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sábado, 17 de maio de 2025

Nossa Senhora da Escada





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Deus abençoe por Maria!


 Nossa Senhora da (Conceição) da Escada 

Lisboa - Portugal

A remota tradição da existência deste título é anterior à conquista de Lisboa. Chamaram-lhe primeiro da Corredoura, nome da antiquíssima ermida gótica ao norte do Rocio, e depois, no reinado de D. Afonso II, Nossa Senhora da Conceição da Escada, ou, abreviando, Nossa Senhora da Escada

Edificado o convento de S. Domingos, no reinado de D. Sancho II, a ermida ficou junto da nova igreja. Foi o povo quem deu a essa imagem de Nossa Senhora o título de - da Escada, aludindo aos 31 degraus que dava acesso ao seu Santuário. 

Junto da sua ermida buscavam remanso os pescadores, amarrando os seus barcos aos argolões de ferro chumbados em pilares de cantaria lavrada, e, ao descerem o esteiro do tejo, de gorros sobraçados e de mãos erguidas, pediam-lhe que lhes protegesse as redes. Tão querida e popular foi, que, pelo testemunho de Frei Luís de Souza, todas as procissões que a cidade ordenava, ou para pedir a Deus remédio, ou para necessidades públicas, ou para agradecer mercês recebidas, a essa ermida se dirigiam. 

No reinado de D. Afonso III mais se avigorou esse culto. Gente do mar e da terra procurava-a em romarias, e muitos vinham de longe em batéis enramados, levando-lhe o cumprimento de votos e promessas.

D. Diniz rendeu-lhe preito, dizendo-nos o mesmo historiador que, desde aquela época, uma procissão de brandões acesos se organizavam todos os anos.

No reinado de D. Fernando foi restaurado o seu pequeno Santuário. 

Chegara a época solene e decisiva da sucessão, hora dolorosíssima para o povo português. Campos e várzeas portuguesas eram taladas pela avidez castelhana, avançando para o festim de uma conquista que parecia fácil; porém mais uma vez desceu sobre Portugal o olhar misericordioso de Deus, e o Condestável e D. João lançaram-se no choque tremendo e rápido da batalha de Aljubarrota. 

Quando, no outro dia, um cativo dos castelhanos confirmou a notícia da vitória alcançada, o povo em massa, gente de todas as classes, caminhou descalço para o seu altar. 

Cumprindo o povo os votos que fizera - de três procissões anuais, uma delas no dia 1º de maio, dirigia-se à sua ermida, e as casas punham-se em festa. D. João I restaurou-lhe a ermida. Enfim, todos os monarcas foram devotos de Nossa Senhora da Escada

Em 1531 um terremoto abateu-lhe a ermida, porém a imagem ficou ilesa no seu altar. 

D. João III, reconstruindo Lisboa, logo determinou fosse a ermida a primeira obra a reconstruir; porém, novamente destruída pelos dominadores, a imagem foi salva, tendo ido para a casa dos Franciscanos da Terceira Ordem, onde ficou numa ermidinha; mas em 1505 levantou-se o convento, e, como a imagem tinha o título de - da Escada, e também para ocultá-la à impiedade, colocaram-na no Oratório de uma escadaria que dos claustros dava passagem para as tribunas da capela-mor. 

Na manhã de 1º de novembro de 1755 o seu pequeno refúgio foi novamente abalado pelo grande terremoto que destruiu parte da cidade. O convento e a igreja tornaram-se ruínas; só uma escadaria ficou intacta, mostrando a imagem no pequeno Oratório. 

Acolheram-na almas piedosas, sendo depois levada para a igreja paroquial de Nossa Senhora das Mêrces, onde é venerada, pois o seu culto afervorou-se novamente, fundando-se em 1761 a sua Irmandade. 

(Esta notícia histórica foi-me também enviada de Portugal.)

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Edésia Aducci - Maria e seus gloriosos títulos.

Fonte da imagem: https://www.a12.com/academia/titulos-de-nossa-senhora?s=nossa-senhora-da-conceicao-da-escada

domingo, 10 de dezembro de 2023

Nossa Senhora de Nazaré

 Portugal

(Festa a 14 de setembro)

No Brasil, 8 de outubro.






Um dos santuários mais antigos de Portugal é o de Nossa Senhora de Nazaré, cuja origem é contada, pelas crônicas antigas, da maneira seguinte:

No ano de 1150, o primeiro rei de Portugal, Afonso I, tinha entre os seus vassalos um cavaleiro ainda jovem, mas cheio de coragem e virtude, chamado Fuas de Roupin, que era muito amigo da caça. 

No dia  da Exaltação da Santa Cruz, esse cavaleiro perseguia a toda a brida um veado. A região estava coberta de densa neblina, e ele não distinguia aonde iria parar. De repente, viu-se no alto de um rochedo, à beira mar, e, se o cavalo não tivesse estacado ali, ele se teria precipitado nas ondas espumantes. Cheio de horror considerou o perigo supremo em que se achava, e com toda a alma agradeceu a Deus a sua salvação.

Entretanto, ainda não estava livre do perigo, pois não podia ir nem para diante nem para trás. Enquanto olhava em redor para descobrir uma saída, viu de repente, numa pequena caverna, uma imagem de Nossa Senhora. Lançou-se de joelhos e tomou-a nas mãos, e, venerando-a com grande devoção, percebeu um papel que estava preso na imagem, e leu com grande pasmo que a imagem era muito antiga e já venerada em Nazaré nos primeiros tempos do cristianismo. Dizia o documento que, quando os imperadores de Constantinopla perseguiram o culto das imagens e mandaram destruí-las em todo o Império, um monge levou-a para um convento da Espanha, nas vizinhanças de Mérida, onde foi muito venerada por causa dos seus muitos milagres.

Em 714 os sarracenos invadiram a Espanha, e, fugindo deles, o rei Roderico escondeu-se naquele convento; mas, tendo de retirar-se dali, com um monge chamado Romano, levou a referida imagem e algumas relíquias e escondeu-as numa gruta daquele rochedo. 

Lendo tudo isto, o cavaleiro implorou, com grande confiança, a Nossa Senhora representada naquela imagem, que o livrasse de tão perigosa situação. Em seguida montou seu cavalo, e, esperando-o, o animal deu um grande salto, conseguindo alcançar um ponto de onde pôde descer do rochedo sem maior dificuldade.

Para agradecer tão grande graça, o cavaleiro mandou construir uma capela no lugar onde Nossa Senhora o tinha socorrido de maneira tão prodigiosa.






Em 1377, Fernando, filho do rei João II, mandou construir no lugar da capela uma belíssima igreja, que foi ricamente dotada por ele e por outros membros da família real.

Assim avistam até hoje os navegantes, de muito longe, a magnífica igreja situada no alto rochedo junto da praia, e os habitantes dos arredores e de todo o país vêm de devotas peregrinações implorar da Virgem Santíssima a proteção e prestar-lhe suas homenagens.





(Notícia extraída do "Almanaque ilustrado das Famílias católicas brasileiras".)

Eis a origem de mais um título de Nossa Senhora: por ter sido venerada em Nazaré, segundo rezava o documento preso na imagem encontrada por Fuas de Roupin, chamaram-na - Nossa Senhora de Nazaré.


Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.

Fonte das imagens:

https://anastpaul.com/2021/09/14/feast-of-the-exaltation-of-the-holy-cross-nossa-senhora-de-nazare-our-lady-of-nazareth-portugal-1182-and-memorials-of-the-saints-14-september/

 https://www.travel-in-portugal.com/attractions/ermida-da-memoria.htm

https://www.feriasemportugal.com/santuario-de-nossa-senhora-da-nazare


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Nossa Senhora da Enfermaria



 

 Portugal

D. Afonso Henriques, para em tudo ser grande, também o foi no culto à Santíssima Virgem, por isso sempre levava consigo uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, que é certamente a que colocou numa ermida extra-muros de Lisboa, quando foi tomar esta cidade aos sarracenos. Para essa capela, diz uma bula do Santo Padre Pio IV, eram levados os portugueses feridos, para serem pensados, e os mortos, para serem sepultados. 

Por tal motivo, D. Afonso e seus bons guerreiros começaram a invocar a mencionada imagem com título de  - Nossa Senhora da Enfermaria, atribuindo-lhe a grande vitória que alcançaram contra os mouros.

Ainda hoje existe, na Igreja de São Vicente de Fora, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Enfermaria, em memória da que foi venerada por D. Afonso Henriques.

(Esta notícia foi copiada do livro "O Culto de Maria no Patriarcado", do Revmo. Cônego Antônio José Moita.)


Fonte: Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, Ed. Lar Católico - 2ª Edição, 1960.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Nossa Senhora dos Mártires


 Lisboa - Portugal


D. Afonso Henriques, primeiro monarca português, via com grande mágoa tremularem, as luas maometanas na ínclita cidade de Lisboa, e o desejo de libertar a cidade do jugo odioso dos inimigos da sua fé aumentava dia a dia em seu piedoso coração. E um dia, quando estava entregue a esses pensamentos, eis que surge, no vasto oceano, a verdadeira Estrela do Mar, Maria Santíssima, que, representada em uma devota imagem, vem acompanhando uma luzida armada de Cruzados, composta de alemães, franceses e ingleses; vinham dos portos do norte com o fim de resgatar a Terra Santa do poder dos bárbaros, e, inesperadamente, por disposição divina, arribaram à costa de Portugal. 

O piedoso Monarca, depois de saber qual era o fim daquela armada, convida-os à conquista de Lisboa, porque, explicou-lhe ele, seria muito do agrado do Senhor contribuirem para a exaltação da santa Religião em um reino que o mesmo Senhor pouco antes fundara de uma maneira tão gloriosa. 

Aceitaram os Cruzados o convite, e se dispuseram para um tão ilustre feito, de cujo resultado não duvidou o Rei, quando soube que eles traziam na armada, como sua Protetora, uma imagem de Nossa Senhora. 

Deixando, pois, as naus, desembarcaram os Cruzados nas praias de Lisboa, conduzindo igualmente para terra a sagrada imagem, que desde o princípio da viagem lhes havia servido de consoladora companhia.

O lugar onde hoje se acha construído o templo de São Vicente de Fora é ocupado pela divisão dos Cruzados, ocupando a divisão dos portugueses o lugar em que foi construído o santuário em que é venerada hoje a imagem de que nos ocupamos, a qual foi colocada nesse lugar, com a permissão do general dos Cruzados, Guilherme da Longa Espada. 

Transportado de júbilo, por possuir no seu arraial um tão precioso tesouro, o rei Afonso, confiando firmemente na proteção da Santíssima Virgem, fez o voto de erigir em sua honra um santuário, que aos vindouros patenteasse o seu reconhecimento, se por intercessão de tão poderosa Protetora conseguisse a suspirada vitória. 

Quando o Rei formava o plano do grande ataque, que havia de decidir a conquista de Lisboa, inesperadamente é informado de que um reforço considerável de infiéis avançava pelo lado de Sacavem, com o fim de socorrer os irmãos avançava mas, e malograr os seus (dele, do Rei) projetos. Longe, porém, de se aterrar com tão inesperada nova, o Rei julga-a como feliz anúncio de suas futuras vitórias; porque, escudado com a proteção de Maria Santíssima, Senhora nossa, nada tem a temer dos setários de Mafoma, e sai ao encontro do tal reforço, e tão valorosamente o investe, que muitos dos inimigos acham desprezível sepulcro no mesmo lugar em que pouco antes se prometiam mutuamente a vitória. 

O rei Afonso reconhece no feliz resultado deste primeiro conflito a proteção visível da Santíssima Virgem, e, em solene testemunho de sua gratidão, manda ali mesmo edificar uma pequena capela em honra de Maria Santíssima. 

Na tomada de Lisboa, os soldados de Afonso com os seus aliados foram novamente auxiliados pela puríssima Mãe de Deus, que os protegeu até entrarem na posse da sede da monarquia dos lusos, cujas portas lhes foram gloriosamente abertas no dia 25 de outubro de 1147, dia memorável em que, entrando em Lisboa o exército vencedor, os cristãos, prostrados diante da verdadeira Judite, sua libertadora, representada naquela imagem, a saudaram agradecidos com os betulianos à vencedora de Holofernes - Tu és a glória de Lisboa, a alegria dos seus habitantes, a honra do povo português. 

Libertada Lisboa do bárbaro jugo pela poderosa proteção de Maria Santíssima, o Rei tratou zeloso do bem estar daqueles generosos Cruzados que tanto o haviam ajudado na sua conquista, e, não se esquecendo dos mortos, procurou um lugar decente, em que pudessem ser sepultados os corpos daqueles a quem a piedade dos fiéis já chamava mártires, por terem dado com a vida um testemunho da sua fé. 

Benzido o terreno, foram sepultados os restos mortais dos devotos guerreiros falecidos na batalha, e os sobreviventes construíram uma capela, para a qual logo transladaram a imagem de Nossa Senhora, e, para maior veneração da Santíssima Virgem, edificaram na proximidade da capela umas pequenas celas para habitação dos vários sacerdotes inglêses, a quem presidia o venerável sacerdote Gilberto, com o fim de se empregarem cotidianamente nos louvores da Mãe de Deus. 

Logo depois tratou o agradecido Monarca de dar cumprimento fiel ao voto que tinha feito à Santíssima Virgem; manda, pois, levantar em seu louvor um santuário, para nele ser colocada a veneranda imagem dedicado à Mãe de Deus, com a invocação ou título de - Nossa Senhora dos Mártires, por ser o templo edificado no lugar em que estavam sepultados os valorosos cristãos que haviam morrido em defesa da Fé, e que eram chamados mártires. 




O Rei esmerou-se na construção deste santuário, que seria santificado pela real presença de Deus, e aformoseado com a imagem de sua Mãe Santíssima.

Os muitos terremotos que lastimosamente se fizeram sentir em Lisboa, em diferentes ocasiões, arruinaram mais uma vez este majestoso santuário, que foi sempre reparado.

A últíma reconstrução foi concluída a 18 de março de 1774, e nesse mesmo dia foi para lá transladada a imagem de Nossa Senhora dos Mártires, que lá está até hoje. 

Este título foi consentido pelos venerando bispos daqueles tempos, e depois pelo Sumo Pontífice Urbano VI, que elevou o santuário à categoria de Basílica, com o nome de - Basílica de Santa Maria junto aos Mártires. 

É esta a origem do título -  Nossa Senhora dos Mártires, título que por outros motivos já lhe era sumamente glorioso; porque, sendo Ela a Mãe do maior dos Mártires, Nosso Senhor Jesus Cristo, sua alma santíssima sentiu todos os tormentos da paixão de seu Filho, e a ímpia lançada, que o Filho morto já não sentiu, foi cravada em sua puríssima alma; é Rainha dos Mártires, como lhe chama a Santa Igreja, porque, pelo seu martírio inigualável, é a Fortaleza dos mártires em seus combates, e a Consoladora dos que vivem martirizados pelos trabalhos e sofrimentos desta triste vida, e, nos dias de hoje, acrescentemos nós a esta notícia antiga, é a Fortaleza e a Consoladora dos que vivem martirizados ou martirizados morrem pela sua Fé, pela crueldade dos desumanos inimigos de Deus e de nossa Santa Religião. 

É grande a devoção e gratidão dos portugueses a Nossa Senhora dos Mártires. 


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Católicos que ledes este livro, não vos esqueçais de que é moralmente impossível perder-se um verdadeiro devoto de Maria Santíssima.

Aprendei, pois, com o rei Afonso e seus patrícios a depor na Mãe de Deus a vossa confiança, invocando-A também com este apropriado título de  - Nossa Senhora dos Mártires, principalmente nas vossas angústias e sofrimentos. 

(Esta notícia histórica é um resumo do folheto "Novena em obséquio a Nossa Senhora dos Mártires", cuja imagem se venera na real paróquia deste título em Lisboa, folheto este impresso em 1889.)



Maria e seus gloriosos títulos - Edéssia Aducci