sexta-feira, 4 de julho de 2014

A Transubstanciação


Ano 1263 - Bólsena (Itália)


Se a insigne Catedral de Orvieto é célebre na Itália e fora dela, graças a sua beleza artística e especialmente pela riqueza e magnificência de sua fachada, não é menos notável e querida aos devotos filhos da Igreja Católica, porque guarda o tesouro inestimável de uns Corporais¹ manchados com o sangue vivo do Redentor. 
O acontecimento prodigioso se acha confirmado pela autoridade de setenta e oito historiadores italianos e estrangeiros, entre os quais figuram Baronius, Muratori, Panvinius e Ughelli. 
O fato se passou em 1263, quando o Papa Urbano IV se refugiou com a Corte Pontifícia em Orvieto, a fim de proteger-se das sacrílegas vexações que os apaniguados de Mafredi, intruso rei da Sicília, cometiam contra o Patrimônio de São Pedro. 
Nessa ocasião aconteceu de passar por Bólsena, que então pertencia à diocese de Orvieto, um sacerdote alemão que se dirigia em peregrinação a Roma. 
A finalidade de sua viagem era venerar o sepulcro dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, e impetrar, por sua mediação, a graça de se ver livre das impertinentes dúvidas que desde algum tempo o afligiam com relação à presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. Antes de prosseguir viagem, o peregrino entrou na igreja dedicada à Virgem e Mártir Santa Cristina, para rezar a Santa Missa. 
Estava o sacerdote celebrando o Santo Sacrifício quando, no ato de sustentar a Hóstia já consagrada para parti-La sobre o cálice, esta se converteu toda em carne e sangue, com exceção de um pequeno fragmento que tinha entre os dedos. As gotas de sangue que se desprendiam da sagrada Hóstia marcaram os Corporais.
Assombrado o sacerdote, e desejando ocultar aquele sangue, dobrou os Corporais, mas em vão, porque até nas dobras deles se reproduziram vinte e cinco manchas, nas quais aparece impressa a imagem do Salvador, no triste aspecto com que foi mostrado ao povo judeu por Pilatos.
Espantado e quase fora de si pelo prodígio, sem força nem ânimo para continuar a Santa Missa, o celebrante tomou a sagrada Hóstia convertida em carne junto com os Corporais e o purificador, desceu os degraus do altar e foi levando tudo à sacristia. Neste caminho aconteceu que da Hóstia sacrossanta e dos lenços sagrados caíram algumas gotas de Sangue, ficando marcadas as manchas em quatro pedras distintas do pavimento, que era de mármore. 
Uma dessas pedras se venera no próprio altar em que ocorreu o prodígio, e a outra no altar-mór da nova igreja, denominada "do Milagre". 
Sumamente comovido o sacerdote por todo o ocorrido, tomou a determinação de ir a Orvieto, onde lançou-se aos pés do Sumo Pontífice e lhe pediu a absolvição de suas faltas, relatando a história do prodigioso sucesso. 
Informado do fato, ordenou o Papa ao bispo de Orvieto que fosse a Bólsena e dali trouxesse as sacrossantas relíquias. Chegado o bispo, na presença do clero e de uma multidão imensa de povo que havia acudido, tomou na sacristia da igreja de Santa Cristina a Hóstia adorável e os sagrados lenços tintos de sangue, e acompanhado por sacerdotes e pelo povo se dirigiu a Orvieto. 
Junto à ponte que atravessa a torrente chamada Riochiaro, lhe foi ao encontro o Sumo Pontífice, acompanhado do Sacro Colégio dos Cardeais, de eclesiásticos, associações religiosas, autoridades civis e militares e de uma inumerável multidão de fiéis.
Profundamente inclinado e de joelhos em terra, o supremo Hierarca da Igreja adorou o Santíssimo Sacramento, e tomando das mãos do bispo a sagrada Hóstia convertida em carne, assim como os Corporais manchados com o preciosíssimo Sangue de Jesus Cristo, conduziu em procissão até a cidade, entre os devotos cânticos do clero e do povo, depositando-os no sacrário da Catedral.
Essa foi, depois da de Daroca, na Espanha, a segunda procissão de Corpus Christi
Na verdade, foi providencial o admirável acontecimento, pois determinou ao Sumo Pontífice Urbano IV instituir em toda a Igreja Católica a festividade de Corpus Christi, que já havia algum tempo lhe era pedida pela Beata Juliana, cisterciense de Liège. 
Essa solenidade anual foi decretada pela Bula Transiturus, publicada em Orvieto no ano de 1264, e fixada para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes. 
O prodigioso acontecimento deu mais tarde motivo a que os orvietanos edificassem sua magnífica Catedral, na qual se encontra reunido tudo quanto se pode desejar de harmônico, rico, belo e grande na arquitetura, pintura, escultura e obra de mosaico. 
Os sagrados Corporais manchados com o prodigioso Sangue são venerados na mesma Catedral, dentro de um precioso tabernáculo. 

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1. Corporais: Tecido que se coloca no altar embaixo do Cálice para reter qualquer partícula da Sagrado Hóstia ou gotícula do Sagrado Sangue que por ventura venha a cair sobre o altar. 


Livro Milagres Eucarísticos - Pe. Manuel Traval y Roset S.J. 

sábado, 15 de março de 2014

Nossa Senhora da Misericórdia



Nantes (França)

No século VIII já havia uma capela dedicada a Nossa Senhora, mas o Santuário foi construído no ano de 1026; depois da revolução, tornou-se igreja paroquial.
O título - Nossa Senhora da Misericórdia originou-se de um voto feito pelos habitantes do lugar, que pediam misericórdia à Virgem Santíssima, por viverem aterrorizados por causa de um dragão. 
A peregrinação a este Santuário é no domingo do Divino Espírito Santo, sendo precedida de uma novena. 

(Versão do livro " Mille Pèlerinages de Notre-Dame", de I. Couturier de Chefdubois).

Fonte: livro Maria e seus gloriosos títulos

Nossa Senhora do Santo Cordão


Valenciennes (França)

No ano de 1008 a peste assolava Valenciennes, tendo vitimado, em poucos dias, oito mil pessoas. 
Um piedoso eremita, condoendo-se dos moradores da cidade, retirou-se para uma floresta vizinha, para pedir a proteção da Mãe de Deus, que, bondosa como sempre, atendeu as suas súplicas, prometendo-lhe que manifestaria o seu poder na noite de 7 para 8 de setembro, festa da sua Natividade. 
E assim aconteceu: nessa noite um grande clarão se espalhou pelos ares!
Os habitantes da cidade, saindo amedrontados para as ruas, viram a Mãe de Deus resplandecente de glória e cercada de Anjos, a um dos quais entregou um novelo de cordão, com a ordem de rodear a cidade. O Anjo, obedecendo, circundou-a, desenrolando o novelo, e, finda a sua tarefa, a visão desapareceu, cessando a peste nesse momento. 
A alegria foi indescritível, e eis que regressa o eremita, anunciando que, para agradecerem tão grande benefício, fariam uma procissão ao redor da cidade, e, à medida que a procissão avançava, iam recolhendo o maravilhoso cordão, que foi guardado num relicário de madeira dourada. 
As autoridades da cidade se comprometeram nesse dia, por um voto, a fazerem todos os anos a mesma procissão, no dia da festa da Natividade de Nossa Senhora. 
O milagroso cordão, que livrou várias vezes Valenciennes da peste, foi depositado em uma capela que Carlos Magno tinha mandado construir em honra de Nossa Senhora. 
A igreja atual de Nossa Senhora do Santo Cordão foi construída em substituição da primitiva, que datava do século XIII, e tinha sido demolida depois da Revolução. 
A peregrinação atual ainda circula a cidade. 

(Versão do livro "Mille Pèlerinages de Notre- Dame".)

Fonte: livro Maria e seus gloriosos títulos

sexta-feira, 14 de março de 2014

Nossa Senhora de Fourvière


Lyon (França)

A cidade de Lyon foi fundada pelo cônsul Lucius Muniatus Plancus no ano de 41 antes de Cristo, e, pouco depois de sua fundação, a nova cidade tornou-se a capital da Gália céltica, desenvolvendo-se rapidamente.
Trajano fez construir aí um monumento magnífico - o "Forum trajani", denominado mais tarde "Forum vetus", nome transformado, com o tempo, em "Fortvieil", e , depois, em "Fourvière". 
No meado do século II foi São Pothin da Grécia para Lyon, para implantar aí a nova fé, que fez rápidos progressos. 
As perseguições contra aos cristãos começaram em Lyon sob Marco Aurélio, tendo sido martirizado São Pothin, primeiro bispo de Lyon e apóstolo das Gálias, na idade de 90 anos, juntamente com muitos outros cristãos, entre os quais Santo Irineu e Santa Blandina. Mas a fé dos neófitos tornou-se, depois dessas dolorosas provações, mais firme e mais forte. 
No século IX, em uma capela dedicada a Nossa Senhora, tem sua origem o título -  Nossa Senhora de Fourvière, por ter sido a capela construída, em parte, com materiais provenientes do Forum construído por Trajano, cujo nome, no decorrer dos séculos, tinha-se transformado em "Fourvière". 
A atual Basílica de Fourvière, construída no lugar da primitiva capela, numa colina, a 340 metros de altitude, é um dos Santuários mais venerados da cristandade. 
Por ocasião da peste de 1643, fizeram os habitantes de Lyon o voto de ir em peregrinação, anualmente, no dia 8 de setembro, ao Santuário de Fourvière, "para conseguir de Nossa Senhora uma proteção especial para a sua cidade". 
As peregrinações a Nossa Senhora de Fourvière datam dessa época. 
A nova Basílica data de 1872, foi idealizada pelo arquiteto Pedro Bossan. 
Nossa Senhora de Fourvière é festejada principalmente a 8 de setembro e 8 de dezembro. 
A 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição, a colina de Fourvière é ornamentada e iluminada, e a própria cidade fica toda em festa, manifestando assim a sua fé profunda, e a devoção a Nossa Senhora, Protetora da cidade. 

(Versão adaptada do livro "Mille Pèlerinages de Notre-Dame", de I. Courturier de Chefdubois.)

Fonte: livro Maria e seus gloriosos títulos