sexta-feira, 7 de junho de 2024

A confiança com que devemos rezar

                                                             Livro: A Oração - Cap. III

Santo Afonso Maria de Ligório
              (1696-1787)

 Bispo e Doutor da Igreja

Editora Santuário, 1ª ed, 1987, 31ª imp. 2016.




16. "Peça com fé e sem hesitação alguma!"

Admoesta-nos o Apóstolo São Tiago que, se quisermos alcançar alguma graça de Deus, por meio da oração, devemos fazê-lo com plena confiança e convicção de que vamos ser atendidos. Santo Tomás ensina que, assim como a oração tem a sua força meritória da caridade, do mesmo modo tem a eficácia de impetrar-nos as graças, da fé e confiança. A oração tem seu valor meritório da caridade; porém, a eficácia de impetrar-nos as graças, da fé e confiança. O mesmo ensina São Bernardo dizendo que só a nossa confiança é que nos obtém a misericórdia de Deus. "Só a confiança, ó Senhor, nos obtém a vossa comiseração". Agrada sumamente a Deus a nossa confiança em sua misericórdia, porque assim honramos e exaltamos aquela sua infinita bondade que Ele quis manifestar ao mundo nos criando. Alegrem-se, pois, ó meu Deus, dizia o real profeta, todos os que esperam em vós, pois eles serão eternamente bem-aventurados e vós eternamente habitareis com eles: "Alegrem-se todos aqueles que esperam em Vós; exultarão eternamente e Vós habitareis neles" (Sl 5,12). Deus protege e salva a todos os que confiam nele. Salva os que esperam nele. Quantas promessas não se encontram nas Escrituras feitas aos que esperam em Deus! "Todos os que nele esperam não pecarão" (Sl 33,23). Sim, porque diz Davi que o Senhor tem os seus olhos voltados para os que confiam em sua bondade, a fim de libertá-los, com o auxílio, da morte do pecado. E, em outro lugar, o próprio Deus afirma: "Porquanto em mim esperou, livrá-lo-ei, protegê-lo-ei... livrá-lo-ei e glorificá-lo-ei" (Sl 90,14-15). Note-se a palavra: porquanto em mim confiou, protegê-lo-ei, livrá-lo-ei dos inimigos e do perigo de cair e finalmente lhe darei a glória eterna. Falando Isaías dos que esperam no Senhor, diz: "Os que esperam no Senhor terão sempre forças novas, tomarão asas como de águia, correrão e não se fatigarão, andarão e não desfalecerão" (Is 40,31). "Deixarão de ser fracos e adquirirão em Deus uma grande força; não desfalecerão, nem sequer sentirão fadiga no caminho da salvação, mas correrão e voarão como águias" (Is 40,31). Vossa fortaleza está no silêncio e na esperança. Em suma, toda a nossa força, diz o mesmo Profeta, consiste em colocarmos toda a nossa confiança em Deus e em nos calarmos, quer dizer, em repousarmos nos braços de sua misericórdia, sem confiar em nossos esforços e nos meios humanos.


17. "Jamais se perdeu quem confiou em Deus"

Baseado nesta esperança tinha Davi por certo que nunca se perderia. "Ninguém esperou no Senhor que fosse confundido". (Eclo 2,11). "Em vós, Senhor, esperei; não serei confundido eternamente" (Sl 30,1). Porventura, pergunta Santo Agostinho, poderá Deus enganar-nos oferecendo-se para sustentar-nos nos perigos quando a Ele recorremos e, depois, retirando-se de nós, quando, de fato, recorremos a Ele? Davi chama bem-aventurado a quem confia no Senhor: "Bem-aventurado é o homem que espera em Vós" (Sl 83,13). E por quê? Porque, diz o Profeta, quem confia em Deus será sempre cercado pela misericórdia divina: "Ao que espera no Senhor, a misericórdia o cercará" (Sl 31,10). Sim, de tal modo será cercado de todos os lados e guardado por Deus que ficará seguro dos inimigos e do perigo de perder-se.


18. "Confiemos em Deus!"

Conservemos a confiança nele, diz o Apóstolo, porque assim poderemos esperar uma grande recompensa. Assim como for a nossa confiança, do mesmo modo serão as graças de Deus. "Uma grande confiança merece grandes coisas."

Escreve São Bernardo que a divina misericórdia é uma fonte imensa; e nós apanhamos as graças com os vasos da confiança; quem vier com um vaso maior poderá tirar maior número de graças. "Só nos vasos da confiança o Senhor deita o azeite de sua misericórdia." E, já antes, dissera o Profeta: "Venha, Senhor, sobre nós a vossa misericórdia, assim como temos esperado!" (Sl 32,22). Isto vemos realizado com o centurião, a quem o Redentor disse, louvando a sua confiança: "Vai e te seja feito assim como creste" (Mt 8,13). Revelou Nosso Senhor à Santa Gertrudes que "quem reza com confiança faz tanta violência a seu coração que o obriga a atender a tudo quanto pede". "A oração, diz São João Clímaco, faz violência a Deus, mas uma violência que lhe é cara e agradável".


19. "Aproximem-nos com confiança"

Aproximemo-nos, exorta São Paulo, com confiança, do trono da graça a fim de alcançarmos misericórida e de acharmos graça, para sermos socorridos oportunamente" (Hb 4,16). O trono da graça é Jesus Cristo, que está assentado à direita do Pai, não sobre um trono de justiça, mas de graça, para nos obter o perdão, se estivermos em estado de pecado, e o auxílio necessário para preservarmos, se estivermos na amizade de Deus. Para este trono devemos dirigir-nos sempre com confiança, mas com uma confiança firme e certa. 

Quem, ao contrário, reza com uma confiança vacilante, não pense que alcançará alguma coisa, como afirma São Tiago: "Aquele que duvida é semelhante à onda do mar. Que é agitada e levada de uma parte para outra pela violência dos ventos; não pense esse homem que há de receber alguma coisa de Deus" (Tg 1,6-7). Não receberá nada, porquanto a sua dúvida entre confiança e desconfiança impedirá a misericórdia divina de ouvir as suas súplicas. "Não rezaste bem, como devias, porque rezando duvidastes, diz São Basílio; não recebeste a graça porque a pediste duvidando". Disse Davi que a nossa confiança deve ser inabalável como uma montanha, que não se move a qualquer sopro do vento: "O que confia no Senhor está firme como o monte de Sião" (Sl 123,1). O Senhor nos adverte que se quisermos obter as graças que pedimos, devemos fazê-lo com fé: "Todas as coisas que pedirdes orando, crede que a recebereis, e que assim vos sucederá" (Mc 11,24). Qualquer que for a graça que pedirdes, estais certos que sereis atendidos. 


20. Qual é o fundamento desta confiança?

Mas,  dirá alguém, em que posso eu, miserável, fundamentar esta minha confiança certa de obter o que peço? Em que coisa? Na promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Pedi e recebereis" (Jo 16,24). Quem poderá recear de ser enganado, se é a própria verdade quem o promete? - Diz Santo Agostinho. Como podemos duvidar de sermos atendidos quando Deus, a própria Verdade, promete conceder-nos o que pedimos na oração? "Não nos admoestaria a pedir, diz o mesmo Santo Doutor, se não nos quisesse ouvir". Mas é isto o que Ele tanto nos inculca e tantas vezes repete na Sagrada Escritura: "Pedi, orai, buscai e obtereis tudo quanto desejardes". Pedireis tudo o que quiserdes e ser-vos-á feito.

E para rezarmos com a devida confiança, ensina-nos o Salvador na oração do Pai-Nosso que, ao recorremos a Deus, a fim de recebermos as graças necessárias para a nossa salvação, as quais estão todas no Pai-Nosso, chamemos a Deus não de Senhor, mas sim de Pai: Pai, nosso. Quer um filho doente e pobre pede o alimento e o remédio a seu pai. Se um filho está para morrer de fome, o pai logo o socorrerá, e se for mordido de um serpente venenosa, basta mostrá-la ao pai para que ele aplique o remédio que já tem preparado. 


21. Esperemos contra a esperança!

Confiados, pois, nas diversas promessas, peçamos sempre com uma confiança inabalável, como diz o Apóstolo: "Conservemos firmes a promessa da nossa esperança, porque fiel é o que fez a promessa" (Hb 10,23). Portanto, como é certo que Deus é fiel em suas promessas, assim também certa deve ser a confiança de sermos atendidos por Ele, quando o invocarmos. E, ainda que, às vezes, ou por nos acharmos em estado de aridez espiritual, ou por estarmos perturbados com qualquer falta cometida, não sintamos na oração aquela confiança sensível que tanto desejávamos; contudo nos esforcemos por pedir e não por deixar de pedir, porquanto Deus não deixará de nos atender. Mas nos ouvirá mais depressa, porque então rezaremos com maior desconfiança de nós e confiaremos só na bondade e fidelidade de Deus que prometeu atender a quem o invocar. Oh! como é agradável a Nosso Senhor a nossa esperança no tempo de tribulações, temores e tentações, quando esperamos contra a esperança, quer dizer, contra aquele sentimento de desconfiança causado por nossa desolação. O Apóstolo elogia o patriarca Abraão com as seguintes palavras: "Creu na esperança, contra toda a esperança" (Rm 4,18).


22. A confiança nos torna santos

Diz São João que quem confiar incondicionalmente em Deus se torna santo. "E todo o que tem esta esperança nele santifica-se a si mesmo, assim também como Ele é santo" (1Jo 3,3). É porque Deus derrama fartamente suas graças sobre todos o que nele confiam. Com esta confiança, tanto mártires, tantas virgens, tantas crianças, apesar dos horríveis tormentos infligidos pelos tiranos, saíram vencedores.

Às vezes, pedimos e parece que Deus não quer ouvir-nos, mas não deixemos, então, de pedir e esperar. Digamos, então, como Jó: "Mesmo que Deus me tirasse a vida, eu esperaria nele" (Jó 13,15). Meu Deus, ainda que me expulsásseis de vossa presença, não deixaria de pedir-vos e de esperar em vossa misericórdia. Façamos assim e obteremos de Nosso Senhor tudo o que quisermos. Assim fez a mulher cananeia e obteve tudo de Jesus. Esta mulher tinha uma filha atormentada pelo demônio e pediu a Nosso Senhor que a livrasse: "Tem compaixão de mim, pois minha filha está atormentada pelo demônio" (Mt 15,22). Nosso Senhor respondeu-lhe que não fora enviado para os gentios, mas sim para os judeus. Não desanimou a mulher e tornou a pedir com confiança: "Senhor, vós podeis consolar-me e vós haveis de me consolar: Senhor, ajudai-me". Jesus replicou: "Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cães". "Mas, Senhor meu, acrescentou ela, também os cachorrinhos comem das migalhas da mesa dos donos". Então o Salvador, vendo a grande confiança dessa mulher, louvo-o e concedeu-lhe a graça, dizendo: "Ó mulher, grande é a tua fé; faça-se contigo como desejas!". "E quem, diz o Eclesiástico, jamais invocou o auxílio de Deus e Deus o desprezou e não o socorreu? Quem o invocou e foi por Ele desprezado?" (2,12).


23."A oração é uma chave que nos abre as portas do céu"

Diz Santo Agostinho que a "oração é uma chave que nos abre a porta do céu". No mesmo momento em que a nossa oração sobe para Deus, desce para nós a graça pedida. Escreveu o real Profeta que as nossas súplicas andam sempre ao lado da misericórdia divina: "Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem apartou a sua misericórdia de mim" (Sl 65,20). Diz por isso o mesmo Santo Agostinho que, quando estamos rezando, podemos estar certos de que estamos sendo atendidos. "Quando vires que a tua oração não se apartou de ti, podes estar certo de que tampouco a misericórdia divina se afastou de ti."

E eu, quanto a mim, falo a verdade e confesso que me sinto mais consolado no espiríto, e nunca sinto maior confança em salvar-me do que quando rezo e me recomendo a Deus. O mesmo penso que sentem todos os fiéis, pois todos os outros sinais de salvação que temos são incertos e falíveis. Mas que Deus atende a quem o invoca com confiança é verdade certa e infalível, como é infalível a verdade que Deus não pode faltar às suas promessas.


24. "Tudo posso naquele que me conforta"

Quando nos sentirmos fracos e incapazes de vencer qualquer tentação ou qualquer dificuldade em observar os mandamentos do Senhor, animemo-nos, dizendo com o Apóstolo: "Tudo posso naquele que me conforta" (Fl 4,13). Não imitemos os que dizem: "não posso, não tenho ânimo". É certo que nada podemos de nós mesmos, mas com o auxílio divino podemos tudo. Se Deus dissesse a alguém: "Toma aquele monte sobre teus ombros e carrega-o. Eu te ajudarei". Não seria um insensato quem respondesse: não tenho força para carregá-lo? Do mesmo modo, quando nos sentimos fracos e enfermos, combatidos por muitas tentações, não percamos o ânimo e levantemos os olhos a Deus e digamos com Davi: "O Senhor é meu amparo, desprezarei os meus inimigos" (Sl 117,6). Com o auxílio de Deus desprezarei e vencerei todos os meus inimigos. E quando estivermos em perigos de ofender a Deus ou em outra grave necessidade, e confusos não soubermos o que fazer, recomendemo-nos a Nosso Senhor, dizendo: "O Senhor é minha luz e a minha salvação; a quem temerei? (Sl 26,1). E fiquemos certos de que Deus nos esclarecerá e nos preservará de todo o mal.


25. "Mas sou pecador", dizem alguns

E na Escritura leio: "Deus não ouve os pecadores". Responde Santo Tomás com Santo Agostinho: "Esta palavra foi dita pelo cego de nascimento, quando não estava ainda bastante esclarecido, e por isso não tem valor".

Acrescenta Santo Tomás que essas palavras encerram uma grande verdade: trata-se do pecador que reza com o desejo de continuar a pecar; por exemplo, se pedisse a Deus auxílio para se vingar de um inimigo ou para fazer qualquer outra coisa má. O mesmo se entende do pecador que pede a Deus a sua salvação, sem nenhum desejo de sair do pecado.

Há de fato alguns que armam laços com que o demônio os prende como escravos. As orações destes não são atendidas por Deus, porque são orações temerárias e abomináveis. Não é uma temeridade pedir graças a um príncipe, a quem não só já se ofendeu, como também se pensa em ofender futuramente? Neste sentido devemos compreender o que disse o Espírito Santo que a oração daquele que não quer propositadamente ouvir o que Deus manda é aborrecida e detestável: "Daquele que desvia os seus ouvidos para não ouvir a lei, a oração será execrável" (Pr 28,9). A esses, diz Nosso Senhor: Podeis rezar quando quiserdes, afastarei de vós os meus olhos e quando multiplicardes as vossas orações, não vos atenderei" (Is1,15). Tal foi a oração do ímpio rei Antíoco, que pedia a Deus e prometia grandes coisas, mas hipocritamente, tendo o seu coração preso ao pecado; rezava só para evitar o castigo que estava iminente e por isso Nosso Senhor não ouviu os seus rogos e permitiu que fosse comido por vermes e morresse de uma morte desgraçada. Este malvado rezava, mas não podia receber misericórdia. 


26. Outros pecam por fraqueza ou por um ardente assalto da paixão

Outros que pecam por fraqueza ou por um ímpeto de alguma paixão e gemem sob o jugo do inimigo, desejando romper aquelas cadeias de morte e sair daquela miserável escravidão, rezam e pedem o auxílio de Deus; a oração deles, se for constante, será atendida por Deus: "Todo o que pede recebe, e quem busca acha" (Mt 7,8); todo, isto é, (como explica o autor da "Obra imperfeita"), tanto o justo como o pecador. 

No evangelho de São Lucas, Nosso Senhor fala do homem que deu todos os pães que tinha ao amigo, não por amizade, mas para ser livre da importunação, e diz: "Se o outro perseverar em bater, digo-vos, ainda que ele não se levante para dar-lhes os pães, por ser seu amigo, pelo menos vai levantar-se por causa da amolação. E vai dar tudo o que o amigo precisa. Por isso vos digo: Pedi e dar-se-vos-á, buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á" (L 11,8). A oração constante obtém misericórdia de Deus, mesmo para os que não são seus amigos. 

"O que não se alcança pela amizade, diz São João Crisóstomo, alcança-se pela oração". O mesmo santo chega a dizer: "A oração vale mais diante de Deus do que a amizade". São Basílio não duvida de que os pecadores obtenham o que pedem, contanto que peçam com perseverança. O mesmo diz São Gregório: "Clame o pecador a Deus e a Ele chegará a sua oração". São Jerônimo escreve que também o pecador pode chamar a Deus de seu pai, se lho pede para que o aceite de novo por filho, a exemplo de filho pródigo, que, antes de pedir perdão, chamou-o com o nome de pai: "Pai, pequei". Se Deus não atendesse os pecadores, diz Santo Agostinho, em vão teria o publicano pedido perdão, dizendo: "Tende, Senhor, piedade de mim, pecado" (Lc 18,14).


27. Deus ouve a oração dos pecadores

Quem tratou esta questão mais detalhadamente foi Santo Tomás e ele não hesita em dizer que também o pecador é atendido quando reza. O santo afirma que a oração do pecador, embora não seja meritória, tem não obstante a virtude de impetrar graças, porque a concessão de graças não vem da justiça, o impetrar depende da bondade de Deus: "O merecer depende da justiça, o impetrar depende da bondade de Deus". Justamente neste sentido pedia Daniel: "Inclinai, meu Deus, vosso ouvido e escutai, porque, prostando-nos em terra diante de vossa face, não fazemos estas deprecações fundados em algum merecimento de nossa justiça, mas na multidão de vossas misericórdias" (9,18).

Quando oramos, diz Santo Tomás, para obtermos as graças que pedimos, não é necessário sermos amigos de Deus: "A própria oração nos torna seus amigos". Uma bela razão traz São Bernardo, dizendo que esta súplica do pecador, de poder sair do pecado, provém do desejo de voltar à graça de Deus. Se Deus, diz o Santo, inspira ao pecador tal desejo, é um sinal de que quer atendê-lo: "Para que daria a Deus um tal desejo, se não o quisesse atender?". Na Escritura há muitos exemplos de pecadores que se converteram pela oração. Assim, livrou-se do pecado o rei Acab, assim Manasses, assim Nabucodonosor, assim também o bom ladrão. Ah! Como é grande e poderosa a oração! Dois pecadores no alto do Calvário morrem ao lado de Jesus. Um se salva porque reza, outro se perde porque não reza!


28. Nenhum pecador arrependido pediu ao Senhor benefícios, sem receber o que desejava

"Nenhum pecador arrependido pediu ao Senhor benefícios, sem receber o que desejava", diz São Crisóstomo. Mas para que alegar mais razões e autoridades, desde que o próprio Jesus Cristo disse: "Vinde a mim a todos o que trabalhais e vos achais carregados e eu vos aliviarei" (Mt 11,28). Segundo São Jerônimo, Santo Agostinho e outros, "carregados" são geralmente os pecadores que gemem sob o peso de suas culpas. Se recorre a Deus, Ele, conforme sua promessa, os salvará, com o auxílio de sua graça.

"Tu não desejas tanto o perdão de teus pecados, quanto Deus deseja perdoar-te", São João Crisóstomo. Não há graça, acrescenta o mesmo Santo, que não se obtenha pela oração ainda feita pelo pecador mais miserável, contanto que seja confiante e assídua. Notemos bem o que diz São Tiago: "Se alguém necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a concede generosamente a todos, sem impropérios" (Tg 1,5). Todos quantos recorrem a Deus pela oração são atendidos por Ele e cumulados de graças. A todos dá liberalmente. Mas consideremos bem as palavras "sem impropérios". Isto quer dizer que Deus não faz como os homens: Quando alguém nos pede um favor, se fomos ofendidos antes, censuramos a injúria recebida. Deus não procede dessa forma com quem o invoca, ainda que fosse o maior pecador do mundo. Quando ele lhe pede qualquer graça necessária à salvação, não o acusa das ofensas feitas, mas o recebe como se nunca tivesse sido ofendido por ele, consola-o, atende-o e prodigamente o enriquece de dons. 


29. Rezemos, rezemos muito!

Foi principalmente para nos indicar a rezar que o Redentor disse: "Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes alguma coisa a meu Pai em meu nome, Ele vo-la dará" (Jo 16,23). É como se dissesse: Ó pecadores, não desanimeis; que os vossos pecados não vos detenham de recorrer a meu Pai e esperar dele a vossa salvação! Não tendes merecimentos, mas deméritos. Aproximai-vos do Pai em meu nome e impetrai as graças desejadas pelos merecimentos. Eu vos prometo e juro ("em verdade, em verdade", palavras que, segundo Santo Agostinho, são uma espécie de juramento), que meu Pai vos concederá tudo quanto pedirdes. Ó Deus! que maior consolação pode ter um pecador, depois de sua queda, do que a de saber, com certeza, que receberá tudo quando pedir a Deus em nome de Jesus Cristo?


30. Receberá tudo

"Receberá tudo" quer dizer: aquilo que se refere à salvação eterna; porque, quanto aos bens temporais (já dissemos anteriormente), ainda que os peçamos, o Senhor às vezes não no-lo concede, porque sabe que esses bens causariam dano à nossa alma. 

Mas quanto aos bens sobrenaturais, a sua promessa de atender-nos não é condicional, mas absoluta. Por isso nos adverte Santo Agostinho: "O que Deus prometeu, pedi confiadamente". E como, escreve o Santo, jamais poderá o Senhor negar-nos coisa alguma, quando lhe pedimos com confiança, sendo que Ele deseja mais dar-nos as suas graças do que nós recebê-las. 


31. Deus se irrita contra nós

"Deus só se irrita contra nós quando deixamos de rezar", diz São João Crisóstomo. Como pode ser que Deus não queira atender a uma alma que lhe pede coisa que lhe são muitíssimo agradáveis? A alma lhe diz: Senhor, não quero bens terrenos, riquezas, prazeres, honras, mas peço-vos unicamente o vosso amor; livrai-me do pecado, dai-me a vossa santa amizade (graça que, segundo São Francisco de Sales, deve-se pedir antes de todas as outras), dai-me resignação à vossa vontade... Como é possível que Deus não atenda? E que súplicas atendereis, Senhor, diz Santo Agostinho, se não atendereis as que são tanto do vosso gosto?

Mas, sobretudo, deve-se avivar a nossa confiança, quando pedimos a Deus bens espirituais, como disse Nosso Senhor: "Se vós, que sois maus, sabeis dar o que é bom aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem" (Lc 11,13). Se vós, diz o Redentor, tão apegados aos vossos interesses e tão cheios de amor próprio, não negais aos vossos filhos o que pedem, quanto mais o Pai do céu, que vos ama acima de qualquer pai terrestre, vos dará bens espirituais quando lhe pedirdes!


A oração - Santo Afonso Mª de Ligório. Ed. Santuário, 1ª edição1987, 31ª impressão.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

A humildade com que se deve rezar

                                                              Livro: A Oração - Cap. III

Santo Afonso Maria de Ligório
              (1696-1787)

 Bispo e Doutor da Igreja

Editora Santuário, 1ª ed, 1987, 31ª imp. 2016.



9. Deus ouve a oração dos humildes e repele a dos orgulhosos

O Senhor atende às orações de seus servos, mas dos servos humildes: "O Senhor atendeu à oração dos humildes" (Sl 101,18). Onde falta humildade, Deus não atende, pelo contrário, repele as orações dos soberbos. "Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes" (Tg 4,6). Deus não ouve as orações dos soberbos, que confiam na própria força e por isso abandona-os à sua miséria. Em tal estado, privados do auxílio divino, perder-se-ão certamente. Chorava Davi: "Antes de ser humilhado, pequei" (Sl 118,67), pequei, porque não fui humilde. O mesmo se deu com São Pedro, o qual, apesar de avisado por Nosso Senhor de que naquela noite os seus discípulos o abandonariam: "a todos vós serei eu nesta noite ocasião de escândalo" (Mt 26,31), em vez de reconhecer sua fraqueza e pedir forças ao Senhor para não lhe ser infiel, confiando demasiadamente em si mesmo, disse que ainda que todos os outros o abandonassem, ele nunca o abandonaria: "Ainda que todos se escandalizem a teu respeito, eu nunca me escandalizarei" (Mt 26,33). E não obstante o Redentor lhe predizer, de novo e em particular, que naquela noite, antes que o galo cantasse, o negaria três vezes, confiando em seu valor, gabou-se dizendo: "Ainda que seja necessário morrer eu contigo, não te negarei" (Mt 26,35). Mas, apontado como discípulo de Jesus Cristo, negou-o por três vezes, com juramento, afirmando não conhecê-lo: "Juro que não conheço tal homem" (Mt 26,72). Se Pedro houvesse se humilhado e pedisse ao Senhor a graça da constância, não o teria negado.


10. Sem a graça, nada podemos fazer de meritório

Devemos todos imaginar que estamos sobre as alturas de um monte, suspensos sobre o abismo de todos os pecados e sustentados apenas pelo fio da oração; se este fio se arrebentar, cairemos certamente neste abismo e cometeremos os crimes mais horrorosos. "Se Deus não me tivesse ajudado, já teria caído no inferno" (Sl 93,17). Assim falava o salmista e assim deve dizer cada um de nós. O mesmo queria dizer São Francisco de Assis, quando dizia ser ele o maior pecador do mundo. Mas, meu padre, disse-lhe o companheiro, não é verdade o que dizeis. Existem muitos no mundo que são piores do que vós. É verdade, meu irmão, respondeu o santo, porque se Deus não tivesse sobre mim sua mão protetora, eu cairia em todos os pecados. 


11. Trabalha em vão aquele que trabalha sem Deus 

É um dogma de fé que, sem a graça de Deus, não podemos fazer obra meritória alguma, nem tão pouco ter um bom pensamento. Sem a graça, diz Santo Agostinho, não podem os homens fazer bem algum, quer por pensamentos, quer por palavras ou obras. Como os olhos não podem ver sem luz, assim o homem não pode fazer o bem sem a graça, diz o santo. E, antes, disse o Apóstolo: "Não que sejamos capazes, nós mesmos, de ter algum pensamento como de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus" (2Cor 3,5). E, ainda antes do Apóstolo, disse Davi: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalharão os que procuram construíla". (Sl 126,1). Em vão se esforça o homem em se fazer santo, se Deus não o amparar com o seu poder. "Se o Senhor não guardar a cidade, inutilmente se desvela o seu vigia". Se Deus não preservar a alma do pecado, em vão procurará ela fugir dele com suas próprias forças. Por isso, exclamava o profeta Davi: "Não esperei no meu arco" (Sl 43,7). Pois não quero confiar em minhas armas, mas unicamente em Deus, porquanto só Ele pode salvar-me.


12. Pela graça de Deus, sou o que sou

Quem achar que fez algum bem e que não caiu em maiores pecados, diga com São Paulo: "Pela graça de Deus, sou o que sou" (1Cor 15,10). Pela mesma razão, não deixe o homem de tremer e recear cair em todas as ocasiões. "Quem está de pé, veja que não caia" (1Cor 10,12). Com isto, quer São Paulo advertir-nos que está em grande perigo de cair quem se julga seguro. Em outro lugar, diz: "Quem julga ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se" (Gl 6,3). Muito sabiamente escreveu Santo Agostinho: "Muitos, sendo fracos, não se fortificam, porque se julgam fortes; só os que se sentem fracos serão fortes". Quem diz que não tem medo de si próprio prova que confia em si mesmo e em suas resoluções. mas, com esta confiança perniciosa, engana-se. Quem diz que não tem medo, não receia mais e, não receando, não reza mais; então, cairá eternamente.

Não devemos desprezar os outros por terem caído e nós não; pelo contrário, quando virmos outros caírem, julguemos que somos piores de todos e digamos ao Senhor: Se não me tivésseis ajudado, Senhor, eu teria feito pior ainda. De outro modo, permitirá Deus, por causa do nosso orgulho, que cometamos pecados maiores ainda. Por isso avisa-nos o Apóstolo que procuremos a nossa salvação eterna. Mas como? Sempre temendo e tremendo. "Com medo e tremor, operai a vossa salvação" (Fl 2,12). "Com medo e tremor, pois quem vive em temor e cuidado para não cair desconfia de suas próprias forças e põe toda a sua confiança em Deus, recorrendo a Ele nos perigos. Deus o ajudará, vencerá as tentações e salvar-se-á. São Filipe Néri, passando um dia pelas ruas de Roma, exclamava: "Sou um desesperado". Um religioso, que ouviu estas palavras, perguntou-lhe por que falava daquele modo. O santo respondeu: "Meu padre, eu desespero, sim, mas de mim mesmo". Este deve ser o nosso modo de agir, se quisermos nos salvar. É necessário que tenhamos uma completa desconfiança de nós mesmos. São Filipe, desde o primeiro momento em que despertava pela manhã, dizia a Deus: "Senhor, protegei-me hoje, senão eu Vos trairei e o venderei!"


13. Eis a grande ciência do cristão

Diz Santo Agostinho, conhecer que nada é e nada pode! Assim, nunca deixará de pedir a Deus a força necessária para resistir às tentações e para fazer o bem, e fará tudo com o auxílio de Deus, que não repele nenhuma súplica dos humildes. "A oração do que se humilha penetrará as nuvens e não se afastará até que o Altíssimo ponha nela os seus olhos" (Eclo 35,21). E por mais carregada que esteja uma alma de pecados, Deus não pode desprezar um coração que se humilha. "Não desprezarás, ó Deus, um coração contrito e humilhado" (Sl 50,12). "Deus resiste aos soberbos e dá sua graça aos humildes" (Tg 4,6). Deus é severo com os soberbos e resiste às suas súplicas; benigno, porém, e misericordioso com os humildes. Um dia, falou Nosso Senhor a Santa Catarina de Sena: "Saibas, filha, que toda alma que perseverar humildemente na oração chegará a conseguir todas as virtudes".


14. Bela advertência de Monsenhor Palafox

É útil citar aqui uma bela advertência de Monsenhor Palafox, piedosíssimo bispo de Osma, às pessoas piedosas que procuram santificar-se, em sua anotação à 18ª carta de Santa Tereza a seu confessor. Ali conta-lhe a Santa todos os degraus de oração sobrenatural com que o Senhor lhe havia favorecido. 

A esse propósito, o mencionado prelado prescreve que essas graças sobrenaturais, que Deus se dignou conceder à Santa Teresa e tem concedido a outros santos, não são necessárias para alcançar a santidade, porque muitas outras almas chegaram à santidade sem essas graças extraordinárias e até há muitas que, apesar de terem recebido aquelas graças, estão condenadas. Portanto, diz ser coisa supérflua e presunçosa desejar e pedir tais dons sobrenaturais, quando o verdadeiro e único caminho para a santidade é o exercício de todas as virtudes, especialmente do amor de Deus; e a isto se chega por meio da oração e pela correspondência às luzes e aos auxílios de Deus, o qual outra coisa não quer senão a nossa santificação. "Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação" (1Ts 4,3).


15. Os diversos graus da oração e como alcançá-los

Por isso, o referido autor, falando dos graus da oração sobrenatural, de que tratava a santa, a saber: da oração de repouso, do sono e da suspensão das faculdades da alma, da união, do êxtase, do arrebatamento, do voo e ímpeto do espírito e da chaga espiritual, sabiamente escreve e diz que, quanto à oração de repouso, o que devemos desejar e pedir a Deus é que nos livre do apego e desejo dos bens terrenos, os quais não dão paz, mas sim trazem aflições e inquietações ao espírito. Bem falou Salomão: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!" (Eclo 1,14). O coração do homem jamais encontrará a verdadeira paz, senão se livrando de tudo o que não é de Deus, para dar lugar a seu santo amor, para que Ele só o possua. Mas a alma por si própria não pode alcançar isso, mas unicamente por meio de repetidas orações.

Quanto ao sono e suspensão das faculdades da alma, devemos pedir a Deus que essas faculdades durmam para as coisas terrenas e só estejam acordadas para considerar a divina bondade, para aspirar ao amor divino e aos bens eternos.

Quanto à oração da união, devemos pedir a Deus a graça de não pensar, de não procurar e de não querer senão o que Deus quer, pois que toda a santidade e perfeição do amor consiste em conformar-se a nossa vontade com a vontade de Deus. 

Quanto ao êxtase e ao arrebatamento, peçamos a Deus que nos livre do amor desregrado de nós mesmos e das criaturas, para nos atrair todos a si.

Quanto ao voo do espírito, roguemos a Deus a graça de vivermos desapegados do mundo e de fazermos como as andorinhas, que, nem mesmo para se alimentar, param no chão e voando tomam o seu alimento. Isto quer dizer que devemos nos servir destes bens temporais tanto quanto for necessário à vida, mas sempre voando, sem nos determos sobre a terra para procurar os prazeres mundanos. 

Quanto ao ímpeto do espírito, peçamos a Deus que nos dê coragem e fortaleza para fazermos violência a nós mesmos, quando for necessário, a fim de resistir aos assaltos dos inimigos, vencer as paixões e abraçar o sofrimento no meio de desconsolações e tédios do espírito.

Enfim, quando chega à chaga de amor, assim como a chaga com sua dor sempre renova a recordação do mal, do mesmo modo devemos pedir a Deus que nos fira o coração de tal sorte com o seu santo amor, a fim de que nos recordemos sempre de sua bondade e de seu afeto para conosco e assim vivamos ocupados sempre em amá-lo e agradecer-lhe com as nossas ações e afeto. Mas todas essas graças não se obtém sem a oração; e com a oração, contanto que seja humilde, confiante e perseverante, tudo se alcança. 

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A oração - Santo Afonso Mª de Ligório. Ed. Santuário, 1ª edição1987, 31ª impressão.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Nossa Senhora do Rosário




  Festa a 7 de outubro

 Na sua forma atual o Rosário tem por autor S. Domingos, fundador da Ordem dos Padres Pregadores ou Dominicanos, por uma revelação particular de Maria no ano de 1206.

No princípio do século XIII, quando os albigenses infestavam o sul da França, tendo produzido pouco fruto a pregação de zelosos missionários, voltou-se S. Domingos aflitíssimo, para a Ss. Virgem, pedindo-lhe instantemente que lhe inspirasse um meio de vencer a obstinação dos fanáticos e perigosos albigenses.

Maria, sempre bondosa e complacente, aparece ao seu servo e consola-o, ensinando-lhe a rezar o Rosário, que seria uma arma poderosíssima com que Domingos converteria grande número de pecadores.

O servo de Deus prega então outra vez, com novo ardor, propagando a devoção do Rosário; e as conversões se multiplicam com rapidez extraordinária.

Progrediu tanto esta devoção, que 50 anos depois da aparição de Nossa Senhora a S. Domingos milhares de hereges tinham voltado ao seio da Igreja, e milhares de pecadores tinham abraçado a penitência.

Dizem os autores contemporâneos de S. Domingos que ele converteu mais de cem mil almas depois que começou a ensinar a devoção do Rosário.

Depois da vitória de Lepanto, vitória esta obtida por uma particular proteção da Ss. Virgem, o Papa Pio V instituiu a festa de Nossa Senhora da Vitória.

Dois anos mais tarde, Gregório XIII, seu sucessor, mudou êste título pelo de Nossa Senhora do Rosário, transferindo a festa para o primeiro domingo de outubro. Atualmente a festa é celebrada a 7 do mesmo mês.

Talvez tenha sido Gregório XIII, portanto, quem deu êste novo título a Nossa Senhora, ou, por outra, quem o sancionou, pois é provável que já o usassem desde que Nossa Senhora apareceu a S. Domingos, ensinando-lhe a devoção do Rosário. 

Nossa Senhora do Rosário, livrai-nos das heresias!...

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Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.

Foto: https://i.pinimg.com/originals/6d/e9/95/6de995a09927a2ca0db4dc9fe4e8b38d.jpg

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Nossa Senhora de Rancoudray



 Rancoudray - França


O Santuário de Nossa Senhora de Rancoudray é célebre no departamento da Mancha.

O seu atual Cura informou que os peregrinos contam-se aos milhares.

A origem deste título é bem antiga, pois remota à segunda metade do século XII, e provém de uma aparição de Nossa Senhora a um pastor, em um bosque de aveleiras. 

Antigamente "ran" significava "carneiro", e "coudray" é a corrupção da palavra "coudrier", aveleira.

As grandes peregrinações são feitas principalmente durante o mês de maio e no dia da Ascensão do Senhor. 

As grandes peregrinações são feitas principalmente durante o mês de maio e no dia da Ascensão do Senhor.

Muitas graças são obtidas pelas pessoas que para lá se dirigem isoladamente ou em grupos ou em romarias.

(Versão do livro "Mille Pèlerinages de Notre-Dame", de I. Couturier de Chefdubois.)


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Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.

Foto: Igreja Saint Clement Rancoudray - França.

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