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domingo, 17 de dezembro de 2023

Série Tratado: § II. Esta devoção é um caminho curto

 

 Fonte: Livro Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem 



155. Esta devoção à Santíssima Virgem é um caminho curto² para encontrar Jesus Cristo, seja porque dele não nos extraviamos, seja porque, como acabo de dizer, nele marchamos com mais alegria e facilidade, e, consequentemente, com mais prontidão. Avançamos mais, em pouco tempo de submissão e depedência a Maria, do que em anos inteiros de vontade própria e contando apenas com o próprio esforço; pois o homem obediente e submisso a Maria Santíssima cantará vitórias (Pv 21,28) assinaladas sobre seus inimigos. Estes hão de querer impedi-lo de avançar, ou obrigá-lo a recuar, ou derrubá-lo;  mas, apoiado, auxiliado e guiado por Maria, ele, sem cair, sem recuar, sem mesmo se atrasar, avançará a passos de gigante em direção a Jesus Cristo, pelo mesmo caminho, que, como está escrito (Sl 18,6), Jesus trilhou para vir a nós em largos passos e em pouco tempo.

156. Por que viveu Jesus Cristo tão pouco sobre a terra, e por que esses poucos anos que aqui viveu passou-os quase todos em submissão e obediência a sua Mãe? Ah! é que, tendo vivido pouco, encheu a carreira de uma longa vida (Sb 4,13); viveu longamente e mais do que Adão, do qual veio reparar as perdas, embora este tenha vivido mais de novencentos anos; e Jesus Cristo viveu longamente, porque viveu bem submisso e bem unido a sua Mãe Santíssima, para obedecer a Deus seu Pai; pois: 1º) aquele que honra sua mãe assemelha-se a um homem que entesoura, diz o Espírito Santo, isto é, aquele que honra a Maria, sua Mãe, ao ponto de submeter-se a ela e obedecer-lhe em tudo, em breve se tornará rico, pois acumula tesouros todos os dias, pelo segredo desta pedra filosofal: "Qui honorat matrem, quasi qui thesaurizat" (Eclo 3,5); 2º) porque, conforme uma interpretação espiritual da palavra do Espírito Santo: "Senectus mea in misericordia uberi, - Minha velhice se encontra na misericórdia do seio" (Sl 91,11), é no seio de Maria, que "envolveu e gerou um homem perfeito" (cf. Jr 31,22), e que "teve a capacidade de conter aquele que o universo todo não compreende nem contém"³, é no seio de Maria que os jovens envelhecem em luz, em santidade, em experiência e em sabedoria, e onde, em poucos anos, se atinge a plenitude da idade de Jesus Cristo.

§ III. Esta devoção é um caminho perfeito.

157. Esta prática de devoção à Santíssima Virgem é um caminho perfeito para ir e unir-se a Jesus Cristo, pois Maria é a mais perfeita e a mais santa das criaturas, e Jesus Cristo, que veio perfeitamente a nós, não tomou outro caminho em sua grande e admirável viagem. O Altíssimo, o Incompreensível, o Inacessível, aquele que é, quis vir a nós, pequenos vermes da terra, que nada somos. Como se fez isto? O Altíssimo desceu perfeita e divinamente até nós por meio da humilde Maria, sem nada perder de sua divindade e santidade; e é por Maria que os pequeninos devem subir perfeita e divinamente ao Altíssimo sem recear coisa alguma. O Incompreensível deixou-se compreender e conter perfeitamente por Maria, sem nada perder de sua imensidade; é também pela pequena Maria que devemos deixar-nos conduzir e conter perfeitamente sem a menor reserva. O Inacessível aproximou-se, uniu-se estreitamente, perfeitamente e até pessoalmente à nossa humanidade por meio de Maria, sem perder uma parcela de sua majestade; é também por Maria que devemos aproximar-nos de Deus e unir-nos a sua majestade, perfeita e estreitamente, sem temor de repulsa. Aquele que é quis, enfim, vir ao que não é, e fazer que aquele que não é se torne Deus ou aquele que é. E Ele o fez perfeitamente, dando-se e submetendo-se inteiramente à Virgen Maria sem deixar de ser no tempo aquele que é na eternidade; outrossim, é por Maria que, se bem que sejamos nada, podemos tornar-nos semelhantes a Deus, pela graça e pela glória, dando-nos a ela tão perfeita e inteiramente, que nada sejamos em nós mesmos e tudo nela, sem receio de nos enganar. 

158. Ainda que me apresentem um caminho novo para ir a Jesus Cristo, e que esse caminho seja pavimentado com todos os merecimentos dos bem-aventurados, ornado de todas as suas virtudes heroicas, iluminado e decorado de todas as luzes e belezas dos anjos, e que todos os anjos e santos lá estejam para conduzir, defender e amparar aqueles e aquelas que o quiserem palmilhar; em verdade, em verdade, digo ousadamente, e digo a verdade, eu havia de preferir a este, tão perfeito, o caminho imaculado de Maria: "Possui immaculatam viam meam" (Sl 18,33), via ou caminho sem a menor nódoa ou mancha, sem pecado original ou atual, sem sombras nem trevas;  e quando meu amável Jesus vier, em sua glória, uma segunda vez à terra (como é certo) para aqui reinar, o caminho que escolherá será Maria Santíssima, o mesmo pelo qual ele veio com segurança entre a primeira e a última vinda é que a primeira foi secreta e oculta, e a segunda será gloriosa e retumbante; ambas, porém, são perfeitas, porque, como a primeira, também a segunda será por Maria. Eis um mistério que não podemos compreender: "Hic taceat omnis lingua".

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2. "Tu es via compendiosa in caelo" (SÃO BERNARDO. Laudes glor. Virginis). Cf. "Recta et tanquam compendiaria via ad Iesum per Mariam itur" (BENTO XV. Epist. ad R.P.D. Schoepfer. - AAS 1914, p. 515).

3. Cf. Gradual da Missa da Santíssima Virgem (de Pentecostes ao Advento); 1º Responso do Ofício da Santíssima Virgem. 

São Luís Maria Grignion de Montfort; Missionário Apostólico, Fundador da Congregação dos Missionários da Companhia de Maria e da Congregação das Filhas da Sabedoria. 
44° edição- Editora Vozes- Petrópolis, 2014.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Conselhos a uma Filha de Maria



1. Minha Filha, os olhos de Deus te veem.
Não faças diante d'Ele senão o bem... Faze o maior bem que puderes e faze-o tão bem que Deus, vendo-te, possa dizer: Estou satisfeito!...

2. Não te importes do que diz o mundo; mas pensa a miúdo ao que dirá Deus.

3. Reza durante a bonança...
    Reza durante a tempestade...
   Reza durante o desalento...
Tu progredirás à proporção de tua constância na oração.

4. Ocupa sempre o teu espírito em alguma coisa útil e séria; não entretenhas jamais tua imaginação em pensamentos levianos... eles são indignos de uma Filha de Maria.

5. Seja a tua virtude amável, doce e fácil em dobrar-se aos pareceres dos outros...
Tudo sofrer, e nada fazer sofrer: tal é a máxima dos Santos.

6. Atenção, cautela sobre ti mesma... Sê discreta nas tuas palavras, modesta nos teus hábitos, reservada no teu andar, refletida nos teus desígnios, humilde nos teus sucessos, forte e generosa nas provações.

7. Queres um remédio à tua inconstância, um apoio à tua fraqueza, um escudo contra o mundo e contra Satanás?... Invoca em todas as circunstâncias o Coração Imaculado de Maria, tua Mãe: e unindo-te a miúdo ao Sagrado Coração de Jesus na santa Comunhão.

8. Tudo a Jesus por Maria!... e tudo a Maria por Jesus!... No nome de Jesus e de Maria coragem e amor, coragem e confiança, coragem e alegria do coração, e ainda sempre coragem!

Humildade prática da filha de Maria
 
Humildade! Que preciosa, que sublime virtude! Ela abaixa Deus até o nada do homem, e faz subir o homem até o trono de Deus!
Fonte de todas as virtudes, ela é também a base que as sustenta.
A quem a possui, ela dá luz e verdade.

Ela é, numa palavra, o caráter próprio dos Santos, como o orgulho é o dos réprobos. A Filha de Maria a compreendeu: e de seu coração sai esta prece ardente:
Ó minha Mãe,

eu quero ser humilde de vossa humildade; ela vos fez a Serva do Senhor; que ela faça de mim vossa cópia perfeita! Se as criaturas me rejeitarem, eu serei paciente; se me desprezarem, eu serei submissa, e se zombarem de mim, convosco, minha Mãe, e ao pé da Cruz, eu serei forte e generosa.

Memorial das Filhas de Maria
 
Eis, Filhas de Maria, o vosso pequeno memorial:
Ponde-o cada manhã diante de vossos olhos, na primeira hora do dia, como se coloca a lâmpada acessa à beira da estrada, que se vai percorrer, para que sua luz a alumie.
Ele será para vós um guia seguro, indicando-vos Deus; Deus só, como o único fim, ao qual deveis tender, dirigindo-vos para Ele de hora em hora, si por um só momento d'Ele vos tiverdes afastado.
Ele será, à noite, a voz de vosso anjo que vos dirá: Tu tens sido fiel, descansa em paz; Deus está satisfeito contigo; ou quem sabe:Tu te esqueceste - pede-lhe o perdão e em seguida descansa em paz, amanhã procederás melhor!
 
 
O que devo fazer
 
I
 
Para com Deus
 
 Orações
Lentas, recolhidas, constantes, agradáveis, brandas, resignadas, simples, humildes, confiadas, respeitosas sempre, afetuosas o mais que puder.             
Caridosas => Não tenho eu sempre em roda de mim => que dar? que agradecer?...           
 
 Submissão
À minha posição e ao meu dever: eles vem de Deus; por Ele me são impostos. Eles me unem a Deus; negligenciá-los é afastar-me de Deus.
 
Ao guia de minha alma: Ele tem a luz de Deus; ele tem a bondade de Deus.
 
A meus parentes: Eles tem autoridade de Deus.
 
Aos acontecimentos: Eles são preparados e enviados por Deus.
 
Trabalho
Começado alegremente.
Continuado constantemente.
Interrompido e reformado agradavelmente.
Acabado piedosa e puramente.
 
Descanso
Cuidado do corpo:  - sob os olhares de Deus
                                - sob a guarda de Deus.
 
 
II
 
Para com o próximo
 
Bom exemplo
Pelo meu porte edificante e meu vestido simples, limpo e modesto.
Pelo meu exterior habitualmente afável e tranquilo.
Pela minha condescendência a tudo o que pode dar gosto.
Pela minha fidelidade em cumprir tudo o que me é prescrito.
 
Boas palavras
De zelo sem afetação,
De animação,
De consolação,
De paz,
De regozijo,
De amizade.
Isto é possível todos os dias.
 
Boas ações
Serviços prestados: com minhas esmolas, com minha indústria, com minha influência.
 
Males reparados: escusando, justificando, protegendo e defendendo, ocultando as culpas e os esquecimentos e reparando-os si for possível.
 
Prazeres procurados: ao espírito por uma graciosa jovialidade. Ao coração por um afetuoso agradecido. À alma por uma palavra do céu!
 
 
III
Para com minha alma
 
Coragem
Nas contrariedades e provações: transtornos, doenças, infortúnios e humilhações.
Nos aborrecimentos que me assaltam sem causa conhecida.
No mau gênio que a miúdo nasce em nós, afim de não fazer sofrer os outros.
Nas tentações, para resisti-lhes com calma.
Nas faltas cometidas, para logo erguer-me.
 
 
Ordem e regularidade
Nas minhas ocupações. - Cada uma a seu tempo.
Nos meu recreios.
Nos objetos materiais que são de meu uso.
Evitando tanto a aspereza e desprezo, como o capricho e a fantasia.
 
Alimento
Pensamentos piedosos lidos, meditados e algumas vezes escritos.
Leituras fortificantes, sublimes que excitem o amor do belo e do bem.
Conversações que reanimem, deleitem e mesmo renovem a alma.
Passeios que recreiem e desenvolvam a mente, fortalecendo o corpo.
 
Aparecida, 21 de Novembro de 1937
P. Oscar Chagas Azevedo, C.SS.R.
por comissão do Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo de São Paulo.
 
Fonte: Lembrança do 7º retiro da Federação Mariana Feminina de Santos
Colégio Stella Maris de 15 a 17 de Fevereiro de 1942.
 


 
                                                                                                                       
 


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Nossa Senhora de Walsingham





Inglaterra




O Santuário Nacional de Nossa Senhora, para os ingleses, é o Santuário de Walsingham, o ponto central da veneração de Maria Santíssima na ilha; a sua história está intimamente ligada à história da Igreja Católica na Inglaterra.

O que deu origem ao título e à veneração de Nossa Senhora de Walsingham foi uma visão que teve Richeldis de Faverches.

A esta senhora apareceu a Mãe de Deus conduzindo-a em espírito à sua casinha de Nazaré, perto da qual lhe recomendou que tomasse medidas exatas de sua casa, para que pudesse ser edificada em Walsingham uma casa semelhante; mas só depois que a aparição se repetiu três vezes, começou Richeldis alegremente a dar cumprimento ao desejo de Nossa Senhora.

Segundo John Belland, investigador do século XVI, estes acontecimentos se deram no ano de 1061.
O filho de Richeldis, Geoffrey de Faverches, deixou como seu substituto, antes de sua peregrinação à Terra Santa, o Capelão Edvoy, dando-lhe a incumbência de erigir um convento em suas terras, e confiar a "Santa Casa" à proteção de uma Ordem religiosa. A essa Ordem seria também conferido o padroado da igreja de Todos os Santos.

Estas incumbências foram ratificadas por Richard de Clare, duque de Gloucester, sucessor de Geoffrey. 

De 1146 a 1174 encarregaram-se do Covento os Cônegos Agostinianos, que ficaram sendo também os guardas da "Santa Casa" até a destruição do Convento e a proibição das peregrinações na Inglaterra.

Mas... retrocedamos ao ano de 1061: diz a tradição que, quando Richeldis tratou de começar a construção da "Santa Casa", viu certa manhã, com espanto, olhando para um prado, dois pedaços planos do terreno misteriosamente não atingidos pelo orvalho, e esses dois planos correspondiam exatamente às dimensões dos alicerces da casa de Nazaré, que Richeldis havia medido na sua visão; porém, quando ela fazia começar a  construção num daqueles lugares assinalados, o qual ficava na proximidade de duas fontes, sobrevieram singulares acontecimentos, que estorvavam ou retardavam os trabalhos iniciados. Tudo falhava, e ninguém acreditava que a capela fosse algum dia acabada.

Mas Richeldis voltou-se aflita para a Mãe de Deus, pedindo-lhe auxílio e proteção para a sua obra, e eis que, na madrugada de uma noite de oração fervorosa e confiante, seu pedido é satisfeito de modo maravilhoso: Richeldis encontra o Santuário (a "Santa Casa") muito bem construído a 200 pés de distância do lugar que tinham começado a construí-lo.

A este grande  milagre uniram-se muitas curas maravilhosas e o livramento dos mais variados perigos e necessidades.

A fama de Walsingham como lugar de graças extraordinárias espalhou-se rapidamente, e começaram a afluir peregrinos de toda a parte.

Ao longo das estradas por onde passavam as peregrinações foram erigidas de espaço a espaço capelas e outros lugares de oração. Duas capelas ainda existem: uma fica em King´s Lynn e é denominada Capela de Nossa Senhora da Colina Vermelha; a outra, situada em Houghton-in-the-Dale, é dedicada a Santa Catarina de Alexandria e conhecida por "Capelinha dos chinelos", porque aí tiravam os peregrinos os sapatos, continuando o trajeto descalços.

Já muito antes da extinção deste lugar de culto católico por ordem do Cromwell, no ano de 1538, já muito antes tinha começado o calvário de Walsingham, depois de ter o culto católico florescido durante três séculos naquele lugar bendito. 

Mas... não falemos nas perseguições, porque os perseguidores desaparecem, e Deus continua vencendo até os dias de hoje.

Mais ou menos trezentos anos depois da destruição da imagem milagrosa de Walsingham, começou o movimento de Oxford, que visava o florescimento da fé católica na Ilha, e, com esse movimento, foi pouco a pouco renascendo a veneração da SS. Virgem Maria; com este fim uniram-se os veneradores de Nossa Senhora em 1848; em 1880 nasceu a Confraria das Filhas de Maria, em 1904 a Liga de Nossa Senhora, e nos anos seguintes muitas outras organizações semelhantes.

Em 1921 resolveram mandar fazer uma cópia da antiga imagem, e, como a antiga capela estava ainda como a tinham deixado depois da pilhagem, colocaram a imagem na igreja paroquial.




E assim começou a aumentar a devoção a Nossa Senhora, começando também dentro em pouco as romarias a serem organizadas regularmente.

Poucos anos depois foi necessário aumentar a igreja, e por isso resolveram reconstruir a "Santa Casa" segundo o modelo e o tamanho da primitiva, encerrando-a, porém, numa construção maior.

A obra foi começada em 1931, e em 1937 foi consagrada à igreja, que foi anexada ao antigo edifício. 


A devoção a Nossa Senhora de Walsingham foi-se tornando sempre mais intensa, e inúmeras foram as graças concedidas pela Mãe de Deus, tanto nos doentes como aos sãos, havendo também muitas conversões e muitas curas milagrosas.

Nossa Senhora de Walsingham é o título de Nossa Senhora mais amado e invocado na Inglaterra.

(Versão resumida do livro "Wallfahrtsorte Europas", quem desejar notícia mais detalhada consulte o livro "Walsingham, the History of a famous Shine!, de H. M. Sillett).

Fonte: Livro Maria e seus gloriosos títulos, de Edésia Aducci.