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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Do juízo universal


 

Cognoscetur Dominus judicia faciens. 

Conhecido será o Senhor, que faz justiça (Sl 9,17). 


PONTO I

Não há nada neste mundo, quando bem se considera, pessoa mais desprezada que Nosso Senhor Jesus Cristo. Respeita-se mais a um aldeão do que o próprio Deus; porque se teme que esse aldeão, vendo-se injuriado e oprimido, se vingue, movido por violenta cólera. Mas a Deus se ofende e se ultraja sem receio, como se não pudesse castigar quando quisesse (Jó 22,17). 

Por isso, o Redentor destinou o dia do juízo universal (chamado com razão, na Escritura, o dia do Senhor), no qual Jesus Cristo se fará reconhecer por todos como universal e soberano Senhor de todas as coisas (Sl 9,17). Esse dia não se chama dia de misericórdia e perdão, mas "dia da ira, da tribulação e da angústia, dia de miséria e calamidade" (Sf 1,15). Nele o Senhor se ressarcirá justamente da honra e da glória que os pecadores quiseram arrebatar-lhe neste mundo. Vejamos como há de suceder o juízo neste grande dia. 

A vinda do divino Juiz será precedida de maravilhoso fogo do céu (Sl 96,3), que abrasará a terra e tudo quanto nela exista (2Pd 3,10). 

Palácios, templos, cidades, povos e reinos, tudo se reduzirá a um montão de cinzas. É mister purificar pelo fogo esta grande casa, contaminada de pecados. Tal é o fim que terão todas as riquezas, pompas e delícias da terra. Mortos os homens, soará a trombeta e todos ressuscitarão (1Cor 15,52). Dizia São Jerônimo: "Quando considero o dia do juízo, estremeço. Parece-me ouvir a terrível trombeta que chama: Levantai-vos, mortos, e vinde ao juízo". Ao clamor pavoroso dessa voz descerão do céu as almas gloriosas dos bem-aventurados para se unirem a seus corpos, com que serviram a Deus neste mundo. As almas infelizes dos condenados sairão do inferno e se unirão a seus corpos malditos, que foram instrumentos para ofender a Deus. 

Que diferença haverá então entre os corpos dos justos e os dos condenados! Os justos aparecerão formosos, cândidos, mais replandecentes que o sol (Mt 13,43). Feliz aquele que nesta vida soube mortificar sua carne, recusando-lhe os prazeres proibidos, ou que, para melhor refreá-la, como fizeram os Santos, a macerou e lhe negou também os gozos permitidos dos sentidos!... Regozijar-se-á, então, de haver vivido assim, como se alegrou São Pedro de Alcântara, que pouco depois de sua morte apareceu a Santa Teresa de Jesus e lhe disse: "Ó feliz penitência, que tamanha glória me alcançou!" Pelo contrário, os corpos dos réprobos serão disformes, negros e hediondos. Que suplício então para o condenado ter de unir-se a seu corpo!... "Corpo maldito - dirá a alma - foi para ter contentar que me perdi!" Responder-lhe-á o corpo: "E tu, alma maldita, tu que estavas dotada da razão, por que me concedeste aqueles deleites, que, por toda a eternidade, fizeram a tua e a minha desgraça?"


AFETOS E SÚPLICAS

Meu Jesus e meu Redentor, que um dia deveis ser meu Juíz, perdoai-me antes que chegue esse dia terrível! Não apartes de mim o teu rosto (Sl 101,3). Agora sois meu Pai, e como tal recebei na vossa graça o filho que volta cheio de arrependimento a vós. Meu Pai, peço-vos perdão. Fiz mal em ofender-vos e afastar-me de vós: não merecíeis tratamento tão detestável. Eu me arrependo de tudo. Perdoai-me, pois; não aparteis de mim vosso rosto, nem me abandoneis como mereço. 

Lembrai-vos do sangue que por mim derramastes, e tende misericórdia de mim... Meu Jesus, não quero outro Juíz do que vós. Dizia São Tomás de Vilanova: "Gostosamente me submeto ao juízo daquele que morreu por mim e que, para não me condenar, quis ser ele condenado ao suplício da cruz" (Rm 8,34). Já São Paulo havia dito: "Quem é aquele que condena? Cristo Jesus que morreu por nós". Amo-vos, meu Pai, e desejo nunca mais me separar de vós. Esquecei as ofensas que vos fiz, e dai-me grande amor à vossa bondade. Desejo que este amor seja maior do que a ingratidão com que vos ofendi. Sem a vossa assistência, porém, não sou capaz de vos amar. Auxiliai-me, meu Jesus. Fazei que minha vida seja conforme ao vosso amor, a fim de que no dia derradeiro mereça ser contado no número dos vossos eleitos... 

Ó Maria, minha Rainha e minha Advogada, socorrei-me agora, porque, perdendo-me eu, já não me podereis valer naquele dia terrível! Vós, Senhora, rogai por todos. Rogai também por mim, que me prezo de ser vosso devoto e que tanta confiança tenho em vós. 


PONTO II

Assim que os mortos ressuscitarem, farão os anjos que se reúnam todos no vale de Josafá para serem julgados (Jl 3,14) e separarão ali os justos dos réprobos (Mt 13,49). Os primeiros ficarão à direita; os condenados, à esquerda... Profunda mágoa sente quem se vê separado da sociedade ou da Igreja. Quanto maior será a dor de ver-se banido da companhia dos Santos! Que confusão experimentarão os ímpios,    quando, apartados dos justos, se sentirem abandonados! Disse São João Crisóstomo que, se os condenados não tivessem que sofrer outras penas, essa confusão bastaria para dar-lhes os tormentos do inferno. 

Haverá filhos separados de seus pais; esposos, de suas esposas; amos, de seus servos... (Mt 24,40) Dize-me, meu irmão, em que lugar crês que te acharás então?.. Queres estar à direita? Abandona, portanto, o caminho que conduz à esquerda. 

Neste mundo, têm-se por felizes os príncipes e os ricaços, e se desprezam os Santos, os pobres e os humildes... Ó cristãos fiéis, que amais a Deus! Não vos aflijais por viverdes tão atribulados e vilipendiados neste mundo. "Vossa tristeza se converterá em gozo" (Jo 16,20). 

Então verdadeiramente sereis chamados bem-aventurados e tereis a honra de ser admitidos à corte de Cristo. Em que celestial formosura resplandecerá um São Pedro de Alcântara, que foi injuriado como apóstata; um São João de Deus, escarnecido como louco; um São Pedro Celestino, que, renunciando ao Pontificado, morreu num cárcere! Que glória alcançarão tantos mártires outrora à crueza dos verdugos! (1Cor 4,5). Que horrível figura, pelo contrário, fará um Herodes, um Pilatos, um Nero e outros poderosos da terra, condenados para sempre!... Ó amigos e cortejadores do mundo! Ide para o vale, naquele vale vos espero. Ali, sem dúvida, mudareis de parecer; ali, chorareis vossa loucura. Infelizes! tendes de representar um brevíssimo papel no palco deste mundo e preferis o de réprobos na tragédia do juízo universal! Os eleitos serão colocados à direita, e para maior glória - segundo afirma o Apóstolo - serão elevados aos ares, acima das nuvens, e esperarão com os anjos a Jesus Cristo, que deve descer do céu (1Ts 4,17). Os réprobos, à esquerda, como reses destinadas ao matadouro, aguardarão o Supremo Juíz, que há de tornar pública a condenação de todos os seus inimigos. 

Abrem-se, enfim, os céus e aparecem os anjos para assistir ao juízo, trazendo os sinais da Paixão de Cristo, disse São Tomás. Singularmente resplandecerá a santa Cruz. "E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todos os povos da terra chorarão" (Mt 24,30). 

"Como, à vista da cruz, - exclama Cornélio a Lápide - hão de gemer os pecadores que desprezaram  sua salvação eterna, que tanto custou ao Filho de Deus".  "Então - diz São João Crisóstomo -  os cravos se queixarão de ti; as chagas contra ti falarão; a cruz de Cristo clamará contra ti". 

Os santos Apóstolos serão assessores deste julgamento e todos aqueles que os imitaram. E com Jesus Cristo julgarão os povos. Ali também assistirá a Rainha dos Anjos e dos homens, Maria Santíssima. 

Aparecerão, enfim, o Eterno Juíz em luminoso trono de majestade. "E verão o Filho do Homem, que virá nas nuvens do céu, com grande poder e majestade (Sb 3,7-8). À sua presença chorarão os povos" (Mt 24,30). A presença de Cristo trará aos eleitos inefável consolo, e aos réprobos aflições maiores que as do próprio inferno - disse São Jerônimo. Dai-me o castigo que quiserdes; mas não me mostreis naquele dia o vosso rosto indignado. São Basílio disse: "Esta confusão excede toda a pena". Cumprir-se-ão então a profecia de São João: os condenados pedirão às montanhas que caiam sobre eles e os ocultem à vista do Juíz irritado (Ap 6,16).


AFETOS E SÚPLICAS 

Meu caríssimo Redentor, Cordeiro de Deus que viestes ao mundo, não para castigar, mas para perdoar os pecados! Perdoai-me, Senhor, antes que chegue o dia em que deveis julgar-me. Ver-nos então, Cordeiro sem mácula, que com tanta paciência me tendes aturado, e perder-vos para sempre, seria o inferno do meu inferno. Perdoai-me, pois; reitero o meu pedido. Salvai-me, por vossas mãos misericordiosas, deste abismo em que me fizeram cair os pecados. Arrependo-me, ó Sumo Bem, de vos ter ofendido tantas vezes. Amo-vos, meu Juíz, que tanto me amais. Pelos merecimentos de vossa morte, dai-me a graça que me converta de pecador em santo. Prometestes exalçar a quem vos suplica (Jó 33,3). Não vos peço bens terrenos, mas a vossa graça e o vosso amor: nada mais desejo. Ouvi-me, Jesus, pelo amor que me consagrastes ao morrer por mim na cruz. Sou réu, ó Juíz amantíssimo, mas um réu que vos ama mais que a si próprio... 

Maria, minha Mãe, tende misericórdia de mim, agora que ainda há tempo de assistir. Não me abandonastes quando me esquecera de Deus e de vós. Socorrei-me agora que estou resolvido a amar-vos e servir-vos sempre e nunca mais ofender a meu Senhor... Ó Maria, vós sois minha esperança!


PONTO III

Começará o julgamento, abrindo-se os autos do processo, isto é, as consequências de todos (Dn 7,10). Os primeiros testemunhos contra os réprobos serão do demônio, que dirá - segundo Santo Agostinho: "Justíssimo juíz, sentencia, que são meus aqueles que não quiseram ser teus". A própria consciência dos homens os acusará depois (Rm 2,15). A seguir, darão testemunho, clamando vingança, os lugares em que os pecadores ofenderam a Deus (Hb 2,11). Virá, enfim, o testemunho do próprio Juíz que esteve presente a quantas ofensas lhe fizeram (Jr 29,23). 

Disse São Paulo que naquele momento o Senhor "porá às claras o que se acha escondido nas trevas" (1Cor 4,5). Descobrirá, então, antes os olhos de todos os homens as culpas dos réprobos, até as mais secretas e vergonhas que em vida eles ocultaram aos próprios confessores (Na 3,5). Os pecados dos eleitos, no sentir do Mestre das Sentenças e de outros teólogos, não serão manifestados, mas ficarão encobertos, segundo estas palavras de Davi: "Bem-aventurados aqueles, cujas iniquidades foram perdoadas, e cujos pecados são apagados" (Sl 31,1). Pelo contrário - disse São Basílio - as culpas dos réprobos serão vistas por todos, ao primeiro relancear d'olhos, como se estivessem representadas num quadro. Exclama São Tomás, "Se no horto de Getsêmani, ao dizer Jesus: Sou eu, caíram por terra todos os soldados que vinham para o prender, que sucederá quando, sentado em seu trono de Juíz, disser aos condenados: "Aqui estou, sou aquele a quem tanto haveis desprezado!" Chegada a hora da sentença, Jesus Cristo dirá aos eleitos estas palavras, cheias de doçura: "Vinde, benditos de meu Pai, e possui o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (Mt 25,34). 

Quando São Francisco de Assis soube por revelação que era predestinado, sentiu altíssimo e inefável consolo. Que consolação não sentirão aqueles que ouvirem estas palavras do soberano Juíz: "Vinde, filhos benditos, vinde a meu reino. Já não há mais a sofrer, nem a temer. 

Comigo estais e permanecereis eternamente. Abençôo as lágrimas que sobre os vossos pecados derramastes. Entrai na glória, onde juntos permaneceremos por toda a eternidade". A Virgem Santíssima abençoará também os seus devotos e os convidará a entrar com ela no céu. E assim, os justos, entoando gozosos Aleluias, entrarão na glória celestial para possuírem, louvarem e amarem eternamente a Deus. 

Os réprobos, ao contrário, dirão a Jesus Cristo: "E nós, desgraçados, que será feito de nós?" E o Juiz Eterno dir-lhes-á: Já que desprezastes e recusastes minha graça, apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (Mt 24,34). Apartai-vos de mim, que nunca mais vos espero ver nem ouvir. Ide, ide, malditos, que desprezastes minha benção..." Mas para onde, Senhor, irão estes desgraçados?... Ao fogo do inferno, para arder ali em corpo e alma... E por quantos séculos?... Por toda eternidade, enquanto Deus for Deus. 

Depois desta sentença - diz Santo Efrém - os réprobos despedir-se-ão dos anjos, dos santos e da Santíssima Virgem, Mãe de Deus.

"Adeus, justos; adeus, cruz; adeus, glória; adeus, pais e filhos; jamais nos tornaremos a ver! Adeus, Mãe de Deus, Maria Santíssima". Nesse instante, abrir-se-á na terra um imenso abismo e nele cairão conjuntamente demônio e réprobos. Verão como atrás deles se fechará aquela porta que nunca mais se há de abrir... Nunca mais durante toda a eternidade!...

Ó maldito pecado! A que triste fim levarás um dia tanta pobres almas!... Ai! das almas infelizes às quais aguarda tão deplorável fim. 


AFETOS E SÚPLICAS

Meu Deus e meu Salvador! Que sentença me reservais no dia do juízo? Se agora me pedísseis, Senhor, contas de minha vida, que poderia eu responder senão que mereço mil vezes o inferno? Sim, meu Redentor, é verdade que mereço mil vezes o inferno, mas sabei que vos amo mais que a mim mesmo, e das ofensas que vos fiz de tal modo me arrependo, que me arrependa, que preferiria ter sofrido todos os males do que ter-vos injuriado. 

Condenais, ó meu Jesus, os pecadores obstinados, mas não a quem se arrepende e vos quer amar. Aqui estou, a vossos pés, arrependido... Dai-me a vossa palavra de perdão... Mas já me declarastes pela boca do vosso Profeta: "Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós" (Zc 1,3). Tudo abandono, renuncio a todos os gozos e bens do mundo, e converto-me, abraçando a vós, meu amantíssimo Redentor. Recebei-me no vosso Coração e inflamai-me no vosso santo amor, de modo que jamais cogite em separar-me de vós... Salvai-me, meu Jesus, e que minha salvação seja amar-vos sempre e louvar sempre vossas misericórdia (Sl 88,2).

 Maria, minha esperança, meu refúgio e minha mãe, ajudai-me e alcançai-me a santa perseverança. Ainda se não perdeu ninguém, que tenha recorrido a vós... A vós, pois, me recomendo. Tende piedade de mim. 

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Santo Afonso Mª de Ligório - Preparação para a morte

Fonte da imagem: https://br.pinterest.com/pin/175640454213367777/

 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

3º Mandamento de Deus (continuação): Guardar domingos e festas



 1. As obras liberais, nas quais o espírito toma mais parte que o corpo, como escrever, ler, ensinar, desenhar, estudar, tocar instrumentos de música, etc., etc., são permitidas nos domingos. 

2. São também permitidas as obras que se chamam comuns, como varrer, caçar, pescar, etc.

3. A profanação do domingo é muito nociva à sociedade, e muitas vezes Deus a pune nesta vida com terríveis castigos.

4. O descanso do domingo é muito útil ao nosso corpo, porque assim reparam-se as forças, conserva-se a saúde e prolonga-se a vida.

5. Na lei antiga, a profanação do sábado era castigada com a morte. Por isso, os Fariseus e os Escribas, que buscavam sempre a ocasião de por Jesus em contradição com a lei de Moisés, acusavam-no de violar a lei do sábado, porque fazia milagres nesse dia curando os enfermos. Eis aqui o que nos narram os evangelistas a esse respeito: Num dia de sábado, ia Jesus caminhando, e seus discípulos, que tinham fome, começaram a colher espigas e a comer delas. E vendo isto os Fariseus, lhe disseram: Estão fazendo os teus discípulos o que não é permitido fazer nos sábados. Porém ele lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi quando ele teve fome e os que com ele estavam, como entrou na casa de Deus e comeu os pães da proposição, os quais não era lícito comer nem a ele, nem aos que com ele estavam, mas unicamente aos sacerdotes? Ou não tendes lido na lei que os sacerdotes nos sábados, no templo, quebrantam o sábado e ficam sem pecado? Pois digo-vos que aqui está o que é maior que o templo. E se vós soubesseis o que é: misericórdia quero e não sacrifício, jamais condenareis aos inocentes. E porque o Filho do Homem é senhor até do sábado mesmo. E depois de partir dali veio à sinagoga deles, e aparece um homem que tinha paralisada uma das mãos, e eles, para terem do que o arguir, lhe fizeram esta pergunta: será  por ventura lícito curar aos sábados? E ele lhes disse: Que homem haverá por acaso entre vós, que tenha uma ovelha, e se esta lhe cair  no sábado em uma cova não lhe lance a mão para dali a tirar? Ora, quanto mais excelente é um homem do que uma ovelha. Logo é lícito fazer bem nos dias de sábado. Então disse para o homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu e lhe foi restituída sã como a outra. Mas os Fariseus saindo dali consultavam contra ele, como o fariam morrer. (Mt 12, 1-14).

Lemos no evangelho de São Lucas: Jesus estava ensinado na sinagoga dos Judeus nos sábados, e eis que veio ali uma mulher, que estava possessa dum espírito imundo que a tinha doente havia dezoito anos, e andava ela encurvada, e não podia absolutamente olhar para cima. Vendo-a Jesus, chamou-a a si e disse-lhe: Mulher, estás livre do teu mal. E pôs sobre ela as mãos, e no mesmo instante ficou direita e glorificava a Deus. Mas entrando a falar o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus fazia curas em dia de sábado, disse para o povo: Seis dias estão destinados para trabalhar: vinde pois nestes dias a ser curados, e não em dia de sábado. Mas o Senhor respondendo lhe disse: Hipócritas, não desprende cada um de vós nos sábados o seu boi, ou o seu jumento, e não os tira da estrebaria para o levar a beber? Por que razão se não devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão que Satanás tinha assim presa do modo que vedes havia dezoito anos? E dizendo ele estas palavras, se envergonhavam todos os seus adversários. (Lc 12, 10-17).


Explicação da gravura

6. A lei antiga mandava lapidar os profanadores do sábado. Vê-se na parte superior o suplício de um homem que tinha apanhado lenha no sábado.

7. Na parte inferior esquerda está representado o Senhor com os seus discípulos que, tendo fome, colhem espigas e as comem.

8. Na parte inferior direita vê-se a cura, feita num sábado, do homem que tinha a mão ressequida.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

3º Mandamento de Deus: Guardar domingos e festas




1. Neste mandamento Deus nos ordena não trabalhar em obras servis no domingo, e prestar nesse dia especial culto a Deus. 

2. Por obras servis entendemos os trabalhos corporais próprios de servos, oficiais e jornaleiros. 

3. Porém são permitidas ao domingo: 1º aquelas obras que são necessárias à vida humana; 2º as que são consagradas ao serviço de Deus; 3º as que se fazem por necessidade grave, com licença dos superiores eclesiásticos, podendo ser.

4. Para guardar os domingos não basta não trabalhar, porque o proibir-nos Deus o trabalhar é para podermos empregar-nos no seu serviço.

5. Devemos santificar os domingos e festas ouvindo missa inteira, como o manda a Santa Madre Igreja. Posto que a Igreja não nos obrigue a outra coisa, contudo ensina-nos  e recomenda-nos que nos exercitemos em obras de religião e de piedade. 

6. Essas obras são visitar igrejas, ouvir os sermões, principalmente sendo do pároco, assistir às catequeses, e praticar para com o próximo as obras de misericórdia.

7. A palavra domingo significa Dia do Senhor ou consagrado ao Senhor, porque o devemos empregar em dar honra a Deus e a servi-lo.

8. Na lei antiga, o dia consagrado ao Senhor era o sábado, palavra que significa dia de descanso, porque neste dia Deus descansou, tendo nos outros seis criado as criaturas que compõem este universo.

9. Não guardamos nós o sábado, mas sim o domingo, pela autoridade dos Apóstolos que assim o mandaram, e fizeram isso em memória da Ressureição do Senhor que foi ao domingo, e da vinda do Espírito Santo que foi também ao domingo. Neste dia se nos representa pois a Santíssima Trindade em três mistérios: o Pai, na criação; o Filho, na Redenção; o Espírito Santo, na santificação.

10. Além do domingo, estabelecem a Igreja outros dias de festa ou dias santificados, 1º para solenizar alguns mistérios da nossa Redenção que não estão ligados ao domingo, como o dia do Natal, a Ascenção do Senhor, etc., etc., 2º para louvarmos a bondade e poder de Deus, na vitória dos santos; 3º para lhes tributarmos as verdadeiras honras e louvores; 4º para nos exercitarmos a imitar as suas virtudes.

11. Peca-se contra o terceiro mandamento: 1º trabalhando tempo considerável sem grande necessidade; 2º faltando à missa sem causa; 3º passando todo o dia em danças, jogos e divertimentos profanos, ou em uma total ociosidade.

12. Quem trabalha ao domingo por necessidade grave ou por fazer certas obras de caridade, não tem por isso licença de faltar à missa.

13. Não é proibido recrear-se no domingo, com tanto que seja de um modo honesto e moderado; mas devem evitar-se com muito cuidado aqueles divertimentos desonestos e perigosos que são, principalmente para a mocidade, origem de grandes males e pecados.

14. Os que obrigam a trabalhar aos domingos pecam como se eles mesmos trabalhassem, e além disso ficam responsáveis pelo pecado que se comete.

15. Pecam mortalmente os pais ou amos que proíbem aos filhos, criados ou operários a santificação do domingo, ou põem obstáculos a essa santificação.


Explicação da gravura

16. Vê-se nesta gravura o contraste frisante entre os que santificam o domingo e aqueles que o profanam. Os primeiros, deixando os seus trabalhos, dirigem-se ao templo para ouvir a santa Missa. Os segundos passam o dia nas tavernas, escarnecendo os que se dirigem à Igreja. Vê-se na parte inferior uma oficina onde os operários trabalham, desprezando assim o preceito de Deus e dando escândalo ao próximo.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.