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sábado, 17 de maio de 2025

Nossa Senhora da Escada





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 Nossa Senhora da (Conceição) da Escada 

Lisboa - Portugal

A remota tradição da existência deste título é anterior à conquista de Lisboa. Chamaram-lhe primeiro da Corredoura, nome da antiquíssima ermida gótica ao norte do Rocio, e depois, no reinado de D. Afonso II, Nossa Senhora da Conceição da Escada, ou, abreviando, Nossa Senhora da Escada. 

Edificado o convento de S. Domingos, no reinado de D. Sancho II, a ermida ficou junto da nova igreja. Foi o povo quem deu a essa imagem de Nossa Senhora o título de - da Escada, aludindo aos 31 degraus que dava acesso ao seu Santuário. 

Junto da sua ermida buscavam remanso os pescadores, amarrando os seus barcos aos argolões de ferro chumbados em pilares de cantaria lavrada, e, ao descerem o esteiro do tejo, de gorros sobraçados e de mãos erguidas, pediam-lhe que lhes protegesse as redes. Tão querida e popular foi, que, pelo testemunho de Frei Luís de Souza, todas as procissões que a cidade ordenava, ou para pedir a Deus remédio, ou para necessidades públicas, ou para agradecer mercês recebidas, a essa ermida se dirigiam. 

No reinado de D. Afonso III mais se avigorou esse culto. Gente do mar e da terra procurava-a em romarias, e muitos vinham de longe em batéis enramados, levando-lhe o cumprimento de votos e promessas.

D. Diniz rendeu-lhe preito, dizendo-nos o mesmo historiador que, desde aquela época, uma procissão de brandões acesos se organizavam todos os anos.

No reinado de D. Fernando foi restaurado o seu pequeno Santuário. 

Chegara a época solene e decisiva da sucessão, hora dolorosíssima para o povo português. Campos e várzeas portuguesas eram taladas pela avidez castelhana, avançando para o festim de uma conquista que parecia fácil; porém mais uma vez desceu sobre Portugal o olhar misericordioso de Deus, e o Condestável e D. João lançaram-se no choque tremendo e rápido da batalha de Aljubarrota. 

Quando, no outro dia, um cativo dos castelhanos confirmou a notícia da vitória alcançada, o povo em massa, gente de todas as classes, caminhou descalço para o seu altar. 

Cumprindo o povo os votos que fizera - de três procissões anuais, uma delas no dia 1º de maio, dirigia-se à sua ermida, e as casas punham-se em festa. D. João I restaurou-lhe a ermida. Enfim, todos os monarcas foram devotos de Nossa Senhora da Escada. 

Em 1531 um terremoto abateu-lhe a ermida, porém a imagem ficou ilesa no seu altar. 

D. João III, reconstruindo Lisboa, logo determinou fosse a ermida a primeira obra a reconstruir; porém, novamente destruída pelos dominadores, a imagem foi salva, tendo ido para a casa dos Franciscanos da Terceira Ordem, onde ficou numa ermidinha; mas em 1505 levantou-se o convento, e, como a imagem tinha o título de - da Escada, e também para ocultá-la à impiedade, colocaram-na no Oratório de uma escadaria que dos claustros dava passagem para as tribunas da capela-mor. 

Na manhã de 1º de novembro de 1755 o seu pequeno refúgio foi novamente abalado pelo grande terremoto que destruiu parte da cidade. O convento e a igreja tornaram-se ruínas; só uma escadaria ficou intacta, mostrando a imagem no pequeno Oratório. 

Acolheram-na almas piedosas, sendo depois levada para a igreja paroquial de Nossa Senhora das Mêrces, onde é venerada, pois o seu culto afervorou-se novamente, fundando-se em 1761 a sua Irmandade. 

(Esta notícia histórica foi-me também enviada de Portugal.)

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Edésia Aducci - Maria e seus gloriosos títulos.

Fonte da imagem: https://www.a12.com/academia/titulos-de-nossa-senhora?s=nossa-senhora-da-conceicao-da-escada

Nossa Senhora da Guarda







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Nossa Senhora da Guarda 

Marselha - França

Um jovem sacerdote de Marselha construiu em 1214 no morro da Guarda, com o consentimento do Abade de S. Vitor, a cuja Abadia pertencia o morro, a primeira capela (dedicada a Nossa Senhora), que ficou sempre incorporada à Abadia. 

O culto desenvolveu-se rapidamente nesta capela, o que se prova pelas muitas instituições e irmandades de Nossa Senhora da Guarda, obtendo assim Nossa Senhora em novo título, tirado do nome do morro em que foi construída a capela. 

Estando a primitiva capela em ruína, começaram em 1477 a construção da segunda, em existiu até o século XIX. A imagem mais antiga, que havia na primeira capela, tinha o título de Nossa Senhora Morena (Notre Dame la Brune), por ser de cor escura. 

Na revolução de 1794 desapareceu, assim como outra que era venerada ao mesmo tempo, e também milagrosa, denominada "A Virgem do Ostensório", porque Nossa Senhora, em vez do Menino Jesus, tinha na mão um ostensório. 

Depois da revolução, foi a antiga capela reaberta ao culto em 1807, tendo sido a nova imagem levada em solene procissão, do convento de Picpus para a montanha santa, indo descalços todos os fiéis que acompanharam a procissão. 

Êste lugar de peregrinações foi em 1837 entregue aos Padres Oblatos, que construíram a grande Basílica em estilo romano-bizantino, a qual foi consagrada em 1864. 

A colossal estátua de Nossa Senhora colocada na torre da Basílica saúda, como se fora o símbolo da paz e da verdade, os cristãos que combatem o bom combate por terras e mares afora. 




Nossa Senhora da Guarda conserva até os dias de hoje a sua primitiva glória e celebridade, pois de seiscentos a setecentos mil peregrinos de todos os países da Europa a visitam anualmente, porém é visitada muito especialmente pelos marselheses, que consideram a Guarda o seu Santuário, e mais ainda o veneram os navegantes, que hoje, como outrora, lhe oferecem miniaturas de navios, desde o mais antigo barco a vela até o mais moderno transatlântico, para que sejam protegidos em sua perigosa profissão. 

Até o século XVIII costumavam os navios que regressavam à pátria, assim como todos os que estavam no pôrto, saudar Nossa Senhora com um tiro de canhão, enquanto os marinheiros se ajoelhavam no convés e cantavam a "Salve Rainha". 

Ainda hoje, muitos marinheiros, quando vão empreender uma longa viagem dirigem-se antes ao Santuário de Nossa Senhora da Guarda, para se despedirem e pedirem a sua proteção.

Inúmeros ex-votos, placas de mármore com inscrições, corações de pratas e velas sem número, além dos naviozinhos acima citados, atestam a confiança que depositavam e depositam ainda hoje na imagem milagrosa de Nossa Senhora da Guarda. 

O Santuário eleva-se no cimo de uma rocha, no morro da Guarda, de onde se descortina o belo e rico panorama da baía de Marselha.

(Versão resumida do livro "Wallfartsorte Europas".)

Edésia Aducci - Maria e seus gloriosos títulos.

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Fonte das imagens

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segunda-feira, 14 de abril de 2025

Nossa Senhora dos Anjos

 

Clichy-sous-Bois (França)

Muitos parisienses conhecem a Capelinha de Nossa Senhora dos Anjos, e sabem que este título se originou de uma bonita lenda: 
Em 1212 três negociantes naturais de Anjou, atravessando imprudentemente a floresta de Bondy, foram atacados por bandidos, despojados, atados a árvores e abandonados na espessura da mata. Depois de um dia e uma noite passados nessa situação, e depois de terem feito uma ardente súplica e em voto à Santíssima Virgem Maria, foram milagrosamente salvos por um Anjo. E, no lugar em que foram presos, brotou uma fonte, que devia perpetuar a lembrança de proteção de Maria. 

Os três negociantes construíram pouco depois um oratório dedicado a Nossa Senhora dos Louvores, título logo mudado para- Nossa Senhora dos Anjos , e para lá foram em peregrinação com as respectivas famílias. Os doentes, ainda nos dias de hoje, bebem na água na fonte milagrosa. 

Em 1655, M. de Nesmod, Presidente do Parlamento de Paris, colocou a primeira pedra da capela, que foi solenemente consagrada a 8 de setembro de 1663.  

A tormenta revolucionária destruiu esta capela, que foi reconstruída e melhorada. 

A imagem de Nossa Senhora dos Anjos data do século XIII. De 8 de 17 de setembro fazem uma novena em preparação para a festa principal. 

(Versão resumida do livro "Mille Pèlerinages de Notre-Dame", de I. Couturier de Chefdubais.)

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Edésia Aducci - Maria e seus gloriosos títulos, 2ª ed. 1960. Ed. Lar Católico


sábado, 30 de dezembro de 2023

Nossa Senhora de Paris

 Paris (França)




A Catedral Metropolitana de Paris é como que o símbolo do amor filial devotado à Mãe de Deus pelo povo da França. 

A primeira igreja, dedicada a Nossa Senhora, existia desde o século IV, e em 1163 foi começada a Catedral atual, sobre o qual tantas vezes se estendeu a proteção da Mãe de Deus, fazendo sua a divisa da cidade - "Fluctuat, nec mergitur".

A igreja é um hino de louvor a Maria; seu estudo arqueológico merece um lugar à parte.





A imagem venerada nessa igreja (Catedral), a qual recebeu o título de - Nossa Senhora de Paris, segundo o costume da França, que dá às suas imagens célebres, quase sempre, por título, o nome do lugar onde são veneradas, essa imagem, digo, é uma preciosa Virgem do século XIV, que se acha no transepto, do lado do Epístola, colocada sob um docel.







A Catedral de Paris possui insignes relíquias da paixão: a "Coroa de Espinhos", um pedaço da "Cruz verdadeira", e um dos "Cravos", cuja veneração atrai na sexta-feira santa uma multidão tão densa, que transborda da Igreja.



Nos dias de perigo e de calamidades, o povo de Paris, atendendo ao apelo de seu Bispo, enche a vasta nave, e as preces públicas ressoam até ao espaçoso adro, onde o povo que a Igreja não comporta se ajoelha, ao ar livre. 

O Santuário de Nossa Senhora de Paris viu sob suas arcadas todas as glórias e todos os lutos da França: os do antigo regime, que seria muito longo enumerar; a sagração de Napoleão; os funerais e os serviços fúnebres dos Marechais das últimas guerras, etc.

Há peregrinações durante o ano todo e nas festa da Santíssima Virgem.

(Versão meio resumida do livro "Mille Pèlerinages de Notre-Dame", de I. Coutunier de Chefdubois.)


**No ano de 2019, houve um terrível incêndio na Catedral que danificou parte da estrutura. A maioria das relíquias foram salvas, mas algumas se perderam. Até hoje não sabemos ao certo qual foi o tamanho dessa perda. A Catedral segue fechada para reformas desde então, com expectativas de ser reaberta ano que vem 2024. 



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Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.

Fonte das imagens: 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catedral_de_Notre-Dame_de_Paris

https://www.arch2o.com/photos-from-inside-notre-dame-after-the-fire/#google_vignette

https://davidphenry.com/Paris/paris591.htm

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Nossa Senhora de Guadalupe

 México

Festa 12 de dezembro



Dez anos e quatro meses depois da conquista do México pelos espanhóis, a Ss. Virgem Maria quis manifestar sua predileção pelos naturais deste riquíssimo e formoso país.

Na alvorada do sábado, 9 de dezembro de 1531, um humilde e ingênuo índio chamado Juan Diego, de uns 48 anos, ia ao seu povoado à igreja de Santiago Tlaltelolco, para assistir à missa. Ao passar por Tepeyac, ouviu um canto doce e harmonioso, que lhe pareceu como que de multidão de canoras avezinhas, e, levantando os olhos para o cume do morro, de onde lhe parecia que vinham as vozes, viu uma nuvem branca e resplandecente, ao redor da qual se via formoso arco-íris de vivíssimas cores. 





O índio quedou absorto em suave arrebatamento, sentindo no fundo de sua alma um júbilo inexplicável.





Estando nessa espécie de êxtase, ouviu uma doce e delicada voz de mulher, a qual, saindo dos esplendores da nuvem, o chamava pelo seu nome de Juan e pedia que se aproximasse. Não foi preciso repetir o convite, pois o afortunado índio subiu a toda a pressa a encosta do outeiro, e viu então, no meio daquele mar de luz, uma senhora formosíssima, cujas vestes, afirmou Juan Diego, brilhavam tanto, que, ao ferir, com os seus esplendores, os rochedos da montanha, transformavam-nos em transparentes pérolas; falando em língua mexicana, com o semblante afável lhe disse a visão: "Meu filho, a quem amo ternamente, como a um filho pequenino e dedicado, aonde vais?"

"Vou, nobre Senhora minha, à cidade, ao bairro de Tlaltelolco, ouvir a santa missa, que nos celebra o ministro de Deus e súdito seu."

"Fica sabendo, filho muito querido", replicou a Ss. Virgem, "que eu sou a sempre Virgem Maria, Mãe do verdadeiro Deus, e é meu desejo que me erijam um templo neste lugar, de onde, como Mãe piedosa tua e de teus semelhantes, mostrarei minha clemência amorosa e a compaixão que tenho dos naturais e daqueles que me amam e me procuram e ouvirei seus rogos e súplicas, para dar-lhes consolo e alívio; e, para que se realize a minha vonade, hás de ir à cidade (do México), dirigindo-te ao palácio do Bispo que ali reside, ao qual dirás que eu te envio e que é vontade minha que me edifique um templo neste lugar; referirás quanto viste e ouviste: e eu te agradecerei o que por mim fizeres a este respeito, e te darei prestígio e te exaltarei."

Prostando-se o índio aos pés da Ss. Virgem, respondeu: "Já vou, nobilíssima Senhora minha, executar as tuas ordens, como humilde servo teu".

Foi esta a primeira aparição.

Sem perda de tempo, continuou o índio o seu caminho, dirigindo-se ao palácio de D. Juan de Zumárraga, primeiro bispo do México.

Chegando à presença de S. Exa., depois de esperar pacientemente durante muito tempo, referiu, ajoelhado, tudo que havia visto e ouvido. O prudente prelado, escutou com admiração e benevolência a narração do índio; mas, temendo que fosse imaginação sua, ou sonho, ou ilusão do demônio, despediu-o dizendo-lhe  que voltasse dentro de alguns dias, pois queria deliberar com calma sobre tão grande e delicado assunto.

O índio saiu do palácio do bispo muito desconsolado e triste, tanto por ter percebido que não lhe tinham dado inteiro crédito, como por não ter surtido efeito a vontade de Maria Santíssima, de quem era mensageiro.

No mesmo dia, depois do pôr do sol, voltou Juan Diego a Tolpetlac, povoado onde residia. 

Ao chegar a Tepeyac, encontrou a Virgem Maria (2ª aparição), que o esperava no mesmo lugar em que lhe aparecera de manhã.

Quando Juan Diego a viu, prostou-se a seus pés e lhe disse: "Minha muito querida Rainha e altíssima Senhora, fiz o que me mandaste, e ainda que não pudesse entrar e falar com o Sr. Bispo senão depois de muito tempo, comuniquei-lhe a tua mensagem, conforme me ordenaste; ouviu-me afavelmente e com atenção; mas, pelo seu modo, e pelas perguntas que me fez, entendi que não me havia dado crédito, por que me disse que voltasse outra vez, para S. Revma, informar-se mais minuciosamente sobre o negócio a que eu ia, e esquadrinhá-lo mais a fundo. Presume que o templo que pedes se te levante é ficção ou fantasia minha, e não vontade tua; e portanto te peço que encarregues disso uma pessoa nobre e de importância, digna de respeito, e em quem se possa acreditar; porque bem sabes, minha senhora, que eu sou um pobre plebeu, e que não é para mim este negócio a que me envias; perdoa, minha Rainha, o meu atrevimento, se me afastei do respeito devido à tua grandeza; que eu não tenha merecido a tua indignação, nem te haja desagradado a minha resposta."

A Ss. Virgem ouviu o índio benegnamente, e, depois de manifestar-lhe que queria valer-se dele para este encargo, ordenou-lhe que voltasse a visitar o Bispo e lhe dissesse que era a Mãe de Deus que lhe pedia o templo.

Juan Diego, conquanto receoso de não ser  mais bem sucedido do que na primeira entrevista, prometeu cumprir a vontade da Senhora, e que traria a resposta ao cair da tarde do dia seguinte. 

No dia 10 de dezembro, domingo o índio apresentou-se novamente no palácio episcopal, e, depois de esperar bastante, conseguiu falar com o prelado, que o ouviu com muita atenção e convenceu-se de sua sinceridade; mas, para não errar no assunto tão delicado, disse a Juan que pedisse, à Senhora que o enviara, um sinal pelo qual ele pudesse ter certeza de que era a Mãe de Deus que desejava se lhe erigisse um templo.

O índio concordou de boa mente, o que lhe causou impressão; contudo, para evitar até a sombra da ilusão ou engano, chamou dois de seus familiares de inteira confiança e ordenou-lhes que fossem atrás do índio, e, sem que ele suspeitasse que o seguiam, e sem perdê-lo de vista, fossem até ao lugar em que ele afirmava ter visto a Ss. Virgem Maria, que vissem bem com quem falava, e depois lhe dessem conta do que tinham visto e ouvido.

Fez-se segundo a ordem do Sr. Bispo: despedido o índio, foram-no seguindo os dois homens a certa distância, até ao rio por onde se passa antes de chegar ao outeiro de Tepeyac, onde Juan Diego desapareceu de sua vista, sem que pudessem encontrá-lo novamente, apesar da diligência com que ambos o procuravam.

Despeitados, voltaram para o palácio e informaram o prelado do que tinha acontecido, pedindo-lhe que, em vez de dar-lhe crédito, o castigasse, pois era sem dúvida um mentiroso ou feiticeiro.

Entretanto Juan Diego se encontrou com a Ss. Virgem (3ª aparição)  no cimo do outeiro, e comunicou-lhe o que pedira o Sr. Bispo.


A Ss. Virgem, agradecendo a sua diligência, recomendou-lhe que voltasse no dia seguinte aquele lugar, que Ela lhe daria o sinal desejado pelo prelado.

Voltando Juan Diego para casa, encontrou gravemente enfermo seu tio, Juan Bernardino, com quem vivia e de quem gostava como se fosse seu pai, pelo que não pode, no dia seguinte, 11, comparecer à entrevista que lhe marcara a Senhora, pois precisava ir buscar o médico e remédios para o doente.

Na terça-feira, 12, saiu, ao romper do dia, para Tlaltelolco, com a intenção de chamar um sacerdote franciscano que administrasse os últimos sacramentos a seu tio, cujo estado se agravara muito.

Ao chegar ao lugar por onde devia subir para o outeiro em que lhe aparecia Nossa Senhora, lembrou-se de que não ia obedecer à sua ordem; por isso, temendo que o repreendesse, tomou outra vereda pela falda oriental, crendo candidamente que Maria Santíssima não o veria e, portanto, não poderia detê-lo.

Mas eis que, ao passar pela paragem onde brota a fonte aluminosa denominada o "Pocinho da Virgem" (hoje há neste lugar uma linda capela, em cujo recinto está "el Pocito"), saiu-lhe ao encontro a Mãe de Deus, circundada de uma nuvem e radiante de claridade, e perguntou-lhe: "Aonde vais, meu filho, e por que tomaste este caminho?"

O índio envergonhado, caiu de joelhos e respondeu: Minha, muito amada Senhora, Deus te guarde! Como amanheceste? Estás com saúde?... Não te agaste com o que te vou dizer: está enfermo um servo teu, meu tio, e eu vou depressa à igreja de Tlaltelolco, para trazer um sacerdote para confessá-lo e ungi-lo, e, depois de feita esta diligência, voltarei a este lugar, para obedecer à tua ordem. Perdoa-me, peço-te Senhora minha, e tem um pouco de paciência, que amanhã voltarei sem falta".

Tendo ouvido com afabilidade a desculpa do índio, Maria lhe falou nestes termos: "Ouve, meu filho, o que vou dizer-te: não te aflija coisa alguma, nem temas enfermidade nem outro acidente penoso. Não estou aqui eu, que sou tua Mãe? Não estás debaixo da minha proteção e amparo? Não sou eu vida e saúde? Não estás em meu regaço e não andas por minha conta? Tens necessidade de outra coisa?... Não tenhas cuidado algum com a doença de teu tio, que não morrerá desta vez, e tem certeza de que já está curado."


Juan Diego, consoladíssimo com estas suaves palavras, ofereceu-se então para levar já, ao Sr. Bispo, o sinal que Maria lhe desse.

A celestial Senhora ordenou-lhe que subisse ao cume do outeiro e colhesse todas as rosas que lá houvessem recolhendo-as em sua capa, e depois Ela lhe diria o que devia fazer. 

Obedeceu o índio sem réplica, apesar de saber que não havia flores naquele lugar, que era um amontoado de rochas agrestes, e no entanto, encontrou, admiradíssimo, grande quantidade de rosas frescas, odoríficas, aljofradas, e, pondo a capa como a usam os índios, colheu quantas podia carregar dentro dela, apresentando-se outra vez à Virgem Santíssima.

Maria tomou em suas benditas mãos as rosas, acomodou-as na capa de Juan e lhe disse: "Este é o sinal que hás-de levar ao Bispo, e lhe dirás que, pelo dom destas rosas, faça o que te ordeno. E tem cuidado, filho, com o que te digo, e fica sabendo que tenho confiança em ti. Não mostres a pessoa alguma, no caminho, o que levas, e não abras tua capa senão na presença do Bispo, e dize-lhe o que te mandei fazer agora; e com isto se animará a pôr mãos à construção do meu templo".


Com estas amorosas palavras o despediu a Soberana Virgem.

O índio ficou muito alegre com o sinal, porque se convenceu de que agora teria feliz êxito a embaixada, e, levando com grande cuidado as rosas, as mirava de quando em quando, deleitando-se com a sua fragrância e formosura.

Esta foi a quarta e última aparição da Ss. Virgem ao venturoso mexicano.

Chegou Juan Diego com a sua mensagem à morada do prelado, e tendo pedido a vários servos que o conduzissem à sua presença, esperou durante muito tempo, até que, enfadados de suas importunações, notaram que ele ocultava alguma coisa em sua capa, e quiseram ver o que era.

Juan Diego resistiu tanto quanto possível, mas por fim viu-se obrigado a abrir um tanto a capa. Vendo que eram rosas, e tão belas, pretenderam tirar algumas; porém, ao estender três vezes as mãos, pareceu-lhes que não era verdadeiras, senão pintadas ou tecidas com arte na capa.

Foram então dar notícia do ocorrido ao Sr. Bispo, que chamou o índio. Expôs este humildemente que trazia o sinal pedido, e, desdobrando a capa, caíram ao solo, as rosas, e além disto viram pintada na capa a imagem de Maria Santíssima, a mesma que ainda hoje se venera.



Admiradíssimo o Exmo. Sr. D. Zumárraga do prodígio das rosas frescas e balsâmicas no rigor do inverno, e sobretudo emocionado ao contemplar a imagem maravilhosa, caiu de joelhos para venerá-la, imitando-lhe o exemplo todos os que estavam presentes.

Logo depois desatou o laço posterior da capa do índio e levou-a para o seu oratório, onde a colocou com reverência, depois de haver dado graças a Deus e a sua divina Mãe. Deteve naquele dia em seu palácio o afortunado neófito e o acolheu com grande carinho. No dia seguinte determinou que o acompanhasse para indicar o lugar em que a Ss. Virgem queria que se edificasse o templo.

Com a maior ingenuidade assinalou os lugares em que havia visto e falado quatro vezes à Mãe de Deus, e depois pediu permissão para ir ver seu tio. O Sr. Bispo lha concedeu de bom grado, dando-lhe companheiros de confiança, com a ordem de trazerem Juan Bernardino à sua presença, se tivesse sido curado.

Encontraram-no de fato completamente são; e ele declarou que lhe havia aparecido a Ss. Virgem e lhe insinuara que era vontade sua lhe fosse edificado um templo no lugar em que a havia visto seu sobrinho, e que sua imagem se chama-se - Santa Maria de Guadalupe.

Logo que se divulgou a fausta notícia de que a Virgem Mãe de Deus havia aparecido a dois índios, deixando milagrosamente gravada na capa de um deles a representação de sua formosura, reanimaram-se os abatidos mexicanos.

De todos os bairros da populosa cidade e de seus arredores acorriam muitos para se certificarem da verdade do milagre e venerarem a imagem de sua augusta Protetora.

Sendo muito pequeno o oratório do Bispo para conter as multidões ávidas de contemplar a maravilhosa pintura, D. Zumárraga mandou colocá-la no retábulo do altar-mór da igreja matriz. Em um dos altares laterais puseram as rosas, que, depois de secas, foram repartidas como relíquias entre as famílias mais distintas e piedosas.

Ali permaneceu a imagem até 26 de dezembro do mesmo ano de 1531, dia em que foi transladada para a ermida que no breve espaço de quinze dias foi construída no outeiro de Tepeyac.

A transladação foi feita com a maior piedade e com demonstrações de indizível júbilo. O percurso de uma légua de distância, da cidade a Tepeyac, foi feito por caminhos cobertos de arcos e ramos, estando o chão atapetado de ervas odoríficas e variadas flores, que haviam trazido de diversos povoados.

As multidões que acompanhavam a transladação apregoavam em sua língua os louvores da Mãe de Deus.

O cacique de Atzcapozalco, que no batismo tinha recebido o nome de Francisco Plácido, cantou em verso, como costumava os naturais cantar os feitos memoráveis de sua nação, todas as ocorrências das aparições. E, como estribilho, repetia com frequência: "A Virgem é de nós outros, os índios, nossa Mãe e Senhora! A Virgem é dos índios!"

O ditoso Juan Diego se dedicou ao serviço da Ss. Virgem em sua ermida, depois de haver deixado seu povoado para sempre, e suas casas e terras a seu tio.

Seus vizinhos do povoado lhe construíram um quartinho de adobes junto da ermida, onde viveu honesta e recolhidamente como um ermitão, com a licença de D. Zamárraga.

Varria a igrejinha, perfumava-a, rezava continuamente e conversava familiarmente com a Ss. Virgem, como um filho com sua mãe. Era homem exemplar, temente a Deus, de consciência reta e louváveis costumes. Teve tal opinião de santidade, que todos os que iam ao santuário pedir alguma mercê à Ss. Virgem, tomavam-no como intercessor e se recomendavam às suas orações. Morreu em 1548, com 74 anos de idade.

O primeiro dos surpreendentes efeitos da aparição de Nossa Senhora foi a rápida conversão do México à fé de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Era tristíssimo o estado de idolatria em que jazia a raça asteca, que dominava no país à chegada dos espanhóis. Os astecas, mais que nenhuma outra nação pagã, haviam-se entregado à horrenda barbárie dos sacrifícios humanos, e, como as vítimas dos sacrifícios deviam ser prisioneiros de guerra, davam combate a seus inimigos no princípio de cada um dos dezoito meses de vinte dias em que dividiam o ano, preferindo fazer um prisioneiro a matar cem homens.

Imolavam-se deste modo anualmente pelo menos, vinte mil vítimas humanas, cujos corações palpitantes se ofereciam ao astro do dia e ao deus da guerra.

Deus castigou este povo prevaricador tirando-lhes a autonomia.

O intrépido capitão Fernando Cortés, à frente de suas hostes, conquista Anahuac, e a 13 de agosto de 1521 toma posse da capital do império.

Depois de muitos trabalhos e sacrifícios nos oito anos que precederam à aparição de Nossa Senhora, lograram os missionários batizar oitocentos mil índios, mas quase todos crianças. Os adultos não se resolviam a abraçar o cristianismo, porque estavam habituados à poligamia.

Mas... amanhece o memorável dia 12 de dezembro de 1531, e dissipam-se como por encanto as trevas da idolatria!

Somente os Franciscanos, nos dez anos que seguiram à aparição, conforme escreve o Pe. Motolínia, batizaram dez milhões.

Todos os historiadores, inclusive o protestante norte-americano Humberto H. Bancroft, confessam que a Virgem de Guadalupe foi o Apóstolo que arraigou a fé católica no México.

Noventa anos esteve a pintura milagrosa da Ss. Virgem em sua primitiva ermida.

Crescendo dia a dia a devoção e o culto, tanto a ermida como a igreja que a substituiu foram insuficientes, até que a 25 de março de 1625 foi benzida a primeira pedra da soberba basílica que é a maior glória do povo mexicano.

Celebrou-se a festa de sua dedicação a 1º de maio de 1709, e têm sido feitas em diversas épocas reparações notáveis, sobressaindo as que foram começadas a 24 de outubro de 1887, para celebrarem condignamente a coroação da veneranda imagem - a pintura milagrosa - decretada pela Santa Sé.

Por não poder estender-me demasiadamente, não falarei na grandiosidade da basílica; não poderei, porém, privar-me do prazer de comunicar aos leitores que o altar que contêm a santa imagem; é de alvíssimo mármore de Carrara, com delicados lavores, e que a maravilhosa pintura, guarnecida de duas molduras (a exterior é de bronze dourado, e a outra de ouro fino), é protegida, pelo lado da frente, por um cristal finíssimo, e por detrás por uma delgada lâmina de prata, que importou em dois mil pêsos.



Dia para sempre memorável nos fastos da Igreja mexicana será o dia 12 de outubro de 1895, em que foi coroada a maravilhosa imagem de Nossa Senhora de Guadalupe.

Colocaram diante do trono da Santa Imagem um tablado com suaves e cômodas escadas. O Arcebispo celebrante entoou o "Regina Coeli", e, ajudado pelo Arcebispo de Michoacán, suspendeu a riquíssima coroa e colocou-a, pendente de uma vareta de ouro, que havia sido encravada na moldura, à altura da cabeça da Ss. Virgem.

Foi indescritível o entusiasmo e a comoção dos cinquenta mil fiéis que assistiram à coroação de sua Mãe e Rainha, representada na maravilhosa pintura!...

Quanto à origem da palavra - Guadalupe, não estão de acordo os escritores. Becerra Tanco é de opinião que não foi esta palavra que ouviu Juan Bernardino, porque a língua asteca carece das letras G e D, e por esta razão os índios não podiam pronunciá-las. Talvez, diz ele, que a palavra indicada pelo índio fosse "Tecuatlanapeuh", que se pronuncia "Tecuatlanupe", e quer dizer "brotado do cume das rochas", ou então "Tecuantlaxopeuh" que se pronuncia "Tecuatlasupe", e significa - "vencedora do demônio", e, literalmente: "a que afugenta aos que nos comiam".

Os espanhóis, que modificavam as palavras astecas amoldando-as à língua castelhana, a converteriam em - Guadalupe. 

Sábios e prudentes historiadores, porém, acham que o nome indicado pela Ss. Virgem foi mesmo "Guadalupe", o qual se compõe de duas palavras árabes, que significam "Rio de Luz", significação muito adequada ao milagre.

O amor a Nossa Senhora de Guadalupe está tão arraigado no coração dos mexicanos, que chegaram a ser sinônimo os termos mexicano e guadalupano.

Não há na República diocese que lhe não tenha dedicado um templo mais ou menos suntuoso; não há igreja que lhe não tenha erigido um altar; não há casa em que não seja venerada com especiais demonstrações de afeto.

No dia 12 de cada mês honram com esmêro sua Mãe Celestial. Todos os sábados cantam com pompa e solenidade a "Salve Regina", na insígne Basílica, e as várias Dioceses têm no ano um dia fixo em que vão em romaria visitar a Ss. Virgem, dedicando-lhe função sonelíssima, com Pontifical pelo respectivo Prelado.

NOTA: A sobrehumana pintura representa a Ss. Virgem como se costuma em geral representá-la no mistério de sua Imaculada Conceição, mas a túnica é cor de rosa, com arabescos dourados, e o manto é azul esverdeado, todo semeado de estrelas, e a modéstia, formosura e amabilidade de seu rosto é de uma beleza inimitável, de encanto virginal e divino.



Na cabeça, por cima do manto, a imagem tinha uma coroa dourada, de dez pontas; porém, ao fazerem os preparativos para a solene coroação da Virgem, notaram com espanto nova maravilha: a coroa havia desaparecido "sem deixar o mínimo vestígio de raspadura ou outra violenta ação humana"!

(Versão resumida do livro "América Mariana", do Revmo. Pe. Félix Alejandro Cepeda.)


Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.
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Fonte das imagens
https://www.flickr.com/photos/28359965@N03/
https://www.britannica.com/topic/Our-Lady-of-Guadalupe-patron-saint-of-Mexico
https://litanylane.blogspot.com/2012/12/sunday-december-9-2012-obedience-baruch.html
https://www.pildorasdefe.net/aprender/fe/Video-Las-13-figuras-en-los-Ojos-de-la-Virgen-de-Guadalupe
https://pt.aleteia.org/2016/10/12/16-lindas-imagens-de-maria-na-arte/
https://sacragaleria.blogspot.com/2014/11/nossa-senhora-de-guadalupe.html







 

Nossa Senhora de Guadalupe

(Espanhola)

Festa - 8 de setembro




A imagem espanhola de Nossa Senhora, que mais tarde tomou o título de Guadalupe, foi enviada de Roma a Sevilha pelo Sumo Pontífice S. Gregório Magno, tendo ido ao seu encontro o Arcebispo S. Leandro, que com ela entrou processionalmente em Sevilha, onde foi objeto de fervoroso culto por espaço de um século apenas, por ter sido interrompido pela invasão muçulmana. 

Os cristãos de Sevilha foram os primeiros que fugiram, mas levaram consigo todas as relíquias e imagens que puderam transportar, e entre elas a da Santíssima Virgem que tinha sido enviada de Roma, e como, com tão grande impedimento - o peso das imagens - o êxodo tristíssimo daqueles pobres cristãos se fazia muito lentamente, com grave risco de serem alcançados pelos mouros, eles foram ocultando pelo caminho as relíquias e imagens nos lugares que julgavam mais a propósito para subtraí-las às profanações daqueles infiéis.

Os que levaram a imagem da Virgem procedente de Roma tomaram a direção de Extremadura, internando-se em uma aspérrima montanha, que mais tarde recebeu o nome de Guadalupe, palavra formada das palavras - guad, que significa rio,  por causa do que corre pelas suas cercanias, e lupe, lobos, por serem abundantes esses animais naquelas brenhas. 

A fragosidade do terreno, pareceu-lhes seguro refúgio para proteger a santa imagem de toda a profanação; porém, para maior segurança, procuraram entre os penhascos o lugar mais recôndito, onde com mais certeza de não ser encontrada pudesse ocultar o precioso tesouro de que eram portadores; acharam então uma caverna bem apropriada por parecer uma capelinha, e aí colocaram, com grande reverência, a santa imagem.

Deixando na caverna uma relação minuciosa da procedência da imagem, do tempo e da forma em que foi levada para a Espanha, do culto que recebera em Sevilha e dos motivos que os levaram a ocultá-la, fecharam a caverna com pedras, e tristes, por causa do tesouro que abandonavam, desceram da montanha e prosseguiram na fuga para o norte, para escaparem de seus perseguidores.


***


Cinco séculos depois, quando só o reino de Granada e alguns portos de mar estavam ainda no poder dos mouros, já o culto católico tinha recobrado seu esplendor em quase toda a península Ibérica, e as imagens da Ss. Virgem e dos Santos, que tinham sido escondidas pelos cristãos nos primeiros tempos da irrupção maometana, já tinham sido recolocadas em seus altares; porém faltava uma, e justamente aquela que tinha sido o objeto predileto da devoção dos sevilhanos durante um século, e que tinha sido escondida na montanha de Guadalupe. Não se sabe por que motivo os cristãos que a esconderam não transmitiram a seus descendentes o lugar onde a tinham depositado; o fato é que em 1323 ninguém tinha notícias da existência daquela imagem; mas a Ss. Virgem, que já havia operado prodígios para que fossem descobertas algumas de suas imagens escondidas pelos espanhóis por ocasião da invasão muçulmana, como a de Montserrat, a da Cabeça e outras, mais uma vez se dignou aparecer a um devoto seu, indicando o esconderijo de sua imagem, para que não continuasse privada de veneração e culto.

O guardador de gado, Gil Cordero, costumava levar seu rebanho a pastar nos arredores de Talavera, e uma tarde, tendo-se desgarrado uma das rêzes que guardava, correu atrás dela até que a perdeu de vista.

Desgostoso o pastor com aquela perda, levou para o estábulo as outras rêzes, e voltou para o campo à procura da que se havia extraviado, e deste modo chegou a uma escarpada montanha, onde deu com o rastro do animal que buscava. Vencendo então as maiores dificuldades, chegou a certa altura, de onde avistou a vaca ferida e ensanguentada. Correu a ela o pastor, mas só teve tempo de vê-la morrer, o que lhe causou grande mágoa, por tratar-se de um animal de grande valor.

Nesse momento ouviu perto de si uma voz dulcíssima, e, ao levantar os olhos, que estavam fixos no animal morto, viu uma formosíssima Senhora, que lhe deu a entender que era a Ss. Virgem Maria.

Extático quedou o pastor à vista de tão excelsa Senhora, a qual lhe descobriu o lugar onde estava oculta a sua imagem, e lhe declarou ser de sua vontade que ali mesmo se erigisse um santuário, que seria célebre no decorrer dos séculos, por causa das maravilhas que nele operaria Deus por sua intercessão. Para demonstrar com um prodígio a verdade de sua aparição, a Ss. Virgem ressuscitou o animal cuja morte o pastor chorava, e este, louco de alegria, pôs-se a correr pela montanha abaixo, só parando ao chegar ao povoado, onde narrou os prodígios de que havia sido testemunha.

Como acontece em casos semelhantes, foram mais numerosos os que duvidavam da palavra do pastor do que os que nelas creram; mas com tanta insistência e segurança afirmava a veracidade de sua narração, que a autoridade eclesiástica viu-se na necessidade de intervir no assunto, e, depois de várias provas, guiados pelo pastor, dirigiram-se para o lugar incado por ele, onde acharam não só a imagem, mas também a relação de sua origem e as circunstâncias que obrigaram os católicos a escondê-la há cinco séculos atrás.

Não é possível descrever o júbilo que causou aos fiéis dos arredores o achado da santa imagem, nem a admiração com que ouviram a leitura do manuscrito histórico, no qual contavam que aquela imagem de remota antiguidade havia sido venerada em Roma, a que livrara da peste; contavam também as circunstâncias em que tinha ido para a Espanha, seus prodígios e a veneração de que havia sido objeto em Sevilha. Depois de se ajoelharem e rezarem diante da imagem, pensaram nos meios de dar cumprimento à vontade da Ss. Virgem.

Quando alguns dos que tinham ido com o pastor manifestaram a ideia de transladar a imagem para Cáceres, opôs-se a isso o pastor, declarando que, se tal se fizesse, seria desacatada a Rainha dos céus, que havia manifestado claramente a sua vontade: ficar naquele lugar aquela sua imagem, em um templo dedicado à sua honra.

Os eclesiásticos que faziam parte da piedosa expedição renderam-se às razões do pastor, e do melhor modo que puderam levantaram um altar ali mesmo na caverna, no qual colocaram a imagem, ficando algumas pessoas velando por turnos, naquele improvisado santuário, enquanto se tratava de fazer uma capelinha provisória.

Alegrou-se sobremaneira o rei D. Afonso XI, quando soube da prodigiosa descoberta de tão preciosa imagem, e grande foi o seu zelo para que fosse venerada Nossa Senhora de Guadalupe; e não foi menor a recompensa que obteve sua piedade, pois a ela deveu o assinalado triunfo que conseguiu sobre os mouros na famosa batalha de Salado, na qual desbaratou os que tinham ido da África em auxílio dos da Espanha. 

Terminado o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, foi entregue a doze capelães seculares até o reinado de D. João I, época em que foi entregue aos religiosos de São Jerônimo, que começavam a florescer na Espanha com grande fama de santidade.


Graças a seu zelo, foi sempre crescendo a prosperidade do Santuário, cuja fama, de outro lado, aumentava dia a dia por causa dos milagres que se comprazia em operar a Ss. Virgem Maria naquele lugar.

As peregrinações a seu Santuário têm sido contínuas desde o dia em que foi descoberta a santa imagem, que aparece em seu altar cheia de beleza e majestade. É de cor morena, como todas as imagens da Virgem cuja fabricação se atribui a Nicodemos e a S. Lucas; é grave e perfeito o rosto, que produz tão grande veneração nos que a contemplam, que, mal fixam nela os olhos, sentem em seu coração admiráveis afetos de submissão, amor e arrependimento de suas culpas.



Sustém, com a mão esquerda, o Menino Jesus, de extrema beleza e perfeição, e na direita empunha um cetro de ouro ornado de pedras preciosas. É tão grande a variedade e riqueza de seus atavios (vestidos e enfeites), que podem ser mudados continuamente, sem que alguém consiga vê-los todos; mas não é de admirar, porque contribuiram, para o adorno da imagem, reis, príncipes, outros grandes homens e povos inteiros, e assim é natural que seja tão rico e tão variado o seu tesouro de jóias e outros adornos.




A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe é descida de seu trono na véspera do dia 8 de setembro, para ser levada processionalmente nesse dia pelo claustro do mosteiro anexo ao Santuário.

Fora desse dia, ninguém jamais se aproxima da veneranda imagem, a não ser o religioso encarregado de cuidar dela e vesti-la, para o que há uma escada particular, interna, por onde sobe apenas o encarregado desse serviço.

O feliz pastor Gil, mal começaram a construção do Santuário, transportou-se com a sua família para o local das obras, para que nada faltasse ao culto de Nossa Senhora, e continuasse nessa ocupação até o fim de sua vida, pelo que lhe deram o nome de Gil de Santa Maria de Guadalupe.

(Versão resumida do livro "La Virgem en España".)


Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.
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Fonte das imagens

https://mavcor.yale.edu/material-objects/virgin-guadalupe-extremadura-spain

https://www.spain.info/pt_BR/lugares-interesse/real-mosteiro-santa-maria/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_Real_de_Santa_Maria_de_Guadalupe

https://mavcor.yale.edu/conversations/object-narratives/virgin-guadalupe-extremadura-spain

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Nossa Senhora da Enfermaria



 

 Portugal

D. Afonso Henriques, para em tudo ser grande, também o foi no culto à Santíssima Virgem, por isso sempre levava consigo uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, que é certamente a que colocou numa ermida extra-muros de Lisboa, quando foi tomar esta cidade aos sarracenos. Para essa capela, diz uma bula do Santo Padre Pio IV, eram levados os portugueses feridos, para serem pensados, e os mortos, para serem sepultados. 

Por tal motivo, D. Afonso e seus bons guerreiros começaram a invocar a mencionada imagem com título de  - Nossa Senhora da Enfermaria, atribuindo-lhe a grande vitória que alcançaram contra os mouros.

Ainda hoje existe, na Igreja de São Vicente de Fora, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Enfermaria, em memória da que foi venerada por D. Afonso Henriques.

(Esta notícia foi copiada do livro "O Culto de Maria no Patriarcado", do Revmo. Cônego Antônio José Moita.)


Fonte: Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, Ed. Lar Católico - 2ª Edição, 1960.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Nossa Senhora dos Mártires


 Lisboa - Portugal


D. Afonso Henriques, primeiro monarca português, via com grande mágoa tremularem, as luas maometanas na ínclita cidade de Lisboa, e o desejo de libertar a cidade do jugo odioso dos inimigos da sua fé aumentava dia a dia em seu piedoso coração. E um dia, quando estava entregue a esses pensamentos, eis que surge, no vasto oceano, a verdadeira Estrela do Mar, Maria Santíssima, que, representada em uma devota imagem, vem acompanhando uma luzida armada de Cruzados, composta de alemães, franceses e ingleses; vinham dos portos do norte com o fim de resgatar a Terra Santa do poder dos bárbaros, e, inesperadamente, por disposição divina, arribaram à costa de Portugal. 

O piedoso Monarca, depois de saber qual era o fim daquela armada, convida-os à conquista de Lisboa, porque, explicou-lhe ele, seria muito do agrado do Senhor contribuirem para a exaltação da santa Religião em um reino que o mesmo Senhor pouco antes fundara de uma maneira tão gloriosa. 

Aceitaram os Cruzados o convite, e se dispuseram para um tão ilustre feito, de cujo resultado não duvidou o Rei, quando soube que eles traziam na armada, como sua Protetora, uma imagem de Nossa Senhora. 

Deixando, pois, as naus, desembarcaram os Cruzados nas praias de Lisboa, conduzindo igualmente para terra a sagrada imagem, que desde o princípio da viagem lhes havia servido de consoladora companhia.

O lugar onde hoje se acha construído o templo de São Vicente de Fora é ocupado pela divisão dos Cruzados, ocupando a divisão dos portugueses o lugar em que foi construído o santuário em que é venerada hoje a imagem de que nos ocupamos, a qual foi colocada nesse lugar, com a permissão do general dos Cruzados, Guilherme da Longa Espada. 

Transportado de júbilo, por possuir no seu arraial um tão precioso tesouro, o rei Afonso, confiando firmemente na proteção da Santíssima Virgem, fez o voto de erigir em sua honra um santuário, que aos vindouros patenteasse o seu reconhecimento, se por intercessão de tão poderosa Protetora conseguisse a suspirada vitória. 

Quando o Rei formava o plano do grande ataque, que havia de decidir a conquista de Lisboa, inesperadamente é informado de que um reforço considerável de infiéis avançava pelo lado de Sacavem, com o fim de socorrer os irmãos avançava mas, e malograr os seus (dele, do Rei) projetos. Longe, porém, de se aterrar com tão inesperada nova, o Rei julga-a como feliz anúncio de suas futuras vitórias; porque, escudado com a proteção de Maria Santíssima, Senhora nossa, nada tem a temer dos setários de Mafoma, e sai ao encontro do tal reforço, e tão valorosamente o investe, que muitos dos inimigos acham desprezível sepulcro no mesmo lugar em que pouco antes se prometiam mutuamente a vitória. 

O rei Afonso reconhece no feliz resultado deste primeiro conflito a proteção visível da Santíssima Virgem, e, em solene testemunho de sua gratidão, manda ali mesmo edificar uma pequena capela em honra de Maria Santíssima. 

Na tomada de Lisboa, os soldados de Afonso com os seus aliados foram novamente auxiliados pela puríssima Mãe de Deus, que os protegeu até entrarem na posse da sede da monarquia dos lusos, cujas portas lhes foram gloriosamente abertas no dia 25 de outubro de 1147, dia memorável em que, entrando em Lisboa o exército vencedor, os cristãos, prostrados diante da verdadeira Judite, sua libertadora, representada naquela imagem, a saudaram agradecidos com os betulianos à vencedora de Holofernes - Tu és a glória de Lisboa, a alegria dos seus habitantes, a honra do povo português. 

Libertada Lisboa do bárbaro jugo pela poderosa proteção de Maria Santíssima, o Rei tratou zeloso do bem estar daqueles generosos Cruzados que tanto o haviam ajudado na sua conquista, e, não se esquecendo dos mortos, procurou um lugar decente, em que pudessem ser sepultados os corpos daqueles a quem a piedade dos fiéis já chamava mártires, por terem dado com a vida um testemunho da sua fé. 

Benzido o terreno, foram sepultados os restos mortais dos devotos guerreiros falecidos na batalha, e os sobreviventes construíram uma capela, para a qual logo transladaram a imagem de Nossa Senhora, e, para maior veneração da Santíssima Virgem, edificaram na proximidade da capela umas pequenas celas para habitação dos vários sacerdotes inglêses, a quem presidia o venerável sacerdote Gilberto, com o fim de se empregarem cotidianamente nos louvores da Mãe de Deus. 

Logo depois tratou o agradecido Monarca de dar cumprimento fiel ao voto que tinha feito à Santíssima Virgem; manda, pois, levantar em seu louvor um santuário, para nele ser colocada a veneranda imagem dedicado à Mãe de Deus, com a invocação ou título de - Nossa Senhora dos Mártires, por ser o templo edificado no lugar em que estavam sepultados os valorosos cristãos que haviam morrido em defesa da Fé, e que eram chamados mártires. 




O Rei esmerou-se na construção deste santuário, que seria santificado pela real presença de Deus, e aformoseado com a imagem de sua Mãe Santíssima.

Os muitos terremotos que lastimosamente se fizeram sentir em Lisboa, em diferentes ocasiões, arruinaram mais uma vez este majestoso santuário, que foi sempre reparado.

A últíma reconstrução foi concluída a 18 de março de 1774, e nesse mesmo dia foi para lá transladada a imagem de Nossa Senhora dos Mártires, que lá está até hoje. 

Este título foi consentido pelos venerando bispos daqueles tempos, e depois pelo Sumo Pontífice Urbano VI, que elevou o santuário à categoria de Basílica, com o nome de - Basílica de Santa Maria junto aos Mártires. 

É esta a origem do título -  Nossa Senhora dos Mártires, título que por outros motivos já lhe era sumamente glorioso; porque, sendo Ela a Mãe do maior dos Mártires, Nosso Senhor Jesus Cristo, sua alma santíssima sentiu todos os tormentos da paixão de seu Filho, e a ímpia lançada, que o Filho morto já não sentiu, foi cravada em sua puríssima alma; é Rainha dos Mártires, como lhe chama a Santa Igreja, porque, pelo seu martírio inigualável, é a Fortaleza dos mártires em seus combates, e a Consoladora dos que vivem martirizados pelos trabalhos e sofrimentos desta triste vida, e, nos dias de hoje, acrescentemos nós a esta notícia antiga, é a Fortaleza e a Consoladora dos que vivem martirizados ou martirizados morrem pela sua Fé, pela crueldade dos desumanos inimigos de Deus e de nossa Santa Religião. 

É grande a devoção e gratidão dos portugueses a Nossa Senhora dos Mártires. 


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Católicos que ledes este livro, não vos esqueçais de que é moralmente impossível perder-se um verdadeiro devoto de Maria Santíssima.

Aprendei, pois, com o rei Afonso e seus patrícios a depor na Mãe de Deus a vossa confiança, invocando-A também com este apropriado título de  - Nossa Senhora dos Mártires, principalmente nas vossas angústias e sofrimentos. 

(Esta notícia histórica é um resumo do folheto "Novena em obséquio a Nossa Senhora dos Mártires", cuja imagem se venera na real paróquia deste título em Lisboa, folheto este impresso em 1889.)



Maria e seus gloriosos títulos - Edéssia Aducci

domingo, 16 de julho de 2017

Nossa Senhora do Carmo

 
Festa a 16 de julho
 
 
 Os religiosos Carmelitas, perseguidos pelos sarracenos, abandonaram o monte Carmelo e os lugares vizinhos da Palestina, e foram para a Europa, onde procuraram estabelecer-se; porém, como a Ordem Carmelitana, nessa época, era violentamente perseguida no Oriente pelos infiéis, tornou-se no Ocidente o alvo de muitas prevenções e injustiças.
 
Nestas tristes ocorrências, Simão Stock, que por sua eminente santidade tinha sido eleito em  1245 Superior Geral da Ordem, voltou-se para Maria, pedindo-lhe com as mais fervorosas orações que protegesse a sua Ordem do Carmo, e lhe desse algum sinal sensível de sua proteção.
 
"Ó Virgem Maria", dizia ele, "tomai nossa defesa, e mostrai que sois nossa Mãe!"
 
Comovida pelas súplicas de seu servo, a Mãe de Deus apareceu-lhe a 16 de julho, tendo na mão o escapulário do Carmo, que Ela lhe entregou, pronunciando estas palavras: "Recebe, meu querido filho, este escapulário como sinal da minha confraria, e prova do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas; é um sinal de salvação, um escudo nos perigos, um penhor de paz e aliança eterna. Aquele que morrer revestido deste escapulário será preservado do fogo eterno".
 
Esta aparição teve lugar em Cambridge, no condado do mesmo nome, a 16 de julho de 1251.
 
Mal se espalhou a notícia dessa aparição, a Ordem dos Carmelitas, tão perseguida até esse dia, não só recuperou a paz, mas também se tornou objeto de simpatia, tendo-se multiplicado prodigiosamente.
 
O bem aventurado Simão Stock (hoje São Simão Stock), depois de ter trabalhado com muito zelo na difusão do santo escapulário, morreu cheio de merecimentos, em Bordéus, no dia 16 de julho de 1265.
 
A Ordem dos Carmelitas tirou seu nome da montanha do Carmelo, na Palestina, na qual habitava o santo profeta Elias, que os Carmelitas honram como seu fundador.
 
Novecentos anos antes de Cristo, já os eremitas do monte Carmelo prestavam culto profético à futura Mãe do Redentor do mundo, que Santo Elias simbolizara na nuvenzinha que ele viu erguer-se do mar, e, alargando-se sobre a terra, desfazer-se em chuva copiosa e fecunda, depois de longa seca, com que Deus provara o seu povo.
 
Desde então o profeta Elias e seus companheiros honraram e veneraram, com toda a devoção, a essa Virgem Santíssima, que um dia havia de vir ao mundo para ser a Mãe de Deus, a corredentora do gênero humano.
 
A Ordem da Virgem Maria (sem qualquer título), como acham os Carmelitas que devia chamar-se a sua Ordem, foi posteriormente chamada pelo povo cristão de - Ordem de Nossa Senhora do Carmo.
 
"Carmo" (abreviatura de Carmelo), para distingui-los das outras Ordens religiosas, e assim Nossa Senhora granjeou mais um título, e título glorioso, por meio do qual Maria tem dispensado favores sem conta, beneficiando a pobre humanidade sofredora.
 
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
 
(Este resumo foi escrito depois de consultados várias notícias a respeito).
 
Fonte: Edésia Aducci - Nossa Senhora e seus gloriosos títulos - 2º Edição, 1960. Editora Lar Católico