sexual pode degradar-nos se é exercido sem levar em conta os desígnios de Deus ou as limitações impostas pelo próprio Deus. Quais são esses desígnios? Quais as limitações?
Ao projetar a raça humana, Deus fez a coisa mais maravilhosa. Escolheu a humanidade para fazê-la participar com Ele do seu trabalho de criação, do mais elevado dos seus trabalhos de criação física: o de modelar a vida humana. Deus não precisava criar-nos homens e mulheres. Podia ter cuidado da perpetuação da raça humana de mil outras maneiras. Podia ter-nos feito sem potência sexual, assim como cria agora individualmente cada alma. 
No entanto, na sua infinita bondade, escolheu-nos para que participássemos com Ele do seu poder criador. Homem, mulher e Deus: estes três fariam sociedade. Mediante um ato de amor profundo, que quer manifestar a entrega completa de um ao outro, homem e mulher devem iniciar o novo corpo humano a que Deus transmitirá a nova alma espiritual. Esta será a paternidade em que a força paternal e a providência de Deus, bem como a ternura maternal e a paciência de Deus, devem refletir-se por difração na mãe e no pai humanos. 
A dignidade da paternidade vê-se aumentada por um privilégio adicional conferido por Deus. Pai e mãe não serão apenas colaboradores de Deus na criação de uma nova vida humana; serão também seus colaboradores na alimentação espiritual da alma infantil. Os pais não serão apenas os procriadores de seres humanos, serão igualmente os autores e modeladores de santos. Sob o calor do seu amor mútuo e do amor pelo filho, esta nova alma desenvolver-se-á e florescerá com a santidade desejada por Deus. Através do amor de seus pais, a criança aprenderá o que significa ser amada por Deus; através do seu próprio amor pelos que lhe deram o ser, ficará a saber o que representa amar esse Deus que lhos deu a ela. Através da oração e do exemplo dos pais, Deus comunicará a sua graça ao pequeno. Não simplesmente povoar a terra de seres humanos, mas encher o céu de santos: este é o significado último da paternidade. 
O instinto sexual serve de base a tudo isso e é uma parte do dom total do amor conjugal e - quando Deus assim o quiser - da paternidade. O pecado original destruiu o perfeito auto-domínio pelo qual a razão estava acima deste e de outros instintos humanos. Mas nem o mau uso nem o abuso poderão destruir a beleza e a santidade do dom divino do sexo. 

Leo John Trese - Não vos preocupeis









sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O matrimônio

"O Criador de tudo constituiu o matrimônio como princípio e fundamento da sociedade humana, e o tornou por sua graça o grande Sacramento, em Cristo e na Igreja (cf. Ef 5,32) e  assim, "o autêntico amor conjugal foi assumido no amor divino" (GS, 48).

O que é matrimônio?
O matrimônio é:
a) para todos os homens, o pacto instituído por Deus no começo da humanidade e assegurado por suas leis, para instaurar uma íntima comunhão de amor e de vida entre o homem e a mulher (cf. Gên 1, 27-28) e
b) para os cristãos, o mesmo pacto conjugal elevado por Cristo à dignidade de sacramento, à imagem de sua própria união com a Igreja (cf. Ef 5,32).

Qual é a "matéria" e qual a "forma" do sacramento do matrimônio?
Matéria e forma do sacramento do matrimônio são o mútuo consentimento dos esposos em viver matrimonialmente: o consentimento com vontade de entregar do próprio corpo à outra parte é "matéria" contrato; o consentimento como aceitação do corpo da outra parte é a "forma".

Quais os ministros do matrimônio?
Os ministros do matrimônio são os nubentes que o contraem na presença do Pároco ou de seu representante, mais duas testemunhas.

Quais as propriedades essenciais do matrimônio?
As propriedades essenciais do pacto matrimonial, que se tornaram mais firmes pelo caráter sacramental, são duas: a unidade e a indissolubilidade (cf. Mt 19, 3-5).

Qual é unidade do matrimônio?
Unidade é a propriedade pela qual o matrimônio vincula um só homem com uma só mulher, impossibilitando a poligamia (união de um homem com várias mulheres) e a poliandria (união de uma mulher com vários homens).

Que é a indissolubilidade?
A indissolubilidade é a propriedade pela qual o vínculo matrimonial não se dissolve senão com a morte de um dos cônjuges, impossibilitando o divórcio.

Quais as finalidades do matrimônio?
As finalidades do matrimônio são:
-a procriação e a educação dos filhos;
-a complementação dos esposos;
-a legítima satisfação da concupiscência.
O Concílio Vaticano II confirmou a doutrina tradicional da Igreja: "O matrimônio, porém, não foi instituído apenas para o fim da procriação. Mas a própria índole do pacto indissolúvel entre pessoas e o bem da prole exigem que também o amor recíproco se realize com reta ordem, que cresça e que amadureça. Por isso, embora os filhos muitas vezes tão desejados faltem, continua o matrimônio como íntima comunhão de toda a vida, conservando seu valor e sua indissolubilidade" (GS, 50).

O autêntico amor conjugal, que se exprime e se realiza de maneira singular pelo ato próprio do matrimônio, é capaz de enobrecer as expressões do corpo e da alma como elementos e sinais específicos da amizade conjugal e de enriquecê-los com uma especial dignidade?
Sim. De fato, "os atos pelos quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos, e, quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido; robustecidos, pois, pela graça para uma vida santa os cônjuges irão cultivar com assiduidade a firmeza do amor, a grandeza de alma e o espírito de sacrifício, e os implorarão em sua oração" (GS, 49).

Quais as condições para que o matrimônio seja válido?
O matrimônio entre pessoas batizadas é válido nas seguintes três condições:
a) que o mútuo consentimento, manifestado externamente, seja um ato interno e livre;
b) que o matrimônio seja celebrado segundo as normas estabelecidas pela Igreja ou "forma canônica";
c) que não haja entre os nubentes impedimentos dirimentes.

Quantos e quais são os impedimentos dirimentes?
 Os impedimentos dirimentes são doze:
a) falta de idade (18 anos);
b) impotência funcional permanentes de realizar o ato conjugal (a esterilidade não constitui impedimento);
c) vínculo matrimonial vigente com outra pessoa;
d) disparidade de culto (de pessoa batizada com não batizada);
e) parentesco de consanguinidade em linha direta (sempre) ou em linha colateral (até o 3° grau);
f) voto solene de virgindade;
g) ordem sacra (diaconato, presbiterato e episcopado);
h) afinidade - é nulo o novo matrimônio com os parentes do cônjuge morto: em linha reta (sempre) ou em linha colateral (até o 2° grau);
i) parentesco espiritual (entre padrinhos e afilhados de batismo);
j) crime: adultério ou conjugicídio; ou um ou outro, cometidos com a finalidade de se casar;
m) rapto, para se casar;
n) pública desonestidade, que torna nulo o matrimônio entre o homem e a consanguínea da mulher, e entre o homem e o consanguíneo do homem, nos 1° e 2° graus com linha direta, quando a primeira união é resultante de um matrimônio inválido ou de público concubinato.

Há impedimentos só impedientes, isto é, que não tornam nulo o matrimônio?
Os impedimentos impedientes, que tornam o matrimônio lícito, são três:
a) voto simples de castidade;
b) religião mista (de pessoa católica com protestante ou ortodoxa);
c) parentesco legal (que nasce da adoção).

A quem compete julgar os impedimentos?
Só a Hierarquia compete julgar os impedimentos matrimoniais e dispensar, de alguns deles, os fiéis cristãos.

A autoridade pública pode declarar nulo o contrato de matrimônio civil?
A autoridade pública em certas circunstâncias declara nulo o contrato de matrimônio civil, ainda quando a lei divina o proíbe. De qualquer forma, tal declaração não atinge o casamento religioso celebrado entre cristãos, que constitui um dos sete sacramentos.
O contrato civil, que também se deve fazer, é, para os cristãos, uma formalidade jurídico-social, a fim de garantir os efeitos legais do casamento religioso.

Há casos em que as autoridades eclesiásticas declaram a nulidade do casamento religioso?
Sim, toda vez em que, comprovadamente, faltou o cumprimento de uma ou mais condições enumeradas anteriormente neste apêndice.

Pode a autoridade pública conceder o divórcio, isto é, dissolver um vínculo conjugal já existente e permitir a realização de uma nova união conjugal?
De modo algum. Nenhuma autoridade, nem pública nem religiosa, poderia dissolver um vínculo de um matrimônio válida e licitamente realizado: "A salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar. Mas a dignidade desta instituição não refulge em toda a parte com o mesmo brilho, posto que a obscurecem a poligamia, a peste do divórcio, o chamado amor livre, e outras deformações" (GS,47).
Além disso, queremos lembrar o fato de que uma lei, por sua natureza, tem sempre e em primeiro lugar função "pedagógica" (no sentido originário do termo), isto é, a função de orientar positivamente e sabiamente a vida dos homens, apontando-lhes o verdadeiro e, às vezes, árduo caminho a seguir. Aceitar a dissolução do casamento é abrir a porta a todas as licenças e comprometer decisivamente a própria instituição da família.

Quais as condições para que o matrimônio seja também lícito?
São quatro as condições:
a) estado de graça; quem recebe o matrimônio em estado de pecado mortal, comete sacrilégio e se priva da graça sacramental;
b) suficiente instrução na doutrina cristã;
c) obediência às disposições da Igreja, a respeito da celebração do Sacramento;
d) ausência de impedimentos impedientes não dispensados.

Quais os efeitos do matrimônio recebido válida e licitamente?
São três efeitos:
a) a consagração da união natural, que, santificada pela graça, adquire um caráter sobrenatural;
b) o aumento, nos esposos, da graça santificante;
c) a recepção da graça sacramental, isto é, do direito a receber, por toda a vida, as graças atuais necessárias para cumprir fielmente os graves deveres da sublime missão da família cristã.

Como a Igreja deseja que se celebre o matrimônio?
O Concílio Vaticano II afirma: "Habitualmente, celebra-se o matrimônio dentro da Misa, após a leitura do Evangelho e a Homilia, antes da Oração dos Fiéis" (SC, 78).

Quais são os principais deveres dos cônjuges?
Os principais deveres dos cônjuges são:
- recíproca fidelidade; mútuo amor; compreensão;
-aceitação, manutenção e educação cristã dos filhos.

Podem os pais escolher o estado de vida dos filhos?
Não podem. "Os filhos sejam educados de tal maneira que, ao atingir a idade adulta, possam seguir com pleno senso de responsabilidade  sua vocação, inclusive religiosa, e escolher um estado de vida no qual, se vierem a se casar, possam constituir família própria em boas condições morais, sociais e econômicas. É dever dos pais ou tutores orientar, com prudentes conselhos, os jovens que vão fundar uma família; ouvindo-os de boa vontade, cuidem, porém, de não obrigá-los por coação direta ou indireta a contrair matrimônio ou a escolher determinado cônjuge" (GS, 52).

Fonte: Livro Bem aventurados os puros de coração de Pe. Vitório Lucchese


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A castidade, Virtude dos fortes

"Os fiéis, também hoje, e mesmo mais do que nunca, devem empregar os meios que a Igreja sempre recomendou para levar uma vida casta: a disciplina dos sentidos e da mente, a vigilância e a prudência para evitar as ocasiões de queda, a guarda do pudor, a moderação nas diversões, as ocupações sãs, o recurso frequente à oração e aos sacramentos da Reconciliação (Penitência) e da Eucaristia. Os jovens, sobretudo, devem ter o cuidado de fomentar a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus e propor-se como modelo a vida dos Santos e daqueles outros fiéis cristãos, particularmente dos jovens, que se distinguiram na prática da virtude da castidade" (PH, 12). 

É possível viver uma continência ou abstenção sexual periódica longa ou mesmo definitiva exigida, em concreto, pelos diversos estados de vida: a) antes do matrimônio (abstenção que cobre normalmente o período da adolescência e os primeiros anos da maturidade e que se caracteriza por uma grande excitabilidade sexual)? b) no matrimônio (até na grave circunstância de uma abstenção total forçada)? c) na viuvez ou no abandono do cônjuge (abstenção que cobre toda uma grande e penosa etapa da vida)? d) na virgindade ou no celibato consagrada (abstenção que cobre o curso de uma existência inteira)? e) na virgindade ou no celibato não consagrado (daqueles que, não sentindo o apelo de Deus à vida religiosa ou sacerdotal, não se casaram por circunstâncias diversas, alheias ou não à sua vontade, e servem a Deus  e ao próximo na sua profissão, no seu ambiente ou no seu lar)? 
Sim. É possível e relativamente fácil com a ajuda que Deus sempre dá (graça atual) a quem a procura com humildade e perseverança. Como, porém, "nada é desejável sem ser primeiro conhecido", só quem conhece a beleza da castidade será capaz de praticá-la, nas condições acima.

Como o homem procura e obtém a graça atual, que o torna forte contra todos os inimigos espirituais, e, por isso, também no combate pela castidade?
O homem procura e obtém a graça atual, seguindo o exemplo dos santos de todos os tempos, idades e estados, e particularmente o exemplo singularíssimos e excelso da Virgem Maria, a única criatura a ostentar maravilhosamente sobre a sua fronte o duplo dilema da Maternidade Divina e da Sagrada Virgindade, antes, durante e depois do parto, e desenvolvendo no seu interior uma adequada Vida Espiritual, com o recurso frequente à oração, à mortificação e aos Sacramentos, e com a observância de uma conveniente higiene e disciplina de vida. 

Quais são, porém, os dois meios essenciais de que a vida espiritual dispõe?
Os dois meios essenciais de que a Vida Espiritual dispõe são a oração e a mortificação (cf. Mc 9,29; Gál 5,17-24; 1 Cor 9,12; Mt 5, 28-29).

Entre as várias práticas de mortificação, qual a mais eficaz na luta pela castidade?
É certamente a fuga das tentações e das ocasiões de pecado (cf. SV, 52-55). "Fujo para não ser vencido", dizia São Jerônimo. O Espírito Santo afirma: "Quem ama o perigo nele perecerá" (Eclo 3,27). E Santo Agostinho: "Não digais que tendes almas puras se tendes olhos impuros, porque os olhos impuros são mensageiros dum coração impuro". 
Significativos os exemplos de José, que fugiu e foi vitorioso (cf. Gên 39,12); e de Davi, que não fugiu e cometeu adultério e homicídio (cf. 2Sam 11, 2-5).

Além da fuga, qual é outro meio muito importante nesta luta?
É a mortificação exigida para praticar as normas do pudor cristão, que pode definir-se como a "prudência da castidade". 

Como se manifesta o pudor cristão?
O pudor: a) previne o perigo que ameça; b) impede de expor-se a ele; c) não se compraz com palavras torpes ou menos honestas; d) aborrece a mais leve imodéstia; e) afastar-se da familiaridade suspeita com pessoas do outro sexo ou do mesmo sexo; f) tem horror a qualquer pecado de impureza; g) e retira-se ao primeiro assomo da sedução (cf. SV, 56-58).

Se os meios sobrenaturais ocupam o primeiro lugar na luta pela castidade, é necessário usar também os meios naturais?
Certamente também os meios naturais ajudam na luta pela castidade, especialmente: a) ocupar bem o tempo, evitando a ociosidade; b) cuidar da higiene no repouso e na alimentação (praticar esporte; evitar a temperança, o uso exagerado de bebidas alcoólicas e de excitantes; etc); c) interessar-se por bons ideais; d) cultivar amizades, que estimulem a virtude, somem energias e experiências, e criem um clima propício ao crescimento espiritual; e) ter um conhecimento prudente e exato, proporcionado à idade e ao desenvolvimento físico e psíquico, dos problemas da vida sexual. 

Para quem profanasse gravemente a pureza, estariam fechadas todas as portas da volta à beleza da virtude?
Aqueles que conheceram os desregramentos dos sentidos e experimentaram todos os tipos de concupiscência, por uma vida de luxúria, poderão, quando dóceis à graça de Deus, renunciar, pelo arrependimento sincero e a penitência confiante, a esse passado de vícios e abraçar conscientes, e com toda a generosidade, o caminho de uma nova castidade por amor a Deus, servindo-O com fidelidade onde quer que estejam. Cristo exaltou a virtude recuperada, ao referir-se à pecadora: "Seus numerosos pecados lhe são perdoados porque muito amou" (Lc 7,47). Ele já o dissera claro na parábola do filho pródigo, que, mesmo depois de servir aos porcos, viu devolvidos todos os títulos de filho (Lc 15,22-24). E a história da Igreja está cheia desses prodígios maravilhosos da Graça, que produziu um Santo Agostinho, uma Santa Margarida de Cortona, entre tantos. O amor vence tudo!

Qual a orientação da Igreja com respeito à educação sexual?
"Que as crianças e os jovens, de acordo com a idade, sejam preparados por uma educação sexual positiva e prudente" (GE,1); "eles devem ser instruídos convenientemente e a tempo sobre a dignidade, a função e o exercício do amor conjugal, a fim de que, preparados no cultivo da castidade, possam passar, na idade própria, do noivado honesto às núpcias" (GS,49). Entende-se por "educação sexual positiva e prudente", uma iniciação ou instrução "fortemente ligada a uma constante disciplina, a um vigoroso domínio de si mesmo, ao uso, sobretudo, das forças sobrenaturais da oração e dos Sacramentos" (Pio XII aos Pais de Famílias Francesas, 18-09-1951), que leve ao "cultivo da castidade".

A quem cabe a delicada tarefa da educação sexual?
A educação sexual deve ser dada pelos pais, cuja principal preocupação pedagógico-cristã será a de mostrar o fundamental e íntimo relacionamento do sexo com amor, de modo que a criança ou jovem veja, no instinto sexual, um convite que Deus faz ao homem a participar do seu amoroso poder criador, para propagar a vida. Que a criança compreenda que a mãe ou a mulher grávida realiza, no plano da vida física, o mais belo trabalho existente no universo: gera nova vida. Se os pais não puderem dar educação sexual aos filhos, hão de substituí-los, com sua autorização explícita, outras pessoas qualificadas (médicos, professores, sacerdotes ou parentes mais próximos) nas quais as crianças sintam confiança.

Um adolescente ou um jovem, que já recebeu uma sã educação sexual, possui, normalmente, a capacidade de aplicar com prudência e equilíbrio os meios de combate pela castidade?
Não. Por isso, é sumamente recomendável a prática da Direção Espiritual, que se converte no meio mais importante para viver uma vida casta e para descobrir a vontade de Deus acerca do caminho a seguir: o matrimônio ou a virgindade.

Que é a direção espiritual?
É a arte de guiar as pessoas individualmente, com um trabalho constante e progressivo, para posse do grau da perfeição à qual Deus as chama. 

Como deve ser praticada a direção espiritual?
A Direção Espiritual deve ser praticada: com sinceridade, com docilidade e com perseverança. 


Pe. Vitório Lucchesi

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A castidade conjugal

“Meio de expressão e também de conhecimento e de comunhão, o ato conjugal mantém e fortifica o amor, e sua fecundidade leva o casal ao seu pleno desenvolvimento: torna-se, à imagem de Deus, fonte de vida. O cristão tem consciência de que o amor humano é bom na sua origem e, embora esteja, como tudo o que existe no homem, ferido e deformado pelo pecado, encontra em Cristo a sua salvação e a sua redenção; aliás, não é esta a lição de vinte séculos de história cristã? Quantos casais encontraram na sua vida conjugal, o caminho da santidade, nesta comunidade de vida, que é a única fundada num sacramento?”  (Paulo VI – Alocução às Equipes de Nossa Senhora – em “Documentation Catholique” n. 1564 de 7-06-1970).

Que exige a castidade de quem vive no matrimônio?
A castidade de quem vive no matrimônio exige principalmente dois empenhos:
a)Recíproca fidelidade, que exclui o adultério;
b)Aceitação dos filhos como “o dom mais excelente do matrimônio” (GS,50).

O dever de fidelidade é igualmente grave, tanto por parte da mulher como por parte do homem?
Sim; diante de Deus, homem e mulher têm os mesmos deveres e os mesmos direitos.

Não poderia, em alguns casos e por motivos gravíssimos, tornar-se lícito o divórcio?
Em nenhum caso é lícito o divórcio; a palavra de Jesus é bem clara e não admite exceções: “O homem não separe o que Deus uniu” (Mt 19,6); “Todo aquele que repudiar a sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela; e se a esposa repudiar o seu marido e se casar com outro, comete também adultério” (Mc 10, 11-12).
A Igreja há vinte séculos sempre proclamou a unidade e a indissolubilidade do matrimônio, isto é, a união de um só homem com uma só mulher por toda a vida, e, no Concílio Vaticano II, lamenta que “a dignidade desta instituição não refulge em toda a parte com o mesmo brilho, posto que a obscurecem a poligamia, a peste do divórcio, o chamado amor livre e outras deformações” (GS,47).

É lícito aos conjugues limitar a prole?
É lícito sob as seguintes condições:
a)Que haja motivo razoável (p. ex.: razões de saúde; problemas econômicos; dificuldades de moradia, etc.);
b)Que se use método de continência ou abstenção sexual periódica, não contrário à saúde ou à higiene, nem à moral;
c)Que haja comum acordo entre os esposos e, assim, não venha a ser causa de desunião.


Que significa método da continência ou abstenção sexual periódica?
O método de continência ou abstenção sexual periódica consiste na abstenção das relações sexuais nos dias em que a mulher é apta para ser fecundada isto é, nos dias fecundos, os quais são normalmente identificado com relativa facilidade e são também muito menos numerosos do que os infecundos.

Que método são ilícitos para limitar a prole?
“Deve ser absolutamente excluído, como via legítima para a regulação dos nascimentos:
a) a interrupção direta do processo generativo já iniciado;
b) e sobretudo, o aborto querido e procurado diretamente, mesmo por razões chamadas terapêuticas;
c) a esterilização direta, tanto perpétua como temporária, e tanto do homem como da mulher;
d) toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” (HV,14).

Quando o uso dos anovulatórios, vulgarmente chamados “pílulas anticoncepcionais”, é lícito?
O uso dos anovulatórios vulgarmente chamados pílulas anticoncepcionais, é ilícito quando visa direta e intencionalmente a esterilização temporária, isto é, impedir a concepção, mediante a suspensão da ovulação. É sempre gravemente ilícito o uso de anticoncepcionais que impedem a nidificação, isto é, a implantação do óvulo fecundado nas paredes do útero, pois é um medicamento formalmente abortivo. Da mesma maneira é ilícito o uso de meios mecânicos de contracepção como o Diu ou “serpentina” e outros, ultimamente chamados, pelos meios de comunicação, de “selo anticoncepcional”.

O uso de anovulatórios pode justificar-se quando constituem recurso terapêutico no tratamento de distúrbios ginecológicos?
A simples suspensão da ovulação poderia constituir um meio para o tratamento de determinadas doenças. Neste caso, seu uso não seria contrário aos princípios morais, por não se tratar de efeito maus em si, como seria o caso do aborto direto assim chamado “terapêutico”, sempre ilícito. O Papa disse-o claramente na Encíclica “Humanae Vitae”: “A Igreja não considera ilícito o recurso aos meios terapêuticos, verdadeiramente necessários para curar doenças do organismo, ainda que daí venha a resultar um impedimento, mesmo previsto, à procriação, desde que tal impedimento não seja, por motivo nenhum, querido diretamente” (HV,15).

Quais são os métodos naturais que os esposos podem tranquilamente usar para a regulação da natalidade?
São três:
a) o método Ogino-Knaus (ou da “tabela”);
b) o método de Doyle (ou da temperatura);
c) o método Billings (da ovulação ou da mucosidade ou da “clara do ovo”).

A continência periódica, ao quase enquadrar o amor dentro de um calendário, não é demasiado artificial ou mesmo contrária à natureza?
“Diante desta pergunta, deve-se dizer que ela supõe um conceito de amor que é parcial ou unilateral; esse conceito tende a identificar amor e sexo, ou mesmo a reduzir o amor no ato da cópula. Na verdade, o amor, antes de ser relacionamento sexual, é procura efetiva do bem de outro de outrem e exprime-se através de várias formas de atenção, apreço, delicadeza... não diretamente ligadas ao amplexo sexual. A continência periódica é precisamente o teste que comprova, ou não, a existência do autêntico amor, que é, ao mesmo tempo, espiritual e sensível. Os esposos que sabem abster-se de relações sexuais porque abraçam o mesmo ideal ou porque um quer bem ao outro e não lhe quer ser molesto ou importuno, mostram (precisamente pela sua continência) que tem mais profundo e puro amor um ao outro. Quando um casal ou um dos cônjuges chega a dizer: “ou tudo ou nada!”, isto é, ou relações sexuais ou nenhum relacionamento conjugal!”, evidencia-se que o amor desse casal ou desse cônjuge é falso em si mesmo e em suas expressões; é antes instinto do que valor tipicamente humano. O sexo, no ser humano, vem a ser a expressão ou sinal do amor; por conseguinte, tem que pairar acima dos instintos ou dos impulsos meramente libidinais, numa conduta de domínio e subordinação dos sentidos à razão e ao ideal. No ser humano o sexo está a serviço do amor e transmite o amor que o homem e a mulher concebem consciente e livremente em vista da construção de uma meta que ultrapassa os particularismos de um e outro.
Note-se, outrossim, que a continência periódica consiste em fazer uso natural de fenômeno naturais. É isto que a torna especialmente sadia tanto no ponto de vista físico como no ponto de vista moral. A natureza é sábia, como se diz proverbialmente; respeitá-la é desenvolver as chances que ela por si mesma oferece ao homem, é certamente penhor de engrandecimento e nobreza da pessoa humana” (D. Estevão Betterncourt O.S.B – “Planejamento familiar e o método Billings”, na revista “Pergunte e responderemos” – Julho de 1976, n.199).

É possível demostrar de um ponto de vista psicológico e científico que o sexo não pode separar-se da afetividade e da imaginação, enfim, do amor?
Sim. É possível demostrar de um ponto de vista psicológico e científico que o sexo não pode separar-se da afetividade e da imaginação, enfim, do amor, sob pena de se entrar num processo de gradação de todos os níveis da personalidade humana.

Pode-se demostrar o mesmo no plano religioso?
Sim. No plano religioso, o amor sobrenatural complementa e reforça o amor natural e sensível.

Pode, no entanto, ocorrer no próprio matrimônio a grave circunstância de uma continência ou abstenção longa ou mesmo definitiva exigida em concreto pelos cônjuges e em que eles não possuam outra saída lícita a não ser a da convivência fraterna?
Sim. Pode ocorrer na vida matrimonial esta grave circunstância e nela só resta aos cônjuges abraçar durante esse período o ideal de se bem querer um ao outro, sabendo, no entanto, não existirem condições outras para que esse amor se expresse a não ser espiritualmente.


Fonte: Vitório Lucchesi

sábado, 12 de outubro de 2013

A castidade e seus obstáculos

“Para praticar a castidade é preciso dominar e aplacar, com vigilância e combate constantes, as revoltas e as paixões do coração, fugir das solicitações do mundo e vencer as tentações do demônio. Com muita razão dizia São João Crisóstomo:
‘A raiz e o fruto da castidade é uma vida crucificada’.

O que é castidade?
A castidade (conjugal ou consagrada – na virgindade, no celibato) é uma virtude sobrenatural que regula o comportamento do homem no que diz respeito à concupiscência da carne e mais particularmente no que tangue ao uso sexual ou à continência ou abstenção sexual mais ou menos prolongada, assegurando os elevados objetivos que Deus lhe deu na perspectiva da vida matrimonial e da família.

Qual é a visão cristã do sexo?
O sexo permite ao homem colaborar com Deus na criação da vida física. Cada ser novo é fruto da ação do pai e da mãe que formam o corpo e de Deus que cria e infunde a alma.
Os homens vencem a morte física e continuam no tempo, pelos filhos que nascem da sua carne e do seu amor. Por isso, o sexo é patrimônio da humanidade. É o caudal da vida que passa de geração em geração, carregando vícios, virtudes, taras e heroísmo, dos que a transmitiram. Profanar o sexo é atentar contra a humanidade do futuro.
Mais do que todas as poluições, deve aterrar-nos a poluição genética, que está comprometendo a saúde física, mental e moral do amanhã. O sexo, evidentemente, constitui uma dimensão básica do homem e estrutura a personalidade, com todos os seus valores positivos. Outra coisa é o uso do sexo, dentro dos objetivos na natureza, e a que se pode renunciar sem nada perder de pessoal, para se pôr a serviço de Deus e do próximo, com toda a sua riqueza, no plano da vida religiosa, assistencial, científica, etc..., como veremos, inclusive na vida física, enquanto forma de enriquecer-se espiritual e fisicamente.

Que é virtude?
Chama-se virtude a disposição constante de nossas faculdades, que facilita a prática do bem. A virtude chama-se natural, quando é fruto das forças na natureza, encaminhadas estavelmente pela repetição constante dos atos bons, sobrenatural, se é infundida por Deus na alma junto com a Graça santificante. Segundo a doutrina comumente aceita, as chamadas virtudes cardeais são também sobrenaturais e aperfeiçoam e elevam as virtudes de igual nome naturalmente adquiridas, dando-lhes um objetivo superior às forças naturais.

Quais são as principais virtudes sobrenaturais?
- As três teologais (Fé, Esperança e Caridade), infundidas em nossa alma pela graça batismal, que têm como objetivo imediato e principal o próprio Deus;
- As quatro cardeais (Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança), que são como os eixos em torno dos quais giram as outras virtudes morais.
A castidade, virtude moral ligada à temperança, exprime admiravelmente, no uso sexual ou na continência ou abstenção sexual mais ou menos prolongada, a caridade ou o amor.
Os vícios são o contrário das virtudes.

Quais são os apetites ou concupiscências?
Apetites ou concupiscências (paixões, instintos) são forças naturais de que Deus dotou o homem em vista de particulares finalidades.

Quais são as principais concupiscências?
São três: 1. A concupiscência da carne, 2. A concupiscência dos olhos e 3. O orgulho da vida.

Em que consiste cada concupiscência e qual a sua finalidade?
1.     Os apetites da carne referem-se sobretudo à sexualidade, destinada ao matrimônio, alicerce da família e, portanto, da sociedade;
2.    Os apetites dos olhos referem-se sobretudo ao desejo de possuir e usar os bens matérias: sua finalidade é o bem estar dos homens, procurando com o trabalho e a economia;
3.    O orgulho da vida manifesta-se nas duas profundas inclinações da estima de si e do desejo da estima dos outros, destinadas, ambas, a facilitar a convivência entre os homens. O amor próprio ordenado, nascido da valorização de si mesmo, pode levar à séria preparação para o exercício do poder e mesmo à busca de posições de mando como forma de serviço à comunidade.
A desordem das concupiscências, que conduz o mundo no seu espírito anticristão, não vem de Deus (cf. Jo 2,16).


Como as concupiscências se tornaram desordenadas?
A primeira causa de desordem das concupiscências foi o pecado original; a desordem aumenta pelos pecados atuais da sociedade e de cada pessoa.

Quais os vícios causados pela desordem das concupiscências?
São: a) a luxúria, causada pela desordem da concupiscência da carne;
b) a avareza, causada pela desordem da concupiscência dos olhos;
c) a soberba, causada pela desordem do orgulho da vida.
São os três vícios capitais, assim chamados por serem como que as fontes de todos os pecados: os outros quatro são: ira, gula, inveja e preguiça.

Quais são as três virtudes que se opõem àqueles três vícios?
A castidade, que se opõe à luxúria;
A liberalidade, que se opõem à avareza;
A humildade, que se opõem à soberba.

Quais são os três maiores inimigos da castidade?
A castidade é uma virtude que exige combate perseverante e vitorioso contra: a) a desordem do instinto sexual; b) o demônio; c) o mundo.

Qual é, na Bíblia, o significado da palavra ‘mundo’?
Na Bíblia a palavra ‘mundo’ é usado com três significados diferentes:
a)    Mundo= humanidade: “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,17). É o mundo que devemos amar e pela salvação do qual devemos sofrer, rezar, trabalhar;
b)   Mundo= planeta em que vivemos: “Nada trouxemos para o mundo e nada dele podemos levar” (1Tm 6,7; 1Cor 4,13; 5,10) Também este mundo devemos amar;
c)    Mundo= reduto de satã contra Cristo: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém amam o mundo, não está nele o amor do Pai... Ora, o mundo passa... mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 Jo 2,15-17). Este é o mundo, nosso inimigo, contra o qual devemos lutar.

O mundo, obstáculo à castidade, é hoje menos ou mais forte do que no passado?
É mais forte. “Nestes últimos tempos, aumentos a corrupção dos costumes de que é um dos mais graves índices uma desmesurada exaltação do sexo; ao mesmo tempo, pela difusão dos meios de comunicação social e dos espetáculos, ela tem vindo a invadir o campo da educação e a infectar a mentalidade geral” (PH,1).
Como o problema sexual é acima de tudo um problema mental e o sexo tem a importância que nós lhe damos, compreende-se a tragédia da supersaturação de sexo e erotização do cérebro por todos os meios de comunicação, na sociedade contemporânea. Quando a virtude se torna cada vez mais difícil e o vício cada vez mais sedutor, a degradação já está dentro de casa. 

fonte: livro Bem-aventurados os puros de coração- Pe. Vitório Lucchesi

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

São Francisco de Assis


Hoje é dia de um santo muito especial para mim São Francisco de Assis, que como muitos santos se comemora a festa no dia do falecimento, 04 de outubro de 1226; neste pequeno trecho de sua história veremos quão ardente é sua fé é como é um exemplo digníssimo de ser seguido.

Frederico  II, imperador da Alemanha, conseguiu, graças à proteção do papa Inocêncio III, em 1215, tornar-se rei da Sicília, dominando despoticamente várias regiões da Itália.
O poderoso monarca instalou sua corte, por certo tempo, em Bári. E nessa cidade permaneceu, por ocasião de rigoroso inverno; ouvindo falar de Francisco de Assis, quis conhecê-lo. Ansioso por ver a figura ascética do jogral angélico de Deus, mandou chamá-lo, hospedando-o em seu rico e suntuoso castelo. Instigado por seus ímpios cortesões, resolveu o licencioso soberano pôr à prova a virtude do filho de Bernadone. 
Certa noite, após a ceia, recolheram-se todos a seus aposentos, aquecidos por magníficas lareiras. 
Mas, Francisco, receoso e alarmado com o luxo do quarto de dormir, e pressentindo algum perigo, voltava, sem cessar, seu pensamento a Deus, pedindo misericórdia. Em dado momento, antes que se despisse de seu tosco burel, sentiu algo estranho, e divisou formosa mulher que a ele se dirigia com desmedida lascívia, envolvendo-o em sensuais carinhos e tentando, assim, levá-lo ao pecado contra o sexto mandamento da Lei de Deus.
Temendo o rugir de inesperada sensualidade, não obstante soubesse que acima da carne paira a alma imortal tocada pela graça  divina, atirou-se à lareira, sendo logo envolvido por um fogo vivíssimo e purificador. 
Vendo-o em chamas, impressionante tocha humana, a Messalina, aos gritos, correu para fora do quarto, pedindo socorro. Frederico, tomando de espanto e medo, aproximou-se de Francisco, que, milagrosamente livre do fogo, surgiu ileso, diante de todos, confundindo os pérfidos cortesões que lhe armaram a perigosa cilada.
Conta-se que Francisco de Assis se entreteve, algum tempo, com Frederico, e, discorrendo sobre a doutrina cristã, repetiu-lhe as palavras de Jesus: "Quem aproveita ao homem ganhar o mundo, se vier a perder a sua alma? (Mt 16,26).
Sabemos, através da história, que a boa semente divina não encontrou naquele homem dominado por duro materialismo, terreno favorável, não germinou, pois ele não se converteu. Todavia, não foi inteiramente em vão o colóquio de Francisco com Frederico: mais tarde, em 1221, o imperador baixou severas leis contra os jogadores, os blasfemadores e as mulheres do mundo, e contra o fatalismo e os vícios dos hebreus. 
Providências de tal ordem, emanadas de quem estava longe de ser piedoso e morigerado, teriam sido possivelmente o fruto do maravilhoso episódio e da conservação havida no castelo de Bári, naquele memorável inverno de 1216. 

fonte: Francisco, cantor da paz e da alegria- Deodato Ferreira Leite

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Proteção contra os pecados que atingem a virtude da castidade

Maria, Filha amada de Deus Pai, entrego minha alma aos vossos cuidados. Protegei a vida de Deus em minha alma. Não permitais que eu a perca por causa do pecado. Protegei minha mente e minha vontade para que meus pensamentos e desejos agradem a Deus. 
Ave- Maria...

Maria, Mãe amorosa de Deus Filho, entrego meu coração aos vossos cuidados. Fazei que vos ame de todo coração. Fazei com que ame sempre o meu próximo. E ajudai-me a evitar amigos que possam me afastar de Jesus e me levar a uma vida de pecado. 
Ave- Maria...

Maria, esposa amorosa do Espírito Santo, entrego meu corpo aos vossos cuidados. Fazei que sempre me lembre que meu corpo é um templo para o Espírito Santo que habita em mim. Não permitais nunca que peque contra Ele cometendo atos impuros e contra a virtude da pureza, seja sozinho  ou com outras pessoas.
Ave- Maria...

Autor desconhecido

Oração para implorar a graça da proteção da castidade

Senhor Jesus Cristo, esposo da minha alma, deleite do meu coração, ou melhor, meu coração e minha alma, prosto-me diante de Ti de joelhos, rezando-Te e suplicando-Te com todo o meu fervor para que me concedas preservar a fé que me deste de modo solene. Por isso, dulcíssimo Jesus, que eu rejeite toda impiedade, seja sempre contrário aos desejos carnais e às concupiscências terrenas, que atacam a alma e que, com a Tua ajuda, eu conserve íntegra a castidade. 
Oh! Santíssima e Imaculada Virgem Maria, Virgem das virgens e Mãe nossa amantíssima, purifica todos os dias o meu coração e a minha alma, pede para mim o temor ao senhor e pede particularmente pouca confiança nas minhas próprias forças. São José, protetor da virgindade de Maria, protege minha alma de todo pecado. Todas vós, Virgens Santas que seguem, onde quer que seja, o Cordeiro de Deus, sede sempre solícitas em relação a mim, pecador, para que não peque, em pensamentos, palavras e obras e nunca me afaste do castíssimo coração de Jesus. Amém.