sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Nossa Senhora de Atocha

Século V

Madri (Espanha)


A origem da imagem de Nossa Senhora de Atocha remonta ao século V: por causa do grande triunfo obtido pela Igreja, contra a heresia de Nestório, no Concílio geral de Éfeso, foi esculpida por mãos espanholas, tendo sigo gravada em seu pedestal a palavra grega - "Teotokos", que significa - "Mãe de Deus", como prova do júbilo que havia produzido na Espanha a declaração da divina maternidade feita pelo mencionado Concílio. 
Não falta, porém, quem faça remontar a maior antiguidade ainda essa sagrada imagem, afirmando que quem a esculpiu, ou pintou, pelo menos, foi o Evangelista São Lucas, e também mencionam que a referida imagem é uma das que foram levadas em procissão pelas ruas de Roma pelo Papa São Gregório Magno, por ocasião da peste que assolou a dita cidade durante o seu pontificado.
Os que são desta opinião dizem que esta imagem foi levada para Toledo pelos primeiros discípulos de Jesus Cristo, e de lá transladada até o lugar em que foi edificada Madri, erigindo-se em sua honra uma ermida no lugar chamado de Vega, um dos primeiros onde recebeu culto a Rainha dos céus, depois de Saragoça.
Referem as crônicas, que entre os devotos que tinham em Madri a citada imagem, havia um que a venerava de modo singular. Chamava-se Gracián Ramirez. Tendo sido surpreendido em Madri pela irrupção dos mouros, e não podendo resistir, por falta de meios, a tão ominosa dominação, Gracián resignou-se a viver sob o jugo dos opressores, porém com a intenção de se levantar contra eles logo que lhe fosse possível. 
Enquanto não se oferecia essa ocasião, visita diariamente a ermida, onde continuava recebendo o culto dos fiéis a sagrada imagem da Virgem, pois os maometanos, nos primeiros tempos de sua denominação, com o fim de congraçar-se com os espanhóis e assim afrouxar a sua resistência, afetavam certa tolerância no que se referia às práticas do culto cristão, contanto que não traspassasse os limites do templo; logo, porém, que se firmasse o poder muçulmano, aquela tolerância se convertia, como aconteceu muitas vezes, na mais sangrenta perseguição contra quantos professavam a fé de Cristo. 
Visitava Gracián Ramirez, diariamente como já disse, a ermida de Nossa Senhora, por isso foi grande a sua surpresa, quando, ao ir certa tarde praticar suas costumadas devoções ante a venerada imagem, viu que esta havia desaparecido de seu altar, sem que nenhuma das pessoas a quem se dirigiu pudesse dar-lhe notícia dela. 
A princípio pensou que algum cristão a tivesse ocultado, para evitar alguma possível profanação da parte dos mouros; mas todos os espanhóis a quem consultou declararam que não haviam ousado apoderar-se da imagem, e que deploravam o acontecido, pois tudo induzia a crer que os mouros tinham entrado na ermida e roubado a imagem com fins sacrilégios. Mas as investigações que Ramirez fez entre os mouros também não deram nenhuma luz sobre o caso. Sem saber, portanto, a que atribuir o desaparecimento da imagem, triste pôs-se o bom Gracián a procurá-la pelo campo, recomendando com grande fervor à excelsa Senhora as suas pesquisas; atendendo-o a Mãe de Deus, eis que afinal encontra a imagem oculta em um campo de esparto (planta da família das gramíneas}; louco de alegria, que levá-la novamente para a sua ermida, porém, foi impossível removê-la dali!
Convenceu-se então Gracián de que a Virgem Maria desejava que sua imagem recebesse culto naquele lugar, e não onde estava a sua primeira ermida. 
Com esta convicção se dirigiu a seus parentes e amigos, aos quais se juntaram muitos outros cristãos, e, tendo todos concordado, decidiram edificar uma nova ermida, para o que se muniram de toda classe de materiais de construção, e em grande número se dirigiram para o lugar escolhido pela Santíssima Virgem para seu santuário. 
Aquela aglomeração de cristãos e os trabalhos de alvenaria em que estavam ocupados fizeram com que os mouros suspeitassem de que se tratava de levantar um forte  para hostilizá-los, apoiando dali algum assalto ao povoado. 
Com esta ideia, o "wali" que comandava a povoação pôs em pé de guerra vários de seus esquadrões. Quando Gracián viu  sobre ele e sua gente aquela avalanche de infiéis, o primeiro pensamento que lhe ocorreu, foi que a mulher e a filha, que estavam em sua companhia, naquela ocasião, iam ser vítimas dos mais infames ultrajes da parte daqueles infiéis, e que só com a morte podiam livrar-se deles. 
Horrível causa era para ele converter-se em verdugo de sua própria família mas, considerando preferível morrer com honra a viver sem ela, desembainhou a espada, e, depois de recomendar à mulher e a filha que se encomendassem brevemente a Deus por intercessão da Santíssima Virgem, decapitou-as, e ficou esperando que chegassem os mouros e dessem fim à sua vida; porém estava resolvido a vendê-la tão caro quando pudesse, pois sua intenção era matar o maior número de infiéis possível.
Do mesmo modo pensaram os cristãos que estavam com ele, de tal modo se bateram com os mouros, que os puseram em fuga, e, envoltos com eles, entraram em Madri, onde, auxiliados por outros cristãos, fizeram dos muçulmanos uma grande carnificina e se apoderaram da vila, expulsando os sobreviventes daquele grande desastre. 
Indescritível foi o júbilo dos cristãos por esta inesperada vitória, que com fundamento atribuíram a uma especial proteção da Santíssima Virgem Maria. 
E a imagem de Nossa Senhora recebeu desde aquele momento o nome de - "Atocha", que significa "esparto", e as obras da nova ermida foram logo terminadas como uma prova de gratidão devida a Nossa Senhora pelo grande benefício que por sua intercessão haviam recebido.
Mas, no meio de tanta alegria, só se achava triste e aflito D. Gracián, por causa do sacrifício da mulher e da filha. 
Como bom cristão e nobre espanhol, alegrava-se com o triunfo conseguido por mediação da Virgem Santíssima, e para ele contribuíra  com o valor e esforço de seu braço; porém, enquanto seus companheiros se espalhavam pela vila, atroando-a com os seus gritos de júbilo, ele dirigiu-se para o lugar onde estava a imagem, junto à ermida em construção, para desafogar aos pés de sua Mãe celeste a dor que lhe oprimia a alma.
Mas... quem poderá descrever seu pasmo ante o espetáculo que se ofereceu a seus olhos?!...
Diante da imagem de Nossa Senhora estavam ajoelhadas a mulher e a filha, vivas e sãs, e sem outro sinal de sua decapitação a não ser um fio roxo que, à maneira de purpurino colar, lhes rodeava o pescoço. 
Quedando imóvel, como se fosse vítima de alguma ilusão, foi mister que as duas lhe falassem, para convencer-se de que, por um milagre obrado por Deus a instâncias da sempre Virgem Maria, lhe haviam sido devolvidos aqueles seres queridos. 
A tradição coloca este terno episódio no quarto ano depois da invasão da Espanha pelos mouros. 
A devoção a Nossa Senhora de Atocha foi sempre crescendo e estabelecendo-se sobre sólidas bases, em quando o rei Afonso VI tomou Madri definitivamente, a veneranda imagem começou a ser objeto de um culto especial, não só pelas classes populares, mas também pelas mais elevadas, e particularmente por todos os monarcas da Espanha, os quais a tomaram por sua Padroeira e Advogada, sendo o seu santuário o primeiro templo que visitavam ao fazerem sua entrada em Madri. 
Do tempo do Imperador Carlos V, data a transformação do antigo Santuário de Nossa Senhora de Atocha em um suntuoso templo. 

(Versão resumida do Livro "La Virgen en España.)

fonte: Livro Maria e seus gloriosos títulos

Nossa Senhora da Correia


Lê-se na vida de Santa Mônica o fato seguinte, de onde se origina o título - Nossa Senhora da Correia. 
Estando ela um dia a chorar os extravios morais de seu filho Agostinho, apareceu-lhe Nossa Senhora, a quem invocara em sua aflição. A mãe de Deus, que estava vestida de preto, tendo à cintura uma correia da mesma cor, disse-lhe que se vestisse do mesmo modo, que assim conseguiria a conversão do filho. 
A correia ou cinto era comum entre as mulheres da Palestina. 
Santa Mônica começou a usar desde aquele dia o vestido preto e a correia. 
Convertido Agostinho, também ele começou a usar hábito preto e a correia,  como uma devoção especial a Nossa Senhora, hábito e correia que deu como distintivo a seus filhos espirituais, os Padres Agostinianos, por ele fundados em Tagaste (África), no ano de 388. 
Cresce a Ordem Agostiniano, e com ela a devoção a Nossa Senhora da Consolação e Correia espalhou-se pelo mundo inteiro. 
Hoje existe a Arquiconfraria da Sagrada Correia, que tem como Padroeira Nossa Senhora da Consolação e Correia, Arquiconfraria esta que no Brasil tem sua sede em São Paulo, na igreja Matriz de Santo Agostinho, à praça Santo Agostinho, 79, Vila Mariana. 
O título - Nossa Senhora da Correia é geralmente usado unido ao de Nossa Senhora da Consolação, provavelmente por ser Nossa Senhora, sob este título, a Padroeira da Arquiconfraria da Sagrada Correia. 

(Esta notícia também me foi enviada, por intermédio de uma amiga de São Paulo, pelos Revmos. Padres Agostinianos.)


fonte: Livro Maria e seus gloriosos títulos.



sábado, 21 de dezembro de 2013

Nossa Senhora D'Oropa

Oropa (Piemonte) - Itália



Nossa Senhora d'Oropa - eis mais um título proveniente do lugar onde foi levada, e onde se tornou milagrosa e célebre a imagem de Nossa Senhora. 
Vejamos resumidamente a história da imagem e do famoso Santuário de Nossa Senhora d'Oropa:
Ao nordeste de Biella, na província do Piemonte, fica o Vale d'Oropa, e numa altura de 1.200 metros, magnificamente situado, vemos o Santuário em que se venera uma milagrosa imagem de Nossa Senhora, que, segundo uma antiga tradição foi levada, por Santo Eusébio, da Terra Santa para o Vale d'Oropa; por causa de seu feitio e de sua cor (é de cedro bem escuro), esta imagem é tida por muito antiga, e pode ser muito bem da mesma época das milagrosas "Madonas pretas" veneradas nos célebres Santuários de peregrinações da França e da Alemanha. 
Em 369 foi Eusébio forçado, por causa dos arianos, a ficar menos em evidência: fugiu então para as montanhas do norte de Biella, tendo sido bem acolhido pelos montanheses. Levou ele consigo a sua Madona, que colocou na cavidade de um grande rochedo; porém, como as habitações estavam situadas na outra margem, mudou-se para lá, levando novamente a sua imagem e colocando-a em uma abandonada e semi-destruída cabana, que era encostada a uma pedra ao abrigo dos fortes ventos do norte. 
Eusébio melhorou a cabana e colocou nela um altar feito de uma pedra toscamente talhada. Esta pedra e a cabana, quando a Basílica foi construída, ficaram no seu interior. Tanto na pedra em que primeiro colocou Eusébio a sua imagem, como na outra que está atualmente na Basílica, há cinzelada uma cruz de forma primitiva, o que fez os arqueólogos assinalarem Oropa como um lugar de culto cristão já no tempo de Eusébio, e portanto é o Santuário de que tratamos considerando como um dos mais antigos lugares de peregrinação do Ocidente. Na pedra que está na Basílica está gravado o ano de 369. 
Santo Eusébio foi o primeiro que fundou no Ocidente um convento (em Vercelli), e, quando, mais tarde voltou para o Vale d'Oropa, reuniu em torno de si fiéis discípulos, que depois viveram como eremitas, seguindo as Regras de São Bento; esses eremitas cuidaram do Santuário até o século XV, tendo suportado os efeitos das invasões dos gôdos, dos hunos e longobardos, completamente isolados do resto do mundo católico, mas sem ter sido atingido o Santuário pelas devastações dos bárbaros, por estar situado na montanha, longe da passagem dos destruidores. E tempo difícil viveu novamente o país, quando os sarracenos ocuparam o Piemonte, do ano 904 ao de 1006. 
Resumindo, veremos apenas que no século XI pode afinal o Vale d'Oropa ter paz e sossego, começando as peregrinações a regularizarem-se, até que a igreja e o convento precisaram ser aumentados. 
No século XVII foram chamados, para administrarem o Santuário, padres seculares, que seguiram as Regras de Santo Eusébio, sendo em 1918 substituídos por Redentoristas. 
Há uma lenda ( do tempo de Santo Estefano) que diz o seguinte: tinham resolvido transportar a imagem milagrosa para Biella; porém, mal tinham caminhado uma meia légua, a imagem tornou-se de repente milagrosamente pesadíssima, impossível de ser carregada! E, logo que determinaram levá-la de novo para o lugar onde sempre estivera, voltou logo ao seu peso natural!
Para perpetuar a lembrança deste milagre, construíram, no sítio em que a imagem parou, uma capela, que ainda hoje os peregrinos podem contemplar, quando sobem para o Santuário, e que se chama a - Capela do Transporte. 
Em 1559 a cidade de Biella, para se ver livre da peste, comprometeu-se a tomar sobre si uma parte dos encargos para a manutenção do Santuário e a  aceleração da construção da Basílica. 
Pelo fim da última guerra mundial a imagem milagrosa foi escondida, e colocada em seu lugar uma cópia muito bem feita: passados os dias de apreensões e cuidados, foi a imagem verdadeira novamente colocada em seu lugar, mas sem a coroa e os valiosos enfeites. 
Em 1600 foi celebrada a primeira missa na Basílica, e em 1620 foi a imagem coroada pela primeira vez, na presença de 25.000 pessoas, tendo sido operados sete milagres nesse dia. Fizeram a segunda coroação em 1720, e os peregrinos que a assistiram tiveram a felicidade de ver, no ato da coroação, uma coroa de estrelas sobre Oropa, e um cometa, que parecia querer cair naquele privilegiado lugar. 
Em 1820 a festa da coroação reuniu 100.000 fiéis no Vale d'Oropa. A quarta coroação coincidiu com o tempo difícil dos primeiros anos após a guerra mundial. O cardeal Isodoro Valfré presidiu, como legado do Santo Padre, a grandiosa solenidade, na qual tomaram parte muitos cardeais, Bispos e outras altas dignidades da Igreja Católica.
Inúmeros são os milagres e graças extraordinárias que Nossa Senhora d'Oropa tem concedido a seus devotos, no decorrer dos séculos. 
Em 1599 a cidade de Biella fez o voto de ir em peregrinação anualmente ao Santuário d'Oropa, se Nossa Senhora a livrasse novamente (pois já a tinha livrado em outras ocasiões) do flagelo da peste, e este voto tem sido mantido até os dias de hoje. 
No livrinho "II Santuário di Oropa", de Can. Mario Trompetto, o autor informa que o rosto e as mãos da milagrosa imagem nunca são atingidos pelo pó, apesar de ninguém jamais espaná-los. 
Qualquer peregrino pode contemplar este milagre com os próprios olhos. 
Hoje o Santuário d'Oropa é célebre principalmente na Itália; além do Convento e das muitas capelas anexas à Basílica, foi construída outra grande igreja, sob a alta cúpula da qual foi rezada a primeira missa a 21 de setembro de 1941.
Grandes peregrinações são realizadas no decorrer do ano litúrgico, salientando-se as que fazem a 21 de novembro, 15 de agosto e 8 de setembro, assim como a procissão da peste, dos bielenses, no dia 1° de maio. 

(Versão resumida do livro "Wallfahrtsorte Europas", de Rudolf Kriss e Lenz Rettenbeck). 

fonte: Livro Maria e seus gloriosos títulos.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Nossa Senhora das Neves

Festa dia 5 de agosto



O fato seguinte deu lugar ao estabelecimento do título e da festa de Nossa Senhora das Neves: 
No começo do quarto século vivia em Roma um ilustre descendente das famílias consulares, o qual, por não ter filhos, tinha resolvido, de combinação com a mulher, consagrar sua grande fartura à glória de Deus. 
Estando ambos preocupados com este seu projeto, a Santíssima Virgem lhes deu a entender que desejava ser a herdeira. "Edificar-me-eis, lhes disse ela, uma basílica na colina de Roma que amanhã estiver coberta de neve". Era a noite de 4 para 5 de agosto (do ano 352), época em que são excessivos os calores na Itália. No dia seguinte, o Esquelino estava coberto de neve! A cidade inteira acudiu ao lugar do milagre. 
O papa Libério, acompanhado de todo o clero, para lá se dirige também. Conta-se ao povo a causa do prodígio, e a igreja é edificada à custa dos piedosos cônjuges e recebe o nome de Nossa Senhora das Neves, nome venerável, que ainda hoje conserva. 
Em memória do papa Libério, que a consagrou no ano seguinte, chamam-na também basílica Liberiana. A estes dois primeiros nomes, juntaram-se outros não menos honrosos: Santa Maria do Presépio, por causa do presépio do Salvador, que ali se venera, e Santa Maria Maior, porque é a mais importante das igrejas de Roma dedicadas à Rainha dos céus. 

(Do livro "Maria ensinada à mocidade").

fonte: Livro Maria e seus gloriosos títulos