Mostrando postagens com marcador Filhas de Maria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filhas de Maria. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de agosto de 2024

Esta devoção é um meio admirável de perseverança




 Artigo VIII


173. Oitavo motivo. Finalmente, o motivo mais poderoso, que, de certo modo, nos induz a esta devoção à Santíssima Virgem, é constituir um meio admirável para perseverar na virtude e ser fiel. Como se explica que a maior parte das conversões dos pecadores não seja durável? Donde vem a facilidade de recair no pecado? Por que a maior parte dos justos, ao invés de avançar de virtude em virtude e adquirir novas graças, perdem muitas vezes o pouco de virtudes e graças que tinham? Esta infelicidade provém, como já o demonstrei (cf. n. 87-89), de que o homem, sendo tão corrompido, tão fraco e tão inconstante, fia-se em si próprio, e crê-se capaz de guardar o tesouro de suas graças, virtudes e méritos. 

Por esta devoção confiamos à Santíssima Virgem, fiel por excelência, tudo o que possuímos; tornamo-la por depositária universal de todos os bens da natureza e da graça. É em sua fidelidade que confiamos, no seu poder que nos apoiamos, em sua misericórdia e caridade que nos baseamos, para que ela conserve e aumente nossas virtudes e méritos, a despeito do demônio, do mundo e da carne, que envidam todos os esforços para no-los arrebatar. Dizemos-lhe como um bom filho a sua mãe: "Depositum custodi" (1Tm 6,20), isto é, minha boa Mãe e Soberana, reconheço que até ao presente muito mais graças tenho de Deus recebido por vossa intercessão do que mereço, e minha funesta experiência me ensina que bem frágil é o vaso em que guardo esse tesouro, e que por demais fraco e miserável eu sou, para conservá-lo em mim: "adolescentulus sum ergo et contemptus" (Sl 118,141); recebei em depósito tudo o que possuo, e conservai-mo por vossa fidelidade e vosso poder. Se me guardardes, nada penderei; se me sustentardes, não cairei; se me protegerdes, estarei a salvo de meus inimigos. 

174. É o que diz São Bernardo para inspirar-nos esta prática: "Enquanto Maria vos sustenta, não caís; enquanto vos protege, não temeis; enquanto vos conduz, não vos fatigais; e, sendo-vos propícia. chegareis ao porto de salvação: Ipsa tenente, non corruis; ipsa protegente, non metuis; ipsa duce, non fatigaris; ipsa propitia, pervenis"¹. O mesmo parece dizer São Boaventura em termos ainda mais claros: A Santíssima Virgem, diz ele, está não só detida na plenitude dos santos, mas também guarda e detém os santos na plenitude para que esta não diminua; impede que suas virtudes se dissipem, que seus méritos pereçam, que se percam suas graças, que os prejudiquem os demônios, impede, por fim, que Nosso Senhor castigue os pecadores: "Virgo non solum in plenitudine sanctorum detinetur, sed etiam in plenitudine sanctos detinet, ne plenitudo minuatur; detinet virtutes ne fugiant;detinet merita ne pereant; detinet gratias ne effluant; detinet daemones ne noceant; detinet Filium ne peccatores percutiat"². 

175. A Santíssima Virgem é a Virgem fiel que, por sua fidelidade a Deus, repara as perdas que Eva infiel causou por sua infidelidade, e que obtém de Deus a fidelidade e a perseverança para aqueles que a ela se apegam. Por isso um santo a compara à âncora firme, porque os retém e impede de soçobrar no mar agitado deste mundo, onde tantas pessoas naufragam por não se firmarem nesta âncora inabalável. "Prendemos, diz ele, as almas à vossa esperança, como a uma âncora firme: Animas ad spem tuam sicut ad firmam anchoram alligamus"³. Foi a ela que os santos mais se agarraram, e prenderam os outros, com o fito de perseverar na virtude. Felizes, mil vezes felizes os cristãos que agora se apegam fiel e inteiramente a ela, como a uma âncora firme. Os arrancos da tempestade deste mundo não os farão submergir, nem perder os tesouros celestes. Bem-aventurados os que nela buscam abrigo como na arca de Noé. As águas do dilúvio de pecados, que afogam tanta gente, não lhes farão mal, pois: "Qui operantur in me non peccabunt" - os que se guiam por mim não pecarão (Eclo 24,30), diz ela com a Sabedoria. Bem-aventurados os filhos infiéis da desgraçada Eva que se apegam à Mãe e Virgem fiel, que permanecem sempre fiéis e que não faltam jamais à sua palavra: "Fidelis permanet, se ipsam negare non potest"4, e que ama aqueles que a amam: "Ego diligentes me diligo" (Pr 8,17), não só de um amor afetivo, mas de um amor efetivo e eficaz, impedindo-os, por uma grande abundância de graças, de recuar na virtude, ou de cair no caminho, perdendo a graça de seu Filho.

176. Esta boa Mãe recebe sempre, por pura caridade, tudo que lhe entregamos em depósito; e, desde que ela o recebeu como depositária, é obrigada por justiça, em virtude do contrato de depósito, a guadá-lo para nós; do mesmo modo que uma pessoa, a quem eu confiasse mil escudos, seria obrigada a guardá-los para mim, de tal modo que se, por sua negligência, meus mil escudos se perdessem, seria ela, com justiça, a responsável. Mas isto não acontece, pois Maria, a Virgem fiel, jamais deixaria se perder, por sua negligência, o que lhe tivéssemos confiado. Antes passarão o céu e a terra do que ela ser negligente e infiel para com aqueles que dela se fiam.


***

177. Pobres filhos de Maria! extrema é vossa fraqueza, grande, vossa inconstância, viciado, o vosso íntimo! Sois, eu o confesso, da mesma massa corrompida que os filhos de Adão e Eva; mas não percais por isso a coragem; consolai-vos, regozijai-vos: eis o segredo que vos ensino, segredo desconhecido de quase todos os cristãos, até dos mais devotos. 

Não deixeis vosso ouro e vossa prata nos cofres, já forçados pelo espírito maligno que vos roubou, cofres por demais exíguos e fracos e velhos para conter um tesouro tão grande e tão precioso. Não depositeis a água pura e cristalina da fonte em vossos vasos manchados e infeccionados pelo pecado. Pode ser que o pecado aí já não esteja, mas o odor permanece ainda e a água ficará contaminada. Não despejeis vosso vinho fino em velhos tonéis que já contiveram vinho ordinário: ficará estragado e o perdereis. 

178. Embora me entendais, almas predestinadas, falo mais abertamente. Não confieis o ouro de vossa caridade, a prata de vossa pureza, as águas das graças celestes, nem os vinhos de vossos méritos e virtudes a um saco roto, a um cofre velho e quebrado, a um vaso contaminado e corrompido, como vós sois; porque sereis pilhados pelos ladrões, isto é, os demônios, que buscam e espreitam, noite e dia, o momento próprio para o ataque; estragareis, com o mau odor do amor-próprio, da confiança própria e da vontade própria, tudo o que Deus vos dá de mais puro.

Depositai, derramais no seio e no coração de Maria todos os vossos tesouros, todas as vossas graças e virtudes. Maria é um vaso espiritual, um vaso honorífico, um vaso insigne de devoção: "Vas spirituale, vas honorabile, vas insigne devotionis". Depois que aí se encerrou o próprio Deus em pessoa, com todas as suas perfeições, este vaso tornou-se todo espiritual, e a morada espiritual das almas mais espirituais. Tornou-se honorável, e o trono de honra dos maiores príncipes da eternidade. Tornou-se insigne na devoção e a morada dos mais ilustres em doçura, em graças e virtudes. Tornou-se, enfim, rico como uma casa de ouro, forte como a torre de Davi, puro como uma torre de marfim. 

179. Oh! quão feliz é o homem que tudo deu a Maria e que nela confia em tudo e por tudo. Ele é todo de Maria e Maria é toda dele. Pode dizer afoitamente com David: "Haec facta est mihi: Maria foi feita para mim" (Sl 118,56); ou com o discípulo amado: "Accepi eam in mea" (Jo 19,27) - Eu a tomei como toda a minha riqueza; ou com o próprio Jesus Cristo: "Omnia mea tua sunt, et omnia tua mea sunt: Todas as minhas coisas são suas, e as tuas são minhas" (Jo 17,10). 


***

180. Se algum crítico, ao ler isto, achar que falo exageradamente e por excesso de devoção, infeliz dele, pois não me compreende, ou por ser um homem carnal que não aprecia as coisas do espírito, ou por ser do mundo que não pode receber o Espírito Santo, ou, ainda, por ser orgulhoso e crítico, que condena e despreza o que não entende. As almas, porém, que não nasceram do sangue nem da vontade da carne (Jo 1,13) mas de Deus e de Maria, me compreendem e apreciam; e é para elas, afinal, que eu escrevo. 

181. Digo, entretanto, para uns e outros, voltando ao assunto interrompido, que Maria Santíssima, porque é a mais honesta e a mais generosa de todas as puras criaturas, não se deixa vencer jamais em amor e liberalidade. E por um ovo, diz um santo homem ela dá um boi, isto é, por pouco que lhe demos ela dá mais do que recebeu de Deus; e, por conseguinte, se uma alma se lhe entrega sem reserva, ela se dá a esta alma também sem reserva, se nela depositamos toda a nossa confiança, trabalhando de nosso lado em adquirir as virtudes e domar as paixões. 

182. Que os fiéis servidores de Maria digam, pois, ousadamente com São João Damasceno: "Tendo confiança em vós, ó Mãe de Deus, serei salvo; tendo vossa proteção, não temerei; com vosso auxílio, combaterei os meus inimigos e os porei em fuga; pois vossa devoção é uma arma de salvação que Deus dá a quem quer salvar: Spem tuam habens, o Deipara, servavbor; defensionem tuam possidens, non timebo; persequar inimicos meos et in fugam vertam, habens protectionem tuam et auxilium tuum; nam tibi devotum esse est arma quaedam salutis quae Deus his dat quos vult salvos fieri" (Sermo de Annunc). 

___________________________________________

1. Homilia 2 super "Missus est" n. 17.

2. Speculum B.V., lect. VII, §6.

3. SÃO JOÃO DAMASCENO. "Sermo 1 in Dormitione B.M.V.".

4. Aplicação à Santíssima Virgem das palavras de São Paulo: 2 Tm 2,13.

São Luís Maria Grignion de Montfort; Missionário Apostólico, Fundador da Congregação dos Missionários da Companhia de Maria e da Congregação das Filhas da Sabedoria. 
44° edição- Editora Vozes- Petrópolis, 2014.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Conselhos a uma Filha de Maria



1. Minha Filha, os olhos de Deus te veem.
Não faças diante d'Ele senão o bem... Faze o maior bem que puderes e faze-o tão bem que Deus, vendo-te, possa dizer: Estou satisfeito!...

2. Não te importes do que diz o mundo; mas pensa a miúdo ao que dirá Deus.

3. Reza durante a bonança...
    Reza durante a tempestade...
   Reza durante o desalento...
Tu progredirás à proporção de tua constância na oração.

4. Ocupa sempre o teu espírito em alguma coisa útil e séria; não entretenhas jamais tua imaginação em pensamentos levianos... eles são indignos de uma Filha de Maria.

5. Seja a tua virtude amável, doce e fácil em dobrar-se aos pareceres dos outros...
Tudo sofrer, e nada fazer sofrer: tal é a máxima dos Santos.

6. Atenção, cautela sobre ti mesma... Sê discreta nas tuas palavras, modesta nos teus hábitos, reservada no teu andar, refletida nos teus desígnios, humilde nos teus sucessos, forte e generosa nas provações.

7. Queres um remédio à tua inconstância, um apoio à tua fraqueza, um escudo contra o mundo e contra Satanás?... Invoca em todas as circunstâncias o Coração Imaculado de Maria, tua Mãe: e unindo-te a miúdo ao Sagrado Coração de Jesus na santa Comunhão.

8. Tudo a Jesus por Maria!... e tudo a Maria por Jesus!... No nome de Jesus e de Maria coragem e amor, coragem e confiança, coragem e alegria do coração, e ainda sempre coragem!

Humildade prática da filha de Maria
 
Humildade! Que preciosa, que sublime virtude! Ela abaixa Deus até o nada do homem, e faz subir o homem até o trono de Deus!
Fonte de todas as virtudes, ela é também a base que as sustenta.
A quem a possui, ela dá luz e verdade.

Ela é, numa palavra, o caráter próprio dos Santos, como o orgulho é o dos réprobos. A Filha de Maria a compreendeu: e de seu coração sai esta prece ardente:
Ó minha Mãe,

eu quero ser humilde de vossa humildade; ela vos fez a Serva do Senhor; que ela faça de mim vossa cópia perfeita! Se as criaturas me rejeitarem, eu serei paciente; se me desprezarem, eu serei submissa, e se zombarem de mim, convosco, minha Mãe, e ao pé da Cruz, eu serei forte e generosa.

Memorial das Filhas de Maria
 
Eis, Filhas de Maria, o vosso pequeno memorial:
Ponde-o cada manhã diante de vossos olhos, na primeira hora do dia, como se coloca a lâmpada acessa à beira da estrada, que se vai percorrer, para que sua luz a alumie.
Ele será para vós um guia seguro, indicando-vos Deus; Deus só, como o único fim, ao qual deveis tender, dirigindo-vos para Ele de hora em hora, si por um só momento d'Ele vos tiverdes afastado.
Ele será, à noite, a voz de vosso anjo que vos dirá: Tu tens sido fiel, descansa em paz; Deus está satisfeito contigo; ou quem sabe:Tu te esqueceste - pede-lhe o perdão e em seguida descansa em paz, amanhã procederás melhor!
 
 
O que devo fazer
 
I
 
Para com Deus
 
 Orações
Lentas, recolhidas, constantes, agradáveis, brandas, resignadas, simples, humildes, confiadas, respeitosas sempre, afetuosas o mais que puder.             
Caridosas => Não tenho eu sempre em roda de mim => que dar? que agradecer?...           
 
 Submissão
À minha posição e ao meu dever: eles vem de Deus; por Ele me são impostos. Eles me unem a Deus; negligenciá-los é afastar-me de Deus.
 
Ao guia de minha alma: Ele tem a luz de Deus; ele tem a bondade de Deus.
 
A meus parentes: Eles tem autoridade de Deus.
 
Aos acontecimentos: Eles são preparados e enviados por Deus.
 
Trabalho
Começado alegremente.
Continuado constantemente.
Interrompido e reformado agradavelmente.
Acabado piedosa e puramente.
 
Descanso
Cuidado do corpo:  - sob os olhares de Deus
                                - sob a guarda de Deus.
 
 
II
 
Para com o próximo
 
Bom exemplo
Pelo meu porte edificante e meu vestido simples, limpo e modesto.
Pelo meu exterior habitualmente afável e tranquilo.
Pela minha condescendência a tudo o que pode dar gosto.
Pela minha fidelidade em cumprir tudo o que me é prescrito.
 
Boas palavras
De zelo sem afetação,
De animação,
De consolação,
De paz,
De regozijo,
De amizade.
Isto é possível todos os dias.
 
Boas ações
Serviços prestados: com minhas esmolas, com minha indústria, com minha influência.
 
Males reparados: escusando, justificando, protegendo e defendendo, ocultando as culpas e os esquecimentos e reparando-os si for possível.
 
Prazeres procurados: ao espírito por uma graciosa jovialidade. Ao coração por um afetuoso agradecido. À alma por uma palavra do céu!
 
 
III
Para com minha alma
 
Coragem
Nas contrariedades e provações: transtornos, doenças, infortúnios e humilhações.
Nos aborrecimentos que me assaltam sem causa conhecida.
No mau gênio que a miúdo nasce em nós, afim de não fazer sofrer os outros.
Nas tentações, para resisti-lhes com calma.
Nas faltas cometidas, para logo erguer-me.
 
 
Ordem e regularidade
Nas minhas ocupações. - Cada uma a seu tempo.
Nos meu recreios.
Nos objetos materiais que são de meu uso.
Evitando tanto a aspereza e desprezo, como o capricho e a fantasia.
 
Alimento
Pensamentos piedosos lidos, meditados e algumas vezes escritos.
Leituras fortificantes, sublimes que excitem o amor do belo e do bem.
Conversações que reanimem, deleitem e mesmo renovem a alma.
Passeios que recreiem e desenvolvam a mente, fortalecendo o corpo.
 
Aparecida, 21 de Novembro de 1937
P. Oscar Chagas Azevedo, C.SS.R.
por comissão do Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo de São Paulo.
 
Fonte: Lembrança do 7º retiro da Federação Mariana Feminina de Santos
Colégio Stella Maris de 15 a 17 de Fevereiro de 1942.
 


 
                                                                                                                       
 


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Nossa Senhora de Walsingham





Inglaterra




O Santuário Nacional de Nossa Senhora, para os ingleses, é o Santuário de Walsingham, o ponto central da veneração de Maria Santíssima na ilha; a sua história está intimamente ligada à história da Igreja Católica na Inglaterra.

O que deu origem ao título e à veneração de Nossa Senhora de Walsingham foi uma visão que teve Richeldis de Faverches.

A esta senhora apareceu a Mãe de Deus conduzindo-a em espírito à sua casinha de Nazaré, perto da qual lhe recomendou que tomasse medidas exatas de sua casa, para que pudesse ser edificada em Walsingham uma casa semelhante; mas só depois que a aparição se repetiu três vezes, começou Richeldis alegremente a dar cumprimento ao desejo de Nossa Senhora.

Segundo John Belland, investigador do século XVI, estes acontecimentos se deram no ano de 1061.
O filho de Richeldis, Geoffrey de Faverches, deixou como seu substituto, antes de sua peregrinação à Terra Santa, o Capelão Edvoy, dando-lhe a incumbência de erigir um convento em suas terras, e confiar a "Santa Casa" à proteção de uma Ordem religiosa. A essa Ordem seria também conferido o padroado da igreja de Todos os Santos.

Estas incumbências foram ratificadas por Richard de Clare, duque de Gloucester, sucessor de Geoffrey. 

De 1146 a 1174 encarregaram-se do Covento os Cônegos Agostinianos, que ficaram sendo também os guardas da "Santa Casa" até a destruição do Convento e a proibição das peregrinações na Inglaterra.

Mas... retrocedamos ao ano de 1061: diz a tradição que, quando Richeldis tratou de começar a construção da "Santa Casa", viu certa manhã, com espanto, olhando para um prado, dois pedaços planos do terreno misteriosamente não atingidos pelo orvalho, e esses dois planos correspondiam exatamente às dimensões dos alicerces da casa de Nazaré, que Richeldis havia medido na sua visão; porém, quando ela fazia começar a  construção num daqueles lugares assinalados, o qual ficava na proximidade de duas fontes, sobrevieram singulares acontecimentos, que estorvavam ou retardavam os trabalhos iniciados. Tudo falhava, e ninguém acreditava que a capela fosse algum dia acabada.

Mas Richeldis voltou-se aflita para a Mãe de Deus, pedindo-lhe auxílio e proteção para a sua obra, e eis que, na madrugada de uma noite de oração fervorosa e confiante, seu pedido é satisfeito de modo maravilhoso: Richeldis encontra o Santuário (a "Santa Casa") muito bem construído a 200 pés de distância do lugar que tinham começado a construí-lo.

A este grande  milagre uniram-se muitas curas maravilhosas e o livramento dos mais variados perigos e necessidades.

A fama de Walsingham como lugar de graças extraordinárias espalhou-se rapidamente, e começaram a afluir peregrinos de toda a parte.

Ao longo das estradas por onde passavam as peregrinações foram erigidas de espaço a espaço capelas e outros lugares de oração. Duas capelas ainda existem: uma fica em King´s Lynn e é denominada Capela de Nossa Senhora da Colina Vermelha; a outra, situada em Houghton-in-the-Dale, é dedicada a Santa Catarina de Alexandria e conhecida por "Capelinha dos chinelos", porque aí tiravam os peregrinos os sapatos, continuando o trajeto descalços.

Já muito antes da extinção deste lugar de culto católico por ordem do Cromwell, no ano de 1538, já muito antes tinha começado o calvário de Walsingham, depois de ter o culto católico florescido durante três séculos naquele lugar bendito. 

Mas... não falemos nas perseguições, porque os perseguidores desaparecem, e Deus continua vencendo até os dias de hoje.

Mais ou menos trezentos anos depois da destruição da imagem milagrosa de Walsingham, começou o movimento de Oxford, que visava o florescimento da fé católica na Ilha, e, com esse movimento, foi pouco a pouco renascendo a veneração da SS. Virgem Maria; com este fim uniram-se os veneradores de Nossa Senhora em 1848; em 1880 nasceu a Confraria das Filhas de Maria, em 1904 a Liga de Nossa Senhora, e nos anos seguintes muitas outras organizações semelhantes.

Em 1921 resolveram mandar fazer uma cópia da antiga imagem, e, como a antiga capela estava ainda como a tinham deixado depois da pilhagem, colocaram a imagem na igreja paroquial.




E assim começou a aumentar a devoção a Nossa Senhora, começando também dentro em pouco as romarias a serem organizadas regularmente.

Poucos anos depois foi necessário aumentar a igreja, e por isso resolveram reconstruir a "Santa Casa" segundo o modelo e o tamanho da primitiva, encerrando-a, porém, numa construção maior.

A obra foi começada em 1931, e em 1937 foi consagrada à igreja, que foi anexada ao antigo edifício. 


A devoção a Nossa Senhora de Walsingham foi-se tornando sempre mais intensa, e inúmeras foram as graças concedidas pela Mãe de Deus, tanto nos doentes como aos sãos, havendo também muitas conversões e muitas curas milagrosas.

Nossa Senhora de Walsingham é o título de Nossa Senhora mais amado e invocado na Inglaterra.

(Versão resumida do livro "Wallfahrtsorte Europas", quem desejar notícia mais detalhada consulte o livro "Walsingham, the History of a famous Shine!, de H. M. Sillett).

Fonte: Livro Maria e seus gloriosos títulos, de Edésia Aducci.