terça-feira, 7 de janeiro de 2025

As virtudes cardeais



1. As virtudes morais são aquelas que tendem diretamente a regular os nossos costumes. 

2. Há muitas virtudes morais; as principais são: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança. 

3. Chamam-se virtudes cardeais porque são a fonte e a base de todas as outras virtudes morais. 


Prudência

4. A Prudência é uma virtude que nos faz atentos e acautelados para as diferentes circusntâncias da vida, sabermos discernir o que nos convêm praticar ou omitir. 


Justiça

5. A Justiça é uma virtude que nos leva a dar a cada um o que lhe pertence.

Serve também para regular os nossos pensamentos e sentimentos para com os outros, torna-nos humildes e desconfiados para conosco. 


Fortaleza

6. A Fortaleza é uma virtude que nos dá animo para cumprir os deveres do cristão. 


Temperança

7. A Temperança é uma virtude que põe freio aos desejos desordenados e nos leva a usar com moderação dos bens temporais.


Explicação das gravuras

8. A Prudência está representada na parte superior da gravura à esquerda pelo Juízo de Salomão. 

Um dia apresentaram-se diante de Salomão duas mulheres pedindo-lhe que decidisse uma contenda. Disse uma: "Esta mulher e eu moramos sós na mesma casa e cada uma de nós tinha um menino. Uma noite morreu o filho desta mulher. Enquanto eu dormia, veio ela, tirou o meu filho, e pôs no lugar dele o seu filho morto. Quando me levantei, dei com o menino morto, mas reparando bem vi que não era o meu." Interrompeu-a a outra mulher dizendo. Não é assim como tu dizes; o teu filho é que morreu, o meu está vivo". E assim se disputavam perante o Rei. Então disse Salomão: "Trazei uma espada, e parti o menino vivo ao meio, e dai metade a uma mulher, metade a outra". 

A verdadeira mãe do menino, ouvindo estas palavras, ficou transpassada de susto, e toda cheia de angústia e amor maternal, disse a Salomão: "Ah! Senhor, por quem sois, dai-o a ela vivo, e não o mateis". Ao contrário dizia a outra: "Não seja nem para mim, nem para ti, parta-se ao meio". Salomão pronunciou então a sentença; "Não se parta o menino, mas dê-se inteiro e vivo aquela, porque essa é sua mãe.

9. A gravura, na parte superior, à direita, representa Nosso Senhor ensinando a justiça aos Fariseus e aos Herodianos. Tendo-lhes estes perguntando se era lícito ou não dar tributo à César, disse-lhes Jesus: "Mostrai-me a moeda do tributo. De quem é esta imagem e esta inscrição? - Disseram eles: "De César". Então lhes disse Jesus: "Dai pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

10. Na parte inferior esquerda a gravura, como exemplo de fortaleza, representa a história de Judite. Vendo esta santa mulher que a cidade de Betulia onde vivia estava para cair nas mãos do general assírio Holofernes, resolveu salvar a pátria ou morrer. Ornada de suas mais custosas galas, foi ao arraial dos Assírios. Holofernes recebeu-a com todo o agrado, deu em honra dela um grande banquete, e tendo bebido em demasia adormeceu profundamente. Então Judite, tomando a própria espada do general decepou-lhe a cabeça. 

11. Representa a gravura na parte inferior direita o Rei Davi, dando um grande exemplo de temperança. Um dia que guerreava Davi contra os Filisteus que ocupavam Belém, levado pela sede, exclamou: "Quem me dera um pouco de água da cisterna que está ao pé da porta de Belém"! - Imediatamente três valentes atravessaram o acampamento dos Filisteus e trouxessem a Davi água da cisterna. Mas este não quis bebê-la e ofereceu-a ao Senhor dizendo: "Deus me livre de beber o sangue daqueles valentes que assim expuseram a vida"! 

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

domingo, 5 de janeiro de 2025

As virtudes teologais




1. A virtude é uma disposição ou hábito da alma que nos leva a obrar o bem e a evitar o mal.

2. A virtude é natural e sobrenatural.

3. Virtude natural é aquela que nos leva a obrar o bem por motivos simplesmente naturais, como dar esmola a um pobre porque a razão nos diz que devemos socorrer o nosso semelhante. 

4. Virtude sobrenatural é aquela que nos leva a obrar o bem por motivos de fé, como dar esmola a um pobre porque a fé nos mostra nele o próprio Jesus Cristo.

5. As virtudes sobrenaturais são de duas classes: as teologais e as morais. 

6. São três as virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade. 

7. Chamam-se teologias porque têm a Deus por objetivo imediato. A Fé refere-se a Deus como primeira verdade; a Esperança refere-se a Deus como nosso sumo bem; a Caridade refere-se a Deus como sumo bem em si mesmo.

8. Estas três virtudes propriamente não se adquirirem; são dons gratuitos de Deus em que nós as infunde pelo santo Batismo; mas desenvolvem-se com as práticas que a religião nos ensina. 


A fé

9. A Fé é uma virtude sobrenatural pela qual cremos em Deus e tudo aquilo que Ele revelou à santa Igreja e que ela nos propõe para crer.

10. Devemos crer nas verdades reveladas, porque Deus é a própria verdade que nem pode enganar-se nem quer enganar-nos.

11. A Fé é de absoluta necessidade para a salvação.


A esperança

12. A Esperança é uma virtude sobrenatural pela qual desejamos e esperamos a vida eterna que Deus nos prometeu, e os auxílios para alcançá-la. 

13. Os motivos da nossa esperança são a onipotência e a bondade de Deus, a fidelidade de suas promessas, e os merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

14. Aplicaremos à nós mesmos os merecimentos de Jesus Cristo por meio das boas obras feitas com os auxílios da sua graça. 


A caridade 

15. A caridade é uma virtude sobrenatural pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. 

16. Amar a Deus sobre todas as coisas é preferir a Deus a toda e qualquer coisa, e estar pronto a perder tudo, e até a própria vida antes que separar-mo-nos dele. 

17. Devemos amar a Deus porque é infinitamente perfeito, infinitamente bom, infinitamente amável e porque é o nosso supremo bem e o nosso último fim. 

18. Daremos a conhecer que amamos a Deus, pela fidelidade em observar os seus mandamentos. 


  Explicação da gravura

19. A Fé está simbolizada na parte superior da estampa por uma virgem sustendo a cruz com a mão direita e tendo na esquerda um archote aceso, para indicar que a fé ilumina a nossa alma. 

20. O santo patriarca Abraão praticou a fé de um modo heróico, crendo que Deus, que lhe ordenara de imolar o seu filho Isaac, cumpriria contudo a promessa que lhe fizera de dar-lhe uma posteridade numerosa.

21. A Esperança está simbolizada à esquerda por uma virgem tendo na mão direta uma coroa e na esquerda uma âncora. 

22. Vê-se na parte inferior esquerda o patriarca Jó que no excesso do seu padecer sempre esperou em Deus e não foi baldada a sua esquerda. 

23. A caridade está simbolizada à direita por uma virgem tendo na mão um cálice com a hóstia e mostrando com a esquerda o seu coração em chamas. 

24. Vê-se no ângulo inferior direito a Nosso Senhor sentado a mesa de Simão o Fariseu, e Maria Madalena que lançando-se aos pés de Jesus, os banha de lágrimas, os enxuga com os cabelos, beija-os e os perfuma com bálsamo. 


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

A inveja - A ira - A preguiça


 


A inveja

1. A inveja é um sentimento que temos do bem do próximo, e uma alegria interna do mal que lhe acontece. 

2. Este vício dá-se a conhecer quando estamos desfazendo nos merecimentos e nos louvores alheios, ou falamos com gosto nos defeitos do próximo.

3. Os principais pecados do que a inveja é causa são o ódio do próximo, a alegria dos seus males, o desejo de os causar, as maledicências, as calúnias e toda a sorte de injustiças. 

4. A virtude oposta a inveja é o amor fraternal, virtude pela qual desejamos ao próximo aquele bem que quereríamos para nós mesmos, e nos entristecemos dos seus males como se fossem nossos próprios. 

5. Os remédios contra a inveja são: 1º lembrarmos que somos todos filhos do mesmo Deus e irmãos em Jesus Cristo; 2º rezar por aqueles a quem nós temos inveja e fazer-lhes bem; 3º aplicar-se na prática da humildade.


A ira 

6. A ira é uma alteração desordenada da alma que nos faz repelir com violência o que nos desagrada, a qual anda acompanhada do desejo de vingança. 

7. Os principais pecados do que a ira é causa são: as blasfêmias, as imprecações ou pragas, as injúrias, as rixas e os homicídios.  

8. As causas ordinárias da ira são a soberba e a teima na própria opinião. 

9. A ira não é pecado quando tem por fim opôr-se ao mal e o que está regulada pela moderação. 

10. Por falta de advertência e de consentimento o primeiro movimento da ira não é pecado; ms devemos reprimi-lo logo que demos por ele. 

11. A virtude oposta a ira é a paciência, pela qual sofremos em paz as injúrias e as tribulações por amor de Deus. 

12. Os remédios contra a ira são: 1º Lembrar-nos frequentemente da mansidão e paciência de Nosso Senhor Jesus Cristo na sua vida, na sua paixão e na cruz. 2º Acostumar-se a calar e a reprimir-se. 


A preguiça

13. A preguiça é um gosto desordenado de descanso e uma frouxião e desprazer em cumprir o próprio dever. Há também a preguiça espiritual, chamada acídia, que é uma desordenada tristeza e fastio das coisas de Deus. 

14. Os principais pecados de que a preguiça é causa são a ociosidade, o desalento, a frouxidão, a negligência dos deveres de cristão, e a desesperação. 

15. A preguiça é mãe de todos os vícios; produz a inconstância e a inutilidade da vida. 

16. A virtude oposta a preguiça é a diligência e o zelo ao serviço de Deus. A diligência é uma virtude pela qual com facilidade e prontidão cumprimos os nossos deveres e exercitamos as obras de zelo.

17. Para vencer a preguiça é preciso: 1º lembra-se que o trabalho é uma lei imposta por Deus a todos os homens; 2º fazer um regulamento de vida e cumpri-lo; 3º não dormir muito; 4º não perder inutilmente o tempo. 


Explicação da gravura

18. São três gravuras. A primeira representa a José que, por inveja, foi pelos seus irmãos vendido a mercadores ismaelita que o levaram para o Egito. 

19. A segunda representa Esaú voltando da caça furioso ao saber que o irmão Jacó tinha recebido a bênção do pai. 

20. A terceira representa o preguiçoso deitado na sua fazenda inculta. 


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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa. 

A avareza - A luxúria - A gula


 A avareza

1. A avareza é um amor desordenado dos bens temporais, principalmente do dinheiro.

2. Os sinais da avareza são: 1º o desejo inquieto e desmedido de adquirir bens temporais; 2º o buscá-los por meio injustos; 3º ou não os gastar no que é preciso.

3. Os efeitos e principais pecados de que a avareza é causa são: 1º o esquecimento de Deus; 2º a dureza para com os pobres; 3º a insensibilidade pela própria conservação; 4º a velhacaria e a injustiça. 

4. A avareza é um grande pecado. São Paulo diz que os avarentos não hão de entrar no reino dos céus. 

5. Os pobres podem ser avarentos, porque este pecado consiste também no desejo desmedido dos bens temporais.

6. A virtude oposta à avareza é a liberalidade, virtude pela qual se gasta moderadamente a própria riqueza. 

7. Os remédios principais contra a avareza são: 1º Lembrarmos que Nosso Senhor foi pobre; 2º a lembrança da morte que há de tirar-nos todos os nossos bens; 3º a esmola aos pobres, segundo as nossas posses. 


A luxúria

8. A luxúria é um apetite desordenado dos prazeres sensuais; é o vício vergonhoso da impureza condenado pelo sexto mandamento. 

9. Os efeitos e principais pecados de que a luxúria é causa são: 1º o ódio contra Deus; 2º o esquecimento dos deveres de cristão; 3º a cegueira do entendimento; 4º a dureza do coração; 5º a impiedade. 

10. A virtude oposta à luxúria é a castidade, virtude com que se refreia e doma a carne rebelde. 

11. Os remédios são: a oração, a modéstia, a mortificação, a devoção à Santíssima Virgem, mãe nossa.


A gula 

12. A gula é o gosto desordenado de comer e beber mais do que é necessário. 

13. Os principais pecados de que a gula é causa são: a embriaguez, a sensualidade, as descomedimentos, a blasfêmia, as rixas. 

14. A embriaguez voluntária é um pecado mortal porque priva o homem do uso da razão, desfigura nele a imagem de Deus tornando-o semelhante aos brutos, e porque o expõe a toda a sorte de crimes e de desordens. 

15. As virtudes opostas à gula são a temperança e a abstinência. A abstinência é uma virtude pela qual se refrea o apetite desordenado de comer e de beber em demasia. 

16. Os remédios contra a gula são: 1º rezar antes e depois das comidas; 2º praticar algumas mortificações nas mesmas comidas; 3º evitar as tavernas e as pessoas que à elas nos poderíam levar.

17. A gula, disse o Espírito Santo nas Escrituras sagradas, matou e mata mais gente do que a espada. 


Explicação das gravuras

18. São três gravuras.

A primeira representa a Judas vendendo Jesus Cristo por trinta dinheiros.

19. A segunda nos mostra o filho pródigo guardando porcos. 

20. A terceira representa a Esaú que chegando cansado da caça vende à Jacó o seu direito de primogênito ( o morgado) por um guisado de lentilhas.

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Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.