quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A virgindade ou celibato consagrado


“Nestes tempos em que o celibato consagrado é posto em causa frequentemente por não ter sido compreendida a sua inspiração profunda, devemos coloca-lo na sua verdadeira luz, agradecer ao Senhor que suscita semelhantes vocações para a sua Igreja e rezar com perseverança a fim de que numerosos jovens ouçam o apelo do Mestre e lhe respondam generosamente” (AS,6).

Que é a virgindade?
A Virgindade é a escolha, por atração de Graça especial, de intimidade com Cristo, de tal modo que somente Ele seja o Esposo da alma, em lugar de qualquer intimidade humana lícita.

A virgindade é conhecida e estimada também no paganismo antigo e em outras religiões?
Certamente, mas apenas para uma finalidade de culto ou, como no Budismo, só para uma finalidade ascética.

O que caracteriza a virgindade cristã?
A característica da virgindade cristã, “que se conta sem dúvida entre os mais preciosos tesouros deixados como herança à Igreja pelo seu Fundador” (SV,1), não é nem valor cultual, nem o valor ascético – que não é excluído – mas a sua ligação estreitíssima com a caridade. A virgindade casta é uma forma mais alta e mais perfeita de caridade. Escolhe-se a virgindade para poder amar mais, para poder “agradecer ao Senhor” (cf. 1 Cor 7, 32-34).

Pode-se afirmar que a virgindade é mais excelente do que o matrimônio?
É verdade de Fé definida no Concílio de Trento (Sess. XXIV -10), confirmada por Pio XII na Encíclica “Sacra Virginitas” (25.03.54) e no Vaticano II (OT, 10 e LG, 42). Fundamenta-se na palavra e no exemplo de Jesus, que escolheu a virgindade, no ensinamento de São Paulo (1 Cor 7,25-38) e na tradição patrística.

Em que sentido a virgindade é superior ao matrimônio?
Não como um desprezo do matrimônio e da sexualidade. A Igreja afirma não só que o matrimônio é coisa boa e honesta, mas que é caminho de perfeição e de santidade cristã como a virgindade, porém de modo diferente e com algumas específicas dificuldades (cf. GS,48).
A superioridade da virgindade com respeito ao matrimônio está:
a) no fato de que a virgindade é a realidade, da qual o matrimônio é um sinal. O matrimônio, de fato, é sinal do amor recíproco de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 25-32). A virgindade, pelo fato de que participa, sem nenhuma mediação humana, da união de Cristo e da Igreja, não reflete só simbolicamente o amor de Cristo, mas o contém;
b) ainda no fato de que a virgindade afasta alguns possíveis obstáculos do caminho da santidade cristã e representa uma via mais segura ao total amor de Cristo.

Qualquer pessoa pode escolher o estado de vida de virgindade ou celibato consagrado?
Evidentemente que não. É preciso um carisma especial, que Deus concede, no entanto, abundantemente, mas não a todos. Jesus, depois que falou da virgindade, acrescentou: “Quem tiver capacidade para compreender, que compreenda” (Mt 19,12).

Quais são os frutos da virgindade?
Paulo VI sintetizou muito bem os frutos da virgindade, na alocução do dia 2 de fevereiro de 1976, com as seguintes palavras:
“Vós conheceis este outro prodígio da castidade votada à caridade: ela não só não fecha as janelas das nossas celas sobre o mundo, mas abre-as, não certamente para nele buscar o encontro, aliás, bendito do amor conjugal, que nós hoje mais do que nunca honramos e sabemos que é fonte, em Cristo, de graça sacramental e programa normal de santificação, mas para se derramar em caridade que se sublima e se entrega no serviço aos outros e no sacrifício de si mesmo, e que transforma o celibato e a virgindade em fontes incomparáveis de santidade evangélica, a qual lhes assegura, na economia cristã, o primado na jerarquia do amor. Quem melhor pode amar e servir aos homens do que aquele que renunciando a todo o próprio amor humano oferece a própria vida Àquele Cristo Jesus, que de todos os irmãos necessitados fez sacramento de uma Sua presença mística e social?”

O celibato sacerdotal é necessário de modo absoluto?
Não é necessário de modo absoluto, mas muito conveniente por três motivos:
a) semelhança com Cristo;
b) maior disponibilidade para o serviço dos irmãos;
c) testemunho da vida futura, a qual já de certa forma se começa a viver neste mundo.

A Igreja pode mudar a lei do celibato sacerdotal?
A Igreja, que “guarda desde há séculos como brilhante pedra preciosa o celibato sacerdotal”, e acredita que esta instituição “conserva todo o seu valor mesmo nos nossos tempos” (SAC,1), poderia todavia modificar a lei do celibato, se o Espírito Santo a convidasse a fazê-lo.

Uma mudança de lei do celibato (ordenação de homens casados ou escolha livre por parte de todos os candidatos ao sacerdócio) poderá resolver para a Igreja Universal o problema gravíssimo das vocações sacerdotais em impressionante diminuição em várias partes do mundo?
É pouco provável. A Igreja espera “poder gloriar-se, humildemente e sempre, da fidelidade dos sacerdotes ao sublime dom da virgindade, de vê-lo florescer e ser cada vez mais apreciado, em todos os ambientes, para que engrossem as fileiras dos que acompanham o Cordeiro por onde quer que Ele vá (cf. Ap 14,4)” (SAC,98).

“A Igreja proclama altamente esta sua esperança em Cristo, em consciência da dramática escassez de sacerdotes em relação às necessidades espirituais da população do mundo, mas espera firmemente, fundada nos recursos infinitos e misteriosos da Graça, que a qualidade espiritual dos seus ministros há de produzir também o seu aumento em número, pois a Deus tudo é possível (cf. Mc 10, 27; Lc 1, 37)” (SAC,99). 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A castidade conjugal

“Meio de expressão e também de conhecimento e de comunhão, o ato conjugal mantém e fortifica o amor, e sua fecundidade leva o casal ao seu pleno desenvolvimento: torna-se, à imagem de Deus, fonte de vida. O cristão tem consciência de que o amor humano é bom na sua origem e, embora esteja, como tudo o que existe no homem, ferido e deformado pelo pecado, encontra em Cristo a sua salvação e a sua redenção; aliás, não é esta a lição de vinte séculos de história cristã? Quantos casais encontraram na sua vida conjugal, o caminho da santidade, nesta comunidade de vida, que é a única fundada num sacramento?”  (Paulo VI – Alocução às Equipes de Nossa Senhora – em “Documentation Catholique” n. 1564 de 7-06-1970).

Que exige a castidade de quem vive no matrimônio?
A castidade de quem vive no matrimônio exige principalmente dois empenhos:
a)Recíproca fidelidade, que exclui o adultério;
b)Aceitação dos filhos como “o dom mais excelente do matrimônio” (GS,50).

O dever de fidelidade é igualmente grave, tanto por parte da mulher como por parte do homem?
Sim; diante de Deus, homem e mulher têm os mesmos deveres e os mesmos direitos.

Não poderia, em alguns casos e por motivos gravíssimos, tornar-se lícito o divórcio?
Em nenhum caso é lícito o divórcio; a palavra de Jesus é bem clara e não admite exceções: “O homem não separe o que Deus uniu” (Mt 19,6); “Todo aquele que repudiar a sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela; e se a esposa repudiar o seu marido e se casar com outro, comete também adultério” (Mc 10, 11-12).
A Igreja há vinte séculos sempre proclamou a unidade e a indissolubilidade do matrimônio, isto é, a união de um só homem com uma só mulher por toda a vida, e, no Concílio Vaticano II, lamenta que “a dignidade desta instituição não refulge em toda a parte com o mesmo brilho, posto que a obscurecem a poligamia, a peste do divórcio, o chamado amor livre e outras deformações” (GS,47).

É lícito aos conjugues limitar a prole?
É lícito sob as seguintes condições:
a)Que haja motivo razoável (p. ex.: razões de saúde; problemas econômicos; dificuldades de moradia, etc.);
b)Que se use método de continência ou abstenção sexual periódica, não contrário à saúde ou à higiene, nem à moral;
c)Que haja comum acordo entre os esposos e, assim, não venha a ser causa de desunião.


Que significa método da continência ou abstenção sexual periódica?
O método de continência ou abstenção sexual periódica consiste na abstenção das relações sexuais nos dias em que a mulher é apta para ser fecundada isto é, nos dias fecundos, os quais são normalmente identificado com relativa facilidade e são também muito menos numerosos do que os infecundos.

Que método são ilícitos para limitar a prole?
“Deve ser absolutamente excluído, como via legítima para a regulação dos nascimentos:
a) a interrupção direta do processo generativo já iniciado;
b) e sobretudo, o aborto querido e procurado diretamente, mesmo por razões chamadas terapêuticas;
c) a esterilização direta, tanto perpétua como temporária, e tanto do homem como da mulher;
d) toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” (HV,14).

Quando o uso dos anovulatórios, vulgarmente chamados “pílulas anticoncepcionais”, é lícito?
O uso dos anovulatórios vulgarmente chamados pílulas anticoncepcionais, é ilícito quando visa direta e intencionalmente a esterilização temporária, isto é, impedir a concepção, mediante a suspensão da ovulação. É sempre gravemente ilícito o uso de anticoncepcionais que impedem a nidificação, isto é, a implantação do óvulo fecundado nas paredes do útero, pois é um medicamento formalmente abortivo. Da mesma maneira é ilícito o uso de meios mecânicos de contracepção como o Diu ou “serpentina” e outros, ultimamente chamados, pelos meios de comunicação, de “selo anticoncepcional”.

O uso de anovulatórios pode justificar-se quando constituem recurso terapêutico no tratamento de distúrbios ginecológicos?
A simples suspensão da ovulação poderia constituir um meio para o tratamento de determinadas doenças. Neste caso, seu uso não seria contrário aos princípios morais, por não se tratar de efeito maus em si, como seria o caso do aborto direto assim chamado “terapêutico”, sempre ilícito. O Papa disse-o claramente na Encíclica “Humanae Vitae”: “A Igreja não considera ilícito o recurso aos meios terapêuticos, verdadeiramente necessários para curar doenças do organismo, ainda que daí venha a resultar um impedimento, mesmo previsto, à procriação, desde que tal impedimento não seja, por motivo nenhum, querido diretamente” (HV,15).

Quais são os métodos naturais que os esposos podem tranquilamente usar para a regulação da natalidade?
São três:
a) o método Ogino-Knaus (ou da “tabela”);
b) o método de Doyle (ou da temperatura);
c) o método Billings (da ovulação ou da mucosidade ou da “clara do ovo”).

A continência periódica, ao quase enquadrar o amor dentro de um calendário, não é demasiado artificial ou mesmo contrária à natureza?
“Diante desta pergunta, deve-se dizer que ela supõe um conceito de amor que é parcial ou unilateral; esse conceito tende a identificar amor e sexo, ou mesmo a reduzir o amor no ato da cópula. Na verdade, o amor, antes de ser relacionamento sexual, é procura efetiva do bem de outro de outrem e exprime-se através de várias formas de atenção, apreço, delicadeza... não diretamente ligadas ao amplexo sexual. A continência periódica é precisamente o teste que comprova, ou não, a existência do autêntico amor, que é, ao mesmo tempo, espiritual e sensível. Os esposos que sabem abster-se de relações sexuais porque abraçam o mesmo ideal ou porque um quer bem ao outro e não lhe quer ser molesto ou importuno, mostram (precisamente pela sua continência) que tem mais profundo e puro amor um ao outro. Quando um casal ou um dos cônjuges chega a dizer: “ou tudo ou nada!”, isto é, ou relações sexuais ou nenhum relacionamento conjugal!”, evidencia-se que o amor desse casal ou desse cônjuge é falso em si mesmo e em suas expressões; é antes instinto do que valor tipicamente humano. O sexo, no ser humano, vem a ser a expressão ou sinal do amor; por conseguinte, tem que pairar acima dos instintos ou dos impulsos meramente libidinais, numa conduta de domínio e subordinação dos sentidos à razão e ao ideal. No ser humano o sexo está a serviço do amor e transmite o amor que o homem e a mulher concebem consciente e livremente em vista da construção de uma meta que ultrapassa os particularismos de um e outro.
Note-se, outrossim, que a continência periódica consiste em fazer uso natural de fenômeno naturais. É isto que a torna especialmente sadia tanto no ponto de vista físico como no ponto de vista moral. A natureza é sábia, como se diz proverbialmente; respeitá-la é desenvolver as chances que ela por si mesma oferece ao homem, é certamente penhor de engrandecimento e nobreza da pessoa humana” (D. Estevão Betterncourt O.S.B – “Planejamento familiar e o método Billings”, na revista “Pergunte e responderemos” – Julho de 1976, n.199).

É possível demostrar de um ponto de vista psicológico e científico que o sexo não pode separar-se da afetividade e da imaginação, enfim, do amor?
Sim. É possível demostrar de um ponto de vista psicológico e científico que o sexo não pode separar-se da afetividade e da imaginação, enfim, do amor, sob pena de se entrar num processo de gradação de todos os níveis da personalidade humana.

Pode-se demostrar o mesmo no plano religioso?
Sim. No plano religioso, o amor sobrenatural complementa e reforça o amor natural e sensível.

Pode, no entanto, ocorrer no próprio matrimônio a grave circunstância de uma continência ou abstenção longa ou mesmo definitiva exigida em concreto pelos cônjuges e em que eles não possuam outra saída lícita a não ser a da convivência fraterna?
Sim. Pode ocorrer na vida matrimonial esta grave circunstância e nela só resta aos cônjuges abraçar durante esse período o ideal de se bem querer um ao outro, sabendo, no entanto, não existirem condições outras para que esse amor se expresse a não ser espiritualmente.


Fonte: Vitório Lucchesi

sábado, 12 de outubro de 2013

A castidade extraconjugal


“Um encontro sexual, que não é vivido no contexto de um compromisso total e de um amor fiel, assemelha-se, à primeira vista, a um ato de amor, mas de fato difere de tal maneira dele, como a flor cortada difere da flor viva: a flor cortada pode parecer bela e cheia de vida, mas está condenada, quer se queira quer não, a murchar brevemente” (AS,6)

Que exige a castidade por parte das pessoas que não vivem no matrimônio?
A castidade exige por parte das pessoas que não vivem no matrimônio a renúncia a qualquer uso voluntário do instinto sexual. Mas tudo o que escapa ao domínio da vontade, retamente ordenada e, portanto, ao campo da liberdade (impulsos involuntários, sonhos, tentações não aceitas, etc.), sai do âmbito da responsabilidade e, pois, do pecado.

Quais são os principais pecados contra a castidade de pessoas não casadas?
Os principais pecados externos contra a castidade de pessoas não casadas são:
  a) O adultério (união sexual com pessoa de outro ou do mesmo sexo casada);
b) A fornicação (união sexual com pessoa de outro sexo não casada);
  c)  A sodomia (cópula anal);
 d) A homossexualidade (prática sexual com pessoa do mesmo sexo);
  e) A bestialidade (prática sexual com animais);
f)   A masturbação (procura solitária do prazer sexual);
Esses mesmos pecados cometidos por pessoas casadas incluem normalmente uma gravidade ainda maior. 

A homossexualidade é grave desordem moral também quando “os homossexuais são definitivamente tais, por força de uma espécie de instinto inato ou de uma constituição patológica considerada incurável” (PH,8)?

Sim. “... Segundo a ordem moral objetiva, as relações homossexuais são atos destituídos da sua regra essencial e indispensável. Elas são condenadas na Sagrada Escritura como graves depravações e apresentadas aí também como uma consequência triste de uma rejeição de Deus (cf. Rom 1,24-27). Este juízo exarado na Escritura Sagrada não permite, porém, concluir que todos aqueles que sofrem de tal anomalia são por isso pessoalmente responsáveis; mas atesta que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados e que eles não podem, em hipótese nenhuma, receber qualquer aprovação” (PH,8).

Por que a masturbação voluntária é uma grave desordem moral?
“Tanto o Magistério da Igreja, na linha de uma tradição constante, quanto o sentir moral dos fiéis, afirmaram sem hesitações que a masturbação voluntária é um ato intrínseca e gravemente desordenado. A razão principal disso é a seguinte: qualquer que seja o motivo que o determine, o uso deliberado da faculdade sexual fora das relações conjugais normais contradiz essencialmente à sua finalidade. Falta-lhe, de fato, a relação sexual requerida pela ordem moral, aquela relação que realiza ‘o sentido integral de uma doação recíproca e da procriação humana num contexto de autêntico amor’” (PH,9 e GS,51).

O que dizer da procura de um prematuro “ajuste sexual’ no caso das assim ditas “experiências pré-matrimoniais”?
É um comportamento gravemente ilícito, e ainda sem sentido também psicologicamente falando, já que o “ajuste sexual” não é condição de amor, mas, pelo contrário, deverá ser o amor a buscar esse ajuste, devendo para tanto os casados, e somente eles, usar de todos os meios legítimos, inclusive os de caráter médico.

As relações sexuais antes do matrimônio são ilegítimas também “naqueles casos em que uma intenção firme de o contrair e uma afeição de algum modo já conjugal existente na psicologia de ambas as pessoas demandam esse complemento que elas reputam conatural; isso, principalmente, quando a celebração do matrimônio se acha impedida pelas circunstâncias, e essa relação íntima se afigura necessária para que o amor seja conservado” (PH,7)?

“Sim, são ilegítimas. Segundo a doutrina cristã, é no contexto do matrimônio que se deve situar todo o ato genital do homem... Pelo matrimônio, de fato, o amor dos esposos é assumido naquele amor com que Cristo ama irrevogavelmente a Igreja (cf. Ef 5,25-32), ao passo que a união corporal na imoralidade (cf. 1Cor 6,12-20) profana o templo do Espírito Santo que o cristão se tornou. A união carnal, por conseguinte, não é legítima se entre o homem e a mulher não se tiver instaurado, primeiro e de maneira definitiva, uma comunidade de vida” (PH,7).

Não parece a Igreja exageradamente severa e até anacrônica ao reafirmar, pela declaração “Persona Humana”, sua doutrina tradicional acerca da ética sexual?
Queremos lembrar que a Igreja é, ao mesmo tempo, Mãe e Mestra. E um mestre e pastor da Igreja Católica no Brasil, Cardeal Dom Aloísio Lorscheider, Arcebispo de Fortaleza e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao comentar a publicação do documento da Santa Sé sobre a ética sexual, assim falou: “Num mundo de permissividade a clarinada da Santa Sé não foi só oportuna, mas também necessária. A castidade sempre esteve presente na formação das personalidades fortes e de grande fibra. A impureza, ao contrário, este historicamente sempre na origem da corrupção dos povos e no seu desfibramento. Quem quiser enfraquecer um povo, leve-o pelo caminho da impureza.
Tantos delitos cometidos em nossos dias têm a sua origem na impureza de muitas vidas. Tantos casamentos com mau êxito devem procurar a causa fundamental na inobservância da castidade. Julgo, pois, um grande benefício à nossa sociedade este gesto profético da Congregação para a Doutrina da Fé (“L’OSSERVATORE ROMANO” – Ed. Port. De 1-02-76).

Pode-se pecar contra a castidade apenas com o pensamento?
Sim, é pecado pensar voluntariamente, isto é, com consentimento da vontade, no que é pecado fazer. A esta complacência pecaminosa ajunta-se, de frequente, o mau desejo, estigmatizados ambos por Cristo quando afirma: “Todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração”. (Mt 5,28).

Pode pecar contra a castidade apenas com as palavras?
Sim; consideram-se impuras as conversas em que os fatos sagrados relativos ao amor, ao sexo e à origem da vida sejam comentados maliciosamente. Isto acontece quando são considerados apenas no seu aspecto físico, animal, ou como simples fonte de prazer. São conversas impuras as anedotas triviais e equívocas, as historietas com duplo sentido, etc.

Pode-se pecar contra a castidade por outro modo, que não sejam pensamentos, palavras e atos?
Tudo aquilo (olhares, leituras, divertimentos, músicas, “amizades”) que pode representar um excitamento da sexualidade, quando procurado, aceito ou alimentado deliberadamente, é pecado contra a castidade e sua gravidade depende das circunstâncias. A advertência plenamente se justifica, sobretudo diante da onda de certos livrinhos, revistas, gravuras, “slides” e filmes pornográficos produzidos com propósito de uma excitação sexual.

Vale também para a castidade a palavra humana e divina do Mestre: “A verdade vos libertará” (Jo 8,32)?
Sim. De fato, “a felicidade de nos sentirmos puros concede, a quem chega a realizar a pureza integral, um sentido de verdadeira liberdade, de grande equilíbrio e autodomínio, e de sublimidade repousante. Isso faz com que, em vez de sermos impedidos de amar, sejamos inundados pela luminosa beleza de um amor, liberto de qualquer escravatura dos sentidos ou da paixão, e vibrante de intensa espiritualidade. Esse amor reverte sobre a própria família, sobre os companheiros e sobre o próximo, com alegre simplicidade”. (Luisa Guarnero, O Mistério do Amor, Ed. Marietti).

Quem oferece, por qualquer motivo, ocasião aos outros de pecar contra a castidade (produtores e distribuidores de filmes pornográficos; gerentes de casas de prostituição; editoras que imprimem publicações obscenas; revendedoras das mesmas, etc.) comete pecado grave?

Sim. Gravíssimo! De impureza (6° mandamento) e de escândalo (5° mandamento). Contra eles Jesus clamou com uma das expressões mais duras do Evangelho: “Caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada pedra e seja precipitado nas profundezas do mar. Aí do mundo por causa dos escândalos” (Mt 18, 6-7).

fonte: Pe. Vitório Lucchesi

A castidade e seus obstáculos

Para praticar a castidade é preciso dominar e aplacar, com vigilância e combate constantes, as revoltas e as paixões do coração, fugir das solicitações do mundo e vencer as tentações do demônio. Com muita razão dizia São João Crisóstomo:
‘A raiz e o fruto da castidade é uma vida crucificada’.

O que é castidade?
A castidade (conjugal ou consagrada – na virgindade, no celibato) é uma virtude sobrenatural que regula o comportamento do homem no que diz respeito à concupiscência da carne e mais particularmente no que tangue ao uso sexual ou à continência ou abstenção sexual mais ou menos prolongada, assegurando os elevados objetivos que Deus lhe deu na perspectiva da vida matrimonial e da família.

Qual é a visão cristã do sexo?
O sexo permite ao homem colaborar com Deus na criação da vida física. Cada ser novo é fruto da ação do pai e da mãe que formam o corpo e de Deus que cria e infunde a alma.
Os homens vencem a morte física e continuam no tempo, pelos filhos que nascem da sua carne e do seu amor. Por isso, o sexo é patrimônio da humanidade. É o caudal da vida que passa de geração em geração, carregando vícios, virtudes, taras e heroísmo, dos que a transmitiram. Profanar o sexo é atentar contra a humanidade do futuro.
Mais do que todas as poluições, deve aterrar-nos a poluição genética, que está comprometendo a saúde física, mental e moral do amanhã. O sexo, evidentemente, constitui uma dimensão básica do homem e estrutura a personalidade, com todos os seus valores positivos. Outra coisa é o uso do sexo, dentro dos objetivos na natureza, e a que se pode renunciar sem nada perder de pessoal, para se pôr a serviço de Deus e do próximo, com toda a sua riqueza, no plano da vida religiosa, assistencial, científica, etc..., como veremos, inclusive na vida física, enquanto forma de enriquecer-se espiritual e fisicamente.

Que é virtude?
Chama-se virtude a disposição constante de nossas faculdades, que facilita a prática do bem. A virtude chama-se natural, quando é fruto das forças na natureza, encaminhadas estavelmente pela repetição constante dos atos bons, sobrenatural, se é infundida por Deus na alma junto com a Graça santificante. Segundo a doutrina comumente aceita, as chamadas virtudes cardeais são também sobrenaturais e aperfeiçoam e elevam as virtudes de igual nome naturalmente adquiridas, dando-lhes um objetivo superior às forças naturais.

Quais são as principais virtudes sobrenaturais?
- As três teologais (Fé, Esperança e Caridade), infundidas em nossa alma pela graça batismal, que têm como objetivo imediato e principal o próprio Deus;
- As quatro cardeais (Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança), que são como os eixos em torno dos quais giram as outras virtudes morais.
A castidade, virtude moral ligada à temperança, exprime admiravelmente, no uso sexual ou na continência ou abstenção sexual mais ou menos prolongada, a caridade ou o amor.
Os vícios são o contrário das virtudes.

Quais são os apetites ou concupiscências?
Apetites ou concupiscências (paixões, instintos) são forças naturais de que Deus dotou o homem em vista de particulares finalidades.

Quais são as principais concupiscências?
São três: 1. A concupiscência da carne, 2. A concupiscência dos olhos e 3. O orgulho da vida.

Em que consiste cada concupiscência e qual a sua finalidade?
1.     Os apetites da carne referem-se sobretudo à sexualidade, destinada ao matrimônio, alicerce da família e, portanto, da sociedade;
2.    Os apetites dos olhos referem-se sobretudo ao desejo de possuir e usar os bens matérias: sua finalidade é o bem estar dos homens, procurando com o trabalho e a economia;
3.    O orgulho da vida manifesta-se nas duas profundas inclinações da estima de si e do desejo da estima dos outros, destinadas, ambas, a facilitar a convivência entre os homens. O amor próprio ordenado, nascido da valorização de si mesmo, pode levar à séria preparação para o exercício do poder e mesmo à busca de posições de mando como forma de serviço à comunidade.
A desordem das concupiscências, que conduz o mundo no seu espírito anticristão, não vem de Deus (cf. Jo 2,16).


Como as concupiscências se tornaram desordenadas?
A primeira causa de desordem das concupiscências foi o pecado original; a desordem aumenta pelos pecados atuais da sociedade e de cada pessoa.

Quais os vícios causados pela desordem das concupiscências?
São: a) a luxúria, causada pela desordem da concupiscência da carne;
b) a avareza, causada pela desordem da concupiscência dos olhos;
c) a soberba, causada pela desordem do orgulho da vida.
São os três vícios capitais, assim chamados por serem como que as fontes de todos os pecados: os outros quatro são: ira, gula, inveja e preguiça.

Quais são as três virtudes que se opõem àqueles três vícios?
A castidade, que se opõe à luxúria;
A liberalidade, que se opõem à avareza;
A humildade, que se opõem à soberba.

Quais são os três maiores inimigos da castidade?
A castidade é uma virtude que exige combate perseverante e vitorioso contra: a) a desordem do instinto sexual; b) o demônio; c) o mundo.

Qual é, na Bíblia, o significado da palavra ‘mundo’?
Na Bíblia a palavra ‘mundo’ é usado com três significados diferentes:
a)    Mundo= humanidade: “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,17). É o mundo que devemos amar e pela salvação do qual devemos sofrer, rezar, trabalhar;
b)   Mundo= planeta em que vivemos: “Nada trouxemos para o mundo e nada dele podemos levar” (1Tm 6,7; 1Cor 4,13; 5,10) Também este mundo devemos amar;
c)    Mundo= reduto de satã contra Cristo: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém amam o mundo, não está nele o amor do Pai... Ora, o mundo passa... mas o que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 Jo 2,15-17). Este é o mundo, nosso inimigo, contra o qual devemos lutar.

O mundo, obstáculo à castidade, é hoje menos ou mais forte do que no passado?
É mais forte. “Nestes últimos tempos, aumentos a corrupção dos costumes de que é um dos mais graves índices uma desmesurada exaltação do sexo; ao mesmo tempo, pela difusão dos meios de comunicação social e dos espetáculos, ela tem vindo a invadir o campo da educação e a infectar a mentalidade geral” (PH,1).
Como o problema sexual é acima de tudo um problema mental e o sexo tem a importância que nós lhe damos, compreende-se a tragédia da supersaturação de sexo e erotização do cérebro por todos os meios de comunicação, na sociedade contemporânea. Quando a virtude se torna cada vez mais difícil e o vício cada vez mais sedutor, a degradação já está dentro de casa. 

fonte: livro Bem-aventurados os puros de coração- Pe. Vitório Lucchesi