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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O TEU GRANDE PODER






O poder de procriar

Um diamante pode ser besuntado com alcatrão, de modo que todo o seu esplendor fique oculto. Debaixo dessa capa negra continuará a existir uma gema de brilhante beleza. Mas se nunca vimos um diamante a não ser sujo de alcatrão, a nossa opinião sobre essas pedras preciosas será mais do que negativa. 
Também o poder de procriar se reveste de extraordinária beleza; é um magnífico dom de Deus. Mas é muito possível que pense erradamente sobre o sexo uma pessoa cujos conhecimentos sexuais se tenham iniciado em conversas de rua nos anos de infância, e tenham amadurecido em conversas obscenas na fábrica ou no bar da esquina.
Esse equívoco pode ser intensificado pela inabilidade dos pais. No propósito de introduzir o filho na virtude da modéstia podem deixar nele a impressão - que depois é difícil desfazer por completo - de que os órgãos genitais são, de certo modo, pecaminosos ou repulsivos. Há pais que, de vergonha, entram em pânico se veem o Júnior, com seus quatro anos de idade, entrar na sala sem as calças. Muito mais sensato seria tomá-lo pela mão, sorrir-lhe, beijá-lo e levá-lo, como quem não quer a coisa, até o lugar onde deixou esquecida a sua roupinha. Há pais que, pela sua atitude errônea em relação ao sexo, tendem a perpetuar na sua prole essa falsa apreciação.
Nada do que Deus fez é mau, e muito menos hão de sê-lo os órgãos genitais, que são instrumentos especiais de que o Senhor se serve para o seu trabalho de criação. Uma lição de modéstia deve ser uma lição de reverência. Uma criança deve aprender que as partes privadas do seu corpo são uma zona sagrada que pertence a Deus de um modo muito especial. Na medida da sua capacidade de compreensão, pode-se explicar-lhe que tudo o que é verdadeiramente santo deve permanecer coberto, tal como o tabernáculo coberto por um véu sobre o altar e o cálice que o sacerdote leva para a celebração da Santa Missa. E não é necessário dizer que as perguntas de menino devem ser respondidas com precisão e sem dar sinais de embaraço, de maneira a satisfazer-lhe a curiosidade que sente no momento. 
Toda a educação posterior da virtude da castidade consistirá simplesmente em aumentar nos filhos este sentido inicial de reverência. O precioso poder de gerar que Deus confiou aos rapazes e às moças deve ser amado e protegido até que, no santo sacramento do Matrimônio, Ele escolha uma e outro como participantes do seu poder criador. Qualquer uso deste grande dom fora do casamento é uma traição à confiança de Deus, uma grave irreverência, a profanação de um poder que é sagrado porque diz respeito diretamente a Deus. Este é o significado da castidade.
Há muitas virtudes contra as quais é possível pecar venialmente por se tratar de matéria leve. É pecado venial furtar dez centavos, como também o é contar uma mentira inocente. Mas contra a virtude da castidade não há "matéria sem importância". Qualquer excitação consciente e deliberada do poder sexual, procurada fora da vida matrimonial, é um pecado grave. Assim os toques e os abraços não castos, chamados eufemisticamente "beijinhos" ou "carícias", são tão gravemente pecaminosos como a união carnal entre os que ainda não chegaram a ser companheiros de Deus pelo casamento. 
Mesmo dentro da vida conjugal os direitos de Deus devem ser respeitados escrupulosamente. Se marido e mulher exercem o seu poder procriador e, ao mesmo tempo, interpõem um obstáculo positivo à ação criadora de Deus - isto é, afastam Deus da sua união mediante o emprego de métodos anticoncepcionais - tornam-se culpados de pecado mortal. "Trate de ficar de fora disso, meu Deus", é o que esses casais dizem implicitamente. Há também aqui um certo pecado contra a virtude da esperança, uma falta de confiança em Deus. "Não podemos sustentar outro filho", ou "a minha saúde não o permite", costuma ser a desculpa preferida. E Deus, que conhece perfeitamente esse problema e sabe melhor do que nós qual é resposta, é deixado de lado sem a menor consideração.
A razão pela qual são mortais todos os pecados deliberados contra a castidade está na tremenda importância da faculdade sexual para a prosperidade da raça humana. Se uma cidade situada num vale obtém toda a água de que necessita de um manancial próximo, os habitantes dessa cidade cercá-lo-ão convenientemente para protegê-lo do gado ou de excursionistas pouco cuidadosos, e ao mesmo tempo colocarão em lugares bem visíveis uns cartazes em que se leia: "Proibida a entrada". Isto porque, se a água chega a ser contaminada, toda a população sofrerá as consequências. 
O bem estar da humanidade depende do reto emprego do poder de procriar, que é o manancial, a fonte da vida. Esta é a causa pela qual Deus levantou em redor da faculdade sexual a firme barreira do casamento e dispôs também um cartaz que diz: "Não atravesse", no sexto e no nono Mandamentos. Na sua infinita bondade, Deus dignou-se fazer-nos partícipes do seu próprio poder de criar. Mas tudo deve desenvolver-se do modo como Ele estabeleceu. Deus não pode permanecer indiferente se o seu precioso dom é utilizado como um brinquedo e o poder da paternidade se converte num passatempo. 


Homem, mulher e Deus.

Não há dúvida de que a prática da virtude da castidade constitui para muitas pessoas, sejam casadas ou solteiras, um problema de vida cristã. Isto não nos deve supreender. Depois do instinto de conservação, o instinto sexual é o mais forte de todos os impulsos humanos. E precisamente por ser o mais forte, é o mais avesso à disciplina. Existe uma razão que explica a violência desses nossos desejos básicos. Deus no-los concedeu para que os seus desígnios pudessem ser cumpridos. 
Deus outorgou-nos o instinto de sobrevivência ou de conservação porque desejava assegurar-se de que nós, como indivíduos, viveríamos todo o tempo que nos foi concedido e não abreviaríamos a nossa vida e saúde expondo-nos a perigos desnecessários. Dentro dos seus limites, este instinto trabalha bem: comemos quando temos necessidade de alimentar-nos, olhamos para a direita e esquerda antes de atravessar uma rua de muito trânsito, consultamos o médico quando nos sentimos indispostos. Mas se nos deixássemos arrastar por este instinto, o espatáculo que poderíamos oferecer seria bem triste. Em momentos de pânico, as pessoas atropelam-se umas às outras, sem se importarem de matar, desde que salvem a própria vida; em épocas de escassez, lutam e até se assassinam mutuamente por umas migalhas de pão; submetidas à tortura, atraiçoam os amigos para conservar a pele. Tudo isto é o que faríamos nós também se não aprendêssemos a autodisciplinar-mos, se não quiséssemos perceber que existem outros valores superiores à mera sobrevivência. 
Além do instinto de conservação, Deus favoreceu os homens com o instinto de conservação da raça, o instinto sexual. Para levar à prática os planos divinos, não é necessário apenas que o indivíduo cuide da sua existência, mas também que a raça humana se perpetue, gerando aqueles que amanhã serão os administradores do universo criado. Como a perpetuação da raça é coisa tão importante nos planos divinos, o próprio Deus acrescentou ao exercício do poder sexual um alto grau de prazer físico. Assim como fez acompanhar de prazer o ato de comer para que não morramos por falta de apetite, do mesmo modo associou ao ato de procriar um prazer físico ainda maior, para que a raça humana não venha a perecer por falta de estímulos à paternidade. 
Vimos que o instinto de sobrevivência pode degradar-nos se lhe permitimos ultrapassar os  seus próprios limites; se, por exemplo, nos aferrarmos à vida à custa dos nossos semelhantes ou, num plano mais baixo, se nos acostumarmos ao prazer de comer e pecamos por gula. Do mesmo modo, o instinto sexual pode degradar-nos se é exercido sem levar em conta os desígnios de Deus ou as limitações impostas pelo próprio Deus. Quais são esses desígnios? Quais as limitações?
Ao projetar a raça humana, Deus fez a coisa mais maravilhosa. Escolheu a humanidade para fazê-la participar com Ele do seu trabalho de criação, do mais elevado dos seus trabalhos de criação física: o de modelar a vida humana. Deus não precisava criar-nos homens e mulheres. Podia ter cuidado da perpetuação da raça humana de mil outras maneiras. Podia ter-nos feito sem potência sexual, assim como cria agora individualmente cada alma. 
No entanto, na sua infinita bondade, escolheu-nos para que participássemos com Ele do seu poder criador. Homem, mulher e Deus: estes três fariam sociedade. Mediante um ato de amor profundo, que quer manifestar a entrega completa de um ao outro, homem e mulher devem iniciar o novo corpo humano a que Deus transmitirá a nova alma espiritual. Esta será a paternidade em que a força paternal e a providência de Deus, bem como a ternura maternal e a paciência de Deus, devem refletir-se por difração na mãe e no pai humanos. 
A dignidade da paternidade vê-se aumentada por um privilégio adicional conferido por Deus. Pai e mãe não serão apenas colaboradores de Deus na criação de uma nova vida humana; serão também seus colaboradores na alimentação espiritual da alma infantil. Os pais não serão apenas os procriadores de seres humanos, serão igualmente os autores e modeladores de santos. Sob o calor do seu amor mútuo e do amor pelo filho, esta nova alma desenvolver-se-á e florescerá com a santidade desejada por Deus. Através do amor de seus pais, a criança aprenderá o que significa ser amada por Deus; através do seu próprio amor pelos que lhe deram o ser, ficará a saber o que representa amar esse Deus que lhos deu a ela. Através da oração e do exemplo dos pais, Deus comunicará a sua graça ao pequeno. Não simplesmente povoar a terra de seres humanos, mas encher o céu de santos: este é o significado último da paternidade. 
O instinto sexual serve de base a tudo isso e é uma parte do dom total do amor conjugal e - quando Deus assim o quiser - da paternidade. O pecado original destruiu o perfeito auto-domínio pelo qual a razão estava acima deste e de outros instintos humanos. Mas nem o mau uso nem o abuso poderão destruir a beleza e a santidade do dom divino do sexo. 

Leo John Trese - Não vos preocupeis









quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Famílias numerosas



Quando as pessoas veem uma família numerosa logo pensam e por vezes falam :' - Nossa! Vocês não tem televisão em casa?'
Embora a frase seja ridícula, é verdadeira. No sentido que quando as pessoas não possuíam televisão, internet e tantas outras distrações, elas viviam mais intensamente suas vidas; conversavam, cantavam, contavam histórias para seus filhos e óbvio tinham mais tempo livre para o convívio íntimo com o cônjugue, não somente o ato sexual em si mas também havia maior cumplicidade, diálogo, sonhos compartilhados, histórias vividas. 
Hoje a maioria das famílias vivem ao redor de um aparelho televisor, vivendo uma vida paralela, aquela que é mostrada na tela da TV, sonham os sonhos dos atores e de diálogo mesmo só restam as falas dos filmes prediletos que já sabem de cor.

As histórias dos heróis da antiguidade, das princesas, das peripécias dos reinos encantados, as cantigas de roda...
Foram substituídos por desenhos animados esdrúxulos, novelas imundas e ruídos horripilantes com ritmo acelerado.
Hoje para muitos ter filhos é "uma sentença de morte". 
Eu penso: Morte para quem? Para o quê?
Morte sim! Ao nosso egoísmo, a nossa falta de compromisso às promessas que assumimos na celebração do nosso matrimônio.
Morte à nossa falta de responsabilidade como cristãos católicos!
Morte à tudo o que nos impede de seguir a Cristo de perto.

Quer saber como era o olhar de Cristo?
Olhe nos olhos de um bebê e sinta toda pureza e paz que um dia se Deus quiser gozaremos eternamente com Ele. 
Sacrifícios sempre terão, mesmo que a vida seja difícil, nada se compara a gerar filhos para o Céu, com a confiança que um dia eles verão a Deus face a face e aí tudo terá valido a pena. 

Sejamos férteis! No amor e na vida!
Sim à Vida! Não ao aborto!
Não! ao controle de natalidade!
Não! à cultura de morte!







quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Mais um filho!?


Tal texto foi extraído do Blog comshalon.org, postado no dia 11 último, e, realmente, vale a pena difundi-lo, pois bem retrata a realidade de uma família que deseja resistir às ondas destrutivas da Civilização Cristã, como, por exemplo, o controle de natalidade. Trata-se de um relato de autoria de Renato Guimarães Varges — responsável pelo referido blog.

Filhos, uma escola de amor

No dia 07 de maio de 2013, meu quarto filho foi concebido. Poucos dias depois veio a confirmação da gravidez e naturalmente a notícia foi se espalhando.
Algumas pessoas como minha mãe e amigos próximos ficaram imensamente felizes e já foram logo dando palpite sobre o sexo do bebê. Outras pessoas já sorriram só com o canto da boca, respiraram fundo e deram uns parabéns amarelado ou por pura educação. Outras sequer conseguiram disfarçar seus pensamentos e teceram comentários divididos por categoria, os irônicos diziam: “vocês são animados hein!” ou “vocês não tem TV em casa?”; os pseudo-entusiastas: “vocês são guerreiros!” ou “nossa, que coragem!”; os calculistas: “mais um? meu Deus!” ou “quem vai pagar suas contas?” ou “vocês planejaram isso?” ou “já marcaram a laqueadura de trompas?”; e por fim os dramáticos: “foi um acidente?” ou “como vocês vão viver?” .
Comentários à parte, estamos imensamente felizes com a chegada do caçula da vez. No entanto, a decisão de escrever esse artigo é fruto do desejo de fazer uma pequena partilha do que vivo como pai e defensor da cultura da vida e expressar um pouco algo que me incomoda muito na cultura que vivemos atualmente.
Ah sim, você pode perguntar “E o que isso tem a ver com bioética?” Respondo: ABSOLUTAMENTE TUDO!!! Pois a bioética não pode ficar presa nos livros, conceitos e teorias, mas para defende-la e exercê-la com autoridade, é preciso antes de tudo acreditar nela na nossa própria vida.
Ao observar a postura de certos casais diante da realidade dos filhos, tenho me perguntado: Por que alguns casais estão convencidos de que os filhos são verdadeiros estraga prazeres da vida conjugal? De onde vem esta mentalidade de que os filhos diminuem a qualidade de vida do casal? Por que existe tanto espaço para a cultura materialista que só consegue enxergar os filhos como potenciais consumidores, gastadores e devoradores de salário? Por que alguns pais querem dar aos filhos um padrão de vida que não possuem como se isso fosse a fórmula do sucesso pessoal e familiar? Por que as pessoas tem tanto pavor do trabalho que as crianças dão em casa, enquanto se matam no trabalho para cumprir metas e conseguir promoções? Por que o cansaço e as exigências com a educação dos filhos são tão rejeitados? Por que as mulheres valorizam tanto o trabalho fora de casa como se educar um filho em casa não fosse um serviço tão ou mais nobre à sociedade quanto qualquer outro trabalho?
Passaria horas aqui somente escrevendo perguntas do tipo, mas esse não é meu objetivo, como também não é responde-las ou levantar um debate sobre cada um dos temas, isso daria um livro o qual eu não tenho competência para escrever.
Gostaria simplesmente de tentar descrever porque considero os filhos um dom preciosíssimo de Deus e uma verdadeira escola de amor. Nossos planos como casal nunca foram baseados no conforto, nem nas férias inesquecíveis na Disney, nem na casa dos sonhos, mas sempre foram baseados no papel que estávamos assumindo diante de Deus e da Igreja, ou seja, o compromisso de ser uma família. Não tenho nada contra as férias (aliás estou precisando das minhas), nem contra a Disney (dizem que é muito divertido), mas os que se casam confiando unicamente em planos materiais e só tomam decisões com a segurança da conta corrente não estão preparados para construir uma família que ama a Deus acima de todas as coisas e provavelmente não terão a fé como seu maior valor. Se você nunca pensou nisso ou simplesmente nem leva isso em consideração, sinceramente você tem meu respeito, mas, por experiência própria, posso garantir que o matrimônio como um empreendimento meramente humano perde uma dimensão que considero essencial.
Recordo quando descobrimos a gravidez do nosso 3º filho, uma pessoa chegou para mim e disse:“Ih… agora vocês se danaram. Saiba que o mundo foi feito pra quem tem no máximo dois filhos!” Eu estava um pouco destemperado no momento e respondi sem medir muito as palavras, mas expressando o que se passava no fundo do meu coração: – “E quem disse que nós geramos filhos pensando neste mundo minha senhora?”. Ela arregalou os olhos e viu que eu tinha me ofendido, mas fui obrigado a continuar, especialmente porque eu sabia que ela já havia criticado um outro casal amigo. Eu concluí dizendo: – “Uma família católica gera filhos para povoar o Céu e não nossas cidades, queremos gerá-los para a eternidade, pois é lá que desejamos encontrá-los um dia, a herança que temos para deixar para nossos filhos é a fé, o amor de Deus e a santidade, todo resto é consequência. O bem estar que ofereço é aquele que Divina Providência nos conceder”… Pelo silêncio acho que ela acabou entendendo. Mas é exatamente isso!
Um casal que rejeita o dom dos filhos ou se fecha irreversivelmente a essa possibilidade está invertendo em absoluto a razão de ser do matrimônio, do ato conjugal e do propósito de estarem unidos por um sacramento. Não estou aqui fazendo apologia à mera quantidade de filhos. Ninguém pode me acusar disso. Sobre esse assunto, o que digo é que existem quatro critérios que devemos adotar quando pensamos em ter filhos:
1. A confiança na vontade de Deus e na Divina Providência deve ser maior que nossos fundos de investimentos.
2. A quantidade de filhos não se calcula pela quantidade dos que já temos, mas pela generosidade com os que ainda podemos ter.
3. O próximo filho será ainda mais exigente, portanto, nos fará crescer ainda mais na partilha e no amor.
4. O melhor presente que posso dar aos meus filhos é o próximo irmão.
Ou seja, não é simplesmente uma questão ter muitos filhos, mas ter o máximo que o casal puder. Quanto mais filhos um casal tiver, mais experimentarão da Providência de Deus. Não estou fazendo apologia à irresponsabilidade, mas à generosidade.
Os filhos só terão sentido na vida de um casal e assim contribuir para a santidade da família se eles forem entendidos e acolhidos como dons de Deus e não como intrusos, vilões ou saqueadores de seu cheque especial. Você pode estar ai dizendo que isso é um exagero ou que eu vivo fora da realidade. Nada disso! Há momentos, não poucos, em que temos a impressão que os filhos exigem mais do que podemos dar, humana e financeiramente, ou que a educação que damos vai parar em qualquer outro lugar que não seja a cabecinha da criança. Isso tira qualquer um do sério, mas não justifica a rejeição dos filhos, nem a substituição do nosso papel na sua educação, muito menos achar que tudo que fizemos até hoje de nada valeu. Ultimamente, quando estou muito cansado e me pego rejeitando dar atenção ou calculando quanto amor vou dar a um filho, penso em três coisas, exatamente nessa ordem:
1. Como São José agiria nesse momento?
2. Nas crianças abortadas que não tiveram a chance de nascer.
3. Nas famílias que estão na fila da adoção na esperança de ter pelo menos um filho em casa. Pode parecer um pouco ingênuo, mas pelo menos funciona.
Há duas coisas que vem junto com os filhos. Uma é inversa e outra diretamente proporcional à sua quantidade. O tempo livre será sempre inversamente proporcional e o cansaço sempre diretamente proporcional à quantidade de filhos. Isso não tem escapatória! Quanto ao tempo, não tem jeito, se não tivessem os filhos, seria ocupado com outra coisa, talvez até menos nobre.
Nunca considero o tempo que passo com meus filhos uma perda, nem fico ponderando mentalmente o que eu poderia estar fazendo caso não estivesse ali com eles, pois isso seria uma espécie de traição e talvez diminuísse minha alegria de estar com eles. Não adianta, educação não se terceiriza e quem cai nessa cilada, muito cedo paga o preço. Educar os filhos exige muito mais esforço que os mais árduos trabalhos profissionais. Talvez por isso alguns preferem, consciente ou inconscientemente, distrair os filhos do que educá-los. Outros talvez tenham medo de colocar limites claros e dar punições para não perder a amizade dos filhos. Mas a realidade da boa educação exige exatamente o contrário. Meus filhos ainda são pequenos, ainda me idolatram como qualquer criança, mas tenho certeza que seria muito mais fácil eu perder a amizade futura dos meus filhos por não tê-los deixado aprender com as quedas do que pela liberdade que dei para aprenderem a caminhar com suas próprias pernas e entender que crescer e amadurecer dói. Educar é penoso e por vezes vergonhoso porque mostra muito mais os limites dos pais do que as capacidades dos filhos. Por isso, ao invés de fugir desta sadia responsabilidade, devemos abraça-la ainda com mais dedicação.
Quanto ao cansaço, esse é uma marca do sofrimento físico de quem ama. Um corpo sem as marcas do sofrimento, das exigências de quem se doa ao outro é um corpo que reflete muito mais o que faço para mim do que o que faço pelos outros. O corpo de quem ama é esculpido pelo amor e não pelas academias, por isso, nossos melhores “personal trainers” são nossos filhos. Um corpo que se desgasta por amor é um corpo sarado sim, mas sarado no sentido de ser curado a todo instante de um possível egoísmo ou fechamento aos outros.
Sempre confesso meu cansaço ao cuidar das crianças, mas ajudar nas tarefas de casa, dar as refeições, conviver com meus filhos, poder sorrir com eles, ouvir suas palhaçadas, consolar as dores das suas quedas, fingir que eles são engraçados, dar atenção, corrigir seus erros, tirar as dúvidas brincar, contar histórias, escovar os dentes, brigar, cantar e rezar com eles é um grande presente de Deus.
Concluo dizendo que só sabe educar quem decide amar. Definitivamente, amar não é uma emoção agradável, nem um sentimento gostoso, como descer numa montanha russa. Amor é uma decisão séria e comprometida que envolve em primeiro lugar a felicidade do outro e não a minha. Amar é um sim mútuo entre dois imperfeitos que se escolhem. Amar é decidir-se por fazer o que é melhor pelo outro ainda que isso custe o meu tempo, meus planos, meu sono, minha beleza, minhas últimas energias. Com alegria digo que Deus não me deu o dom da vida para ser retido, afinal, o que guardamos demais acaba perdendo a validade e apodrecendo. Nunca o cansativo cuidado com os meus filhos aliviou tanto meu cansaço.
Por fim, posso dizer, não se descansa apenas dormindo. Descansa-se acima de tudo amando e servindo aos outros. Quando se ama de verdade, até o sono é uma forma de amar, pois o repouso nos fará servir melhor aos outros ao despertar. Por essas e outras razões, posso afirmar que os filhos são uma escola de amor!
Por Renato Guimarães Varges

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O controle da natalidade

"Estejam todos certos de que a vida dos homens e a missão de a transmitir não se continuam no tempo presente, nem se podem medir ou entender por esse tempo apenas, mas que estão sempre relacionados com a destinação eterna dos homens" (GS, 51).


 Podem os cônjuges achar-se em circunstâncias tais em que, ao menos por certo tempo, o número de filhos não deve crescer?
A nossa mãe Igreja está bem consciente de que isso possa acontecer. De fato, no recente Concílio Vaticano II, assim se expressou: "O Concílio sabe que os esposos encontram muitas vezes obstáculo na organização harmoniosa da vida conjugal por certas condições modernas de vida. E podem achar-se em circunstâncias em que, ao menos por certo tempo, o número de filhos não deve crescer; é nelas que com dificuldade se conservam o cultivo do amor fiel e a plena intimidade de vida. 
Existem os que ousam trazer soluções desonestas a esses problemas e não recuam até mesmo diante da destruição da vida. Mas a Igreja torna a lembrar que não pode haver verdadeira contradição entre as leis divinas sobre a transmissão da vida  e o cultivo do autêntico amor conjugal" (GS, 51).

A decisão sobre o número dos filhos a procriar cabe aos esposos ou à autoridade pública?
Cabe aos esposos. "Em virtude do direto inalienável do homem ao matrimônio e à geração da prole, a decisão sobre o número de filhos a procriar depende do juízo reto dos cônjuges. De maneira alguma pode ser atribuída ao critério da autoridade pública. Mas como a decisão dos esposos supõe uma consciência bem formada, é de máxima importância que a todos se dê a possibilidade de chegar ao nível de uma responsabilidade reta e verdadeira humana com relação à lei divina, de acordo com as circunstâncias da realidade do tempo" (GS, 87), de modo que os cônjuges, retamente "harmonizando o amor conjugal com a transmissão responsável da vida" (GS, 51), "exerçam a função de procriar com responsabilidade generosa, humana e cristã" (GS,50), lembrando que "tudo isso é impossível se a virtude da castidade conjugal não for cultivada com sinceridade" (GS,51).  Este direito for cultivada com sinceridade" (GS,51). Este direito dos esposos, assim compreendido, exclui qualquer interpretação no sentido de arbitrariedade egoísta.

Que pensar da esterilização do homem ou da mulher imposta pelo Estado por razões do "bem comum" ou procurada pelo interessados como meio de "controle"?
Trata-se, no caso da Autoridade Civil, de um abuso intolerável que conduz à degradação mais abjeta do ser humano. As chamadas razões de "bem comum" não passam de considerações meramente econômicas e até políticas, que nascem de uma concepção materialista do homem e totalitária do Estado.
Entretanto, nem ao indivíduo é lícito mutilar-se, a não ser nos casos em que a extirpação de um órgão deteriorado é necessária à sobrevivência. Nem se apele ao princípio da totalidade, isto é, que a esterilização, por exemplo a ligadura  de trompas, beneficiaria o conjunto de tal vida matrimonial posto em perigo pela possibilidade da concepção. A Igreja lembra antes o bem ético da pessoa que está em jogo e toda a ordem moral ameaçada pelas mutilações individuais, destinadas a fugir das consequências naturais do uso do sexo (Doc. da Sagr, Congr. Doutr. Fé, sobre a esterilização - 13.03.75, L´OSSERVATORE ROMANO de 19.12.75).
Quando se fala tanto em paternidade responsável, conviria insistir igualmente, ao menos tanto, no uso responsável do sexo, pois o sexo sem responsabilidade perde toda a sua grandeza. 

É lícito a um casal jovem evitar  a procriação durante alguns anos  até que tenha consolidado sua situação emocional e  econômica, e gozado livremente uma vida conjugal sem filhos?
A entrada no matrimônio com estas disposições pode criar sérios entraves ao amor que "não é olhar um para o outro, mas ambos na mesma direção".
A esterilização voluntária do amor retarda ou impede a consolidação emocional que precisamente se objetiva. Pelo contrário, a generosa abertura para a fecundidade, se bem que não exclua a prudência, é o clima do autêntico amor, tão oposto ao egoísmo, ainda que "a dois".
Os reais problemas econômicos não são tão reais, quando se pensa que o amor se nutre de sacrifícios e que vale a pena lutar contra a mentalidade da assim chamada "sociedade de consumo", em que o homem, vítima da propaganda, se torna escravo de tantas "necessidades" secundárias pré-fabricadas. 

Por que a continência ou abstenção sexual periódica é considerada pela Igreja "uma via lícita" no que tange o controle da natalidade?
Porque a continência periódica consiste em "fazer uso natural de fenômenos naturais". Ligada à aplicação dos métodos naturais da regulação da natalidade, que se fundamentam em um fato biológico, ou seja, na existência de alguns dias fecundos no curso da vida reprodutiva de toda mulher, a omissão da  omissão da relação conjugal durante tais dias torna inviável a concepção.

Os vários métodos artificiais de controle da natalidade - que são, moralmente ilícitos- além de falharem mais em seu objetivo (impedir a concepção) que os métodos naturais, trazem também graves inconvenientes à saúde da mulher?
Sim. Os métodos anticoncepcionais artificiais (recursos a substâncias químicas, em pomada, pó ou líquido, a meios mecânicos ou relações antinaturais, a "pílula anticoncepcional, etc) podem constituir, por si mesmos, ameça à saúde d a  mulher: "Quando a mulher é privada do valor nutritivo do líquido espermático por métodos anticoncepcionistas artificiais, produzem-se em seu organismo alterações de caráter local como geral" (Dr. Frederich J. MacCann, em "A influência das práticas anticonceptivas sobre os órgãos sexuais femininos").
Podem surgir problemas muito sérios, como: o efeito hipertensiogênico (os anticoncepcionais desencadeiam pressão arterial alta das mulheres predispostas); o efeito diabetogênico; o efeito carcinogênico (particularmente se houver antecedentes de câncer de mama) e, além disso, os efeitos colaterais que prejudicam a sua estética, como por exemplo: o cloasma (manchas no rosto, de cura mais difícil do que as semelhantes que às vezes ocorrem em gestantes), as varizes, o aumento de peso (que tem diminuído paralelamente com a redução dos hormônios). Isto sem falar de consequências mais comuns do uso de contraceptivos mecânicos ou químicos, como infecções pélvicas, peritonites, lesões mais ou menos sérias, etc.

Qual dos três métodos naturais de controle da natalidade (Ogino- Knaus, Doyle, Billings) é o mais seguro?
É o método Billings, assim chamado porque foi estudado e elaborado com particular êxito pelo casal de médicos australianos John e Evelyn Billings; o método tem sido aplicado com grande resultado evidenciando ser seguro. 
A utilização, no entanto, conjugada dos três métodos mencionados comporta, surpreendentemente, uma margem diminuta de  apenas um por cento de  erros (ou seja, noventa e nove por cento de êxito), o que nem o mais sofisticado anovulatório moderno consegue oferecer, sem que se corra o perigoso para a saúde física e moral, tão ardilosamente encoberto pela extraordinária máquina publicitária. 

Em que consiste o método Billings ou da ovulação ou da mucosidade ou da "clara  de ovo"?
O método Billings se chama também método da ovulação porque nos indica uma maneira fácil e segura para reconhecer a aproximação e a verificação da ovulação.
De fato, um indicador seguro do período da ovulação e, por isso, dos dias em que a mulher pode ser fecundada é a presença do sintoma ou fluxo mucoso (derrame de secreção uterina de composição alcalina), que, nos dias mais fecundos, se assemelha à "clara de ovo", apresentando-se suave e elástico com sensação de "molhado", escorregadio e lubrificante na área genital ao redor da vagina. 
Toda mulher pode aprender, pela simples observação, a interpretar corretamente seu fluxo mucoso, distinguindo-o do líquido seminal, que é outra coisa. 

Em quais casos, portanto, deverão os esposos, se quiserem licitamente evitar a concepção, abster-se de relações conjugais?
Nos dias fecundos da mulher, isto é:
a)durante a menstruação;
b) quando houver fluxo mucoso e nos três dias seguintes;
c) se houver hemorragia durante o ciclo menstrual, e nos três dias seguintes a esta hemorragia.

O método Billings é de ajuda também aos casais que têm dificuldades em conseguir nova gravidez?
Sim. O reconhecimento do sintoma mucoso, que preanuncia a ovulação, pode ser de grande ajuda aos casais que têm dificuldade em conseguir nova gravidez. De fato, a melhor possibilidade de obter uma gravidez verifica-se quando as relações conjugais ocorrerem nos dias em que a mulher percebe em nível máximo a sensação de umidade e lubrificação produzida pelo muco cervical ou fluxo mucoso.

Em que sentido a ciência pode contribuir para o bem do matrimônio e da família, e a paz das consciências?
"Os especialistas em ciências, mormente biológicas, médicas, sociais, podem contribuir grandemente para o bem  do matrimônio e da família, e a paz das consciências, se, mediante estudos comparados, se esforçarem por esclarecer mais profundamente as condições que favorecem a honesta regulação da procriação humana" (GS, 52).

Pe. Vitório Lucchesi


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Famílias numerosas, famílias felizes


Quando João XXIII recebeu no Palácio Apostólico a visita de dez irmãos, sendo nove religiosos e um bispo, logo disparou: “Uma mamãe? Sim, Santidade, uma mamãe”. A cena é belíssima e, de certo modo, nostálgica, uma vez que famílias com muitos filhos têm se tornado um espécime raro ano após ano, mesmo entre os católicos. As últimas pesquisas relativas à taxa de fecundidade no Brasil, por exemplo, indicam um declínio contínuo a partir da década de 1960, período em que o governo passou a disseminar os métodos anticoncepcionais  como política de saúde pública. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de crianças por família no país é de 1,9. Número relativamente aquém do necessário para reposição da população que, conforme especialistas, seria de 2,1 no mínimo. 

“Não, eu não quero mais um filho, porque não poderemos viajar de férias, não poderemos ir a tal lugar, não poderemos comprar uma casa”. É o que costumam dizer aqueles que veem com pavor a ideia de ter uma família numerosa, critica o Papa Francisco num desafio à cultura do “bem-estar à qualquer custo”. Com isso, o Santo Padre assevera o ensinamento de seu predecessor, Paulo VI, há muito olvidado: “O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias, se bem que, algumas vezes, acompanhadas de não poucas dificuldades e angústias” (Cf. Humanae Vitae, n. 1). A geração e o cuidado da prole não são somente um direito natural da família, mas algo que se enquadra no próprio projeto de Deus e, por isso, um dever. Com efeito, mesmo que em algumas circunstâncias surjam dificuldades, a graça de poder transmitir a vida não pode ser sobrepujada por questões banais e de ordem materialista. 

A defesa dos anticoncepcionais, feita muitas vezes por católicos, até mesmo de maneira intransigente e soberba, demonstra a incapacidade de enxergar a beleza do dom da paternidade e o vazio espiritual que assolam a sociedade moderna. “Quer-se seguir Jesus, mas até certo ponto”, pontifica o Papa. Ora, não espanta a quantidade de divórcios realizados desde a sua trágica aprovação, já que são consequência lógica da forma como os casais passaram a relacionar-se após o advento da contracepção artificial: como objetos de prazer. 

As famílias numerosas, por outro lado, agem conforme a regra única do amor e, obviamente, da paternidade responsável - aquela que opera dentro dos limites do bom senso e da reta conduta cristã - abrindo-se generosamente ao dom da criação. Testemunha a favor disso a própria história recente, cheia de exemplos boníssimos de casais, desde os mais ricos aos mais pobres, que abandonaram-se à providência divina e contribuíram, assim, para o desenvolvimento saudável de seus filhos, dentro de um lar agraciado pela presença do pai, da mãe e dos primeiros amigos: os irmãos. Quando existe a confiança no auxílio da graça, existe também a confiança mútua do marido e da mulher, a busca pela unidade e a consumação dessa união numa só carne. União indissolúvel que nenhuma lei pode cancelar.

A geração de um novo filho é, pois, a mais genuína expressão do amor de um casal, fato que, num momento de profunda angústia, levou Raquel a implorar a seu marido: “Dá-me filhos, se não morro” (Cf. Gen 30, 1). É o cumprimento do mandato divino “sede fecundos e multiplicai-vos (Cf. Gen. 1,28), pois “não é bom que o homem esteja só” (Cf. Gen. 2,88). “Por isso - lembra o Concílio Vaticano II - o autêntico cultivo do amor conjugal, e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do matrimônio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do criador e salvador, que por meio deles aumenta cada dia mais e enriquece a sua família” (Cf. Gaudium et Spes, n. 50).


fonte: https://www.facebook.com/padrepaulo