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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Nossa Senhora do Porto


 

Clemont-Ferrand (Dep. du Puy-de-Dome, França)

A notável igreja de Nossa Senhora do Porto, mais antiga que a Catedral, parece remontar aos primeiros séculos do estabelecimento do cristianismo na Gália, e é incontestavelmente o mais importante dos Santuários de devoção mariana de Auvergne, sendo as suas peregrinações as mais frequentadas da Diocese. 

Mas há outra coisa, difícil de descrever, por ser de natureza espiritual, que torna este Santuário notável: a acumulação de orações e a concentração de tantos atos de devoção ao pé da antiga imagem durante tantos séculos, por tantos devotos piedosos cristãos, encheram a Cripta, morada de Nossa Senhora do Porto, duma presença maravilhosa, invisível, é verdade, porém que a muitos fiéis se torna sensível... 

A sua maior festa é no dia 15 de maio ou no domingo seguinte. 

Sobre a origem deste Santuário não há documentos anteriores ao século XIII, mas lê-se na vida de Santo Avit, bispo de Clermont (571-594), que este bispo fez construir, num lugar que desde as mais remotas eras tinha o nome de "Le Port" (daí o título de - Nossa Senhora do Porto) - uma vistosa igreja em honra de Nossa Senhora. 

Da linda igreja atual, o Santuário propriamente dito de Maria é a Cripta aonde os fiéis vão rezar diante da milagrosa imagem de Nossa Senhora do Porto. 

A imagem tem apenas 30 cm de altura e é feita de madeira, uma espécie de nogueira muito escura, e é do tipo das Madonas bizantinas, que sobreviveram nos ícones gregos e russos, e que a arte italiana do século XIII adotou. 

Não é possível determinar com certeza quem a esculpiu nem em que século foi esculpida. 

Na festa de 15 de maio é levada em procissão, e neste mês é ininterrupto o movimento de peregrinos.

Do ano de 1514 em diante espalhou-se pela França inteira a fama dos milagres de Nossa Senhora do Porto, que é por isso invocada em todas as possíveis necessidades.

Enfim, foi diante desta imagem que príncipes e outros personagens ilustres se fizeram Cruzados, antes de embarcar ao grito de - "Deus o quer"!

A peregrinação principal é, como já vimos, no domingo que segue o dia 15 de maio, com procissão triunfal, acompanhada por uma considerável multidão.

(Esta notícia histórica é versão adaptada os livros "Wallfahrtsorte Europas" e "Mille Pelerinages de Notre Dame".)



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Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.

Fonte da imagem: https://br.pinterest.com/pin/368098969543895039/

https://br.pinterest.com/pin/258253359873747909/





terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Nossa Senhora de Guadalupe

(Espanhola)

Festa - 8 de setembro




A imagem espanhola de Nossa Senhora, que mais tarde tomou o título de Guadalupe, foi enviada de Roma a Sevilha pelo Sumo Pontífice S. Gregório Magno, tendo ido ao seu encontro o Arcebispo S. Leandro, que com ela entrou processionalmente em Sevilha, onde foi objeto de fervoroso culto por espaço de um século apenas, por ter sido interrompido pela invasão muçulmana. 

Os cristãos de Sevilha foram os primeiros que fugiram, mas levaram consigo todas as relíquias e imagens que puderam transportar, e entre elas a da Santíssima Virgem que tinha sido enviada de Roma, e como, com tão grande impedimento - o peso das imagens - o êxodo tristíssimo daqueles pobres cristãos se fazia muito lentamente, com grave risco de serem alcançados pelos mouros, eles foram ocultando pelo caminho as relíquias e imagens nos lugares que julgavam mais a propósito para subtraí-las às profanações daqueles infiéis.

Os que levaram a imagem da Virgem procedente de Roma tomaram a direção de Extremadura, internando-se em uma aspérrima montanha, que mais tarde recebeu o nome de Guadalupe, palavra formada das palavras - guad, que significa rio,  por causa do que corre pelas suas cercanias, e lupe, lobos, por serem abundantes esses animais naquelas brenhas. 

A fragosidade do terreno, pareceu-lhes seguro refúgio para proteger a santa imagem de toda a profanação; porém, para maior segurança, procuraram entre os penhascos o lugar mais recôndito, onde com mais certeza de não ser encontrada pudesse ocultar o precioso tesouro de que eram portadores; acharam então uma caverna bem apropriada por parecer uma capelinha, e aí colocaram, com grande reverência, a santa imagem.

Deixando na caverna uma relação minuciosa da procedência da imagem, do tempo e da forma em que foi levada para a Espanha, do culto que recebera em Sevilha e dos motivos que os levaram a ocultá-la, fecharam a caverna com pedras, e tristes, por causa do tesouro que abandonavam, desceram da montanha e prosseguiram na fuga para o norte, para escaparem de seus perseguidores.


***


Cinco séculos depois, quando só o reino de Granada e alguns portos de mar estavam ainda no poder dos mouros, já o culto católico tinha recobrado seu esplendor em quase toda a península Ibérica, e as imagens da Ss. Virgem e dos Santos, que tinham sido escondidas pelos cristãos nos primeiros tempos da irrupção maometana, já tinham sido recolocadas em seus altares; porém faltava uma, e justamente aquela que tinha sido o objeto predileto da devoção dos sevilhanos durante um século, e que tinha sido escondida na montanha de Guadalupe. Não se sabe por que motivo os cristãos que a esconderam não transmitiram a seus descendentes o lugar onde a tinham depositado; o fato é que em 1323 ninguém tinha notícias da existência daquela imagem; mas a Ss. Virgem, que já havia operado prodígios para que fossem descobertas algumas de suas imagens escondidas pelos espanhóis por ocasião da invasão muçulmana, como a de Montserrat, a da Cabeça e outras, mais uma vez se dignou aparecer a um devoto seu, indicando o esconderijo de sua imagem, para que não continuasse privada de veneração e culto.

O guardador de gado, Gil Cordero, costumava levar seu rebanho a pastar nos arredores de Talavera, e uma tarde, tendo-se desgarrado uma das rêzes que guardava, correu atrás dela até que a perdeu de vista.

Desgostoso o pastor com aquela perda, levou para o estábulo as outras rêzes, e voltou para o campo à procura da que se havia extraviado, e deste modo chegou a uma escarpada montanha, onde deu com o rastro do animal que buscava. Vencendo então as maiores dificuldades, chegou a certa altura, de onde avistou a vaca ferida e ensanguentada. Correu a ela o pastor, mas só teve tempo de vê-la morrer, o que lhe causou grande mágoa, por tratar-se de um animal de grande valor.

Nesse momento ouviu perto de si uma voz dulcíssima, e, ao levantar os olhos, que estavam fixos no animal morto, viu uma formosíssima Senhora, que lhe deu a entender que era a Ss. Virgem Maria.

Extático quedou o pastor à vista de tão excelsa Senhora, a qual lhe descobriu o lugar onde estava oculta a sua imagem, e lhe declarou ser de sua vontade que ali mesmo se erigisse um santuário, que seria célebre no decorrer dos séculos, por causa das maravilhas que nele operaria Deus por sua intercessão. Para demonstrar com um prodígio a verdade de sua aparição, a Ss. Virgem ressuscitou o animal cuja morte o pastor chorava, e este, louco de alegria, pôs-se a correr pela montanha abaixo, só parando ao chegar ao povoado, onde narrou os prodígios de que havia sido testemunha.

Como acontece em casos semelhantes, foram mais numerosos os que duvidavam da palavra do pastor do que os que nelas creram; mas com tanta insistência e segurança afirmava a veracidade de sua narração, que a autoridade eclesiástica viu-se na necessidade de intervir no assunto, e, depois de várias provas, guiados pelo pastor, dirigiram-se para o lugar incado por ele, onde acharam não só a imagem, mas também a relação de sua origem e as circunstâncias que obrigaram os católicos a escondê-la há cinco séculos atrás.

Não é possível descrever o júbilo que causou aos fiéis dos arredores o achado da santa imagem, nem a admiração com que ouviram a leitura do manuscrito histórico, no qual contavam que aquela imagem de remota antiguidade havia sido venerada em Roma, a que livrara da peste; contavam também as circunstâncias em que tinha ido para a Espanha, seus prodígios e a veneração de que havia sido objeto em Sevilha. Depois de se ajoelharem e rezarem diante da imagem, pensaram nos meios de dar cumprimento à vontade da Ss. Virgem.

Quando alguns dos que tinham ido com o pastor manifestaram a ideia de transladar a imagem para Cáceres, opôs-se a isso o pastor, declarando que, se tal se fizesse, seria desacatada a Rainha dos céus, que havia manifestado claramente a sua vontade: ficar naquele lugar aquela sua imagem, em um templo dedicado à sua honra.

Os eclesiásticos que faziam parte da piedosa expedição renderam-se às razões do pastor, e do melhor modo que puderam levantaram um altar ali mesmo na caverna, no qual colocaram a imagem, ficando algumas pessoas velando por turnos, naquele improvisado santuário, enquanto se tratava de fazer uma capelinha provisória.

Alegrou-se sobremaneira o rei D. Afonso XI, quando soube da prodigiosa descoberta de tão preciosa imagem, e grande foi o seu zelo para que fosse venerada Nossa Senhora de Guadalupe; e não foi menor a recompensa que obteve sua piedade, pois a ela deveu o assinalado triunfo que conseguiu sobre os mouros na famosa batalha de Salado, na qual desbaratou os que tinham ido da África em auxílio dos da Espanha. 

Terminado o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, foi entregue a doze capelães seculares até o reinado de D. João I, época em que foi entregue aos religiosos de São Jerônimo, que começavam a florescer na Espanha com grande fama de santidade.


Graças a seu zelo, foi sempre crescendo a prosperidade do Santuário, cuja fama, de outro lado, aumentava dia a dia por causa dos milagres que se comprazia em operar a Ss. Virgem Maria naquele lugar.

As peregrinações a seu Santuário têm sido contínuas desde o dia em que foi descoberta a santa imagem, que aparece em seu altar cheia de beleza e majestade. É de cor morena, como todas as imagens da Virgem cuja fabricação se atribui a Nicodemos e a S. Lucas; é grave e perfeito o rosto, que produz tão grande veneração nos que a contemplam, que, mal fixam nela os olhos, sentem em seu coração admiráveis afetos de submissão, amor e arrependimento de suas culpas.



Sustém, com a mão esquerda, o Menino Jesus, de extrema beleza e perfeição, e na direita empunha um cetro de ouro ornado de pedras preciosas. É tão grande a variedade e riqueza de seus atavios (vestidos e enfeites), que podem ser mudados continuamente, sem que alguém consiga vê-los todos; mas não é de admirar, porque contribuiram, para o adorno da imagem, reis, príncipes, outros grandes homens e povos inteiros, e assim é natural que seja tão rico e tão variado o seu tesouro de jóias e outros adornos.




A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe é descida de seu trono na véspera do dia 8 de setembro, para ser levada processionalmente nesse dia pelo claustro do mosteiro anexo ao Santuário.

Fora desse dia, ninguém jamais se aproxima da veneranda imagem, a não ser o religioso encarregado de cuidar dela e vesti-la, para o que há uma escada particular, interna, por onde sobe apenas o encarregado desse serviço.

O feliz pastor Gil, mal começaram a construção do Santuário, transportou-se com a sua família para o local das obras, para que nada faltasse ao culto de Nossa Senhora, e continuasse nessa ocupação até o fim de sua vida, pelo que lhe deram o nome de Gil de Santa Maria de Guadalupe.

(Versão resumida do livro "La Virgem en España".)


Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.
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Fonte das imagens

https://mavcor.yale.edu/material-objects/virgin-guadalupe-extremadura-spain

https://www.spain.info/pt_BR/lugares-interesse/real-mosteiro-santa-maria/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_Real_de_Santa_Maria_de_Guadalupe

https://mavcor.yale.edu/conversations/object-narratives/virgin-guadalupe-extremadura-spain

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Nossa Senhora de Lignou


Couterne - França



O Santuário de Nossa Senhora de Lignou é muito frequentado, e dista cerca de 4 quilômetros da cidade termal de Bagnoles-dell'Orne, e 2 quilômetros da encantadora igreja de Couterne.

O Santuário é situado no cimo de uma ridente colina, em uma pequena e tranquila aldeia.

A sua torre é coroada por uma branca estátua de Maria, que os raios do sol fazem resplandecer. 

O Santuário domina toda a região, o imenso horizonte da Normândia inteira, e do Maine, que se estende a seus pés. 

Segundo a tradição, o título - "de Lignou"  originou-se de "Lignum", que quer dizer lenho, madeira, referindo-se provavelmente à "árvore" onde a imagem foi encontrada.

As peregrinações a este Santuário são realizadas durante o mês de maio, assim como no dia 15 de agosto.

A imagem de Nossa Senhora é preta, de uma mistura de terra cozida e de substância metálica difícil de precisar, e tem 0,80 c. de altura, sendo extraordináriamente pesada; permaneceu durante muito tempo em uma árvore, uma espinha branca ou pibriteiro, onde foi encontrada, e aonde, segundo a lenda, ela tornou a se fixar depois de três retiradas. Defronte desta árvore foi construída uma capela para a imagem. 

Uma  notícia publicada em 1869 faz remontar ao século XI um dos teixos que havia perto da capela, atualmente desaparecidos, e sabe-se, pela tradição, que, quando construiram um edifício religioso, plantavam ao redor ou perto alguns teixos, para que essas árvores fôssem testemunhas de sua idade.

Em 1928 foi concluído o novo Santuário, obra do arquiteto Pignard. O pibriteiro legendário é renovado de geração em geração, em lembrança do encontro da imagem milagrosa, e é até hoje respeitado, e os peregrinos gostam de levar consigo fragmentos dessa árvore, conservando-os  com devoção.

(Versão um tanto resumida do livro "Mille Pèlerinages de Notre-Dame", de I. Coutrier de Chefdubois).

Fonte: Livro Maria e seus gloriosos títulos, de Edésia Aducci.