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sábado, 4 de junho de 2022

São Pedro, Exorcista


 


2 de junho

Enquanto Pedro, Exorcista, estava detido na prisão por Arquêmio, a filha deste foi atormentada pelo demônio, o que provocou lamentações do pai, levando Pedro a lhe dizer que, caso ele acreditasse em Cristo, no mesmo instante sua filha recuperaria a saúde. Arquêmio falou: "Admira-me que seu Senhor seja capaz de libertar minha filha, se não pode libertar você, que sofre tanto por ele". Pedro respondeu: Meu Deus tem o poder de me tirar daqui, mas Ele quer, por meio de um sofrimento passageiro, fazer com que alcancemos a glória eterna". Arquêmio: "Se depois que eu duplicar a quantidade de correntes que o prendem, seu deus puder libertá-lo e curar a minha filha, acreditarei em Cristo". 

Depois de assim ter sido feito, São Pedro, vestido de branco e empunhando uma cruz apareceu a Arquêmio, que se jogou a seus pés, e sua filha ficou curada. Ele e todos de sua casa receberam o batismo, e depois libertou os prisioneiros que quisessem se tornar cristãos. Muitos aceitaram e foram batizados pelo bem-aventurado padre Marcelino. 

Ao saber disso, o prefeito ordenou que todos os prisioneiros fossem levados até ele. Arquêmio reuniu-os, beijou-lhes as mãos e disse que se algum deles desejasse o martírio, fosse sem medo, e quem não o quisesse podia se retirar são e salvo. Quando o juiz descobriu que Marcelino e Pedro haviam batizado muitas pessoas, mandou prender os dois em celas separadas. Marcelino foi colocado nu em cima de cados de vidro, em um lugar sem luz e água. Pedro foi encerrado em outra profundíssima masmorra, na qual ficou fortemente atado a um tronco. Mas um anjo do Senhor soltou Marcelino e Pedro, levou-os à casa de Arquêmio com a missão de, por sete dias, confortar o povo e depois se apresentarem ao juiz. Como este não os encontrou na prisão, mandou chamar Arquêmio e, diante de sua recusa em sacrificar, prendeu ele e sua mulher em uma cripta. Ao saberem do fato, os santos Marcelino e Pedro foram até o local e protegidos pelos cristãos ali ficaram sete dias, durante os quais São Marcelino celebrou a missa. Depois os santos disseram aos incrédulos: "Poderíamos ter libertado Arquêmio e nos esconder, mas não quisemos fazer isso". 

Mais tarde os pagãos mataram Arquêmio com a espada, enquanto sua mulher e filha eram esmagadas por pedradas. Marcelino e Pedro foram levados para a floresta negra (chamada a partir daí de floresta branca por causa de seu martírio), onde os decapitaram na época de Diocleciano, no ano do Senhor de 287. Como o carrasco, chamado Doroteu, viu anjos que levavam ao Céu as almas deles em trajes esplêndidos e ornados de pedras preciosas, também se fez cristão e morreu em paz algum tempo depois. 



Legenda Áurea, Jacopo de Varazze. p.465-6.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Santa Petronela



 31 de maio


Petronela, cuja vida foi escrita por São Marcelo, era filha do apóstolo Pedro. Ela era de beleza extraordinária e padecia de febre por vontade de seu pai. Um dia em que os discípulos estavam na casa do apóstolo, Tito perguntou-lhe: "Por que você, que cura todos os enfermos, permite que Petronela continue doente?". Pedro respondeu: 'Porque é melhor para ela". E para mostrar que não era impossível curá-la, disse-lhe: "Levante-se já, Petronela, e traga-nos algo para comer". Instantaneamente curada, ela levantou-se e serviu-os. Quando acabou, Pedro ordenou: "Petronela, volte para a cama". Ela assim o fez e imediatamente a febre voltou. Somente quando ela atingiu a perfeição no amor a Deus, ele a curou completamente. 

Apaixonado pela beleza dela, o conde Flaco pediu-a por esposa, ao que ela respondeu: "Se me deseja como esposa, mande umas virgens virem me acompanhar até a sua casa". Enquanto ele providenciava isso, Petronela consagrou-se ao jejum e à prece, recebeu o corpo do Senhor, deitou-se, e três dias depois migrou para o Senhor. Vendo-se enganado, Flaco procurou uma amiga de Petronela, Felícula, e intimou-a a se casar com ele ou imolar aos ídolos. 

Como recusou ambas as propostas, o prefeito mandou-a para a prisão, onde ela ficou sem comer e beber durante sete dias. Depois mandou torturá-la no potro¹, matá-la e jogar o corpo numa cloaca. Mas São Nicodemo à sua presença, e diante da recusa dele em sacrificar, surrou-o até a morte com chicotes de pontas de chumbo. Seu corpo foi jogado no Tibre, mas um clérigo chamado Justo tirou-o dali e sepultou-o de forma honrosa. 


¹ Conforme nota I do capítulo 25. 

Autor da pintura: Giovan Francesco Barbieri detto il Guercino

Legenda Áurea - Jacopo de Varazze 

sábado, 23 de abril de 2022

São Jorge


23 de abril


 Jorge [Georgius] vem de geos, que quer dizer "terra", e de orge "cultivar", de forma que o nome significa "cultivando a terra", isto é, sua carne. No seu livro Sobre a Trindade, Agostinho afirma que a boa terra pode estar tanto no alto das montanhas como nas encostas temperadas das colinas ou nas planícies. O primeiro tipo convém ao pasto, o segundo às vinhas, o terceiro aos cereais. De forma semelhante, o beato Jorge foi como a terra alta por desprezar as coisas baixas e exaltar as puras, foi como a terra temperada devido à descrição do vinho da eterna alegria, foi como a terra plana pela humildade que produz frutos de boas obras. Jorge também pode vir de gerar, "sagrado", e de gyon, "areia", Jorge foi pesado pela gravidade dos costumes, miúdo por sua humildade, seco pela isenção de volúpia carnal. O nome pode ainda derivar de gerar, "sagrado", e gyon, "luta", significado "lutador sagrado" porque lutou contra o dragão e contra o carrasco. Jorge ainda pode resultar de gero, que quer dizer "peregrino", de gír, "cortado", e de ys, "conselheiro", porque foi peregrino em seu desprezo pelo mundo, cortado em seu martírio e conselheiro na prédica do reino de Deus. Sua legenda foi considerada apócrifa pelo concílio de Nicéia devido às discrepâncias entre os relatos. O calendário de Beda diz que ele foi martirizado na cidade persa de Diáspolis, outrora chamada Lida, e situada perto de Jope. Outras versões dizem que ele sofreu o martírio sob os imperadores Diocleciano e Maximiano. Outro autor afirma que foi na época do imperador persa Diocleciano e na presença de oitenta reis. Outros, ainda, pretendem que foi sob o governador Daciano, no tempo de Diocleciano e Maximiano.

Jorge, tribuno nascido na Capadócia¹, foi certa vez a Silena, cidade da província da Líbia. Ali perto havia um lago, grande como um mar, no qual se escondia um pestífero e enorme dragão que muitas vezes afungentou o povo armado que tentara atacá-lo. Para acalmá-lo e impedir que se aproximasse das muralhas da cidade, que não protegiam de seu hálito empestado que matava muita gente, os habitantes davam-lhe todos os dias duas ovelhas. Quando começou a não haver ovelhas em quantidade suficiente, o conselho municipal decidiu que se daria uma ovelha e um humano, sorteando-se para tanto rapazes e moças, sem excetuar ninguém. Depois de algum tempo também faltou gente, e o sorteio designou a filha única do rei para ser entregue ao dragão.

Contristado, o rei propôs: "Peguem todo meu ouro e prata, a metade de meu reino, mas não deixem minha filha morrer assim". Furioso, o povo respondeu: "Foi você, rei, que promulgou este edito, e agora que todos os nossos filhos estão mortos, quer salvar sua filha? Se não fizer com sua filhs o que ordenou para os outros, queimaremos sua casa e você". Ao ouvir essas palavras, o rei pôs-se a chorar sua filha, dizendo: "Ai, como sou infeliz! Ó meiga filha, o que posso fazer por você? O que posso dizer? Nunca poderei vê-la casada?". E, voltando-se para o povo: "Eu imploro a vocês, deem-me oito dias para chorar minha filha".

O povo aceitou, mas ao cabo de oito dias dirigiu-se, furioso, ao rei: "Prefere perder seu povo, que sua filha? Estamos todos morrendo por causa do sopro do dragão". Então o rei, vendo que não poderia livrar a filha, fez que ela vestisse trajes reais e beijou-a entre lágrimas, dizendo: "Ai, como sou infeliz! Minha doce filha, eu esperava convidar muitos príncipes para suas bodas, decorar seu palácio com pedras preciosas, ouvir músicas de vários instrumentos, e no entanto você vai ser devorada pelo dragão". Ele a beijou e a deixou partir, dizendo: "Ó minha filha, queria ter morrido antes para não perdê-la assim!". Ela então se jogou aos pés de seu pai para pedir a benção, e depois de abençoada em lágrimas dirigiu-se para o lago.

O bem-aventurado Jorge passava casualmente por lá, e vendo-a chorar perguntou a razão. Ela respondeu: "Bom rapaz, monte depressa em seu cavalo e fuja, se não quiser morrer como eu". Jorge: "Não tenha medo, minha filha, e diga-me o que toda aquela gente está esperando ver". Ela: "Vejo que você é bom rapaz, de coração generoso, mas quer morrer comigo? Fuja! Depressa!". Jorge replicou: "Não irei embora antes que me conte o que está acontecendo". Depois que a moça explicou tudo, Jorge disse: "Minha filha, nada tema, porque, em nome de Cristo, vou ajudá-la". Ela replicou: "Você é um bom cavaleiro, mas salve-se imediatamente, não pereça comigo! Basta que eu morra sozinha, porque você não poderia me livrar e pereceríamos juntos".

Enquanto conversavam, o dragão pôs a cabeça para fora do lago e foi se aproximando. Toda trêmula, a moça falou: "Fuja, meu bom senhor, fuja depressa". Jorge montou imediatamente em seu cavalo, protegeu-se com o sinal-da-cruz, e com audácia atacou o dragão que avançava em sua direção. Brandindo a lança com vigor, recomendou-se a Deus, atingiu o monstro com força, jogando-o ao chão, e disse à moça: "Coloque sem medo seu cinto no pescoço do dragão, minha filha". Ela assim o fez e o dragão seguiu-a como um cãozinho muito manso.

Quando ela chegou à cidade, vendo aquilo todo o povo pôs-se a fugir gritando: "Ai de nós, logo todos vamos morrer!". Mas o beato Jorge disse-lhes: "Nada temam, o Senhor me enviou para que eu os libertasse das desgraças causadas por esse dragão. Creiam em Cristo e recebam o batismo, que eu matarei o dragão". Então o rei e todo o povo foram batizados e o bem-aventurado Jorge desembainhou a espada e matou o dragão, ordenando depois que o levassem para fora da cidade. Quatro pares de boi arrastaram-no para campo aberto. Nesse dia 20 mil homens foram batizados, sem contar crianças e mulheres. 

Em homenagem à bem-aventurada Maria e o beato Jorge, o rei mandou construir uma enorme igreja, sob cujo altar surgiu uma fonte de água curativa para todos os enfermos. O rei ofereceu ao bem-aventurado Jorge imensa quantidade de dinheiro, mas ele não aceitou e mandou doá-la aos pobres. Jorge deu então ao rei quatro breves conselhos: cuidar das igrejas de Deus, honrar os padres, ouvir com atenção o ofício divino e nunca esquecer os pobres. A seguir beijou o rei e foi embora.

Certos livros contam que quando o dragão ia devorar a moça Jorge protegeu-se com o sinal-da-cruz, atacou-o e matou-o. Eram imperadores na época Diocleciano e Maximiano, e sob o governador Daciano houve uma perseguição tão violenta aos cristãos que em um mês 17 mil deles receberam a coroa do martírio, enquanto muitos outros fraquejaram e sacrificaram aos ídolos.

Vendo isso, São Jorge ficou profundamente tocado, distribuiu tudo o que possuía, trocou as vestes militares pelas dos cristãos e passou a viver entre eles, exclamando: "Todos os deuses dos gentios são demônios, foi o Senhor quem fez os Céus!". Irado, o governador disse: "Que presunção é essa de chamar nossos deuses de demônios? Diga-me de onde você é e qual seu nome". Jorge respondeu: "Eu me chamo Jorge, sou de uma nobre estirpe da Capadócia. Com a ajuda de Cristo, submeti a Palestina, mas depois abandonei tudo para servir livremente ao Deus do Céu". Como o governador não conseguia demovê-lo, mandou suspendê-lo no potro² e dilacerar cada um de seus membros com garfos de ferro. Mandou queimá-lo com tochas e esfregar sal em suas feridas e em suas entranhas, que lhe saíam do corpo. Na noite seguinte, envoltou em imensa luz, o Senhor apareceu-lhe e reconfortou-o com doçura. A deliciosa visão e as confortantes palavras fortaleceram-no a tal ponto que seus tormentos pareciam não ter acontecido. 

Percebendo que não podia dobrá-lo com torturas, Daciano convocou um mágico, a quem disse: "Graças às artes mágicas, os cristãos zombam dos tormentos e recusam-se a sacrificar a nossos deuses". O mágico respondeu: "Se não conseguir superar seus truques, que eu perca a cabeça!". Preparou então seus feitiços, invocou seus deuses, misturou veneno com vinho e deu-o para São Jorge beber. O homem de Deus fez sobre a bebida o sinal-da-cruz e tomou-a sem ser afetado. O mágico preparou uma dose mais forte, que o homem de Deus bebeu inteiramente, sem dano algum, após ter feito o sinal-da-cruz. Ao ver isso, o mágico lançou-se aos pés de Jorge, chorando, arrependido, e pediu para ser cristão. Logo depois o juiz mandou decapitá-lo. 

No dia seguinte, ele mandou colocar Jorge numa roda que tinha em toda a sua volta espadas de dois gumes, mas no mesmo instante a roda quebrou e Jorge saiu dali ileso. Irritado, o juiz mandou então jogá-lo num caldeirão cheio de chumbo derretido, mas ele fez o sinal-da-cruz antes de entrar, e pela virtude de Deus revigorou-se ali como num banho. Vendo que não conseguia vencê-lo com torturas, Daciano pensou em fazê-lo com suavidade e disse-lhes: "Jorge, meu filho, veja a mansuetude de nossos deuses, eles suportam suas blasfêmias com tanta paciência e estão dispostos a ser indulgentes com você caso aceite se converter. Faça, portanto, querido filho, o que peço: abandone suas supertições para sacrificar a nossos deuses, a fim de receber deles e de nós grande honrarias". Jorge replicou, sorrindo: "Por que você não me falou desta forma branda antes de me torturar? Estou pronto a fazer aquilo a que me exorta".

Iludido por essa fala, Daciano, muito feliz, mandou o pregoeiro público convocar a todos para ver Jorge, por tanto tempo rebelde, enfim ceder e sacrificar aos deuses. A cidade inteira foi engalanada e com alegria esperou o momento, mas ao entrar no templo para sacrificar aos ídolos, Jorge ajoelhou-se e pediu ao Senhor que destruísse completamente o templo com seus ídolos. No mesmo instante caiu o fogo do Céu sobre o templo, queimando-o com seus deuses e seus sacerdotes. A terra entreabriu-se e tragou tudo o que restara.

No prefácio³ que Ambrósio compôs a respeito, ele diz:

Jorge fidelíssimo guerreiro de Cristo, professou com intrepidez o cristianismo enquanto muitos renegavam o Filho de Deus. Recebeu da graça divina tão grande constância, que desprezou as ordens do poder tirânico e não temeu as dores de incontáveis suplícios. Ó feliz e ínclito paladino do Senhor, que não foi seduzido pelas promessas de um reino temporal, e enganando o perseguidor precipitou no abismo as falsas divindades!

Assim escreveu Ambrósio.

Ao saber daquele fato, Daciano mandou levar Jorge à sua presença e perguntou-lhe: "Qual foi a mágica, homem malvado, que você usou para cometer semelhante crime?". Jorge respondeu: "Não acredite nisso, rei, venha comigo e me verá imolar aos deuses". Daciano: "Entendo seu plano, você quer que a terra me trague como fez com o templo e com meus deuses". Jorge retrucou: "Diga-me, miserável, como os seus deuses irão ajudá-lo se não foram capazes de se defender?". Cheio de raiva, o rei disse a sua esposa Alexandrina: "Percebo que este homem me superou e que vou morrer". Ela retrucou: "Tirano cruel e carniceiro, quantas vezes disse a você para não molestar os cristãos porque o Deus deles os defenderia? Pois bem, fique sabendo que quero me tornar cristã". Estupefato, o rei exclamou: "Ah! Que dor! Até você foi seduzida?". E mandou pendurá-la pelos cabelos e surrá-la duramente. 

Durante esse suplício ela disse: "Jorge, luz da verdade, para onde vou, já que ainda não fui regenerada pela água do batismo?" Jorge: "Não tema, filha, o sangue que você vai derramar servirá de batismo e será sua coroa". Orando, ela rendeu a alma ao Senhor. É o que atesta Ambrósio, ao dizer no prefácio que "a rainha dos persas foi condenada por seu cruel marido, e embora não tenha recebido a graça do batismo, mereceu a palma de um martírio glorioso. Por isso não podemos duvidar que o rocio do seu sangue tenha merecidamente aberto para ela as portas do reino do Céu". Foi o que escreveu Ambrósio. 

No dia seguinte Jorge foi condenado a ser arrastado por toda a cidade e a ter a cabeça cortada. Ele orou ao Senhor pedindo que atendesse a todos os que implorassem seu socorro, e ouviu-se a voz divina concedendo-lhe o pedido. Terminada a oração, seu martírio foi consumado e sua cabeça cortada. Isso aconteceu sob Diocleciano e Maximiano, que reinaram por volta do ano 287 do Senhor. Quando Daciano voltava do lugar do suplício para seu palácio, o fogo do Céu caiu sobre ele e seus guardas, consumindo-os. 

Gregório de Tours conta que algumas pessoas com relíquias de São Jorge hospedaram-se certa noite em um oratório, e de manhã não conseguiram de nenhum jeito mover o relicário enquanto não deixaram ali uma parte das relíquias. Na História de Antioquia lê-se que quando os cristãos rumavam para conquistar Jerusalém, um belíssimo rapaz apareceu a um sacerdote dizendo-lhe que São Jorge seria o comandante dos cristãos caso levassem consigo suas relíquias a Jerusalém, onde ele próprio estaria ao lado deles. E quando sitiavam a cidade e a resistência dos sarracenos não permitia o assalto final, o bem-aventurado Jorge apareceu em trajes brancos e armado de uma cruz vermelha, fazendo sinal aos sitiantes para irem atrás dele e atacarem sem medo, que conquistariam a cidade. Animados por essa visão, venceram e massacraram os sarracenos.


São Jorge, rogai a Deus por nós!

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1. Região da Ásia menor, a oeste da Armênia.

2. Confome nota 1 do capítulo 25.

3. Conforme nota 4 do capítulo 55.

Fonte: Legenda Áurea, vidas dos santos. Jacopo de Varazze, ed. Companhia das Letras. p 365-70.





quarta-feira, 17 de maio de 2017

Pequeno retiro para ser um bom cristão




1. Esteja sempre com Cristo.
2. Reze como puder, não como você gostaria.
3. Tenha uma disciplina de oração realista e que você mantenha por dever.
4. Reze o Pai-Nosso várias vezes por dia.
5. Tenha uma oração curta que você possa repetir constantemente quando sua mente não estiver ocupada com outras coisas.
6. Faça algumas prostrações quando rezar.
7. Se alimente bem e com moderação.
8. Siga os dias e regras de jejum da Igreja.
9. Passe algum tempo em silêncio todos os dias.
10. Faça atos de caridade em segredo.
11. Vá regularmente à Divina Liturgia.
12. Participe regularmente da confissão e da comunhão.
13. Caso surjam pensamentos ou sentimentos inapropriados não lhes dê atenção. Corte-os logo de início.
14. Compartilhe regularmente todos os seus pensamentos e sentimentos com alguém de confiança.
15. Leia as santas Escrituras regularmente.
16. Leia bons livros, um pouco de cada vez.
17. Cultive a comunhão com os santos.
18. Seja uma pessoa comum.
19. Seja educado com todos.
20. Mantenha limpeza e arrumação na sua casa.
21. Tenha um hobby saudável e positivo.
22. Exercite-se regularmente.
23. Viva cada dia, e cada parte do dia de cada vez.
24. Seja totalmente honesto, antes de tudo, consigo mesmo.
25. Seja fiel nas pequenas coisas.
26. Faça seu trabalho e então esqueça dele.
27. Faça a parte mais difícil e dolorosa primeiro.
28. Encare a realidade.
29. Seja grato em todas as coisas.
30. Seja alegre.
31. Seja simples, discreto, quieto e pequeno.
32. Nunca chame atenção para si.
33. Escute quando falarem com você.
34. Fique acordado e atento.
35. Não fale ou pense sobre as coisas mais do que o necessário.
36. Quando falar, fale com simplicidade, clareza, firmeza e seja direto.
37. Fuja de ficar imaginando, analisando coisas querendo entendê-las.
38. Fuja das coisas carnais e sexuais assim que surgirem.
39. Não fique reclamando, murmurando, resmungando ou choramingando.
40. Não se compare com os outros.
41. Não busque ou espere elogios ou pena de ninguém.
42. Não julgue ninguém por nada.
43. Não tente convencer ninguém de nada.
44. Não fique se defendendo ou se justificando.
45. Lembre-se que apenas Deus te define e seu maior compromisso é com Ele.
46. Aceite a crítica com gratidão mas teste-a com senso crítico.
47. Só dê conselhos quando pedirem ou for obrigado a isso.
48. Não faça nada por ninguém que eles possam ou deveriam fazer por si mesmos.
49. Tenha uma agenda diária de atividades, evitando manhas e caprichos.
50. Seja misericordioso consigo e com os outros.
51. Não guarde nenhuma expectativa além de ser duramente tentado até seu último suspiro.
52. Foque exclusivamente em Deus e na luz, não nos pecados e na escuridão.
53. Aguente a provação de ser você mesmo e de seus erros e pecados pacificamente, serenamente, porque você sabe que a misericórdia de Deus é maior do que a sua miséria.
54. Quando cair, se levante imediatamente e comece de novo.
55. Peça ajuda quando precisar, sem medo e sem vergonha.

Padre Thomas Hopko

sábado, 20 de agosto de 2016

Motivos que os Cristãos têm a mais que os infiéis para amar a Deus.

Os fiéis, ao contrário, sabem o quanto precisam de Jesus crucificado, mas mesmo admirando e recebendo o amor que Ele tem por nós, que está acima de todo entendimento, não demonstram nenhuma confusão em dar nada além do que eles mesmos, por menor que sejam, em retorno a uma caridade e a uma condescendência tão grandes; mas é tão fácil para eles amar mais do que se sentirem eles mesmos mais amados; porque àquele a quem se dá menos amor, esse o sentirá também bem menos. Os judeus não mais que os pagãos, não sentem a excitação pelos mesmos aguilhões do amor que oprimem a Igreja e fazem com que ela diga: "E fui ferido por amor"; ou ainda: "Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor" (Cânticos 2,5) [...] ela vê o Filho Unigênito do Pai carregando a sua cruz, o Deus de toda majestade atingido por golpes e cuspidas, o Autor da vida e da glória pregado, transpassado, cheio de opróbios, dando por Seus amigos Sua alma abençoada. Vendo tudo isso, ela sente a espada de dois gumes do amor penetrar mais fundo em seu coração e ela clama: "Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor". As maçãs que a Esposa introduziu no jardim de Seu amado tem prazer em colher da árvore da vida, têm gosto do maná do Céu e a cor do sangue de Cristo. E então ela vê a morte golpeada até a morte e aquilo que a fez magnificar o cortejo de seu Vencedor, ela ainda vê este subir triunfante, de debaixo da terra para sobre a tera e da terra para os céus, seguido de uma grande multidão de cativos, de modo que somente ao nome de Jesus, todo joelho se dobra nos céus, na terra e debaixo da terra (Filipenses 2,10). A terra, debaixo da antiga maldição, produzia somente espinheiros e abrolhos; revigorada, então, por uma nova benção, é coberta de flores. Então a esposa lembra-se deste versículo: "O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; assim o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei" (Salmos 28,7), recobra o ânimo com os furtos da paixão que ela colheu da árvore da cruz, e com as flores da ressureição cujo perfume delicioso convida o Amado a renovar as Suas visitas. 

Enfim ela exclama: "Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde" (coberto de flores) (Cânticos 1,16). Falando deste leito, ela deixa claro o que deseja, e, acrescentando que ele está coberto de flores, ela mostra no que estão baseadas suas esperanças; não é sobre a atração que as flores, colhidas em um campo abençoado por Deus, têm para o seu Amado, porque é o que sentem por Cristo que quis ser concebido e alimentado em Nazaré. Este Esposo celeste, atraído pelo perfume que emana delas, tem prazer em entrar no quarto do coração, quando o encontra cheio de frutas e perfumado pelo aroma das flores. E Ele vem apressadamente e tem prazer em habitar na alma que a Ele contempla em meditação, cuidadosamente dedicada e colhe os frutos de Sua paixão e cultiva as flores de Sua ressureição.

Ora estes frutos da última colheita, isto é, de todos os séculos que se foram sob o império da morte e do pecado, que amadureceram na plenitude dos tempos, são as lembranças de Sua paixão. Mas é no esplendor de Sua ressureição que devemos ver as novas flores dos novos tempos que a graça faz reflorescer para um segundo verão; no final dos tempos, na ressureição real, elas darão inumeráveis frutos:"Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi; aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra" (Cânticos 2,11-12). Ela quer dizer, falando assim, que o verão apareceu com Aquele que fez derreter o gelo da morte para renascer em temperatura primaveril de uma nova vida, dizendo: "Eis que faço novas todas as coisas" (Apocalipse 21,5). Seu corpo, semeado na morte, refloresceu na ressureição, e, ao perfume que dEle emana, vimos logo nos nossos vales e planícies, o que estava árido, morto ou congelado, cobrir-se de verde, renasce em vida e volta a obter calor. 

O frescor destas flores. O renovar destes frutos e a beleza deste campo, de onde exalam os mais doces perfumes encantam também o Pai cujo Filho fez novas todas as coisas, e lhe inspiram esta exclamação: "Eis que o cheiro do meu Filho é como o cheiro do campo que o Senhor abençoou" (Gênesis 27,27). Sim, um campo cheio de flores, pois é de Sua plenitude que recebemos tudo o que temos. Mas a Esposa, ao se agradar dEle, vem colher em sua simplicidade flores e frutos para adornar a morada íntima de sua consciência, para que ao chegar o seu Amado, seu pequeno leito do coração exale os perfumes mais suaves. Portanto, se nós queremos que Cristo faça repetidamente em nós Sua morada, é preciso que nossos corações estejam cheios da fiel lembrança da misericórdia e do poder cujas provas recebemos em Sua morte e em Sua ressureição. É o pensamento de Davi, quando disse: "Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus. A ti também, Senhor, pertence a misericórdia". (Salmos 62,11-12) Jesus Cristo provou superabundantemente, pois após morrer por nós por nossos pecados, Ele ressuscitou para nos justificar, subiu aos céus para nos proteger, e nos envia o Espírito Santo para nos consolar; e, mais tarde Ele voltará para a consumação da salvação. Ora eu vejo em Sua morte a prova da Sua misericórdia, na ressureição a prova do Seu poder, e em todo o restante eu as encontro, as duas, reunidas. 

Se a Esposa pede que a suportemos com flores aromáticas e que a fortaleçamos com frutos cheirosos, eu acho que é porque ela sente que o amor pode perder calor e força; mas ela só terá estímulos até ser introduzida no quarto de Seu amado, sentindo-se coberta de beijos há muito desejados e possa exclamar: "A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace" (Cânticos 2,6). Mas então ela sentirá e verá por si mesma o quanto estas provas de amor que Seu amado lhe dava da mão esquerda, para assim dizer, pois Ele as dava sem contar nos dias em que estava entre nós, cedem em doçura aos abraços da sua mão direita e os são inferiores, e ela entenderá as Suas palavras. "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveitará" (João 6,63), e ela penetrará no sentido destas palavras: "Meu espírito é mais doce que o mel e minha herança mais agradável que o mel nas prateleiras". Se em seguida dissermos: "A memória de meu nome passará de séculos em séculos" é para mostrar que os eleitos que ainda têm sede da presença do Esposo, têm ao menos a lembrança dEle para se consolarem, enquanto durar este século, durante o qual as gerações passam e se sucedem. Se está escrito: "Proferirão abundantemente a memória da tua grande bondade" (Salmos 145,7), certamente ouve-se daqueles cujo o salmista disse anteriormente: "Uma geração louvará as tuas obras à outra geração" (Salmos 145,4). Portanto os que vivem na terra possuem para si somente a lembrança do Esposo, e os que nos céus reinam, se alegram de Sua presença; esta última é a glória dos eleitos que já chegaram à salvação, a outra é a consolação dos que ainda estão a caminho.

Um Tratado sobre o Amor de Deus, São Bernardo de Claraval