sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Juizo Particular - Pe. Carmelo Putorti 1956

É uma verdade que no próprio momento em que morrermos seremos julgados; e que Deus nos pedirá contas de todos os nossos pensamentos, de todas as nossas palavras, e de todas as nossas obras, que são as únicas coisas, que nos hão de acompanhar depois desta nossa vida mortal. 
Apenas a alma tiver saído do corpo, comparecerá logo perante o Supremo Juiz. A primeira coisa que torna este comparecimento terrível à alma do pecador, é que a alma se encontrará sozinha na presença de um Deus desprezado, de um Deus que conhece todos os segredos do nosso coração, todos os nossos pensamentos. E que levaremos conosco? Levaremos aquele pouco de bem ou de mal que tivermos feito durante a vida. Não se pode então inventar nem escusa, nem pretexto nenhum. 

Impossível descrever o terror de quem parte desta vida em estado de pecado e se encontra face a face com a majestade de um Deus irritado. Que proveito nos darão as lágrimas dos parentes e amigos? Jamais lágrima alguma poderá salvar quem, então achar sem a graça divina. 
Ante o Supremo Juiz, tão somente às boas obras será confiada a nossa defesa. 
Qual será, porém, o nosso destino, se nos vier a faltar tão precioso elemento? Compreendemos, então, a vaidade do mundo que hoje amamos e o apreço das virtudes cristãs que hoje menosprezamos como irrisórias. 

- De onde vens? - perguntará o Senhor.
- Senhor, eu venho da terra.
- E quem lá te colocou? - continuará o mesmo juiz.
- Senhor, fostes Vós.
- E para que fim?
- Para Vos conhecer, amar e servir.
- E tens tu cumprido as minhas ordens?

Serão então abertos os dois livros: " o livro da vida" e "o livro da morte". Relatará o primeiro todas as boas ações que tivermos tido a dita de praticar, todas até um copo de água dado ao podre. O segundo, todas as culpas cometidas, todas até o mais imperceptível pensamento.
Se, por infelicidade, nossas mãos forem achadas vazias, se nossa vida não houver sido mais que uma sucessão de culpas, uma série de transgressões à lei de Deus, um acúmulo de rebeldias, ingratidões, violências e impurezas, será proferida a sentença de maldição.
- Amaldiçoado? Como, Senhor, não sois Vós o próprio Jesus que nos amou até a morte no Calvário? 
- Sim, mas tu desprezaste o meu amor, responderá Ele.
-Não sois Vós o bom Pastor a correr incansável em busca da ovelha desgarrada?
- Sim, mas tu recusaste abrigar-te no meu aprisco. Preferiste as tendas dos pecadores aos meus tabernáculos.
-Não sois o Jesus que perdoou a Madalena, a Pedro, ao bom ladrão?
- Sim, porque eles se arrependeram. Tu, porém, não fizestes na tua vida senão desprezar-me. Chamei-te à confissão, não obedeceste. Dei-Te a Eucaristia. Não a quiseste. 
Não nos lisonjeemos apelando para um Deus misericordioso. A misericórdia envolve o homem neste mundo, no outro brilhará tão somente o sol da justiça. 
Há certo tempo um sacerdote era chamado à cabeceira de uma jovem prestes a morrer e a quem a felicidade sorriria sempre cumulando-a de flores e de prazeres. 
-Jovem, morre feliz, pois, nuvem alguma veio toldar o céu de tua mocidade!

Outro, porém, foi o seu último grito de dor:
- Padre vou morrer. Colhi todas as flores. Não tenho um fruto sequer. Como me aterroriza o comparecer com as mãos vazias perante Deus! 
Não será, porventura, este o grito de dor no derradeiro momento de nossa vida?
Se neste momento se abrissem os dois livros; o da vida e o da morte, qual dos dois se avantajaria?
Felizes de nós que ainda temos tempo. Felizes de nós se começarmos a compor o livro da vida.
Não veremos a face de um Deus irado, mas o Cristo propício a repetir: Entra, servo fiel, a gozar o reino dos céus, que o meu Pai Celestial te preparou desde o começo do mundo!

RESOLUÇÃO:

Devo salvar-me - Eu vou ser julgado de tudo que fizer na minha vida.
Quando? - Não sei. Será no momento da morte.
-Mas eu não sei quando será minha morte.
-Procurarei fazer sempre o bem.
Todos os dias, na oração da noite, farei meu exame de consciência, e rezarei o ato de contrição. Eu devo viver como quero morrer. " Só vivendo e morrendo em estado de graça, é que o Juiz Divino dará o Céu."

JACULATÓRIA: Virgem Santíssima, ajudai-me, protegei-me na vida e na morte e especialmente quando me apresentar ao vosso Filho para ser julgado. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013




"Nós, meus irmãos, que no Santo Batismo fomos rociados com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza mesma; neste Sangue adorável que gerou tantas virgens de um e outro sexo; nós, a quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu templo... Mas, ai! Meus irmãos, neste infeliz século de corrupção em que vivemos não se conhece mais esta virtude, esta celeste virtude que nos torna semelhantes aos anjos!... Sim, meus irmãos, a pureza é uma virtude que nos é necessária a todos, pois que, sem ela, ninguém verá o Bom Deus."

Trecho do sermão de São Cura D`Ars


fonte da foto: https://www.facebook.com/FemininaModestaEElegante

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Pequena Coroa da Santíssima Virgem - São Luis Maria Montfort


     V: Concedei-me que Vos louve, Virgem Sagrada.
      R: Dai-me valor contra os Vossos inimigos.
      Creio em Deus Pai ... 
     I
      Pai nosso... Ave Maria...  

      Sois Bem-aventurada, Virgem Maria, que levastes em Vosso seio o Senhor, Criador do mundo; destes à luz a Quem Vos formou, e sois Virgem perpétua.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
      R: Alegrai-Vos mil vezes.
      Ave Maria...
            
      Ó santa e imaculada Virgindade, não sei com que louvores Vos possa exaltar, pois Quem os Céus não contêm, Vós O levastes em Vosso seio.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
      R: Alegrai-Vos mil vezes.
      Ave Maria... 

      Sois toda formosa, Virgem Maria, e não há mancha em Vós.
      
     V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
     Ave Maria... 

      Possuís, ó Virgem Santíssima, tantos privilégios quantas são as estrelas no céu.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
     Glória ao Pai... 

II 
      Pai nosso... Ave Maria... 

      Glória a Vós, Imperatriz do Céu; conduzi-nos conVosco aos gozos do Paraíso.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
     Ave Maria... 

      Glória a Vós, Tesoureira das graças do Senhor; dai-nos parte  em Vosso tesouro.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
     Ave Maria... 

     Glória a Vós, Medianeira entre Deus e os homens tornai-nos propício o Todo-Poderoso.

     V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
     Ave Maria... 

     Glória a Vós, que esmagais as heresias e o demônio; sede nossa bondosa Guia.

     V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
     Glória ao Pai... 

III 
      Pai nosso... Ave Maria... 

      Glória a Vós, Refúgio dos pecadores; intercedei por nós junto ao Senhor.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
Ave Maria... 

      Glória a Vós, Mãe dos órfãos; fazei que nos seja propício o Todo-Poderoso.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
Ave Maria... 

      Glória a Vós, Alegria dos Justos; conduzi-nos conVosco às alegrias do Céu.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
Ave Maria... 

      Glória a Vós, nossa Auxiliadora mui prestimosa na vida e na morte; conduzi-nos conVosco ao Reino do Céu.

      V: Alegrai-Vos, Virgem Maria.
     R: Alegrai-Vos mil vezes.
Glória ao Pai... 

Oremos:  
Ave, Maria, Filha de Deus Pai.
Ave, Maria, Mãe de Deus Filho.
Ave, Maria, Esposa do Espírito Santo.
Ave, Maria, templo da Santíssima Trindade.
Ave, Maria, Senhora minha, meu bem, meu amor.
Rainha do meu coração,
Mãe, vida, doçura e esperança minha mui querida,
Meu coração e minha alma.
Sou todo Vosso,
E tudo que possuo é Vosso,
Ó Virgem sobre todos bendita.
Esteja, pois, em mim, Vossa alma,
Para engrandecer o Senhor.
Esteja em mim Vosso espírito,
Para rejubilar em Deus.
Colocai-Vos, ó Virgem Fiel,
Como selo sobre o meu coração
Para que, em Vós e por Vós,
Seja eu achado fiel a Deus.
Concedei, ó Mãe de Misericórdia,
Que me encontre no número dos que amais,
Ensinais, guiais, sustentais e protegeis
Como filhos.
Fazei que, por Vosso amor,
Despreze todas as consolações da terra
E aspire só às celestes;
Até  que, para a glória do Pai,
Jesus Cristo, Vosso Filho, seja formado em mim,
Pelo Espírito Santo, Vosso Esposo fidelíssimo,
E por Vós,
Sua Esposa mui fiel.

Assim seja.  

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Famílias numerosas, famílias felizes


Quando João XXIII recebeu no Palácio Apostólico a visita de dez irmãos, sendo nove religiosos e um bispo, logo disparou: “Uma mamãe? Sim, Santidade, uma mamãe”. A cena é belíssima e, de certo modo, nostálgica, uma vez que famílias com muitos filhos têm se tornado um espécime raro ano após ano, mesmo entre os católicos. As últimas pesquisas relativas à taxa de fecundidade no Brasil, por exemplo, indicam um declínio contínuo a partir da década de 1960, período em que o governo passou a disseminar os métodos anticoncepcionais  como política de saúde pública. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de crianças por família no país é de 1,9. Número relativamente aquém do necessário para reposição da população que, conforme especialistas, seria de 2,1 no mínimo. 

“Não, eu não quero mais um filho, porque não poderemos viajar de férias, não poderemos ir a tal lugar, não poderemos comprar uma casa”. É o que costumam dizer aqueles que veem com pavor a ideia de ter uma família numerosa, critica o Papa Francisco num desafio à cultura do “bem-estar à qualquer custo”. Com isso, o Santo Padre assevera o ensinamento de seu predecessor, Paulo VI, há muito olvidado: “O gravíssimo dever de transmitir a vida humana, pelo qual os esposos são os colaboradores livres e responsáveis de Deus Criador, foi sempre para eles fonte de grandes alegrias, se bem que, algumas vezes, acompanhadas de não poucas dificuldades e angústias” (Cf. Humanae Vitae, n. 1). A geração e o cuidado da prole não são somente um direito natural da família, mas algo que se enquadra no próprio projeto de Deus e, por isso, um dever. Com efeito, mesmo que em algumas circunstâncias surjam dificuldades, a graça de poder transmitir a vida não pode ser sobrepujada por questões banais e de ordem materialista. 

A defesa dos anticoncepcionais, feita muitas vezes por católicos, até mesmo de maneira intransigente e soberba, demonstra a incapacidade de enxergar a beleza do dom da paternidade e o vazio espiritual que assolam a sociedade moderna. “Quer-se seguir Jesus, mas até certo ponto”, pontifica o Papa. Ora, não espanta a quantidade de divórcios realizados desde a sua trágica aprovação, já que são consequência lógica da forma como os casais passaram a relacionar-se após o advento da contracepção artificial: como objetos de prazer. 

As famílias numerosas, por outro lado, agem conforme a regra única do amor e, obviamente, da paternidade responsável - aquela que opera dentro dos limites do bom senso e da reta conduta cristã - abrindo-se generosamente ao dom da criação. Testemunha a favor disso a própria história recente, cheia de exemplos boníssimos de casais, desde os mais ricos aos mais pobres, que abandonaram-se à providência divina e contribuíram, assim, para o desenvolvimento saudável de seus filhos, dentro de um lar agraciado pela presença do pai, da mãe e dos primeiros amigos: os irmãos. Quando existe a confiança no auxílio da graça, existe também a confiança mútua do marido e da mulher, a busca pela unidade e a consumação dessa união numa só carne. União indissolúvel que nenhuma lei pode cancelar.

A geração de um novo filho é, pois, a mais genuína expressão do amor de um casal, fato que, num momento de profunda angústia, levou Raquel a implorar a seu marido: “Dá-me filhos, se não morro” (Cf. Gen 30, 1). É o cumprimento do mandato divino “sede fecundos e multiplicai-vos (Cf. Gen. 1,28), pois “não é bom que o homem esteja só” (Cf. Gen. 2,88). “Por isso - lembra o Concílio Vaticano II - o autêntico cultivo do amor conjugal, e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do matrimônio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do criador e salvador, que por meio deles aumenta cada dia mais e enriquece a sua família” (Cf. Gaudium et Spes, n. 50).


fonte: https://www.facebook.com/padrepaulo