domingo, 10 de dezembro de 2023

Nossa Senhora de Nazaré

 Portugal

(Festa a 14 de setembro)

No Brasil, 8 de outubro.






Um dos santuários mais antigos de Portugal é o de Nossa Senhora de Nazaré, cuja origem é contada, pelas crônicas antigas, da maneira seguinte:

No ano de 1150, o primeiro rei de Portugal, Afonso I, tinha entre os seus vassalos um cavaleiro ainda jovem, mas cheio de coragem e virtude, chamado Fuas de Roupin, que era muito amigo da caça. 

No dia  da Exaltação da Santa Cruz, esse cavaleiro perseguia a toda a brida um veado. A região estava coberta de densa neblina, e ele não distinguia aonde iria parar. De repente, viu-se no alto de um rochedo, à beira mar, e, se o cavalo não tivesse estacado ali, ele se teria precipitado nas ondas espumantes. Cheio de horror considerou o perigo supremo em que se achava, e com toda a alma agradeceu a Deus a sua salvação.

Entretanto, ainda não estava livre do perigo, pois não podia ir nem para diante nem para trás. Enquanto olhava em redor para descobrir uma saída, viu de repente, numa pequena caverna, uma imagem de Nossa Senhora. Lançou-se de joelhos e tomou-a nas mãos, e, venerando-a com grande devoção, percebeu um papel que estava preso na imagem, e leu com grande pasmo que a imagem era muito antiga e já venerada em Nazaré nos primeiros tempos do cristianismo. Dizia o documento que, quando os imperadores de Constantinopla perseguiram o culto das imagens e mandaram destruí-las em todo o Império, um monge levou-a para um convento da Espanha, nas vizinhanças de Mérida, onde foi muito venerada por causa dos seus muitos milagres.

Em 714 os sarracenos invadiram a Espanha, e, fugindo deles, o rei Roderico escondeu-se naquele convento; mas, tendo de retirar-se dali, com um monge chamado Romano, levou a referida imagem e algumas relíquias e escondeu-as numa gruta daquele rochedo. 

Lendo tudo isto, o cavaleiro implorou, com grande confiança, a Nossa Senhora representada naquela imagem, que o livrasse de tão perigosa situação. Em seguida montou seu cavalo, e, esperando-o, o animal deu um grande salto, conseguindo alcançar um ponto de onde pôde descer do rochedo sem maior dificuldade.

Para agradecer tão grande graça, o cavaleiro mandou construir uma capela no lugar onde Nossa Senhora o tinha socorrido de maneira tão prodigiosa.






Em 1377, Fernando, filho do rei João II, mandou construir no lugar da capela uma belíssima igreja, que foi ricamente dotada por ele e por outros membros da família real.

Assim avistam até hoje os navegantes, de muito longe, a magnífica igreja situada no alto rochedo junto da praia, e os habitantes dos arredores e de todo o país vêm de devotas peregrinações implorar da Virgem Santíssima a proteção e prestar-lhe suas homenagens.





(Notícia extraída do "Almanaque ilustrado das Famílias católicas brasileiras".)

Eis a origem de mais um título de Nossa Senhora: por ter sido venerada em Nazaré, segundo rezava o documento preso na imagem encontrada por Fuas de Roupin, chamaram-na - Nossa Senhora de Nazaré.


Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, editora Lar Católico, 1960, 2ª edição.

Fonte das imagens:

https://anastpaul.com/2021/09/14/feast-of-the-exaltation-of-the-holy-cross-nossa-senhora-de-nazare-our-lady-of-nazareth-portugal-1182-and-memorials-of-the-saints-14-september/

 https://www.travel-in-portugal.com/attractions/ermida-da-memoria.htm

https://www.feriasemportugal.com/santuario-de-nossa-senhora-da-nazare


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Nossa Senhora da Enfermaria



 

 Portugal

D. Afonso Henriques, para em tudo ser grande, também o foi no culto à Santíssima Virgem, por isso sempre levava consigo uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, que é certamente a que colocou numa ermida extra-muros de Lisboa, quando foi tomar esta cidade aos sarracenos. Para essa capela, diz uma bula do Santo Padre Pio IV, eram levados os portugueses feridos, para serem pensados, e os mortos, para serem sepultados. 

Por tal motivo, D. Afonso e seus bons guerreiros começaram a invocar a mencionada imagem com título de  - Nossa Senhora da Enfermaria, atribuindo-lhe a grande vitória que alcançaram contra os mouros.

Ainda hoje existe, na Igreja de São Vicente de Fora, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Enfermaria, em memória da que foi venerada por D. Afonso Henriques.

(Esta notícia foi copiada do livro "O Culto de Maria no Patriarcado", do Revmo. Cônego Antônio José Moita.)


Fonte: Maria e seus gloriosos títulos, Edésia Aducci, Ed. Lar Católico - 2ª Edição, 1960.

domingo, 19 de novembro de 2023

1º Mandamento da Igreja: Ouvir Missa inteira nos domingos e dias santos.




1. Sendo a Igreja uma sociedade perfeita, recebeu do seu divino fundador Jesus Cristo o poder de fazer leis.

2. Todos os cristãos estão obrigados a obedecer à Igreja, porque Jesus Cristo declarou que desobedecer à Igreja é desobedecer a Ele mesmo.

3. A Igreja nos impõe mandamentos para nos dirigir na observância dos mandamentos de Deus, e tornar-nos mais fácil a prática do Evangelho.

4. Os principais mandamentos da Igreja são cinco:

1º Ouvir missa inteira nos domingos e dias santos.

2º Confessar ao menos uma vez por ano.

3º Comungar pela Páscoa da Ressurreição.

4º Jejuar na Quaresma, nas quatro temporas e nas vigílias de algumas festas.**

** Hoje este mandamento é: Jejuar na Quarta-feira de cinzas e Sexta-feira da Paixão.

5º Não comer carne nas sextas feiras e nos sábados.**

** Embora o mandamento de abstinência de carne nas sextas-feiras ainda vigore, hoje o quinto mandamento da Igreja é: Pagar o dízimo segundo o costume.

5. Disse que eram cinco os mandamentos principais da Igreja, porque há outros que não são gerais para todos os fiéis, ou que se acham suprimidos ou comutados, tal é o de pagar dízimos e primícias. Não se achando hoje em vigor este preceito, devemos em consciência pagar o que a lei nos prescreve para a manutenção do culto e sustentação dos ministros do altar. 

6. Cumpre-se este mandamento assistindo ao santo sacríficio da missa com modéstia de corpo, com atenção do espírito e com devoção do coração.

7. Deseja a Igreja que os fiéis assistem a missa paroquial ou conventual, 1º porque os membros da frequesia unem-se todos para orarem juntos com o pároco; 2º porque participam mais abundantemente daquele sacrifício que por eles principalmente se oferece; 3º porque ouvem as máximas do Evangelho, que os párocos devem explicar à estação desta missa; 4º porque ficam sabendo as ordens particulares da Igreja que à essa missa se publicam, assim como as pastorais e circulares dos prelados, diocesanos.

8. A Igreja nos manda ouvir missa nos domingos e dias santos, porque, com ouvir missa, se exercita o ato mais excelso da nossa santa Religião, sendo a missa o sacrifício do corpo e sangue de Jesus Cristo oferecido sobre nossos altares debaixo das espécies do pão e vinho, em memória do sacrifício da cruz que nela se renova e continua. O sacrifício da missa difere porém do sacrifício da cruz somente em que na cruz o sacrifício foi cruento isto é, derramando sangue, e na missa não porque é incruento; na cruz morreu Jesus Cristo realmente, e na missa somente misticamente.

9. A vítima do sacrifício da missa é o mesmo Jesus Cristo que foi a vítima da cruz; o sacerdote principal é Jesus Cristo, o mesmo que também foi o sacerdote no sacrifício da cruz. O padre que diz a missa é também em certo modo o sacerdote, mas é porque fala em nome de Jesus Cristo e fazendo a sua figura. 

10. Jesus Cristo, na missa, está realmente no altar, desde a consagração até a comunhão, como vítima e como sacerdote, oferecendo aquele sacrifício pela sua Igreja, e pedindo pelos que ouvem aquela missa, oferecendo ao Pai toda a sua vida, morte e merecimentos. 

11. Além dos domingos, os dias de festas de obrigação são atualmente em todo o Portugal, os dias: do Natal, Ano Bom (Santa Maria, Mãe de Deus), dos Reis, da Ascenção, do Corpo de Deus, do Coração de Jesus, desde o meio dia da quinta-feira santa até ao meio dia da sexta-feira: os dias da Purificação, Anunciação, Assunção e Imaculada Conceição de Nossa Senhora; os dias de São João Batista, São Pedro e São Paulo e de Todos os Santos. 

12. Há outros dias da guarda para outras partes do reino, como o dia de São Vicente no Patriarcado e no Algarve, é o dia de Santo Antônio no Patriarcado. 


Explicação da gravura 

13. Representa a gravura o sacrifício da missa, as festas principais do ano, a devoção particular aos dias da semana. 


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

10º Mandamento de Deus: Não cobiçar as coisas alheias.

 



1. Neste mandamento proíbe-nos Deus o desejar os bens do próximo com dano dele mesmo.
2. A concupiscência da riqueza e dos bens da fortuna causa-nos dano, fazendo crer honesto e bom, ainda que não o seja, tudo aquilo que desejamos.
3. Os que mais pecam contra este mandamento são: 1º os jogadores que esperam ganhar no jogo; 2º os mercadores que desejam a carestia para vender por mais alto preço; 3º os letrados que desejam muitas demandas para ganharem com elas.
4. Este mandamento nos ordena: 1º o desepago dos bens do mundo; 2º a lembrança dos necessitados; 3º a paciência na pobreza; 4º a perfeita submissão à vontade de Deus.
5. Assim fala  Nosso Senhor a esse respeito no Evangelho: Havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho fino e que todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um pobre mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à sua porta, e que desejava fartar-se das migalhas que caiam da mesa do rico, mas ninguém lhes dava, e os cães vinham lamber-lhes as ulceras. Ora sucedeu morrer este mendigo que foi levado pelos Anjos ao seio de Abraão e morreu também o rico e foi sepultado no inferno. E quando ele estava nos tormentos, levantando os seus olhos, viu ao longe a Abraão e a Lázaro no seu seio, e gritando disse: Pai Abraão, compadece-te de mim e manda cá a Lázaro, para que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou atormentado nesta chama. E Abraão respondeu-lhe: Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em tua vida e que Lázaro não teve senão males; por isso está ele agora consolado e tu em tormentos, e de mais que entre vós e nós está firmado um grande abismo, de maneira que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para cá. E disse o rico: Pois eu te rogo, Pai, que o mandes à casa do meu pai, pois que tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, não suceda virem também eles parar neste lugar de tormentos. E Abraão disse-lhe: Eles lá têm à Moisés e aos profetas; ouçam-os. Disse pois o rico: Não, pai Abraão, mas se for a eles algum dos mortos, hão de fazer penitência. Porém Abraão lhe respondeu: Se eles não dão ouvindo a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir ainda quando haja de ressuscitar algum dos mortos. (Lc 16, 19-31).
Disse-lhe Jesus a seus discípulos: Portanto vos digo: não andeis solícitos para a vossa vida, com que a sustentareis, nem para o corpo com que o vestireis. A vida vale mais do que o sustento, e o corpo mais do que o vestido. Olhai para os corvos que não semeiam, nem colhem, nem tem dispensa, nem celeiro e Deus contudo os sustenta. Quanto mais consideráveis sois vós! Mas qual de vós, por mais voltas que dê ao entendimento, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Se vós pois não podeis as coisas que são mínimas, porque estais em cuidado sobre as outras? Olhai como crescem as açucenas; elas não trabalham, nem fiam, e contudo eu vos afirmo que nem Salomão em toda a sua glória se vestia como uma delas. Se pois o feno, que hoje está no campo, e amanhã se lança no forno, Deus o veste assim, quanto mais à vós, homens de pouquíssima fé? Vós pois, não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber e não andeis com o espírito suspenso, porque as gentes do mundo são os que buscam todas estas coisas, e vosso Pai bem sabe que precisais disso. Buscai logo primeiro o reino de Deus a sua justiça, e em cima dar-se-vos-hão todas estas coisas como acessórias. (Lc 12, 22-31).


Explicação da gravura

1º Castigo de Heliodoro, que tentava roubar o tesouro templo de Jerusalém. 2º O rei Acab querendo obrigar Naboth a ceder-lhe a sua vinha. 3º Santo Eloy que, com o ouro que lhe dera o rei, fez dois tronos em vez de um.


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.