sábado, 30 de setembro de 2017

Catecismo - 5º artigo: E desceu aos infernos.

 
1. As palavras: e desceu aos infernos, significam que, morto Jesus Cristo, a sua alma desceu aos infernos, onde se demorou todo o tempo que o seu corpo permaneceu no sepulcro, e que a mesma pessoa de Jesus Cristo esteve ao mesmo tempo nos infernos e no sepulcro. Não deve isso parecer estranho,  pois que, embora a alma de Jesus Cristo se separasse do seu corpo, todavia a divindade ficou sempre unida à sua alma e ao seu corpo.
2. Deve entender-se pela palavra inferno os lugares ocultos, os depósitos em que são retidas, como prisioneiras, as almas que não podem gozar logo da beatitude eterna. Neste sentido a Sagrada Escritura emprega esta palavra em muitas passagens. Foi ainda neste sentido que São Paulo disse que em nome de Jesus Cristo todos os joelhos se dobram no céu, na terra e nos infernos.
3. Não obstante designados todos pelo nome de infernos, estes lugares não são iguais. Um deles é como que uma prisão escuríssima e horrível, onde as almas dos condenados estão continuamente atormentadas pelos demônios com um fogo que não se pode extinguir. Denomina-se este lograr a gehenna, o abismo, e com mais propriedade o inferno.
4. No segundo destes lugares encontra-se o fogo do purgatório. As almas dos que morreram em graça permanecem ali durante um certo tempo, até se purificarem de todo, e poderem entrar na pátria eterna, onde não pode ter guarida nem haver a sombra do pecado.
5. Ao terceiro destes lugares chama-se limbo, e neste eram recebidas, antes da vinda de Jesus Cristo, as almas dos santos, que ficavam ali sem descanso, sem nenhum sentimento de dor, na esperança da sua redenção. E foram propriamente as almas destes santos que esperavam o seu salvador no seio de Abraão, que Nosso Senhor libertou quando desceu aos infernos.
6. É um erro supor que Jesus Cristo desceu a estes lugares apenas para fazer brilhar o seu poder. Devemos acreditar firmemente que a sua alma desceu com efeito aos infernos e que se tornou ali realmente presente, como expressamente o indicam estas palavras de David: "Não deixareis a minha alma nos infernos."
7. Esta descida de Jesus Cristo aos infernos em nada diminuiu o seu poder e majestade, e as trevas destes lugares não embaçaram no mundo o brilho de sua glória. Pelo contrário, devemos ver neste fato, não só que era rigorosamente verdadeiro tudo o que se dissera da santidade de Jesus Cristo, como também que Este era Filho de Deus, como já o tinha provado pelos seus milagres.
8. Isto se compreenderá facilmente se compararmos as razões que levaram Jesus a descer aos infernos, com as razões que obrigam os outros homens a encontrar-se ali. Os homens tinham descido ali como cativos, ao passo que Jesus Cristo desceu como aquele que, sendo o único livre entre os mortos e o único vitorioso, ia afugentar os demônios que os retinham ali tão severamente encerrados por causa das suas culpas.
9. E desceu não apenas para arrebatar ao demônio os seus próprios despojos, libertando deste cativeiro as almas dos santos Padres e os outros Judeus ali detidos, como ainda para entrar triunfalmente no céu em sua companhia, o que fez de um modo admirável e glorioso, porque a sua presença derramou uma luz brilhantíssima neste lugar onde estavam os felizes cativos, dilatando-lhes os corações de uma inconcebível alegria e fazendo-os gozar da suprema beatitude, que consiste na união com Deus.
 
 
Explicação da gravura
 
10. Esta gravura representa a alma de Jesus Cristo aparecendo no limbo. Figuram no primeiro plano Adão e Eva de joelhos; seguem-se à esquerda, Abraão brandindo o gladio contra Isaac; Jacó com seu cajado na mão; David com a sua lira, etc., à direita,  Moisés de cuja frente irradiam raios de luz; Aarão com a sua vara; São José segurando uma açucena. Nosso Senhor permaneceu na companhia deles até a sua ressureição.
11. No plano superior vê-se o inferno onde ardem os demônios e os condenados. Jesus Cristo não desceu a este abismo de dores, nem ao purgatório; fez todavia sentir aos condenados a sua ação, dando-lhes a conhecer a sua divindade, e às almas do purgatório dando-lhes a esperança de glória.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910. (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica)
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

sábado, 19 de agosto de 2017

Catecismo - 4º artigo: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

 
 
 

O Mistério da Redenção

1. O mistério da Redenção é o mistério do Filho de Deus morto na cruz para resgatar todos os homens.
2. Estas palavras: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, significam que durante o governo de Pôncio Pilatos na Judéia foi que Jesus Cristo sofreu as maiores dores na sua alma e no seu corpo.
3. Na sua alma Jesus sofreu o desconforto, o pavor, uma tristeza mortal: "A minha alma, dizia, está triste de morte".
4. No seu corpo Jesus Cristo sofreu tais tormentos que o profeta Isaías o chamava "um homem de dores, um homem ferido por Deus, e despedaçado por via dos nossos crimes".
5. Não eram necessários tantos sofrimentos para a nossa redenção, pois que teria bastado a Jesus Cristo derramar uma só gota de sangue, pelo seu merecimento infinito, para a obra da redenção.
6. Quis Nosso Senhor sofrer assim para nos mostrar bem o seu amor e para nos inspirar um maior horror pelo pecado que foi a causa da nossa morte.
7. Jesus Cristo sofreu: 1º No jardim das Oliveiras; 2º em casa de Caifás; 3º em casa de Herodes; 4º em casa de Pilatos; 5º no Calvário.
8. No jardim das Oliveiras Jesus Cristo sofreu as dores da agonia, tão grandes que o fizeram suar um suor de sangue. Foi nesse jardim que Judas, um dos seus Apóstolos, o entregou aos seus inimigos, dando-lhe um beijo.
9. Em casa de Caifás, Jesus foi negado três vezes por São Pedro, esbofeteado, coberto de opróbios, declarado réu de morte por se dizer filho de Deus.
10. Em casa de Herodes, tetrarca da Galileia, vindo a Jerusalém para celebrar a Páscoa, vestiram a Jesus uma túnica branca, por escárnio, tratando-o como a um louco.
11. Em casa de Pilatos, açoitaram Jesus Cristo, coroaram-no de espinhos, e condenaram-no a morrer na cruz, embora o juiz tivesse reconhecido a sua inocência.
12. No Calvário, deram a beber a Jesus Cristo fel e vinagre e crucificaram-no entre dois ladrões. Pregado na cruz, pediu a seu Pai que perdoasse aos algozes; prometeu o paraíso ao bom ladrão; recomendou sua mãe a São João e deu São João por filho à sua Mãe, e depois de ter dito que tudo estava consumado, entregou o espírito nas mãos de seu Pai.
13. Estas palavras do símbolo: foi morto, significam que a alma de Jesus Cristo se separou de seu corpo, mas a divindade permaneceu unida à sua alma e ao seu corpo.
14. Jesus Cristo morreu em Sexta-Feira santa, perto das três horas da tarde.
15. Quando Jesus Cristo morreu, o sol eclipsou-se, a terra tremeu, as rochas abriram-se, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, e muitos mortos ressuscitaram, como se vê na gravura, no plano inferior à esquerda.
16. Após a morte de Jesus, um soldado rasgou-lhe o lado com um a lança, saindo da ferida sangue e água.
17. Nosso Senhor permitiu que lhe fizessem esta ferida para mostrar: 1º que nos tinha amado em extremo, vertendo por nós até a última gota do seu sangue; 2º que o seu coração permaneceria sempre aberto para derramar sobre nós a abundância de suas graças.
18. As palavras do símbolo: e sepultado, significam que depois de morto, o corpo de Jesus Cristo foi despregado da cruz e metido no túmulo.
19. Depois de sepultado Jesus, taparam a entrada do sepulcro com uma grande pedra, que Pilatos mandou selar, encarregando soldados de guardarem o túmulo.
20. Os Judeus tomaram estas preocupações para impedir que fosse roubado o corpo de Jesus, e Deus permitiu-as para tornar mais manifesta a sua ressureição.

Via Sacra

21. A Igreja recomenda aos fiéis o piedoso exercício chamado "Via Sacra", que lhes recorda em 14 estações a Paixão do Salvador. Concede numerosas indulgências a quem rezar a Via sacra com sincera devoção e contrição.

Explicação da gravura

22. A gravura representa a condenação de Jesus por Pilatos, Jesus açoitado, Jesus pregado na cruz e colocado entre dois ladrões, e a sepultura de Jesus.


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910. (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica)
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Catecismo - 3º artigo (continuação): Nasceu de Maria Virgem



 
Explicação da gravura
 
1. Ao centro, o Menino Jesus nasce do estábulo de Belém, cercado dos cuidados de Maria, sua Mãe, e de São José, seu pai adotivo. Perto da manjedoura onde o Menino repousa, um boi e um jumento, animais que, segundo a tradição, lá se encontravam.
2. Os pastores vem adora-lo, e no céu os anjos entoam o alegre cântico: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade.
 
 
Nascimento de Jesus Cristo

 
3. "E aconteceu naquele tempo que saiu um edito de César Augusto, para que fosse alistado todo o mundo. E este primeiro alistamento foi feito por Cyrino, governador da Síria. E iam todos alistar-se, cada qual à sua cidade. E saiu também José de Galileia da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, que se chamava Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com sua esposa Maria, que estava grávida. E estando ali aconteceu completarem-se os dias em que ela devia dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e o enfaixou e reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

Vida oculta de Jesus
 
4. Guiados por uma estrela milagrosa, os Magos, em números de três, vieram adorar o Menino Jesus, e ofereceram-lhe ouro como a um rei, incenso como a um Deus e mirra como a um homem mortal, por isso que a mirra era empregada para o embalsamento dos mortos.
5. Nosso Senhor foi apresentado no templo quarenta dias depois do seu nascimento, no segundo dia de fevereiro. A Santíssima Virgem cumpriu nesse dia a cerimônia da purificação, prescrita pela lei de Moisés.
6. Depois da apresentação no templo, os pais de Jesus levaram-no para o Egito, a fim de escapar à perseguição de Herodes, que o queria mandar matar.
7. Para conseguir o seu fim, Herodes mandou degolar todas as crianças até a idade de dois anos em Belém e seus arredores. Estas crianças são os chamados Santos Inocentes.
8. Morto Herodes, o Menino Jesus voltou para Nazaré, na Galileia, onde permaneceu até a idade de trinta anos.
9. A vida de Jesus em Nazaré foi uma vida ignorada, pobre e de trabalho.
10. Ensina-nos o Evangelho que durante este tempo Jesus Cristo frequentava o templo nos dias de festa, era obediente a seus pais, e à medida que ia crescendo em idade, mais dava mostras de sabedoria e santidade.

Vida publica de Jesus

11. Na idade de trinta anos, Jesus Cristo recebeu o batismo das mãos de São João Batista, nas águas do Jordão.
12. E retirou-se em seguida para o deserto onde jejuou durante quarenta dias permitindo ao demônio que o tentasse, para nos ensinar como devemos resistir às tentações.
13. Saindo do deserto, Jesus Cristo escolheu os seus doze apóstolos, e começou a pregar o Evangelho na Judéia.
14. Nosso Senhor tomou para seus apóstolos a uns pobres pescadores que não tinham nenhuma instrução e viviam do seu trabalho.
15. São os seus nomes: Simão chamado Pedro, e André seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu, Tomé, Mateus o publicano, Tiago filho de Alfeu e Tadeu, Simão Cananeu e Judas Iscariota, o traidor.
16. A palavra Evangelho quer dizer "Boa Nova". A boa nova que Jesus Cristo anunciava era ser Ele Filho de Deus, o Messias ou Salvador prometido desde o princípio do mundo.
17. Jesus Cristo reforçava a sua doutrina com a prática de numerosos milagres. Fez o primeiro a pedido da sua Santíssima Mãe, mudando a água em vinho nas bodas de Caná, na Galiléia.
18. Para testemunhar o seu amor às crianças, Jesus acariciava-as com as mãos, abraçava-as e abençoava-as dizendo: Deixai vir a mim os pequeninos, porque destes tais é o reino dos céus.
19. Falando aos desgraçados, Jesus dizia: Vinde a mim, vós todos que sofreis, e eu vos consolarei.
20. Jesus recebia os pecadores com bondade, e dizia: Eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores.


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910. (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica)
Edição da Juventude Católica de Lisboa.


domingo, 16 de julho de 2017

Nossa Senhora do Carmo

 
Festa a 16 de julho
 
 
 Os religiosos Carmelitas, perseguidos pelos sarracenos, abandonaram o monte Carmelo e os lugares vizinhos da Palestina, e foram para a Europa, onde procuraram estabelecer-se; porém, como a Ordem Carmelitana, nessa época, era violentamente perseguida no Oriente pelos infiéis, tornou-se no Ocidente o alvo de muitas prevenções e injustiças.
 
Nestas tristes ocorrências, Simão Stock, que por sua eminente santidade tinha sido eleito em  1245 Superior Geral da Ordem, voltou-se para Maria, pedindo-lhe com as mais fervorosas orações que protegesse a sua Ordem do Carmo, e lhe desse algum sinal sensível de sua proteção.
 
"Ó Virgem Maria", dizia ele, "tomai nossa defesa, e mostrai que sois nossa Mãe!"
 
Comovida pelas súplicas de seu servo, a Mãe de Deus apareceu-lhe a 16 de julho, tendo na mão o escapulário do Carmo, que Ela lhe entregou, pronunciando estas palavras: "Recebe, meu querido filho, este escapulário como sinal da minha confraria, e prova do privilégio que obtive para ti e para todos os Carmelitas; é um sinal de salvação, um escudo nos perigos, um penhor de paz e aliança eterna. Aquele que morrer revestido deste escapulário será preservado do fogo eterno".
 
Esta aparição teve lugar em Cambridge, no condado do mesmo nome, a 16 de julho de 1251.
 
Mal se espalhou a notícia dessa aparição, a Ordem dos Carmelitas, tão perseguida até esse dia, não só recuperou a paz, mas também se tornou objeto de simpatia, tendo-se multiplicado prodigiosamente.
 
O bem aventurado Simão Stock (hoje São Simão Stock), depois de ter trabalhado com muito zelo na difusão do santo escapulário, morreu cheio de merecimentos, em Bordéus, no dia 16 de julho de 1265.
 
A Ordem dos Carmelitas tirou seu nome da montanha do Carmelo, na Palestina, na qual habitava o santo profeta Elias, que os Carmelitas honram como seu fundador.
 
Novecentos anos antes de Cristo, já os eremitas do monte Carmelo prestavam culto profético à futura Mãe do Redentor do mundo, que Santo Elias simbolizara na nuvenzinha que ele viu erguer-se do mar, e, alargando-se sobre a terra, desfazer-se em chuva copiosa e fecunda, depois de longa seca, com que Deus provara o seu povo.
 
Desde então o profeta Elias e seus companheiros honraram e veneraram, com toda a devoção, a essa Virgem Santíssima, que um dia havia de vir ao mundo para ser a Mãe de Deus, a corredentora do gênero humano.
 
A Ordem da Virgem Maria (sem qualquer título), como acham os Carmelitas que devia chamar-se a sua Ordem, foi posteriormente chamada pelo povo cristão de - Ordem de Nossa Senhora do Carmo.
 
"Carmo" (abreviatura de Carmelo), para distingui-los das outras Ordens religiosas, e assim Nossa Senhora granjeou mais um título, e título glorioso, por meio do qual Maria tem dispensado favores sem conta, beneficiando a pobre humanidade sofredora.
 
Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
 
(Este resumo foi escrito depois de consultados várias notícias a respeito).
 
Fonte: Edésia Aducci - Nossa Senhora e seus gloriosos títulos - 2º Edição, 1960. Editora Lar Católico