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sábado, 4 de junho de 2022

São Pedro, Exorcista


 


2 de junho

Enquanto Pedro, Exorcista, estava detido na prisão por Arquêmio, a filha deste foi atormentada pelo demônio, o que provocou lamentações do pai, levando Pedro a lhe dizer que, caso ele acreditasse em Cristo, no mesmo instante sua filha recuperaria a saúde. Arquêmio falou: "Admira-me que seu Senhor seja capaz de libertar minha filha, se não pode libertar você, que sofre tanto por ele". Pedro respondeu: Meu Deus tem o poder de me tirar daqui, mas Ele quer, por meio de um sofrimento passageiro, fazer com que alcancemos a glória eterna". Arquêmio: "Se depois que eu duplicar a quantidade de correntes que o prendem, seu deus puder libertá-lo e curar a minha filha, acreditarei em Cristo". 

Depois de assim ter sido feito, São Pedro, vestido de branco e empunhando uma cruz apareceu a Arquêmio, que se jogou a seus pés, e sua filha ficou curada. Ele e todos de sua casa receberam o batismo, e depois libertou os prisioneiros que quisessem se tornar cristãos. Muitos aceitaram e foram batizados pelo bem-aventurado padre Marcelino. 

Ao saber disso, o prefeito ordenou que todos os prisioneiros fossem levados até ele. Arquêmio reuniu-os, beijou-lhes as mãos e disse que se algum deles desejasse o martírio, fosse sem medo, e quem não o quisesse podia se retirar são e salvo. Quando o juiz descobriu que Marcelino e Pedro haviam batizado muitas pessoas, mandou prender os dois em celas separadas. Marcelino foi colocado nu em cima de cados de vidro, em um lugar sem luz e água. Pedro foi encerrado em outra profundíssima masmorra, na qual ficou fortemente atado a um tronco. Mas um anjo do Senhor soltou Marcelino e Pedro, levou-os à casa de Arquêmio com a missão de, por sete dias, confortar o povo e depois se apresentarem ao juiz. Como este não os encontrou na prisão, mandou chamar Arquêmio e, diante de sua recusa em sacrificar, prendeu ele e sua mulher em uma cripta. Ao saberem do fato, os santos Marcelino e Pedro foram até o local e protegidos pelos cristãos ali ficaram sete dias, durante os quais São Marcelino celebrou a missa. Depois os santos disseram aos incrédulos: "Poderíamos ter libertado Arquêmio e nos esconder, mas não quisemos fazer isso". 

Mais tarde os pagãos mataram Arquêmio com a espada, enquanto sua mulher e filha eram esmagadas por pedradas. Marcelino e Pedro foram levados para a floresta negra (chamada a partir daí de floresta branca por causa de seu martírio), onde os decapitaram na época de Diocleciano, no ano do Senhor de 287. Como o carrasco, chamado Doroteu, viu anjos que levavam ao Céu as almas deles em trajes esplêndidos e ornados de pedras preciosas, também se fez cristão e morreu em paz algum tempo depois. 



Legenda Áurea, Jacopo de Varazze. p.465-6.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Santa Petronela



 31 de maio


Petronela, cuja vida foi escrita por São Marcelo, era filha do apóstolo Pedro. Ela era de beleza extraordinária e padecia de febre por vontade de seu pai. Um dia em que os discípulos estavam na casa do apóstolo, Tito perguntou-lhe: "Por que você, que cura todos os enfermos, permite que Petronela continue doente?". Pedro respondeu: 'Porque é melhor para ela". E para mostrar que não era impossível curá-la, disse-lhe: "Levante-se já, Petronela, e traga-nos algo para comer". Instantaneamente curada, ela levantou-se e serviu-os. Quando acabou, Pedro ordenou: "Petronela, volte para a cama". Ela assim o fez e imediatamente a febre voltou. Somente quando ela atingiu a perfeição no amor a Deus, ele a curou completamente. 

Apaixonado pela beleza dela, o conde Flaco pediu-a por esposa, ao que ela respondeu: "Se me deseja como esposa, mande umas virgens virem me acompanhar até a sua casa". Enquanto ele providenciava isso, Petronela consagrou-se ao jejum e à prece, recebeu o corpo do Senhor, deitou-se, e três dias depois migrou para o Senhor. Vendo-se enganado, Flaco procurou uma amiga de Petronela, Felícula, e intimou-a a se casar com ele ou imolar aos ídolos. 

Como recusou ambas as propostas, o prefeito mandou-a para a prisão, onde ela ficou sem comer e beber durante sete dias. Depois mandou torturá-la no potro¹, matá-la e jogar o corpo numa cloaca. Mas São Nicodemo à sua presença, e diante da recusa dele em sacrificar, surrou-o até a morte com chicotes de pontas de chumbo. Seu corpo foi jogado no Tibre, mas um clérigo chamado Justo tirou-o dali e sepultou-o de forma honrosa. 


¹ Conforme nota I do capítulo 25. 

Autor da pintura: Giovan Francesco Barbieri detto il Guercino

Legenda Áurea - Jacopo de Varazze 

Santo Urbano (Papa)


 25 de maio 

Urbano vem de "urbanidade", ou então de ur, "luz" ou "fogo", e de banal, "resposta". Foi "luz" pela honestidade de sua conduta, "fogo" por sua ardente caridade, "resposta" por sua doutrina. Foi "luz" porque esta é agradável à vista, imaterial na essência, celeste na origem, utilíssima no uso. Esse santo também foi amável na conversa, imaterial no desprezo pelo mundo, celeste na contemplação, útil na pregação. 

Urbano sucedeu ao papa Calisto em um período de enorme perseguição aos cristãos, quando se tornou imperador Alexandre, cuja mãe, Amaéia, havia sido convertida ao cristianismo por Orígenes. As súplicas maternas conseguiram que seu filho interrompesse a perseguição aos cristãos. Contudo Almáquio, o prefeito da cidade que mandara decapitar a bem-aventurada Cecília, continuou cruelmente a ameaçá-los. Ele encarregou um de seus oficiais, Carpásio, de diligentemente buscar Santo Urbano, encontrado por fim em uma gruta com três padres e três diáconos, e todos foram encarcerados. Almáquio acusou Urbano de ter, junto com a sacrílega Cecília e os ilustres Tibúrcio e Valeriano, convertido 5 mil homens. Ele também exigiu os tesouros de Cecília¹.

Urbano replicou: "Vejo que é mais a cupidez do que a veneração aos deuses que o leva a perseguir os santos. O tesouro de Cecília subiu ao Céu pela mão dos pobres". Enquanto ele e seus companheiros eram açoitados com chicotes de pontas de chumbo, Santo Urbano pôs-se a invocar o nome do Senhor, chamando-o de Elyon², o que levou o prefeito a comentar, sorrindo: "Esse velho quer se passar por sábio falando palavras desconhecidas". 

Como os torturadores não conseguiam superá-los, foram levados de volta à prisão, onde Santo Urbano batizou três tribunos que foram vê-lo, assim como o carcereiro Anolino. Ao ser informado de que este último tinha se tornado cristão, o prefeito mandou-o realizar sacrifícios e, diante da recusa, decapitou-o. Quando a Santo Urbano e seus companheiros, foram levados diante de um ídolo e forçados a lhe ofertar incenso. Mas Urbano fez uma oração e o ídolo caiu, matando 22 sacerdotes encarregados de manter aceso o fogo de seu culto. Os cristãos foram duramente torturados e a seguir forçados a sacrificar, mas escarraram no ídolo, fizeram na testa o sinal-da-cruz e, depois de terem dado beijos da paz uns nos outros, receberam a coroa do martírio. Foram decapitados sob o governo de Alexandre, por volta do ano do Senhor de 220. 

Imediatamente Carpásio foi possuído pelo demônio, blasfemou contra seus deuses e, contra a vontade, fez um grande elogio dos cristãos antes de ser sufocado pelo demônio. Ao ver isso, sua mulher, Armênia, a filha Lucina e toda a família receberam o batismo das mãos do santo padre Fortunato, e depois sepultaram honrosamente os santos corpos. 

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1. Conforme o capítulo 163. 

2. A Vulgata traduz por "excelso": Salmos 46,3; 82,19; 96,9. Conforme Isidoro de Sevilha (Etimologias, VII, I, 9, ed. W. M. Lindsay, trad. J. Oroz Reta e M. A. Marcos Casquero, Madri, BAC, 1982, vol. I, pp. 624-7), este era o quinto nome que os hebreus davam a Deus. 


Legenda Áurea - Jacopo de Varazze