sábado, 9 de outubro de 2021

4º Mandamento de Deus: Honrar pai e mãe.

 



1. A palavra honrar significa ter sentimento obsequiosos e de alta estima para com alguém.

2. O pai e a mãe honram-se com o amor, com o respeito, com a obediência e com a assistência.

3. Devemos amar pai e mãe, porque a eles, depois de Deus, devemos a existência e a vida, e porque têm toda a sorte de cuidados para conosco. 

4. Honrar pai e mãe com o amor quer dizer que os filhos, com ato interno de benevolência, devem amar a seus pais, os quais nada desejam tanto como serem amados de seus filhos.

5. Honrar os pais com o respeito significa que os filhos devem mostrar em toda a ocasião obsequio e reverência tanto em obrar como em palavras para com seus pais. Respeitar os pais é respeitar a Deus que eles representam.

6. Honrar os pais com a obediência significa que os filhos devem obedecer sempre aos pais em tudo aquilo que não é pecado. Se os pais mandassem alguma coisa contra a lei de Deus ou da Igreja, os filhos não devem obedecer-lhes, porque devemos obedecer antes a Deus do que aos homens.

São Paulo frequentemente recomenda aos filhos a obediência dizendo: Filho, obedecei aos vossos pais, porque isso é justo. E ainda: Filho, obedecei em tudo aos vossos pais, porque isso é agradável a Deus.

7. Honrar os pais com a assistência quer dizer que os filhos devem socorrer aos pais em suas necessidades e doenças, dando-lhes o sustento e o vestuário segundo as suas posses.

8. Honramos também os nossos pais quando imitamos as suas virtudes; com efeito, a maior prova de estima que se pode dar a alguém é querer parecer-se com ele no bem e na virtude.

9. Cumprir todos os nossos deveres para com os pais é uma obrigação de todos os dias, mas principalmente nas doenças graves e perigosas.

Então devemos fazer todas as diligências para que não lhes faltem socorros temporais e espirituais, especialmente a visita do Pároco, para que eles possam receber os sacramentos da Penitência, da Eucaristia e da Extrema-Unção, que todos os cristãos devem receber em perigo de vida.

10. Os deveres dos filhos para com os pais não cessam com a morte destes; devem ainda honrar sua memória, falando bem deles, pagando suas dívidas se as deixaram, encomendando sua alma a Deus e executando fielmente sua última vontade.

11. Aos filhos que honram os seus pais como o manda Deus está prometida uma vida larga e feliz neste mundo e a vida eterna no céu.

12. O quarto mandamento proíbe aos filhos serem ingratos e ímpios para com seus pais e afligi-los por qualquer modo.

A maldição de Deus nesta vida e a reprovação eterna na outra espera aos filhos ingratos. 

13. O mais perfeito modelo de obediência que os filhos devem imitar é o Menino Jesus, que foi submisso e obediente a Maria e a José, quando com eles vivia em Nazaré.


Explicação da gravura


14. Divide-se a gravura em três partes. A de cima representa o Menino Jesus ajudando a sua Mãe Santíssima nos trabalhos de casa e de São José no ofício de carpinteiro.

15. Na parte inferior esquerda está representado o Jovem Tobias em presença do arcanjo Rafael curando milagrosamente o seu pai cego, ungindo-lhe os olhos com o fel de peixe que tinha trazido da sua viagem. 

16. Na parte inferior direita vê-se a Nosso Senhor Jesus Cristo assistindo a São José nos últimos momentos da sua vida e abraçando-o com respeito e amor.


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

3º Mandamento de Deus (continuação): Guardar domingos e festas



 1. As obras liberais, nas quais o espírito toma mais parte que o corpo, como escrever, ler, ensinar, desenhar, estudar, tocar instrumentos de música, etc., etc., são permitidas nos domingos. 

2. São também permitidas as obras que se chamam comuns, como varrer, caçar, pescar, etc.

3. A profanação do domingo é muito nociva à sociedade, e muitas vezes Deus a pune nesta vida com terríveis castigos.

4. O descanso do domingo é muito útil ao nosso corpo, porque assim reparam-se as forças, conserva-se a saúde e prolonga-se a vida.

5. Na lei antiga, a profanação do sábado era castigada com a morte. Por isso, os Fariseus e os Escribas, que buscavam sempre a ocasião de por Jesus em contradição com a lei de Moisés, acusavam-no de violar a lei do sábado, porque fazia milagres nesse dia curando os enfermos. Eis aqui o que nos narram os evangelistas a esse respeito: Num dia de sábado, ia Jesus caminhando, e seus discípulos, que tinham fome, começaram a colher espigas e a comer delas. E vendo isto os Fariseus, lhe disseram: Estão fazendo os teus discípulos o que não é permitido fazer nos sábados. Porém ele lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi quando ele teve fome e os que com ele estavam, como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição, os quais não era lícito comer nem a ele, nem aos que com ele estavam, mas unicamente aos sacerdotes? Ou não tendes lido na lei que os sacerdotes nos sábados, no templo, quebrantam o sábado e ficam sem pecado? Pois digo-vos que aqui está o que é maior que o templo. E se vós soubesseis o que é: misericórdia quero e não sacrifício, jamais condenareis aos inocentes. E porque o Filho do Homem é senhor até do sábado mesmo. E depois de partir dali veio à sinagoga deles, e aparece um homem que tinha paralisada uma das mãos, e eles, para terem do que o arguir, lhe fizeram esta pergunta: será  por ventura lícito curar aos sábados? E ele lhes disse: Que homem haverá por acaso entre vós, que tenha uma ovelha, e se esta lhe cair  no sábado em uma cova não lhe lance a mão para dali a tirar? Ora, quanto mais excelente é um homem do que uma ovelha. Logo é lícito fazer bem nos dias de sábado. Então disse para o homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu e lhe foi restituída sã como a outra. Mas os Fariseus saindo dali consultavam contra ele, como o fariam morrer. (Mt 12, 1-14).

Lemos no evangelho de São Lucas: Jesus estava ensinado na sinagoga dos Judeus nos sábados, e eis que veio ali uma mulher, que estava possessa dum espírito imundo que a tinha doente havia dezoito anos, e andava ela encurvada, e não podia absolutamente olhar para cima. Vendo-a Jesus, chamou-a a si e disse-lhe: Mulher, estás livre do teu mal. E pôs sobre ela as mãos, e no mesmo instante ficou direita e glorificava a Deus. Mas entrando a falar o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus fazia curas em dia de sábado, disse para o povo: Seis dias estão destinados para trabalhar: vinde pois nestes dias a ser curados, e não em dia de sábado. Mas o Senhor respondendo lhe disse: Hipócritas, não desprende cada um de vós nos sábados o seu boi, ou o seu jumento, e não os tira da estrebaria para o levar a beber? Por que razão se não devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão que Satanás tinha assim presa do modo que vedes havia dezoito anos? E dizendo ele estas palavras, se envergonhavam todos os seus adversários. (Lc 12, 10-17).


Explicação da gravura

6. A lei antiga mandava lapidar os profanadores do sábado. Vê-se na parte superior o suplício de um homem que tinha apanhado lenha no sábado.

7. Na parte inferior esquerda está representado o Senhor com os seus discípulos que, tendo fome, colhem espigas e as comem.

8. Na parte inferior direita vê-se a cura, feita num sábado, do homem que tinha a mão ressequida.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

3º Mandamento de Deus: Guardar domingos e festas




1. Neste mandamento Deus nos ordena não trabalhar em obras servis no domingo, e prestar nesse dia especial culto a Deus. 

2. Por obras servis entendemos os trabalhos corporais próprios de servos, oficiais e jornaleiros. 

3. Porém são permitidas ao domingo: 1º aquelas obras que são necessárias à vida humana; 2º as que são consagradas ao serviço de Deus; 3º as que se fazem por necessidade grave, com licença dos superiores eclesiásticos, podendo ser.

4. Para guardar os domingos não basta não trabalhar, porque o proibir-nos Deus o trabalhar é para podermos empregar-nos no seu serviço.

5. Devemos santificar os domingos e festas ouvindo missa inteira, como o manda a Santa Madre Igreja. Posto que a Igreja não nos obrigue a outra coisa, contudo ensina-nos  e recomenda-nos que nos exercitemos em obras de religião e de piedade. 

6. Essas obras são visitar igrejas, ouvir os sermões, principalmente sendo do pároco, assistir às catequeses, e praticar para com o próximo as obras de misericórdia.

7. A palavra domingo significa Dia do Senhor ou consagrado ao Senhor, porque o devemos empregar em dar honra a Deus e a servi-lo.

8. Na lei antiga, o dia consagrado ao Senhor era o sábado, palavra que significa dia de descanso, porque neste dia Deus descansou, tendo nos outros seis criado as criaturas que compõem este universo.

9. Não guardamos nós o sábado, mas sim o domingo, pela autoridade dos Apóstolos que assim o mandaram, e fizeram isso em memória da Ressureição do Senhor que foi ao domingo, e da vinda do Espírito Santo que foi também ao domingo. Neste dia se nos representa pois a Santíssima Trindade em três mistérios: o Pai, na criação; o Filho, na Redenção; o Espírito Santo, na santificação.

10. Além do domingo, estabelecem a Igreja outros dias de festa ou dias santificados, 1º para solenizar alguns mistérios da nossa Redenção que não estão ligados ao domingo, como o dia do Natal, a Ascenção do Senhor, etc., etc., 2º para louvarmos a bondade e poder de Deus, na vitória dos santos; 3º para lhes tributarmos as verdadeiras honras e louvores; 4º para nos exercitarmos a imitar as suas virtudes.

11. Peca-se contra o terceiro mandamento: 1º trabalhando tempo considerável sem grande necessidade; 2º faltando à missa sem causa; 3º passando todo o dia em danças, jogos e divertimentos profanos, ou em uma total ociosidade.

12. Quem trabalha ao domingo por necessidade grave ou por fazer certas obras de caridade, não tem por isso licença de faltar à missa.

13. Não é proibido recrear-se no domingo, com tanto que seja de um modo honesto e moderado; mas devem evitar-se com muito cuidado aqueles divertimentos desonestos e perigosos que são, principalmente para a mocidade, origem de grandes males e pecados.

14. Os que obrigam a trabalhar aos domingos pecam como se eles mesmos trabalhassem, e além disso ficam responsáveis pelo pecado que se comete.

15. Pecam mortalmente os pais ou amos que proíbem aos filhos, criados ou operários a santificação do domingo, ou põem obstáculos a essa santificação.


Explicação da gravura

16. Vê-se nesta gravura o contraste frisante entre os que santificam o domingo e aqueles que o profanam. Os primeiros, deixando os seus trabalhos, dirigem-se ao templo para ouvir a santa Missa. Os segundos passam o dia nas tavernas, escarnecendo os que se dirigem à Igreja. Vê-se na parte inferior uma oficina onde os operários trabalham, desprezando assim o preceito de Deus e dando escândalo ao próximo.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Trecho 8 - Tratado da Conformidade com a Vontade de Deus

 








Quão loucos são aqueles que desejam a saúde, não só para não sofrerem, mas para mais poderem servir a Deus, observando as regras, assistindo em comunidade, indo à igreja, recebendo a Sagrada Comunhão, fazendo penitências, trabalhando, ouvindo confissões e pregando! Mas, pergunto eu, porque desejais vós fazer essas coisas?

Para agradar a Deus? Para que procurais vós agradar-Lhe nessas coisas, quando conheceis que lhe não é agradável a prática de vossas ordinárias devoções, comunhões, penitências, estudos ou sermões; mas sim que suporteis com paciência as dores e enfermidades que Ele foi servido mandar-vos? Uni, pois, vossos padecimentos aos de Jesus Cristo. "Porém, é-me penoso ser inútil e pesado à comunidade". Conformai-vos com a vontade de Deus, e persuadi-vos que vossos superiores estão resignados a ela, vendo que servis de peso à comunidade, é pela vontade de Deus, e não por preguiça vossa. Vossos desejos e mortificações não procedem do amor de Deus, mas sim do amor próprio, que procura pretextos para se desviar da vontade divina. Se desejarmos agradar a Deus, quando nos acharmos doentes e de cama, basta repetir estas palavras: "Senhor, seja feita a vossa vontade", por cujas palavras agradaremos mais a Deus que por todas as devoções e mortificações que nos seja possível oferecer. Não há melhor caminho no serviço de Deus do que aquele que nos conduza a abraçar a Sua vontade com alegria. O venerável Padre Ávila (Epist. 2) escreveu a um sacerdote que estava enfermo: "Amigo, não vos inquieteis com o bem que poderíeis fazer, se estivésseis bom, mas contentai-vos de continuar doente todo o tempo que Deus quiser. Se procurais a vontade de Deus, indiferente vos deve ser o estar mal ou bem de saúde". E certamente assim o podia dizer, porque as nossas obras não glorificam a Deus, mas sim a nossa resignação e conformidade à Sua santíssima vontade. 

Daqui diz também São Francisco de Sales, que Deus é mais bem servido por nossos padecimentos do que por nossas fadigas.

Em muitas ocasiões os médicos ou remédios faltam, ou o médico não percebe a moléstia. Em tal caso devemos unir-nos à vontade divina, que tudo isto dispõe para nosso maior bem. Conta-se de um devoto de São Tomás de Cantuária (L. 5. O. 1.) que estando doente fora à sepultura do santo para recuperar a saúde. Melhorou, pois, e voltou ao seu país; porém, pensou, então, consigo mesmo: "Se a minha enfermidade fosse vantajosa para a minha salvação, que uso poderei fazer da saúde?". Neste pensamento, voltou ao sepulcro do santo, e lhe suplicou que rogasse a Deus para que lhe concedesse o que melhor contribuísse para a sua salvação; depois do que, recaiu com a mesma doença, e ficou perfeitamente satisfeito, persuadindo-se que Deus o aflingia para seu maior bem. Súrio relata o mesmo de um cego, que tinha recobrado a vista pela intercessão de São Vedasto, bispo; mas que depois pediu que se a vista não lhe era proveitosa à alma, queria tornar a ser cego, como antes. Portanto, ou estejamos enfermos ou sãos, não devemos pedir nem a saúde nem a moléstia, porém entregarmo-nos inteiramente à divina vontade de Deus, que é quem dispõe de nós como lhe apraz. Mas, se pedir-mos a saúde, seja ao menos pedida com resignação e expressa condição de que a saúde do corpo não seja prejudicial à salvação da alma, de outro modo nossa súplica seria defeituosa, e não seria ouvida, porque Deus só ouve aquelas súplicas que são acompanhadas de resignação.



Santo Afonso Mª de Ligório - Ed. Biblioteca Católica