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sábado, 3 de maio de 2025

Das sete colunas necessárias no edifício espiritual




São Bernardo de Claraval 


Acabamos de ver que a verdadeira sabedoria deve por si mesma edificar sua própria casa; acrescentamos agora que esta casa deve assentar-se sobre sete colunas, nas quais haverá de apoiar-se e sustentar-se todo o edifício espiritual. 

O edifício ou casa é a consciência; as sete colunas são: a boa vontade, a lembrança constante dos benefícios de Deus: o coração puro; o entendimento livre (livre de todo preconceito); espírito reto; a alma devota; a razão iluminada (iluminada do alto). 

A boa vontade é a primeira coluna que haveremos de levantar; porque de todos os dons de Deus que concorrem para a santificação do homem, o primeiro e principal bem é a boa vontade, em virtude da qual a imagem ou semelhança com Deus é restaurada. É o primeiro bem, porque pela bondade da vontade começa todo bem, é o principal bem, porque nada melhor nem mais útil foi dado ao homem que a boa vontade; faça o homem o que fizer, nenhuma ação humana será boa se não procede da boa vontade. Sem esta, ninguém pode salvar-se; com a boa vontade ninguém pode perecer. A boa vontade não pode ser dada a quem não a queira, nem recusada, tirada de quem a deseje. A boa vontade pertence ao homem; o poder, a Deus. 

A vontade é do homem porque o querer é inerente à sua natureza e seu mérito todo está em sua vontade. Quanto mais queirais, tanto mais merecereis, isto é, quando maior seja vossa boa vontade, tanto maior será vosso mérito. Admiremos a misericórdia de Deus que colocou nossa redenção em coisa da qual ninguém pode carecer, nem dela ser pobre, a menos que queira sê-lo; antes, todos podem na mesma medida dispor de riqueza, todos, ricos e pobres, podem com idêntica intensidade, querer, da mesma maneira amar. Mas não esqueçamos que a vontade é boa, enquanto opera o que pode operar. 


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São Bernardo de Claraval - Tratado da Consciência ou do Conhecimento de si mesmo.

Editora Nebil, 2015. pág. 26-8.

Fonte da Imagem:https://br.pinterest.com/pin/92042386128146235/

sexta-feira, 2 de maio de 2025

A casa da consciência




 São Bernardo de Claraval


1. Como, por meio das boas obras, deve-se manter a consciência limpa e pura

Esta casa corporal em que habitamos ameaça ruína por todos os lados; e como há de cair e até dissolver-se dentro de pouco tempo, necessita que nos dediquemos a construir outra. Volvamos, pois, a nós mesmos, sacudamos e sondemos cuidadosamente nossa consciência. Nosso corpo é a tenda de onde, servindo a Deus, combatemos contra os vícios; a consciência é a casa da qual, se formos vitoriosos, poderemos descansar depois da batalha.

Mas, para edificar a casa da consciência é necessário que lutemos valorosamente, que não desfaleçamos no combate com nosso corpo. "Trabalha e cultiva com esmero teu campo - disse Salomão - para que possas depois edificar tua casa". Este campo é nosso corpo, cujos sentidos e inclinações, se bem os empregamos, submetendo-os ao domínio da alma, devem constantemente dirigir-se à prática das virtudes, para a qual é indispensável que o corpo seja servo da alma, e a alma viva submetida a Deus: este é o procedimento único de edificação da consciência em nosso interior, para obter a satisfação das faltas cometidas e para evitar os males presentes. A verdadeira satisfação consiste em corrigir os males que fizemos e jamais voltar a neles reincidir. 

A consciência é perpétua e, como a alma, não tem fim; pois bem, a alma, que é imortal, não pode existir sem a consciência. A consciência será indefectivelmente a glória ou a confusão inevitável de cada um, conforme a qualidade das coisas que nela deposite. A consciência, pois, morada perpétua da alma, requer ser purificada primeiro, e solidamente edificada depois. Quem a purificará? Deus e o homem: o homem, por meio de seus pensamentos e afeições. Deus, por sua misericórdia e por sua graça. Pensamentos e afetos são necessários na purificação da consciência: os pensamentos para a investigação da verdade, os afetos para a prática da virtude. Algumas vezes, a misericórdia divina apaga o pecado e nos dá força para resisti-lo; em outras, afasta de nós a ocasião de pecar e nos deixar certa amargura por não ter lutado e triunfado sobre o mal; com frequência corrige nosso afeto, isto é, nosso desejo, inclinado ao pecado e debilitado pelo prazer, por causa do deleite que usufruiu pecando. A graça ajuda-nos a fazer o bem, a evitar o mal e ensina-nos a distinguir um do outro. 

Que o homem, estimulado pela verdade, reconheça e confesse seus pecados: Deus inclina-se sempre à misericórdia para com quem sinceramente se confessa. Na confissão está toda, esperança de perdão; ninguém pode ser justificado sem que antes confesse sua culpa; porque o homem começa a ser justo exatamente quando se acusa a si mesmo. Ditosa a consciência na qual se tenha encontrado a misericórdia e a verdade, na qual se deem estreito abraço a justiça e a paz! A verdade por parte do penitente e a misericórdia de Deus ter-se-ão encontrado nessa consciência, porque é indefectível esta misericórdia em quem realmente se conhece a si mesmo. O ósculo da justiça consiste em amar os inimigos; em abandonar a família e bens, tudo quanto se possua, por amor a Deus; em sofrer pacientemente as injustiças; em fugir em tudo e por tudo da falsa glória pessoal. O beijo da paz consiste em convidar com ela todos que a odeiam; em chamar à concórdia os que estão desunidos, em suportar pacificamente os próprios inimigos; em instruir com bondade os ignorantes; em consolar com doçura os aflitos; na tribulação, aos que choram e, por último, em viver em paz e fraternidade com todos. Feliz a alma que foi confirmada na paz da Cristo, fortalecida no amor de Deus! Virão as batalhas do exterior: não conseguirão turbar o silêncio, a calma, a doçura da paz interior que a alma goza e na qual concentrou todos os seus desejos; virão as tentações: não conseguirão corromper, pelos apetites da carne, sua vontade; porque a alma possui já em si mesma tudo o que constitui sua felicidade, suas delícias; e, desta maneira purificada, quando se recolhe em seu gozo interno, já está refeita à imagem de Deus, a quem em si própria honra. E os anjos e os arcanjos virão frequentemente visitá-la, render-lhe homenagem, como templo de Deus e morada do Espírito Santo. 

Transformai-vos, pois, em templo de Deus, e o Altíssimo habitará em vós; porque a alma que tem Deus em si mesma, é templo de Deus e nela são celebrados os divinos mistérios. Mas se a alma não se esforça por viver em si mesma, em concentrar no amor de Deus todos seus desejos, haverá de sair ao exterior, e pela vista, pelo ouvido, pelos demais sentidos corporais, se deleitará nas coisas mundanas, exteriores a ela. E, neste caso, que lhe acontecerá quando encontre todas as portas dos sentidos do corpo fechadas? Então, se internado novamente em si mesma, encontrar-se-á de confusão e de horror. Por ter-se deleitado nos consolos do mundo, não encontrará a consolação interior, que somente Deus dá: Deus não se dignará visitá-la, e a alma angustiada pelo peso de sua própria consciência não poderá suportar-se a si mesma. Não encontrará o desejado repouso porque abandonou Aquele em que unicamente deveria repousar e habitar. 

Encontrai-vos hoje na companhia e sociedade dos homens: pensai que não sempre havereis de estar com eles e, enquanto viveis, buscai por companheiro o único que não vos abandonará nos dias de angústia, quando tudo vos seja tirado, mas que permanece eternamente fiel àqueles que o amam: Deus, que é vosso Deus; só e Ele deveis buscar. Abandonai, pois, todas as distrações do coração, todas as flutuações de vosso espírito; assentai apenas em Deus vossos firmes desejos e aspirações; que vosso coração se encontre constantemente ali onde está vosso mais apetecível e desejado tesouro.

Deus habita com agrado na tranquilidade dos corações, nas almas sossegadas e em calma: Ele mesmo é a paz e na paz tem sua morada. Fazei-vos, pois, tais, que Deus esteja sempre convosco, que convosco vá e viaje, que regresse convosco, que jamais vos veja separados d'Ele. Não vos abandonará, se vós mesmos não o abandoneis; onde quer que vós vades não vos encontrareis a sós se Deus está convosco. Purificai vossa consciência, a fim de que Deus se digne habitar em vós, encontre sua morada limpa e convenientemente disposta; porque ele mesmo disse: "Edificai-me um santuário e nele morarei entre vós".

Esforcemo-nos, pois, em construir em nós mesmos o templo de Deus, para que Deus habite primeiro em cada um de nós, depois em nós todos. Necessita, para isso, que cada qual não esteja em desacordo consigo mesmo; porque todo reino intestinamente dividido será desolado e suas casas cairão umas sobre as outras: Jesus Cristo não entrará na casa cujos muros estejam caídos ou ameaçem ruína. A alma deve possuir a casa de seu corpo, completa, intacta, e sairá indefectivemente dela se os membros do corpo não estiverem íntegros ou se encontrem desunidos. Cuide, portanto, com grande zelo, a alma desejosa de que Jesus Cristo nela habite, que seus membros não estejam discordantes entre si, seus membros, isto é, o entendimento, a vontade e a memória; porque, para preparar em nosso interior uma habitação digna de Deus, é necessário, que a razão não se encontre extraviada, nem pervertida a vontade, nem manchada a memória: em outros termos, é indispensável possuir entendimento reto, vontade boa e pronta, memória limpa e pura. Feliz a alma que se aplique a purificar de toda mancha de pecado a casa de seu coração e a enchê-la de obras santas e justas! Porque já não apenas os anjos, mas também o próprio Senhor dos anjos se deleitará em nela vir, e habitá-la. E não basta apenas purificar essa casa interior do que tenha de mal: é necessário enchê-la de coisas boas, para que não seja preciso nada buscar fora dela, uma vez abandonadas todas as coisas exteriores. 

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São Bernardo de Claraval - Tratado da Consciência ou do Conhecimento de si mesmo.

Editora Nebil, 2015. pág. 17-26. 


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Pequeno retiro para ser um bom cristão




1. Esteja sempre com Cristo.
2. Reze como puder, não como você gostaria.
3. Tenha uma disciplina de oração realista e que você mantenha por dever.
4. Reze o Pai-Nosso várias vezes por dia.
5. Tenha uma oração curta que você possa repetir constantemente quando sua mente não estiver ocupada com outras coisas.
6. Faça algumas prostrações quando rezar.
7. Se alimente bem e com moderação.
8. Siga os dias e regras de jejum da Igreja.
9. Passe algum tempo em silêncio todos os dias.
10. Faça atos de caridade em segredo.
11. Vá regularmente à Divina Liturgia.
12. Participe regularmente da confissão e da comunhão.
13. Caso surjam pensamentos ou sentimentos inapropriados não lhes dê atenção. Corte-os logo de início.
14. Compartilhe regularmente todos os seus pensamentos e sentimentos com alguém de confiança.
15. Leia as santas Escrituras regularmente.
16. Leia bons livros, um pouco de cada vez.
17. Cultive a comunhão com os santos.
18. Seja uma pessoa comum.
19. Seja educado com todos.
20. Mantenha limpeza e arrumação na sua casa.
21. Tenha um hobby saudável e positivo.
22. Exercite-se regularmente.
23. Viva cada dia, e cada parte do dia de cada vez.
24. Seja totalmente honesto, antes de tudo, consigo mesmo.
25. Seja fiel nas pequenas coisas.
26. Faça seu trabalho e então esqueça dele.
27. Faça a parte mais difícil e dolorosa primeiro.
28. Encare a realidade.
29. Seja grato em todas as coisas.
30. Seja alegre.
31. Seja simples, discreto, quieto e pequeno.
32. Nunca chame atenção para si.
33. Escute quando falarem com você.
34. Fique acordado e atento.
35. Não fale ou pense sobre as coisas mais do que o necessário.
36. Quando falar, fale com simplicidade, clareza, firmeza e seja direto.
37. Fuja de ficar imaginando, analisando coisas querendo entendê-las.
38. Fuja das coisas carnais e sexuais assim que surgirem.
39. Não fique reclamando, murmurando, resmungando ou choramingando.
40. Não se compare com os outros.
41. Não busque ou espere elogios ou pena de ninguém.
42. Não julgue ninguém por nada.
43. Não tente convencer ninguém de nada.
44. Não fique se defendendo ou se justificando.
45. Lembre-se que apenas Deus te define e seu maior compromisso é com Ele.
46. Aceite a crítica com gratidão mas teste-a com senso crítico.
47. Só dê conselhos quando pedirem ou for obrigado a isso.
48. Não faça nada por ninguém que eles possam ou deveriam fazer por si mesmos.
49. Tenha uma agenda diária de atividades, evitando manhas e caprichos.
50. Seja misericordioso consigo e com os outros.
51. Não guarde nenhuma expectativa além de ser duramente tentado até seu último suspiro.
52. Foque exclusivamente em Deus e na luz, não nos pecados e na escuridão.
53. Aguente a provação de ser você mesmo e de seus erros e pecados pacificamente, serenamente, porque você sabe que a misericórdia de Deus é maior do que a sua miséria.
54. Quando cair, se levante imediatamente e comece de novo.
55. Peça ajuda quando precisar, sem medo e sem vergonha.

Padre Thomas Hopko