domingo, 3 de novembro de 2024

A oração dominical

 




Explicação da gravura

1. A gravura trata da oração dominical ou Pai-Nosso; oração dominical quer dizer oração do Senhor, porque Nosso Senhor Jesus Cristo foi quem a compôs, para nos ensinar a orar. 

2. Consta a oração dominical de uma invocação e de sete petições.

3. As palavras da invocação são: Pai Nosso que estais no céu, que são como um pequeno prefácio, ou exordio para a oração dominical.

4. Chamamos a Deus nosso Pai, porque Jesus Cristo quer que oremos a Deus com amor e confiança filial. 

5. Dizemos Pai nosso e não Pai meu porque devemos orar como irmãos uns dos outros, e como membros da Igreja, pertencentes a mesma família do Pai celestial.

6. Acrescentamos: que estais no céu, para levantar nossos corações a contemplar o infinito poder de Deus que resplandece particularmente na obra dos céus, e ainda para nos advertir que a nossa oração, para obter os bens temporais, deve ser também encaminhada a conseguir os bens celestiais.

7. 1º petição: Santificado seja o vosso nome. - Pedimos nesta primeira petição que Deus seja conhecido em todo o mundo e que o seu santo Nome seja honrado e glorificado como cumpre. Podemos todos santificar o nome de Deus, reconhecendo como dom seu todo bem assim espiritual como temporal, mas santificar-se particularmente aquele santo nome obedecendo ao que ele nos manda. Está representada esta petição pela cura dum coxo, operada por São Pedro quando disse: Em nome de Jesus, levanta-te e anda.

8. 2º petição: Venha a nós o vosso reino. - Pedimos com estas palavras que venha depressa o reino de Deus, isto é, que Deus reine nas almas dos cristãos pela graça, e que acabamos as batalhas que temos com o mundo, o demônio e a carne, cheguemos à eterna bem-aventurança. Mas devemos fazer violência a nós mesmo para arrebatar esta glória. Está representada esta petição por Tobias profetizando o advento do reino de Deus. 

9. 3ª petição: Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. - Pedimos a graça para cumprir os mandamentos, venerada e obedecida em todo o mundo de tão bom grado como os Anjos obedecem no céu. Está representada no centro da gravura por Nosso Senhor orando no jardim das Oliveiras.

10. 4ª petição: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Pedimos assim o pão quotidiano tanto espiritual que é a graça de Deus, como temporal, que é o sustento necessário para nos conservar no serviço de Deus. Representada está a 4ª petição por um anjo que traz um pão ao profeta Elias. 

11. 5ª petição: Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos pecados como perdoamos as ofensas que nos fazem. O perdão das injúrias é uma condição sem a qual é uma condição sem a qual não podemos receber de Deus o perdão de nossos pecados. A petição quinta está representada por Jesus Cristo perdoando na cruz aos seus verdugos, e por Davi poupando a Saul que o perseguia para matá-lo.

12. 6ª petição: Não nos deixeis cair em tentação, - Pedimos a Deus que nos livre das tentações, ou não permitindo que sejamos tentados, ou dando-nos a graça de não sermos vencidos. As tentações, se não consentimos nelas, são úteis e meritórias, porque nos fazem ser humildes e recorrer à Deus: vem a ser uma ocasião de merecimento na terra, e de glória no céu quando ficamos vencedores. Para não sermos tentados devemos fugir particularmente três coisas: a ociosidade, o dormir muito e a intemperança. 
A gravura representa a tentação de Nosso Senhor no deserto.

13. 7ª petição: << Mas livrai-nos do mal. >> Pedimos a Deus que nos livre de todo o mal tanto da alma como do corpo, no tempo e para a eternidade. Nas adversidades devemos sofrer com paciência e submeter-nos à vontade de Deus. 
A gravura representa Daniel miraculosamente preservado da fúria dos leões. 


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Ponto III - Preparação para a morte




 Neste quadro da morte, caro irmão, reconhece-te a si mesmo, e considera o que virás a ser um dia: "Recorda-te que és pó, e em pó te converterás". Pensa que dentro de poucos anos, quiçá dentro de alguns meses ou dias, não serás mais que vermes e podridão. Este pensamento fez de Ló um grande santo: "À podridão eu disse: tu és meu pai; aos vermes: sois minha mãe e minha irmã".

Tudo se há de acabar, e se perderes a tua alma na morte, tudo estará perdido para ti. "Considera-te desde já como um morto, - disse São Lourenço Justiniano - pois sabes que necessariamente hás de morrer". Se já estivesse morto, que não desejaria ter feito por Deus? Portanto, agora que vives, pensa que algum dia cairás morto. Disse Boaventura que o piloto, para governar o navio, se coloca na extremidade traseira do mesmo; assim o homem, para levar uma vida boa e santa, deve imaginar sempre o que será dele na hora da morte. Por isso, exclama São Bernardo: "Considera os pecados de tua mocidade e cora; considera os pecados da tua idade viril e chora; considera as desordens da vida presente, e estremece", e apressa-te em remediá-la prontamente. 

 São Camilo de Lélis, ao aproximar-se de alguma sepultura, fazia estas reflexões: Se estes mortos voltassem ao mundo, que não fariam pela vida eterna? E eu, que disponho de tempo, que faço eu por minha alma? Este Santo pensava assim por humildade; mas tu, querido irmão, talvez com razão receies ser considerado aquela figueira sem fruto, da qual disse o Senhor: "Três anos já que venho buscar frutas a esta figueira e não os achei (Lc 13,7).

Tu, que há mais de três anos estás neste mundo, considera quais frutos tens produzido? Considera - diz São Bernardo - que o Senhor não procura somente flores, mas quer frutos; isto é, não se contenta com bons propósitos e desejos, mas exige a prática de obras santas. É preciso, pois, que saibas aproveitar o tempo que Deus, por sua misericórdia, te concede, e não esperes com a prática do bem até que seja tarde, no instante solene quando se diz: Vamos, chegou o momento de deixar este mundo. Depressa! O que está feito, está feito. 


AFETOS E SÚPLICAS

Aqui me tendes, Senhor, sou aquela árvore que há muitos anos merecia ouvir de vós estas palavras: "Cortai-a, pois, para que debalde há de ocupar terreno? (Lc13,7). Nada mais certo, porque, em tantos anos que estou no mundo, ainda não dei frutos senão cardos e espinhos do pecado. Mas vós, Senhor, não quereis que desespere. Dissestes a todos: aquele que me procurar, achar-me-á (Mt 7,7). Procuro-vos, meu Deus, e quero receber vossa graça. Detesto, de todo coração, as ofensas que cometi e quisera morrer de dor por elas. No passado fugi de vós, mas agora prefiro vossa amizade à posse de todos os reinos do mundo. Não quero mais resistir ao vosso chamamento. Quereis-me todo para vós e sem reserva entrego inteiramente. Na cruz, deste-vos todo a mim; todo me dou a vós. 

Senhor, vós dissestes: "Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a darei" (Jo 14,14). Meu Jesus, confiado nessa grande promessa, pelo vosso santo nome e pelos vossos méritos, peço a vossa graça e o vosso amor. Fazei que deles se replete a minha alma, onde antes morava o pecado. Agradeço-vos por me terdes inspirado o pensamento de dirigir-vos esta oração, sinal evidente de que quereis ouvir-me. Ouvi-me, pois, meu Jesus! Concedei-me grande amor por vós, dai-me, um grande desejo de agradar-vos e depois a força de cumpri-lo. 

Ó Maria, minha excelsa intercessora, escutai-me vós também e rogai a Jesus por mim!



Santo Afonso Maria de Ligório - Preparação para a morte.


domingo, 20 de outubro de 2024

A oração


 Da oração em geral



1. A oração é uma elevação da nossa alma e do nosso coração a Deus para pedir-lhe o que é mais conveniente para a nossa salvação eterna.

2. Temos todos obrigação de orar, e por duas razões. A primeira é porque Nosso Senhor o mandou formalmente, dizendo que convinha orar sempre a Deus, e a segunda são as nossas necessidades contínuas.

3. Há duas espécies de oração: mental e vocal; ou por outro modo de coração e de boca.

4. A oração mental ou de coração é aquela em que se ora a Deus com a mente e com o coração, sem recorrer a certas palavras de costumes.

5. A oração de boca ou vocal é aquela que se faz com palavras.

6. Deus conhece as nossas necessidades, mas quer Ele que lhe dirijamos nossas preces, porque, com impetrar o que pedimos, quer que reconhecemos e exaltemos a sua benignidade para conosco.

7. Pode se fazer oração em todo lugar e em todo tempo, mas devemos principalmente orar de manhã e à noite, nas tentações e tribulações, e na igreja porque é o lugar consagrado a Deus e a casa propriamente da oração; porque ali se celebram os sagrados mistérios: porque o concurso de muitos que oram juntos torna a oração mais eficaz e poderosa.

8. A nossa esperança de que havemos de ser ouvidos na oração funda-se nas promessas de Deus onipotente, misericordioso é fidelíssimo, e nos merecimentos de N. S. Jesus Cristo, em nome do qual, como Ele mesmo nos ensinou e como pratica a Igreja, havemos de pedir as graças na oração.

9. Da oração provêm os seguintes frutos: 1º honra-se e louva-se a Deus; 2º aumenta-se a virtude; 3º enfraquecem-se as paixões; 4º aplaca-se a justiça de Deus.

10. A oração não é ouvida por culpa de quem ora, quando quem ora está em desgraça de Deus sem vontade de converter-se.

11. A oração não é ouvida por causa do modo como é feita, quando lhe faltam as condições necessárias, cujas principais são: atenção, humildade, fé e perseverança. 

12. Orar com atenção quer dizer que nos devemos aplicar à oração sem nos distrairmos voluntariamente, e orar de coração em quanto rezarmos com a boca.

13. Orar com humildade quer dizer que nos devemos reputar indignos de alcançar o que pedimos e acompanhar a oração com reverente compostura do corpo.

14. Orar com fé quer dizer que Deus pode e quer ouvir-nos pelos merecimentos de seu divino filho.

15. Orar com perseverança quer dizer não cessar de pedir a graça que havemos mister, acrescentando sempre: se for da vossa vontade.

16. As nossas orações não são ouvidas pelo motivo de coisa que pedimos, quando pedimos coisas que não convêm à nossa eterna salvação.

17. O que devemos pedir é o que se contém no Pai-nosso.

18. Podemos pedir a Deus a saúde e os bens temporais, com tal que isto se faça com submissão à sua vontade.

19. Devemos orar por nós, pelos nossos pais e parentes, por nossos superiores espirituais e temporais, em geral por todos os homens, não excetuando os nossos inimigos, pela nossa pátria, e pelas almas do purgatório a fim de livrá-las das suas penas e introduzi-las no céu. 



Explicação da gravura


20. No meio está Moisés orando numa colina em quanto os Hebreus lutam na planície contra os inimigos.

21. Vê-se no ângulo superior esquerdo uma família a rezar em comum. No ângulo superior direito, uma família a rezar antes da comida. No ângulo inferior esquerdo, uma família rezando antes do trabalho.

22. No ângulo inferior direito vê-se a Santo Antão orando com atenção e fervor diante do Crucifixo em quanto os demônios procuram distrair e tentá-lo de mil maneiras.


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.


 


sábado, 19 de outubro de 2024

4º Mandamento da Igreja: Jejuar quando manda a Igreja




 5º Mandamento da Igreja: Não comer carne nas sextas-feiras e nos Sábados.¹

1. A Igreja nos manda jejuar na quaresma toda, exceto os domingos, nas quatro temporas, e nas vigílias de algumas festas.

2. O jejuar consiste a comer uma só vez ao dia com abstinência de certas comidas, que são as carnes de animais terrestres e aves de pena, os ovos e laticínios² que são produzidos pelos animais. 

3. Nos devemos abster dessas comidas por mortificação, pois são nutritivas e mais gostosas.

4. Comer carne nos dias de jejum, sem causa, é pecado mortal.

5. Dizemos que para jejuar se há de comer uma só vez ao dia, porque a consoada* somente é permitida pelo costume. Podemos comer à consoada coisas de pouca substância e em pequena quantidade.

6. Para comer ovos e laticínios ao jantar em dias de jejum é preciso tomar a Bula da santa Cruzada.

7. O preceito do jejum principia a obrigar a vinte e um anos completos.³

8. A Igreja sendo mãe não quer prejudicar a saúde de seus filhos, e por isso dispensa da obrigação do jejum os que não tem boa saúde ou que tem muito trabalho extraordinário.

9. A quaresma são quarenta dias de jejum e penitência, instituídos pela Igreja, 1º para honrar e imitar o Jejum de Jesus Cristo no deserto; 2º para excitar-nos a fazer penitência; 3º para preparar-nos à celebrar os mistérios da paixão de Cristo; 4º para dispor-nos a comunhão pascal.

10. O jejum das quatro temporas foi instituído: 1º para consagrar pela penitência cada uma das estações do ano; 2º para pedir a Deus a conservação dos frutos da terra; 3º para dar-lhe graças pelos frutos já recebidos; 4º para suplicar-lhe que dê bons ministros à sua Igreja.

11. Foi instituído o jejum das vigílias para que os fiéis se preparem a celebrar mais, devotamente as festas. 

12. Nos ordena a Igreja a abstinência em cada semana para nos estimular a viver na penitência e fazer-nos exercitar na mesma, escolheu a sexta-feira em honra da paixão de Jesus Cristo e o sábado em memória da sua sepultura.

13. Principia a obrigar o preceito de não comer carne deste os sete anos completos.

14. Quem está dispensado da abstinência não está dispensado do jejum: são coisas diversas.

15. Nos dias de jejum não se pode comer carne e peixe na mesma comida.


Explicação da gravura

16. Na parte superior da gravura, vê-se a N. S. Jesus Cristo tentado pelo demônio no deserto.

17. À direita, um padre impõe a cinza na cabeça dos fiéis no primeiro dia da Quaresma dizendo: Lembre-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar. 

18. À esquerda, nas temporas do verão, está representado a ordenação dos subdiáconos; mais abaixo, nas têmporas do outono, está representada a ordenação dos diáconos; embaixo, nas têmporas do inverno, está representado a imposição das mãos na ordenação dos padres; mais acima, à direita, nas têmporas da primavera, está representada a consagração das mãos na ordenação dos sacerdotes.

19. Na parte superior da gravura à direita vê-se o velho Eleazar a quem querem obrigar a comer carnes proíbidas pela lei.

20. Na parte superior vê-se ainda representado um festim onde se serve carne em dia proíbido. Ao centro vê-se um baile em tempo de quaresma, e mais abaixo o inferno onde se precipitam.

21. No ângulo esquerdo inferior vê-se, profeta Jonas profetizando a ruína de Nínive.

22. No ângulo direito vê-se São João Batista pregando penitência aos Judeus.


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1. A Igreja hoje, após o Concílio Vaticano II mudou um pouco as regras do jejum. Hoje de forma obrigatória ele ( o jejum) só é mandado para a Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa. As outras sextas-feiras ou sábados ficam a decisão do fiel para modelar sua devoção.

2. Da mesma forma, a abstinência [em todas as sextas-feiras do ano] hoje se toma para com as carnes de animais de sangue quente, ou seja, bovinos, suínos e aves. Os ovos e laticínios são permitidos mesmo em dias de abstinência, assim como os peixes e frutos do mar.

3. O jejum torna-se obrigatório a partir dos 18 anos e a abstinência a partir dos 14. 

*Consoada: leve refeição noturna, sem carne, que se toma em dia de jejum.

P.S.: "Os tempos e os dias de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo da quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Esses tempos são particularmente apropiados aos exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias). CIC 1438


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.