domingo, 20 de outubro de 2024

A oração


 Da oração em geral



1. A oração é uma elevação da nossa alma e do nosso coração a Deus para pedir-lhe o que é mais conveniente para a nossa salvação eterna.

2. Temos todos obrigação de orar, e por duas razões. A primeira é porque Nosso Senhor o mandou formalmente, dizendo que convinha orar sempre a Deus, e a segunda são as nossas necessidades contínuas.

3. Há duas espécies de oração: mental e vocal; ou por outro modo de coração e de boca.

4. A oração mental ou de coração é aquela em que se ora a Deus com a mente e com o coração, sem recorrer a certas palavras de costumes.

5. A oração de boca ou vocal é aquela que se faz com palavras.

6. Deus conhece as nossas necessidades, mas quer Ele que lhe dirijamos nossas preces, porque, com impetrar o que pedimos, quer que reconhecemos e exaltemos a sua benignidade para conosco.

7. Pode se fazer oração em todo lugar e em todo tempo, mas devemos principalmente orar de manhã e à noite, nas tentações e tribulações, e na igreja porque é o lugar consagrado a Deus e a casa propriamente da oração; porque ali se celebram os sagrados mistérios: porque o concurso de muitos que oram juntos torna a oração mais eficaz e poderosa.

8. A nossa esperança de que havemos de ser ouvidos na oração funda-se nas promessas de Deus onipotente, misericordioso é fidelíssimo, e nos merecimentos de N. S. Jesus Cristo, em nome do qual, como Ele mesmo nos ensinou e como pratica a Igreja, havemos de pedir as graças na oração.

9. Da oração provêm os seguintes frutos: 1º honra-se e louva-se a Deus; 2º aumenta-se a virtude; 3º enfraquecem-se as paixões; 4º aplaca-se a justiça de Deus.

10. A oração não é ouvida por culpa de quem ora, quando quem ora está em desgraça de Deus sem vontade de converter-se.

11. A oração não é ouvida por causa do modo como é feita, quando lhe faltam as condições necessárias, cujas principais são: atenção, humildade, fé e perseverança. 

12. Orar com atenção quer dizer que nos devemos aplicar à oração sem nos distrairmos voluntariamente, e orar de coração em quanto rezarmos com a boca.

13. Orar com humildade quer dizer que nos devemos reputar indignos de alcançar o que pedimos e acompanhar a oração com reverente compostura do corpo.

14. Orar com fé quer dizer que Deus pode e quer ouvir-nos pelos merecimentos de seu divino filho.

15. Orar com perseverança quer dizer não cessar de pedir a graça que havemos mister, acrescentando sempre: se for da vossa vontade.

16. As nossas orações não são ouvidas pelo motivo de coisa que pedimos, quando pedimos coisas que não convêm à nossa eterna salvação.

17. O que devemos pedir é o que se contém no Pai-nosso.

18. Podemos pedir a Deus a saúde e os bens temporais, com tal que isto se faça com submissão à sua vontade.

19. Devemos orar por nós, pelos nossos pais e parentes, por nossos superiores espirituais e temporais, em geral por todos os homens, não excetuando os nossos inimigos, pela nossa pátria, e pelas almas do purgatório a fim de livrá-las das suas penas e introduzi-las no céu. 



Explicação da gravura


20. No meio está Moisés orando numa colina em quanto os Hebreus lutam na planície contra os inimigos.

21. Vê-se no ângulo superior esquerdo uma família a rezar em comum. No ângulo superior direito, uma família a rezar antes da comida. No ângulo inferior esquerdo, uma família rezando antes do trabalho.

22. No ângulo inferior direito vê-se a Santo Antão orando com atenção e fervor diante do Crucifixo em quanto os demônios procuram distrair e tentá-lo de mil maneiras.


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.


 


sábado, 19 de outubro de 2024

4º Mandamento da Igreja: Jejuar quando manda a Igreja




 5º Mandamento da Igreja: Não comer carne nas sextas-feiras e nos Sábados.¹

1. A Igreja nos manda jejuar na quaresma toda, exceto os domingos, nas quatro temporas, e nas vigílias de algumas festas.

2. O jejuar consiste a comer uma só vez ao dia com abstinência de certas comidas, que são as carnes de animais terrestres e aves de pena, os ovos e laticínios² que são produzidos pelos animais. 

3. Nos devemos abster dessas comidas por mortificação, pois são nutritivas e mais gostosas.

4. Comer carne nos dias de jejum, sem causa, é pecado mortal.

5. Dizemos que para jejuar se há de comer uma só vez ao dia, porque a consoada* somente é permitida pelo costume. Podemos comer à consoada coisas de pouca substância e em pequena quantidade.

6. Para comer ovos e laticínios ao jantar em dias de jejum é preciso tomar a Bula da santa Cruzada.

7. O preceito do jejum principia a obrigar a vinte e um anos completos.³

8. A Igreja sendo mãe não quer prejudicar a saúde de seus filhos, e por isso dispensa da obrigação do jejum os que não tem boa saúde ou que tem muito trabalho extraordinário.

9. A quaresma são quarenta dias de jejum e penitência, instituídos pela Igreja, 1º para honrar e imitar o Jejum de Jesus Cristo no deserto; 2º para excitar-nos a fazer penitência; 3º para preparar-nos à celebrar os mistérios da paixão de Cristo; 4º para dispor-nos a comunhão pascal.

10. O jejum das quatro temporas foi instituído: 1º para consagrar pela penitência cada uma das estações do ano; 2º para pedir a Deus a conservação dos frutos da terra; 3º para dar-lhe graças pelos frutos já recebidos; 4º para suplicar-lhe que dê bons ministros à sua Igreja.

11. Foi instituído o jejum das vigílias para que os fiéis se preparem a celebrar mais, devotamente as festas. 

12. Nos ordena a Igreja a abstinência em cada semana para nos estimular a viver na penitência e fazer-nos exercitar na mesma, escolheu a sexta-feira em honra da paixão de Jesus Cristo e o sábado em memória da sua sepultura.

13. Principia a obrigar o preceito de não comer carne deste os sete anos completos.

14. Quem está dispensado da abstinência não está dispensado do jejum: são coisas diversas.

15. Nos dias de jejum não se pode comer carne e peixe na mesma comida.


Explicação da gravura

16. Na parte superior da gravura, vê-se a N. S. Jesus Cristo tentado pelo demônio no deserto.

17. À direita, um padre impõe a cinza na cabeça dos fiéis no primeiro dia da Quaresma dizendo: Lembre-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar. 

18. À esquerda, nas temporas do verão, está representado a ordenação dos subdiáconos; mais abaixo, nas têmporas do outono, está representada a ordenação dos diáconos; embaixo, nas têmporas do inverno, está representado a imposição das mãos na ordenação dos padres; mais acima, à direita, nas têmporas da primavera, está representada a consagração das mãos na ordenação dos sacerdotes.

19. Na parte superior da gravura à direita vê-se o velho Eleazar a quem querem obrigar a comer carnes proíbidas pela lei.

20. Na parte superior vê-se ainda representado um festim onde se serve carne em dia proíbido. Ao centro vê-se um baile em tempo de quaresma, e mais abaixo o inferno onde se precipitam.

21. No ângulo esquerdo inferior vê-se, profeta Jonas profetizando a ruína de Nínive.

22. No ângulo direito vê-se São João Batista pregando penitência aos Judeus.


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1. A Igreja hoje, após o Concílio Vaticano II mudou um pouco as regras do jejum. Hoje de forma obrigatória ele ( o jejum) só é mandado para a Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa. As outras sextas-feiras ou sábados ficam a decisão do fiel para modelar sua devoção.

2. Da mesma forma, a abstinência [em todas as sextas-feiras do ano] hoje se toma para com as carnes de animais de sangue quente, ou seja, bovinos, suínos e aves. Os ovos e laticínios são permitidos mesmo em dias de abstinência, assim como os peixes e frutos do mar.

3. O jejum torna-se obrigatório a partir dos 18 anos e a abstinência a partir dos 14. 

*Consoada: leve refeição noturna, sem carne, que se toma em dia de jejum.

P.S.: "Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropiados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias). CIC 1438


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.



quarta-feira, 16 de outubro de 2024

2º Mandamento da Igreja: Confessar ao menos uma vez cada ano.

 3º Mandamento da Igreja: Comungar pela Páscoa da Ressureição.




1. Estamos obrigados a este preceito logo que chegamos ao uso da razão e que começamos a conhecer o bem e o mal. 

2. Não se satisfaz a este preceito por uma confissão voluntariamente nula, porque a Igreja manda fazer uma confissão válida e frutuosa. 

3. Além da confissão anual devemos confessar quando temos devoção de receber a sagrada comunhão; quando nos conhecemos réus de pecado mortal e quando nos achamos em perigo de vida. 

4. Não há obrigação de comungar em dia de Páscoa, mas quando nos desobrigamos de Quaresma, segundo o costume do nosso reino.

5. Não podemos comungar em dia de Páscoa ou por desobriga* em qualquer igreja; deve ser em a nossa igreja paroquial, exceto se, com muita causa, o pároco nos der licença para comungar em outra igreja. 

6. Grande pecado é deixar uma pessoa de satisfazer ao preceito da comunhão ou a desobriga*, porque é desobedecer à Igreja em matéria grave, desprezar o maior benefício de Deus, e dar escândalo ao próximo.

7. Quando a Igreja nos diz que nos devemos confessar ao menos uma vez no ano, e comungar ao menos na Páscoa de Ressureição quer que entendamos que o seu desejo é que os fiéis se confessem e comunguem mais a miúdo, porque é difícil viver cristãmente se nos confessarmos e comungarmos uma só vez no ano. 


Explicação da gravura 


8. Na parte superior da gravura, à direita, começa a representação das festas que a Igreja aconselha aos cristãos para santificar pela recepção dos sacramentos da penitência e da Eucaristia.

9. À esquerda, vê-se a Porta da Quaresma que a Igreja abre aos bons cristãos para os preparar por meio da oração e da penitência para a confissão e comunhão pascal. Nem todos os cristãos obedecem ao chamamento da Igreja: muitos preferem os prazeres mundanos ao cumprimento dos deveres religiosos.

10. Acima da porta da Quaresma vê-se um confessionário onde os fiéis recebem o perdão das suas faltas, recuperam a paz da alma e a amizade de Deus. Da cruz Nosso Senhor aplica-lhes os merecimentos de seu sangue e morte. À direita do confessionário veem-se os fiéis cumprindo o preceito da comunhão pascal recebendo com a sagrada Eucaristia o penhor da vida eterna.

11. Na parte inferior da estampa, à direita, veem-se os Israelitas reunidos à mesa para comer o cordeiro pascal. Sobre eles um anjo com uma espada prepara-se para matar os primogênitos dos Egípcios. Assim como os Israelitas que marcaram as suas portas com o sangue do cordeiro pascal e se alimentaram com a sua carne, foram poupados pelo anjo exterminador assim os cristãos que pelo sacramento da penitência purificam as suas almas no sangue de Jesus e que na Eucaristia se alimentam da sua carne, evitarão a morte eterna. 

12. Desde o tempo dos apóstolos sempre os cristãos se confessaram. No ângulo esquerdo inferior veem-se cristãos confessando-se a São Paulo.


*Desobriga: cumprimento do preceito da Quaresma.

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

sábado, 12 de outubro de 2024

Nossa Senhora Aparecida




 São Paulo (Brasil)

Festa a 12 de outubro


No ano de 1717, ao passar por Guaratinguetá o Conde de Assumar, a Câmara notificou aos pescadores que se fizessem ao rio, para pescarem, pois desejavam honrar, com lauta mesa, um tão alto personagem. 

Entre outros foram então pescar Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, em suas canoas. Porém, todos, ainda que continuassem até o pôrto de Itaguassu, muito distante do ponto da partida, nada conseguiram.

Desapontados com a inutilidade dos seus esforços, tentam contudo novamente pescar aqui e além, e, lançando João Alves a sua rede de arrasto, tirou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora, sem a cabeça, pelo que lançou outra vez a rede mais abaixo, e tirou a cabeça da mesma imagem, não se tendo sabido nunca quem a tinha lançado ao rio. Não tinham conseguido pegar um só peixe, como já dissemos; porém, continuando a pescaria depois do precioso achado, foi tão copiosa em poucos lanços, que, receosos de naufragarem, voltaram para suas casas assombrados com o que lhes tinha sucedido.

Felipe Pedroso conservou a referida imagem (que o povo chamou logo de Senhora Aparecida) em sua casa durante vários anos, e depois presenteou-a a seu filho Atanásio, que morava em Itaguassu, em cujo porto tinham encontrado a pequenina imagem. Atanásio, inspirado pela sua fé, fez um oratório e colocou num altar a aparecida imagem, e aos sábados, à noite, o povo da vizinhança ali se reunia para rezar o terço e outras devoções.

Em uma dessas rezas, estando a noite serena, apagaram-se repentinamente as velas que alumiavam a imagem de Nossa Senhora, e, querendo alguém acendê-las de novo, vê o povo, com pasmo, que as velas por si sós, sem ninguém lhes tocar, acendem-se de repente!

Foi este o primeiro prodígio, que se repetiu várias vezes, de modo que a notícia do estranho fato chegou ao conhecimento do Vigário de Guaratinguetá, Pe. José Alves Vilela, que, com outros devotos, lhe edificaram uma capelinha; mas essa capelinha logo se tornou pequena, pelo que foi demolida, e, no lugar em que hoje está, edificaram outra maior, que, reformada e aumentada, é a Basílica atual (velha).





A imagem está hoje em um nicho riquíssimo, tendo na cabeça uma coroal real que foi benzida pelo Santo Padre.

Eis por que Nossa Senhora grangeou mais um título em nossa amada pátria: Nossa Senhora Aparecida, por ter uma imagem sua aparecido na rede de um pescador.

Nossa Senhora Aparecida foi proclamada padroeira do Brasil, e terá em breve um santuário condigno na nova basílica que lhe será construída em Aparecida (Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida, SP, Brasil).




Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, rogai por nós. (300 dias de indulgência - Pio XI).


Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.

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