sexta-feira, 18 de abril de 2025

Meditação para a Sexta-Feira Santa




 Jesus morto pendente da cruz


1. Minha alma, levanta os olhos e contempla aquele Crucificado. Contempla o cordeiro divino já sacrificado sobre o altar da dor. Reflete que Ele é o Filho dileto do eterno Pai e que morreu pelo amor que te consagrou. Vê como tem os braços estendidos para abraçar-te, a cabeça inclinada para dar-te o ósculo da paz, o lado aberto para receber-te no seu Coração. Que dizes? Merece ou não ser amado um Deus tão amoroso? Ouve o que Ele te diz daquela cruz: "Vê, filho, se existe no mundo quem tenha te amado mais do que Eu". Não, meu Deus, não há no mundo quem me tenha amado mais do que Vós. Mas que poderei dar em retorno a um Deus que quis morrer por mim? Que amor de uma criatura poderá jamais compensar o amor de seu Criador morto para conquistar o seu amor? 

2. Ó Deus, se o mais vil dos homens tivesse sofrido por mim o que sofreu Jesus Cristo, poderia deixar de amá-lo? Se eu visse um homem dilacerado pelos açoites, pregado numa cruz para salvar-me a vida, poderia lembrar-me disso sem me abrasar em amor? E se me fosse apresentado o seu retrato expirando na Cruz poderia contemplá-lo com indiferença, pensando: "Este homem morreu assim atormentado por meu amor e, se não me houvesse amado tanto, não teria morrido dessa maneira"? Ah, meu Redentor, ó amor de minha alma, como poderei esquecer-me mais de Vós? Como poderei pensar que os meus pecados vos reduziram a um tal estado e não chorar sempre as injúrias feitas à vossa bondade? Como poderei vos ver morto de dor sobre essa cruz por meu amor e não vos amar com todas as minhas forças? 

3. Meu caro Redentor, bem reconheço nessas vossas chagas e membros dilacerados outras tantas provas do terno amor que me consagrais. Já, pois, que para me perdoar não perdoastes a Vós, olhai-me com aquele mesmo amor com que me olhastes uma vez na cruz, na qual morríeis por meu amor; iluminai-me e atraí para Vós todo o meu coração, para que de hoje em diante eu nada mais ame fora de Vós. Não permitais que eu me esqueça de vossa morte. Vós prometestes que, levantado na cruz, haveríeis de atrair os nossos corações. Eis aqui o meu coração, que, enternecido com a vossa morte e enamorado de Vós, não quer resistir mais ao vosso chamamento: ah, atraí-o todo e tornai-o todo vosso! Vós morrestes por mim e eu desejo morrer por Vós e, continuando a viver, só para Vós quero viver. Ó dores de Jesus, ó ignomínias de Jesus, ó amor de Jesus, fixai-vos no meu coração e aí fique sempre a vossa memória a ferir-me continuamente e a inflamar-me em amor. Eu vos amo, bondade infinita, eu vos amo, amor infinito, Vós sois e sereis sempre o meu único amor. Ó Maria, Mãe de Amor, obtende-me o santo amor. 


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Santo Afonso Mª de Ligório - A paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ed. Minha Biblioteca Católica, 2023. 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Nossa Senhora dos Anjos

 

Clichy-sous-Bois (França)

Muitos parisienses conhecem a Capelinha de Nossa Senhora dos Anjos, e sabem que este título se originou de uma bonita lenda: 
Em 1212 três negociantes naturais de Anjou, atravessando imprudentemente a floresta de Bondy, foram atacados por bandidos, despojados, atados a árvores e abandonados na espessura da mata. Depois de um dia e uma noite passados nessa situação, e depois de terem feito uma ardente súplica e em voto à Santíssima Virgem Maria, foram milagrosamente salvos por um Anjo. E, no lugar em que foram presos, brotou uma fonte, que devia perpetuar a lembrança de proteção de Maria. 

Os três negociantes construíram pouco depois um oratório dedicado a Nossa Senhora dos Louvores, título logo mudado para- Nossa Senhora dos Anjos , e para lá foram em peregrinação com as respectivas famílias. Os doentes, ainda nos dias de hoje, bebem na água na fonte milagrosa. 

Em 1655, M. de Nesmod, Presidente do Parlamento de Paris, colocou a primeira pedra da capela, que foi solenemente consagrada a 8 de setembro de 1663.  

A tormenta revolucionária destruiu esta capela, que foi reconstruída e melhorada. 

A imagem de Nossa Senhora dos Anjos data do século XIII. De 8 de 17 de setembro fazem uma novena em preparação para a festa principal. 

(Versão resumida do livro "Mille Pèlerinages de Notre-Dame", de I. Couturier de Chefdubais.)

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Edésia Aducci - Maria e seus gloriosos títulos, 2ª ed. 1960. Ed. Lar Católico


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Morte do justo

 


Santo Afonso Mª de Ligório


Pretiosa in conspectu Domini mors sanctorum ejus. 
É preciosa na presença de Deus a morte de seus Santos (Sl 115,15). 


PONTO I 

Considerada a morte à luz deste mundo, nos espanta e inspira temor; mas, segundo a luz da fé, é desejável e consoladora. Parece terrível aos pecadores; mas aos olhos dos justos se apresenta amável e preciosa. Preciosa, - disse São Bernardo - porque é o termo dos trabalhos, a coroa da vitória, a porta da vida". E, na verdade, a morte é termo de penas e trabalhos. O homem nascido de mulher vive curto tempo e está sujeito a muitas misérias (Jó 14,1). Eis aí o que é a nossa vida, curta e cheia de misérias, enfermidades, inquietações e sofrimentos. 
Os mundanos, desejosos de longa vida - diz Sêneca - que procuram senão mais prolongado tormento? (Ep 101). Que é continuar a viver - exclama Santo Agostinho - senão continuar a sofrer? A vida presente - disse Santo Ambrósio - não nos foi dada para repousar, mas para trabalhar, e, por meio destes trabalhos, merecer a vida eterna (Serm. 45). Com razão, afirma Tertuliano que Deus abrevia o tormento de alguém, quando lhe abrevia a vida. Ainda que a morte tenha sido imposta por castigo do pecado, são tantas as misérias desta vida, que, como disse Santo Ambrósio - mais parece alívio o morrer do que castigo. 
Deus chama bem-aventurados aos que morrem na sua graça, porque acabam os trabalhos e começam a descansar. "Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor. Desde hoje - disse o Espírito Santo - que descansem de seus trabalhos" (Ap 14,13).
Os tormentos que afligem os pecadores na hora da morte não afligem os Santos. "As almas dos justos estão nas mãos de Deus, e não os atingirá o tormento da morte" (Sb 3,1). Não temem os Santos aquela ordem de sair desta vida, que tanto amedronta aos mundanos, nem se afligem por terem de deixar os bens da terra, porque nunca apegaram a eles o seu coração. "Deus do meu coração - repetiram sempre; Deus meu por toda a eternidade" (Sl 72,26). Sois felizes, - escrevia o Apóstolo a seus discípulos, que tinham sido despojados de seus bens por terem confessado a Cristo. - Suportastes essa perda com alegria, sabendo que vos espera patrimônio mais excelente e duradouro (Hb 10,34). Não se afligem os Santos por terem de deixar honras mundanas, pois sempre as desprezaram e as tiveram na conta do que são efetivamente: fumo e vaidade, e somente estimaram a honra de amar a Deus e de ser por Ele amados. Não se afligem por terem de deixar seus parentes, porque somente os amaram em Deus, e, ao morrer, os deixam recomendados àqueles Pai celestial que os ama mais do que eles; e esperando salvar-se, crêem que melhor lhes poderão ajudar lá no céu do que ficando na terra. Em suma: todos aqueles que disseram sempre durante a vida Meu Deus e meu tudo, repetem-no ainda com maior consolo e ternura no momento da morte. 
Quem morre no amor de Deus, não se inquieta com as dores que acompanham a morte, antes se compraz nelas, considerando que a vida vai-se acabar e que já não terá mais a sofrer por Deus nem a testemunhar-lhe novas provas de amor. Assim, com afeto e paz, lhe oferece os últimos restos da sua vida e consola-se, unindo o sacrifício de sua morte ao sacrifício que Jesus Cristo ofereceu por nós na cruz a seu eterno Pai. Desta maneira morre satisfeito, dizendo: "Em seu seio dormirei e descansarei em paz" (Sl 4,8). Que felicidade morrer entregando-se nos braços de Cristo, que nos amou até a morte, e que quis sofrer morte tão cruel para alcançar-nos morte doce e consoladora!


AFETOS E SÚPLICAS

Ó amado Jesus, que para dar-me morte feliz quisestes sofrer morte crudelíssima no Calvário! Quando vos tornarei a ver?... A primeira vez que vos verei será quando me julgardes, no momento de expiar. 
Que vos direi então?... E vós, que me direis?... Não quero esperar até que chegue este instante para pensar nisso; quero meditá-lo desde já. 
Dir-vos-ei: "Senhor: vós, amado Redentor meu, morrestes por mim...
Houve tempo em que vos ofendi, e fui ingrato para convosco e não merecia perdão. Mas, ajudado por vossa graça, procurei emendar-me, e no resto de minha vida chorei meus pecados, e vós me perdoastes.
Perdoai-me de novo agora que estou a vossos pés e outorgai-me vós mesmo a absolvição geral de minhas culpas. Não merecia mais amar-vos, por ter desprezado vosso amor. Mas vós, Senhor, por vossa misericórdia atraístes meu coração, que, se não vos tem amado como mereceis, amou-vos sobre todas as coisas, deixando tudo para vos agradar... Que me direis agora?... Verdade é que a glória de vos contemplar no vosso reino é altíssima distinção de que não sou digno; mas não poderei viver afastado de vós, especialmente agora que me mostrartes a vossa excelsa formosura. Peço-vos, pois, o paraíso, não para poder gozar mais, mas para melhor vos amar. Nem quero tampouco entrar nessa pátria de santidade e ver-me entre aquelas almas puras, manchado como estou agora por minhas culpas. Mandai que antes me purifique, mas não me expulsei para sempre de vossa presença... Basta que algum dia, quando vos aprouver, me chameis ao paraíso para que ali cante eternamente as vossas misericórdias. Por agora, meu amado Jesus, dai-me vossa benção e garanti-me que sou vosso, que sereis sempre meu, que vos amarei e me amareis para sempre... Aparto-me agora de vós, Senhor, para ir às chamas purificadoras; mas vos contante, porque ali hei de amar-vos, Redentor meu, meu Deus e meu tudo...

Vou contente, sim, mas sabei que, enquanto estiver longe de vós, essa separação temporal será minha maior pena. Contarei, Senhor, os instantes até que me chameis... Tende compaixão de uma alma que vos ama com todas as suas forças, e que suspira por ver-vos para melhor vos amar. Assim, meu Jesus, espero então falar-vos. Até lá, vos peço a graça de viver de modo que possa dizer-vos então o que agora acabo de pensar. Concedei-me a santa perseverança, dai-me o vosso amor... e ajudai-me. 

Ó Maria, mãe de Deus, rogai a Jesus por mim! 


PONTO II

Deus lhes enxugará todas as lágrimas dos seus olhos, e não haverá mais morte (Ap 21,4). Na hora da  morte, o Senhor limpará dos olhos de seus servos as lágrimas que derramaram na vida, em meio dos trabalhos, temores e perigos contra o inferno. O maior consolo de uma alma amante de seu Deus, quando sente a proximidade da morte, será pensar que em breve estará livre de tanto perigo de ofender a Deus, como há no mundo, de tanta tribulação espiritual e de tantas tentações do demônio. A vida presente é uma guerra contínua contra o inferno, na qual sempre corremos o risco de perder a Deus e a nossa alma. 

Disse Santo Ambrósio que neste mundo caminhamos constantemente entre redutos do inimigo, que estende laços à vida da graça. 

Este perigo fez exclamar a São Pedro de Alcântara, quando se achava agonizando: "Retirai-vos, meu irmão, - dirigindo-se a um religioso que, ao prestar-lhe serviço, o tocava com veneração - retirai-vos, pois vivo ainda e por consequência estou em perigo de me perder. Por este mesmo motivo se regozijava Santa Teresa cada vez que ouvia soar a hora do relógio; alegrava-se por ter passado mais uma hora de combate, dizendo: "Posso pecar e perder a Deus em cada instante de minha vida". É por isto que todos os Santos sentiam consolo ao saberem que iam morrer: pensavam que em breve se acabariam os combates e os perigos e teriam assegurada e inefável dita de jamais poder perder a Deus. 

Lê-se, na vida dos Padres, que um deles, de idade avançada, na hora da morte, ria-se enquanto seus companheiros choravam. E como lhe perguntassem o motivo de seu contentamento, respondeu: "E por que é que chorais, sendo que vos descansar de meu trabalhos?".

Também Santa Catarina de Sena disse ao morrer: "Consolai-vos comigo, porque deixo este vale de lágrimas e vou para a pátria da paz". Se alguém - disse São Cipriano - habitasse numa casa cujas paredes ameaçassem ruínas, cujo pavimento e teto estremecessem, quanto não desejarias sair dela?... Nesta vida tudo ameaça ruína da alma: o mundo, o inferno, as paixões, os sentidos rebeldes, tudo nos leva ao pecado e à morte eterna. Quem me livrará - exclamava o Apóstolo - deste corpo de morte? (Rm 7,24). Que alegria sentirá a alma quando ouvir: "Vem, minha esposa, sai do lugar do pranto, da cova dos leões que te quiseram devorar e fazer perder a graça divina (Ct 4,11). Por isso, São Paulo, desejando morrer, dizia que Jesus Cristo era a sua única vida, e que estimava a morte como o maior tesouro que pudesse ganhar, já que por meio dela alcançaria a vida que jamais tem fim (Fp 2,21). 

Grande obséquio faz Deus à alma em estado de graça, retirando-a deste mundo, onde poderia transviar-se e perder a amizade divina (Sb 4,11). Feliz aquele que nesta vida está unido a Deus; mas, como o navegante não pode dizer-se seguro enquanto não chega ao porto e ao abrigo da tormenta, assim uma alma só pode ser verdadeiramente feliz, quando sai da vida na graça de Deus. Louva a ventura do navegante que chegou ao porto - disse Santo Ambrósio... Se o navegante se alegra quando, após tantos perigos, está a chegar ao porto desejado, quanto mais se não deve alegrar aquele que está próximo a assegurar sua eterna salvação? Ademais, neste mundo não podemos viver sem culpas, ao menos leves; porque sete vezes cairá o justo (Pr 21,16). Mas aquele que sai desta vida, cessa de ofender a Deus. Que é a morte - disse o mesmo Santo - senão o sepulcro dos vícios? Mais um motivo para os que amam a Deus desejarem vivamente a morte. O venerável P. Vicente Caraffa consolava-se ao morrer, dizendo: Terminando minha vida, acabam minhas ofensas a Deus. E o já citado Santo Ambrósio dizia: Para que desejamos mais longa vida, se, quanto mais longa for, de maior peso de pecado nos carrega? O que falece na graça de Deus chega ao estado feliz de não saber nem poder ofendê-lo mais. O morto não sabe pecar. Eis o motivo por que o Senhor louva mais os mortos que os vivos, ainda que sejam santos (Ec 4,2). Não faltou quem ordenasse que, à hora da morte, lha anunciassem por estes termos: Alegra-te que chegou o tempo em que não mais ofenderás a Deus. 


AFETOS E SÚPLICAS

"Em tuas mãos encomendo meu espírito. Tu me remiste, Senhor, Deus da Verdade" (Sl 30,6). Ó doce Redentor meu, que seria de mim se me tivésseis entregado à morte quando me achava afastado de vós?...

Estaria no inferno, onde não vos poderia amar. Agradeço-vos o não me terdes abandonado, e me concederdes tantas graças para atrair o meu coração. Arrependo-me de vos ter ofendido. Amo-vos sobre todas as coisas. Rogo-vos que sempre me façais conhecer o mal que cometi, desprezando-vos, e o grande amor que merece vossa infinita bondade. 

Amo-vos, e, se assim vos apraz, desejo morrer cedo para evitar o perigo de tornar a perder vossa santa graça, e para estar seguro de vos amar eternamente. Dai-me, pois, ó amado Jesus, durante o tempo que me resta de vida, força e ânimo para vos servir antes que chegue a morte. Dai-me força para vencer a tentações e as paixões, sobretudo aquelas que na vida passada mais me levaram a ofender-vos. Dai-me paciência para sofrer as enfermidades e as ofensas que do próximo receber. Eu, por vosso amor, perdoo a todos os que me ofenderam, e vos suplico que lhe outorgueis as graças que desejarem. Dai-me força para que seja mais diligente em evitar as faltas veniais que a miúdo cometo. Ajudai-me, meu Salvador, tudo espero de vossos méritos...

Deposito toda a minha confiança em vossa intercessão, ó Maria, minha mãe e minha esperança!


PONTO III

A morte não é somente o fim dos nossos trabalhos, senão também a porta da vida, como disse São Bernardo. Necessariamente, deve passar por esta porta quem quiser entrar a ver a Deus (Sl 117,20). São Jerônimo dirigia à morte esta súplica: Ó morte, minha irmã, se me não abres a porta, não posso ir gozar da presença do meu Senhor! (Ct 5,2). 

São Carlos Borromeu, tendo visto em um dos seus aposentos um quadro que representava um esqueleto com a foice na mão, mandou chamar o pintor e ordenou-lhe que substituísse aquela foice por uma chave de ouro, querendo assim inflamar-se mais do desejo de morrer, porque a morte nos abre o céu e nos proporciona a visão de Deus. 

Disse São João Crisóstomo que, se um rei tivesse mandado preparar para alguém suntuosa habitação no seu próprio palácio, e, no entanto, os mandasse viver num estábulo, quanto esse homem não desejaria sair do estábulo para ir morar no palácio régio!... Assim, nesta vida, a alma do justo, unida ao corpo mortal, se sente como num cárcere, donde há de sair para habitar o palácio dos céus; é por esta razão que Davi dizia: "Livrai minha alma da prisão" (Sl 141,8). E o santo velho Simeão, quando tinha nos braços o Menino Jesus, não lhe soube pedir outra graça, senão a da morte, a fim de ver-se livre do cárcere desta vida: "Agora, Senhor, despede o teu servo... (Lc 2,29), isto é, adverte Santo Ambrósio, - pede ser despedido, como se estivesse preso à força". Por essa mesma graça suspirava o Apóstolo, quando dizia: "Tenho desejo de me ver livre desta carne, e estar com Cristo" (Fl 3,32). 

Quanta alegria sentiu o copeiro do Faraó ao saber de José que dentro em pouco sairia da prisão e voltaria ao exercício de seu posto. E uma alma que ama a Deus não se regozijará ao pensar que em breve sairá da prisão deste mundo para ir gozar a Deus? Enquanto vivemos unidos ao corpo, estamos impedidos de ver a Deus, e como em terra estranha, fora da pátria. Com razão disse São Bruno que a nossa morte não se deve chamar morte, senão vida. 

Daí vem o chamar-se nascimento a morte dos Santos, porque nesse instante nascem para a bem-aventurança eterna, que não terá fim. "Para o justo - disse Santo Atanásio - não há morte, apenas trânsito, porque, para ele, morrer não é outra coisa que passar para a eternidade feliz. "Ó morte amável! - exclama Santo Agostinho - quem não tem te desejará, pois és fim dos trabalhos, termo das angústias, princípio do descanso!" E com instância pedia: Oxalá morresse, Senhor, para vos poder ver! O pecador teme a morte - diz São Cipriano, - porque da vida temporal passará à morte eterna, mas não aquele que, estando na graça de Deus, há de passar da morte à vida. Na vida de São João, o Esmoler, se refere que um homem rico dera ao Santo esmolas avultadas, a fim de pedir este a Deus vida longa para o único filho que ele tinha. Mas o moço morreu pouco tempo depois. Como o pai se lamentasse dessa morte inesperada, Deus lhe enviou um anjo que lhe disse: "Pediste longa vida para teu filho, pois saibas que já está no céu gozando da eterna felicidade." Tal é a graça que vos alcança Jesus Cristo, segundo a promessa que foi feita pelo profeta Oséias: Ó morte, eu hei de ser a tua morte (Os 13,14). Cristo, morrendo por nós, fez com que a morte se transformasse em vida. Aqueles que conduziram ao suplício o mártir São Piôncio, perguntaram-lhe maravilhados como podia ir tão alegremente para a morte. "Ah! - respondeu o Santo, - estais enganados! Não vou para a morte e sim para a vida". Do mesmo modo também a mãe do jovem Sinforiano exortava seu filho quando estava para sofrer o martírio: "Ó meu filho, não vão tirar-te a vida, senão para convertê-la em outra melhor!"


AFETOS E SÚPLICAS

Ó Deus de minha alma! Ofendi-vos em minha vida passada, afastando-me de vós; mas vosso Divino Filho vos honrou na cruz com o sacrifício de sua vida. Em consideração dessa honra que vos tributou vosso amantíssimo, perdoai-me as injúrias que vos fiz. Arrependo-me, Senhor, de vos ter ofendido, e prometo amar somente a vós doravante. De vós espero minha eterna salvação, assim como reconheço que todos os bens que possuo, houve-os de vossa graça, pois todos são dons de vossa bondade. "Pela graça de Deus sou o que sou" (1Cor 15,10). Se, pelo passsado, vos ofendi, espero honrar-vos eternamente, louvando vossa misericórdia... Sinto vivíssimo desejo de vos amar... Sois vós, Senhor, que mo inspirais, e vos dou, meu amor, fervorosas graças. 

Continuai, continuai a ajudar-me como agora, que espero ser vosso, inteiramente vosso. Renuncio aos prazeres deste mundo. Que maior gozo, Senhor, posso ter que comprazer-me em vós, meu Senhor, que sois tão amável e que tanto me tendes amado? Só vos peço, ó Deus de minha alma! Amor e sempre amor espero pedir-vos, até que, morrendo em vosso amor, alcance o reino do verdadeiro amor, onde, sem o pedir, de amor me abrase, não cessando de vos amar nem um momento por toda a eternidade, e com todas as minhas forças. 

Maria, minha Mãe, que tanto amais a Deus e tanto desejais que seja amado, fazei que muito o ame nesta vida, a fim de que possa amá-lo para sempre na eternidade! 


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Santo Afonso Mª de Ligório - Preparação para a morte






terça-feira, 1 de abril de 2025

Sentimentos de um moribundo não acostumado a pensar na morte




Santo Afonso Mª de Ligório 


 Disponde domui tuar, quia morieris tu, et non vives.

Dispõe de tua casa, porque morrerás e não viverás (Is 38,1). 

PONTO I

Imagina que te achas junto a um enfermo a quem restam poucas horas de vida... Pobre enfermo! Considera como o oprimem e angustiam as dores, os desfalecimentos, a asfixia e falta de respiração, o suor frio e o entorpecimento até ao ponto de quase não ouvir, quase não compreender e quase não falar... Entretanto, a sua maior desgraça consiste em que, estando próximo à morte, em vez de pensar na alma e de preparar as contas para a eternidade, só pensa nos médicos, nos remédios, para se livrar da doença que o vai vitimando. Não são capazes de pensar em outra coisa que em si mesmos, disse São Lourenço Justiniano, falando dos moribundos desta espécie... Mas, certamente, os parentes e amigos lhe manifestarão o perigoso estado em que se acha?... Não; não há entre todos eles nenhum que se atreva a lhe falar na morte e adverti-lo de que deve receber os santos sacramentos. Todos se escusam de lhe falar para não molestá-lo. 

Ó meu Deus, dou-vos graças mil porque na hora da morte fazeis que seja assistido pelos queridos confrades de minha congregação, os quais, sem outro interesse que o de minha salvação, me ajudarão a todos a bem morrer. 

No entanto, ainda que se lhe não anuncie a aproximação da morte, o pobre enfermo, vendo a confusão da família, as consultas dos médicos, os remédios multiplicados, frequentes e violentos, que aplicam, se enche de angústia e terror, entre contínuos assaltos de receio, desconfiança e remorsos, dizendo de si para si: quem sabe se terá chegado o fim de meus dias?... Quem não sentirá quando, enfim, recebe a notícia da sua morte próxima! Dispõe as coisas de tua casa, porque morrerás e não viverás... (Is 38,1). Que mágoa terá ao saber que sua enfermidade é mortal, que é tempo de receber os sacramentos, de se unir com Deus e de despedir-se do mundo!... Despedir-se do mundo! Mas como?... Há de abandonar tudo, a casa, a cidade, os parentes e amigos, as sociedades, os jogos, os divertimentos?... Sim, tudo. Ante o tabelião, já presente, escreve-se esta despedida com a fórmula: Deixo a tal pessoa; deixo... E que levará consigo? Apenas uma pobre mortalha, que dentro em breve se deverá consumir com ele próprio na sepultura. 

Que perturbação e que tristeza sentirá o moribundo quando vir as lágrimas da família, o silêncio dos amigos, que, mudos, o cercam, pois não têm ânimo para falar! Maior angústia lhe darão os remorsos da consciência, que nesse momento se manifestam vivíssimos pelas desordens da vida passada, depois de tantos convites e luzes, depois de tantos avisos dos padres espirituais, de tantas resoluções tomadas, mas nunca executadas ou depressa esquecidas. "Pobre de mim, dirá o moribundo, que recebi de Deus tantas luzes, tanto tempo para pôr em ordem a minha consciência, e não o fiz! E eis que agora que me vejo no transe da morte! Que me teria custado evitar esta ocasião, afastar-me daquela amizade, confessar-me todas as semanas?... E ainda que isto fosse muito custoso, não o devia fazer para salvar minha alma, que vale mais que tudo?... Ah, se tivesse executado aquela boa resolução que tinha formado, se tivesse continuado, como então comecei, quanto estaria hoje contente! Mas não o fiz e agora já não é tempo de fazê-lo"... 

Os sentimentos destes moribundos, que durante a vida desprezaram a consciência, se assemelham aos dos condenados que, sem fruto sem remédio, choram no inferno seus pecados como causa de suas penas. 


AFETOS E SÚPLICAS

São estes, Senhor, os sentimentos e angústias que teria, se neste momento me avisassem do fim próximo... Dou-vos fervorosas graças por estas considerações e por haver-me dado tempo para emendar-me. 

Não, meu Deus, não quero mais afastar-me de vós. Repetidas vezes me haveis procurado e se agora resistir e não me entregar a vós, fundamente deveria temer que me abandonásseis para sempre. Deste-me um coração para vos amar; mas dele fiz mau uso, amando as criaturas e não a vós, Criador e Redentor meu, que por mim destes a vida. 

Não apenas deixei de vos amar, mas mil vezes vos hei desprezado e ofendido; e sabendo que o pecado vos desgostaria em extremo, não hesitei em cometê-lo... Ó Jesus meu, arrependo-me e de todo o coração detesto o mal! Quero mudar de vida, renunciando a todos os prazeres mundanos para somente vos amar e servir, ó Deus de minha alma! Tendes-me dado grandes provas de vosso amor, quisera também, antes de morrer, dar-vos algumas do meu amor... Aceito, desde já, todas as enfermidades e cruzes que me enviais, todos os trabalhos e desprezos que receber dos homens. Dai-me forças para suportar tudo em paz, por vosso amor, como desejo. Amo-vos, Bondade infinita; amo-vos sobre todas as coisas. Aumentai meu amor e concedei-me a santa perseverança...

Maria, minha esperança, rogai a Jesus por mim!


PONTO II

Como no momento da morte brilham e resplandecem as verdades da fé para maior tormento do moribundo que viveu mal, especialmente se era pessoa consagrada a Deus e que, portanto, tinha mais facilidade e tempo para servi-lo, mais inspirações e melhores exemplos! Ó Deus, que dor sentirá essa pessoa ao pensar e dizer: Repreendi os outros e fui pior do que eles; deixei o mundo, e vivi preso às vaidades e às afeições do mundo!... Que remorsos terá ao considerar que, com as graças que Deus lhe concedeu, não já um cristão, mas até um pagão se tornaria santo! Que dor não sofrerá, recordando-se que menosprezou as práticas de piedade como fraquezas de espírito, e aprovou certas máximas mundanas, frutos de estima e de amor próprio, por exemplo, como a de não humilhar-se, não mortificar-se, não recusar os prazeres que lhes ofereciam. 

O desejo dos pecadores perecerá (Sl 111,10). Quanto desejaremos ter na hora da morte o tempo que agora perdemos!... Refere São Gregório em seus Diálogos, que havia um tal Crisanto, homem rico, mas de maus costumes, o qual, na hora da morte, dirigiu-se aos demônios, que visivelmente apareciam para arrebatar-lhe a alma, gritando: Dai-me tempo, dai-me tempo até amanhã. Mas estes lhe respondiam: "Insensato! agora pedes tempo? Não o tiveste e perdeste e o empregaste em pecar? E o pedes agora, quando já não há para ti?" O desgraçado continuava a gritar e a pedir socorro. Havia ali perto um monge, seu filho, chamado Máximo, e o moribundo lhe dizia: Ajuda-me, meu filho; Máximo, socorre-me! No entanto, com o rosto chamejante, revolvia-se furioso no seu leito, até que, nessa agitação e gritos de desespero, expirou miseravelmente. 

Vede como estes desgraçados, durante a vida, se comprazem em sua loucura, mas na hora da morte abrem os olhos e reconhecem sua demência passada. Mas isto apenas lhes serve para aumentar sua desconfiança de remediar o mal que fizeram. E correndo neste estado, deixam grande incerteza sobre sua salvação... Creio, meu irmão, que, ao leres este ponto, dirás a ti mesmo que é grande verdade. Pois, se assim é, maior será tua loucura se, conhecendo estas verdades, não te emendares a tempo. Esta mesma leitura, que acabas de fazer, ser-te-á, na hora da morte, como nova espada de dor. 

Eia, pois, coragem! Já que ainda tens tempo de evitar morte tão deplorável, apressa-te a aplicar o remédio, sem esperar por ocasião oportuna a que não há de oferecer nenhuma esperança. Não o deixes para outro mês, nem o adies por uma semana...

Quem sabe se esta luz que Deus, em sua misericórdia, te concede, será a última exortação que te faz?... É necessidade não querer pensar na morte, que é certa e da qual depende a eternidade. Mas loucura ainda maior é pensar na morte e não preparar-se para morrer bem. Faze agora as reflexões e resoluções que farias se estivesses nesse transe. Aquilo que agora fizeres, o farás com fruto, e naquela hora será em vão. Agora, com esperança de salvação; então, com desconfiança de alcançá-la...

Ao despedir-se de Carlos V um personagem que abandonava o mundo para dedicar-se ao serviço de Deus, perguntou o imperador por que deixava a corte. Respondeu aquele: "É necessário, para salvar-se, que, entre a vida desordenada e a morte, exista um intervalo de penitência".


AFETOS E SÚPLICAS

Não, meu Deus, não quero continuar a abusar de vossa misericórdia. 

Agradeço-vos a luz com que me iluminais agora, e prometo mudar de vida, pois reconheço que já não podeis suportar minha ingratidão...

Acaso, posso eu querer que me envieis ao inferno, ou que me entregueis a uma vida relaxada, que seria maior castigo que a própria morte? Prosto-me a vossos pés para rogar que me recebais em vossa graça. Não o mereço, mas vós, Senhor, dissestes: "Em qualquer dia em que o ímpio se converter, a impiedade não o prejudicará" (Ez 33,12). Se no passado, meu Jesus, ofendi vossa infinita bondade, hoje arrependo-me de todo o coração, e espero de vós o perdão. Direi com Santo Anselmo: Não permitais, Senhor, que se perca a minha alma, já que a resgatastes com vossa sangue. Não olheis minha ingratidão, mas sim o amor que vos fez morrer por mim, não obstante ter perdido vossa graça. Vós, Senhor, não perdestes o poder de má restituir. Tende compaixão de mim, ó amado Redentor meu! Perdoai-me e dai-me a graça de vos amar. 

Eu vos prometo que somente a vós quero amar. Se, pois, me escolhestes para outorgar-me vosso amor, eu vos elejo, ó Soberano Bem, para amar-vos sobre todo outro bem... Precedestes-me carregando a cruz; eu vos seguirei com a cruz que me derdes para levar, abraçando os trabalhos e as mortificações. Para gozo do meu espírito, basta-ne que não me priveis de vossa graça...

Maria Santíssima, minha esperança, alcançai-me de Deus a perseverança e a graça de o amar: e nada mais peço. 


PONTO III

Para o moribundo que, durante sua existência, não zelou o bem de sua alma, serão espinho todos os objetos que se lhe apresentarem. 

Espinhos a lembrança dos prazeres gozados, dos triunfos e das vaidades do mundo. Espinhos a presença dos amigos que o visitem e as coisas que eles lhe recordarão. Espinhos os sacerdotes que o assistem, e os sacramentos que deve receber, confissão, comunhão e extrema-unção; até o crucifixo que apresentam será como espinho de remorso, porque o pobre moribundo verá na santa imagem quão pouco correspondeu ao amor de um Deus que morreu para salvá-lo. 

"Grande foi minha insensatez! - dirá então o enfermo. - Podia ter-me santificado com as luzes e os meios que o Senhor me ofereceu; podia ter levado vida feliz na graça de Deus, e que me resta depois de tantos anos perdidos, senão desconfiança e angústia e remorso de consciência, e contas severas a dar a Deus? Difícil é agora a salvação de minha alma..." E quando fará ele tais reflexões?... Quando está para se extinguir a lâmpada da vida, quando está a finalizar a cena deste mundo, quando se encontra face a face com as duas eternidades, a feliz e a desgraçada, quando está prestes a exalar o último suspiro, de que dependem a bem-aventurança ou a condenação permanentes, eternas, enquanto Deus for Deus. O que daria então para dispor de mais de um ano, um mês, uma semana sequer, em juízo perfeito, porque naquele estado de enfermidade, aturdida a mente, oprimido o peito, alterado o coração, nada pode fazer, nada pode meditar, nem conseguir que o espírito abatido leve a cabo um ato meritório! Sente-se como encerrado num fosse escuro, onde tudo é confusão, onde nada percebe senão a grande ruína que o ameaça e à qual se vê na impossibilidade de fugir...

Pedirá tempo. Mas ser-lhe-á dito: Proficiscere, parte: em seguida tuas contas como melhor puderes neste agitado momento, e parte sem demora. Não sabes que a morte nunca espera, nem tem consideração com ninguém? Oh! com que terror o enfermo refletirá: nesta manhã ainda vivo; à noite talvez já esteja morto! Hoje estou ainda em meu quarto; amanhã estarei na sepultura... e minha alma: onde estará?... Que susto quando vir preparar o círio fúnebre; quando sentir o suor frio da morte; quando ouvir seus parentes dizer que sairá do quarto para nunca mais entrar; quando começar a perder a vista, e por último, quando acenderem a luz que há de brilhar no derradeiro instante de sua vida. Ó luz bendita, quantas verdades descobrirás então! Como farás ver as coisas diferentes do que são agora! Como farás ver as coisas diferentes do que são agora! Como farás conhecer que todos os bens deste mundo são vaidades, loucuras e mentiras!... Mas de que servirá compreender estas verdades, quando já não haverá tempo para se aproveitaram? 


AFETOS E SÚPLICAS

Não quereis, Senhor, a minha morte, mas que me converta e viva. 

Profunda gratidão me inspiram vossa paciência em esperar de mim até hoje, e as graças que me outorgastes. Conheço o erro que cometi, preferindo à vossa amizade os vis e míseros bens pelos quais vos desprezei. 

Arrependo-me de todo o coração de ter-vos ofendido. Não deixeis, pois, de assistir-me com vossa luz e vossa graça, nos dias que me restam de vida, a fim de que possa conhecer e praticar o que deva fazer para emendar minha vida. Que proveita teria, se arrependesse estas verdades; mas já não houvesse tempo de me corrigir?... "Não entregues às feras as almas que te louvam" (Sl 73,19). Quando o demônio me excitar a ofender-vos de novo, rogo-vos, ó Jesus, pelos merecimentos de vossa Paixão, que me livreis de recair em pecado e de voltar à escravidão do inimigo. Fazei que sempre recorra a vós, e que não cesse de encomendar-me a vós enquanto durar a tentação. Vosso sangue é minha esperança, e vossa bondade o meu amor. Amo-vos, ó Deus, digno de amor infinito; fazei que vos ame sempre e que conheça as coisas de que devo afastar-me para ser todo vosso como desejo. Dai-me forças para executar esta resolução. Vós, Rainha do céu e minha Mãe, rogai por mim, pobre pecador. Fazei que nas tentações não deixe de recorrer a Jesus, e a vós, que, pela vossa intercessão, preservais de cair em pecado a quantos invocam vosso auxílio. 

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Santo Afonso Mª de Ligório - Preparação para a morte. 

Fonte imagem: The death of Cardinal Wolsey at Leicester Abbey, 1530.