domingo, 3 de junho de 2018

O Batismo


Os sacramentos em geral

1. O sacramento é um sinal visível da graça invisível, instituído para nossa santificação.
2. Chama-se ao sacramento sinal visível de graça, porque não só confere a graça, mas também a significa ou representa por meio de coisas sensíveis.
3. Nosso Senhor Jesus Cristo, instituiu os sacramentos deixando neles a virtude dos seus merecimentos. E instituiu-os a fim de nos comunicar as graças necessárias para a nossa santificação.
4. Os sacramentos são sete, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio.
5. Sabemos que há sete sacramentos e que não são nem mais nem menos pela doutrina constante e pela tradição da Igreja.
6. Para fazer o sacramento requerem-se três coisas: matéria, fórmula e intenção do ministro. A matéria é aquela coisa que se emprega para fazer o sacramento, como a água no Batismo. A fórmula são as palavras que se proferem quando se administra o sacramento. A intenção do ministro é a vontade de fazer o que faz a Igreja.
7. Há duas espécies do sacramentos, os sacramentos de vivos e os sacramentos de mortos.
8. Sacramentos de vivos são: Confirmação, Eucaristia, Extrema-Unção, Ordem e Matrimônio. Chama-se assim, porque para os receber digna e proficuamente é necessário que a alma viva da vida da graça.
9. São dons os sacramentos de mortos: Batismo e Penitência. Chama-se assim, porque são instituídos para aqueles que estão mortos para a graça de Deus.
10. Há três sacramentos que podemos receber somente uma vez, o Batismo, a Confirmação e a Ordem, porque imprimem em nossa alma um caráter indelével, isto é, que não se apaga nunca.
11. Os sacramentos de necessidade são os cinco primeiros, sendo os dois últimos de livre escolha.
12. Os efeitos dos sacramentos são dois; o primeiro e principal é conferirem os sacramentos de mortos a graça santificante, e o aumento da graça no sacramento de vivos; o segundo é o caráter que imprimem alguns deles. Além da graça santificante, conferem os sacramentos a graça sacramental, a qual, com quanto não seja distinta da santificante, acrescenta certo auxílio divino para conseguir o fim do sacramento que a causa e de que ele toma o nome. 
13. Todos aqueles que recebem os sacramentos recebem o caráter; porém a graça recebem-na só aqueles que se acham dispostos.
14. O ministro ordinário dos sacramentos é: O Papa em todo o orbe católico, o Bispo na própria diocese e o Pároco na sua paróquia. 

O Batismo

15. O batismo é o primeiro e o mais necessário de todos os sacramentos, no qual, pela ablução exterior e a invocação da Santíssima Trindade, o homem é purificado de todos os seus pecados.
16. O batismo produz os seguintes efeitos: 1º aos meninos lava-os da culpa original, e aos adultos perdoa-lhes também os pecados atuais que tiverem cometido até então e a pena que lhes é devida; 2º faz-nos filhos de Deus por adoção; 3º faz-nos membros da Igreja; 4º dá-nos direito à herança celestial.
17. A matéria deste sacramento é a água simples e natural, isto é, toda a água que não é artificial ou destilada.
18. A formúla são as palavras seguintes: Eu te batizo [ N...] em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, - que devem ser pronunciadas pela pessoa que batiza. 
19. Para batizar, deve lançar-se a água sobre a cabeça da criança, dizendo ao mesmo tempo as palavras da fórmula e tendo intenção de fazer o que faz a Igreja.
20. O ministro ordinário do batismo é o Bispo, o pároco ou um sacerdote com delegação sua.
21. Em caso de necessidade todo homem ou mulher pode batizar, mas sem as cerimônias da Igreja. A criança assim batizada deve pois ser levada à Igreja para receber os santos óleos e as cerimônias, e para se lhe abrir assento no registro paroquial.


Explicação da gravura

22. A gravura representa na parte superior o batismo de Nosso Senhor, e na parte inferior o batismo de uma criança.




Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

A GRAÇA


1. Não podemos observar os mandamentos, praticar a virtude, evitar o pecado só com as nossas forças: é-nos precisa a graça de Deus.
2. A graça é um dom sobrenatural, que Deus nos concede gratuitamente em virtude dos merecimentos de Jesus Cristo para efetuar a obra da nossa salvação.
3. Há duas espécies de graça, a graça habitual, ou santificante, e a graça atual ou auxiliante.
4. A graça habitual ou santificante é um dom sobrenatural, estável e permanente, que o Espírito Santo infunde gratuitamente pelos merecimentos de Jesus Cristo em nossa alma, a fim de tornar aceita e agradável a Deus e herdeira do paraíso. Esta graça é muito apreciável; é a graça por excelência, aquele dom perfeito, superior a todos os dons e sem o qual todos eles são perdidos, porque, sem a graça santificante, não há salvação para o homem.
5. Podemos perder esta graça; basta um só pecado mortal para nos fazer perder a graça habitual.
6. A graça atual ou auxiliante, é todo o auxílio divino e de momento, que nos excita, nos move e ajuda a praticar a virtude e a fugir do mal.
7. A graça atual é-nos tão necessária, que sem ela não podemos fazer coisa alguma útil para a salvação.
8. Deus concede-nos a graça atual todas as vezes que é necessária, e que a pedimos devidamente.
9. Podemos infelizmente resistir à graça, e lhe resistimos demasiadas vezes.
10. A graça atual é um socorro ou interior, ou exterior. A graça auxiliante interior consiste na luz sobrenatual que Deus dá ao entendimento e nos bons movimentos que dá aos corações. A graça atual exterior consiste nos sermões, nos bons exemplos, nos bons conselhos, nos milagres, nos castigos dos pecadores, até nas doenças e enfermidades, etc, enfim em todo o auxílio exterior que nos leva ao cumprimento de nossos deveres.
11. Não podemos merecer os auxílios da graça: Nosso Senhor os dá gratuitamente; mas podemos perdê-los.
12. Deus dá a graça atual a todos os homens, porque quer que todos os homens se salvem, e porque Nosso Senhor morreu na cruz por todos.
13. Podemos alcançar a graça de Deus por dois meios: pelo uso dos sacramentos recebemos a graça santificante; e pela oração a graça auxiliante.
14. A graça habitual, já o dissemos, perder-se pelo pecado mortal, e diminui pelo pecado venial.
15. Podemos recuperar a graça perdida pelo sacramento de Penitência, ou por um ato de contrição perfeita, acompanhado do desejo de nos confessarmos.
16. Geralmente falando, pode chamar-se graça a todo o favor que Deus nos faz; e neste sentido, a multidão inumerável de benefícios que temos recebido desde o primeiro instante do nosso ser, e que estamos recebendo em todos os momentos da nossa vida são outras tantas graças que Deus nos dispensa e que estão pedindo o nosso continuo e eterno agradecimento.
17. A posse da graça habitual chama-se estado de graça. Neste feliz estado, amamos a Deus e Deus nos ama, e todas as nossas ações, mesmo as mínimas, tornam-se sobrenaturais e merecedoras do paraíso.

Explicação da gravura

18. Na parte superior à direita, São Paulo está representado dando-nos o exemplo da fidelidade à graça. Um dia, como se dirigia à cidade de Damasco com intenção de prender todos os cristãos que nela encontrasse, ouviu uma voz que lhe disse: Saulo, Saulo, por que me estás perseguindo? Respondeu-lhe: Quem sois, Senhor? E a voz respondeu-lhe: Sou Jesus a quem tu persegues. E São Paulo disse: Senhor, que quereis que eu faça?
19. Na parte superior esquerda, vê-se a Nosso Senhor falando com a mulher samaritana.
20. A alma em estado de graça está representada por uma virgem com um lírio na mão. Está olhando para o céu e o Espírito Santo habita no seu coração. A alma em estado de pecado está representada por uma mulher, presa com cadeias pelo demônio que tomou posse do seu coração.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Catecismo - Duodécimo artigo (continuação): Creio na vida eterna.


O Inferno

1. O inferno é um lugar de tormentos, no qual estão os condenados, para sempre separados de Deus, e sofrendo suplícios eternos com os demônios.
2. Os que vão para o inferno são todos os que morrem em pecado mortal.
3. O tormento dos condenados no inferno consiste  em duas penas, a pena do dano e a dos sentidos.
4. A pena do dano consiste em uma grande aflição de terem perdido por sua culpa a bem-aventurança, e de serem privados para sempre da vista de Deus.
5. A pena dos sentidos consiste principalmente no fogo eterno, que Jesus Cristo mencionou no seu Evangelho e noutras penas.
6. As penas do inferno hão de durar sempre. Jesus Cristo, com efeito, declara no Evangelho que no juízo final os maus serão condenados ao fogo eterno, e numa outra passagem repete três vezes que o bicho que roe os condenados nunca há de morrer, e que o fogo que os devora nunca se há de apagar.
7. Assim como no céu os escolhidos serão premiados infinitamente, e por assim dizer, divinamente; do mesmo modo no inferno os condenados serão infinitamente e divinamente castigados.
8. Todos os condenados ficarão para sempre privados da vista e presença de Deus; mas a gravidade das outras penas será proporcional ao número e qualidade dos pecados que cometeram.
9. A lembrança do inferno é muito própria para reprimir as paixões e afastar os homens do pecado. Com efeito, seria preciso ser arrastado ao mal com uma violência extrema, para não sermos reconduzidos à pratica da virtude por este salutar pensamento, de que um dia teremos de comparecer perante o supremo Juiz que é a própria justiça, e dar-lhe conta não só de todas as nossas ações e palavras, mas também dos mais secretos pensamentos, e sofrer o castigo merecido.


Explicação da gravura


10. Dá-nos a gravura uma pequena ideia do inferno. Na parte superior veem-se sete entradas marcadas com as iniciais dos sete pecados capitais. A letra O designa o orgulho ou soberba, A avareza, L luxúria, I inveja, G gula, C cólera ou ira, P preguiça. Isto indica que os pecados capitais são os que principalmente levam o homem ao inferno. Sobre cada letra está um animal simbólico. O 
pavão representa o orgulho, o sapo a avareza, o bode a luxúria, a serpente a inveja, o porco a gula, o leão a ira, a tartaruga a preguiça.
11. O fogo é a pena comum a todos os condenados, sofrendo cada um conforme os seus pecados.
12.  Na letra O veem-se os orgulhosos arrastados aos pés de Lúcifer e obrigados a ajoelhar-se diante dele, porque na vida não quiseram adorar a Deus.
13. Na letra A veem-se os avarentos com uma bolsa no pescoço, significando que eles preferiram os bens terrenos aos do paraíso.
14. Na letra L veem-se os impuros feridos cruelmente pelos demônios.
15. Na letra I os invejosos são enlaçados por terríveis repteis.
16. Na letra G vemos os que pecam por gula, que são devorados por uma fome e sede cruéis.
17. Na letra C os coléricos e vingativos arrancam desesperados os cabelos.
18. Na letra P os preguiçosos são picados com pontas de fogo e encerrados nas chamas eternas.
19. Os transgressores dos dez mandamentos e os profanadores dos sete sacramentos são esmagados por um animal de sete cabeça e dez pontas. 
20. Na parte inferior esquerda, veem-se centauros esmagando os hereges, e os que combateram a religião com maus livros e maus jornais.
Ao centro vê-se um relógio que marca sempre a mesma hora, que é a eternidade. Quer-se significar com isto que as penas dos condenados durarão para sempre e que uma vez entrados no inferno, nunca jamais dele hão de sair.




Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Catecismo - Duodécimo artigo: Creio na vida eterna



1. Devemos ver neste artigo que depois desta vida há de haver outra que há de durar para sempre, os bons com glória eterna no céu, e os maus com penas eternas no inferno.
2. Sabemos que há de haver outra vida depois desta, porque Deus nos revelou, e que uma outra vida é necessária para prêmio dos bons e castigo dos maus. 

O céu

3. O céu ou paraíso é um lugar de delícias, no qual os Anjos e os Santos gozam duma felicidade eterna e perfeita pela vista e posse de Deus.
4. Os que vão para o céu são aqueles que, tendo morrido em estado de graça, satisfizeram inteiramente a justiça de Deus.
5. Nem todos os bem-aventurados gozarão do mesmo prêmio; todos verão a Deus, mas a felicidade será à proporção dos seus merecimentos.
6. Sabemos que os santos veem Deus no céu, pelas palavras de Nosso Senhor dizendo: Bem-aventurados os de coração puro, porque verão a Deus.
7. A felicidade dos céus é tão grande, que não podemos compreendê-la cá na terra, onde nada pode dar-nos uma ideia do que é o céu. São Paulo diz: Os olhos do homem não viram, nem os ouvidos ouviram, nem jamais veio ao coração do homem o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
8. A felicidade eterna consiste, dizem os santos Padres, na ausência de todo o mal e na posse de todo o bem. No que toca ao mal, lemos no Apocalipse de São João: Os bem-aventurados não terão fome nem sede nunca jamais, nem cairá sobre eles o sol nem ardor algum. Deus lhes enxugará todas as lágrimas de seus olhos, e não haverá mais morte, nem mais choro, nem mais gritos, nem mais dor, porque as primeiras coisas são passadas. No que toca aos bens, a glória dos escolhidos será imensa, possuirão ao mesmo tempo todos os gozos, todas as delícias, porque possuirão a Deus, fonte de infinita felicidade.
9. Atualmente, os santos estão no céu só em alma; os seus corpos não entrarão ali senão depois da ressurreição e do juízo final.
10. Os bem-aventurados hão de contemplar Deus eternamente, e esse dom, o mais excelente e admirável de todos, os tornará participantes da natureza mesmo de Deus e lhes dará a posse completa e definitiva da verdadeira felicidade.

Explicação da gravura

11. Esta gravura representa o céu. Ao centro estão as três Pessoas divinas assentadas num triângulo sobre um trono de glória, cercado pelos anjos. Muitos deles tocam instrumentos diversos, outros queimam incenso em turíbulos. A Virgem Santa, sua Rainha, está a frente deles, à direita de Jesus Cristo seu filho e num trono inferior ao trono de Deus mas superior a tudo o que não é Deus.
12. No segundo plano, figuram, à direita, São João Batista, Moisés, Davi, Abraão e outros santos do Velho Testamento; à esquerda, São José, São Pedro e os outros Apóstolos, um Evangelista com um livro, e muitos santos do Novo Testamento.
13. No terceiro plano veem-se outros santos, entre os quais alguns mártires, como Santo Estevão; santos pontífices, um santo Rei, virgens santas e mártires, como Santa Cecília e Santa Catarina e santas mulheres, como Santa Maria Madalena.
14. Santo Estevão segura na mão uma pedra, porque sofreu o martírio do apedrejamento.
15. Santa Cecília tem uma harpa, porque cantava louvores a Deus ao som de instrumentos músicos.
16. Santa Catarina tem aos pés uma roda quebrada, porque a condenaram à morte por meio de uma roda armada de instrumentos cortantes, mas a roda quebrou-se, mal a puseram em movimento.
17. Santa Maria Madalena segura num vaso, porque derramou um dia sobre a cabeça de Nosso Senhor um vaso cheio de precioso perfume.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910 (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica).
Edição da Juventude Católica de Lisboa.