terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

Fonte: Livro Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem 
Autor: São Luís Maria Grignion de Montfort; Missionário Apostólico, Fundador da Congregação dos Missionários da Companhia de Maria e da Congregação das Filhas da Sabedoria. 
44° edição- Editora Vozes- Petrópolis, 2014.

§II. A verdadeira devoção à Santíssima Virgem

105. Depois de descobrir e condenar as falsas devoções à Santíssima Virgem, cumpre estabelecer em poucas palavras a devoção verdadeira, que é: 1°) interior, 2°) terna, 3°) santa, 4°) constante, 5°) desinteressada. 

1°) A verdadeira devoção é interior

106. Antes de tudo, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é interior, isto é, parte do espírito e do coração. Vem da estima em que se tem a Santíssima Virgem, da alta ideia que se formou de suas grandezas, e do amor que se lhe consagra. 

2°) A verdadeira devoção é terna

107. Em segundo lugar é terna, quer dizer cheia de confiança na Santíssima Virgem, da confiança de um filho em sua mãe. Impele uma alma a recorrer a ela em todas as necessidades do corpo e do espírito, com extremos de simplicidade, de confiança e de ternura; ela implora o auxílio de sua boa Mãe em todo tempo, em todo lugar, em todas as coisas: em suas dúvidas, para ser esclarecida; em seus erros, para se corrigir; nas tentações, para ser sustentada; em suas fraquezas, para ser fortificada; em suas quedas, para ser levantada; em seus abatimentos, para ser encorajada; em seus escrúpulos, para ficar livre deles; em suas cruzes, trabalhos e reveses da vida, para ser consolada. Em todos os males do corpo e do espírito, enfim, Maria é seu refúgio, e não há receio de importunar esta boa Mãe e desagradar a Jesus Cristo. 

3°) A verdadeira devoção é santa

108. Terceiro, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é santa: leva uma alma a evitar o pecado e a imitar as virtudes da Santíssima Virgem, principalmente sua humildade profunda, sua contínua oração, sua obediência cega, sua fé viva, sua mortificação universal, sua pureza divina, sua caridade ardente, sua paciência heroica, sua doçura angélica e sua sabedoria divina. Aí estão as dez virtudes principais da Santíssima Virgem. 

4°) A verdadeira devoção é constante

109. Quarto, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é constante, firma uma alma no bem, e ajuda-a a perseverar em suas práticas de devoção. Torna-a corajosa para se opor ao mundo em suas modas e máximas, à carne, em seus aborrecimentos e paixões, e ao demônio, em suas tentações. Assim, uma pessoa verdadeiramente devota a Santíssima Virgem não é volúvel, nem se deixa dominar pela melancolia, pelos escrúpulos ou pelos receios. Não quer isto dizer que não caia ou mude, às vezes, na sensibilidade de sua devoção; mas, se cai, levanta-se logo, estende a mão à sua boa Mãe, e, se perde o gosto ou a devoção sensível, não se aflinge irremediavelmente, pois o justo e devoto fiel de Maria vive de fé de Jesus e de Maria, e não nos sentimentos naturais. 

5°) A verdadeira devoção é desinteressada

110. A verdadeira devoção à Santíssima Virgem é, finalmente, desinteressada, leva a alma a buscar não a si mesma, mas somente a Deus com sua Mãe Santíssima. O verdadeiro devoto de Maria não serve a esta augusta Rainha por espírito de lucro e de interesse, nem para seu bem temporal ou eterno, corporal ou espiritual, mas unicamente porque ela merece ser servida, e Deus exclusivamente nela; o verdadeiro devoto não ama a Maria precisamente porque ela lhe faz ou ela espera dela algum bem, mas porque ela é amavel. Só por isto ele a ama e serve nos desgostos e na aridez, como nas doçuras e no fervor sensível, sempre com a mesma fidelidade; ama-a nas amarguras do Calvário como nas alegrias de Caná. Oh! como é agradável e precioso aos olhos de Deus e de sua Mãe Santíssima, esse devoto, que em nada se busca nos serviços que presta à sua Rainha. Mas, também, quão raro é encontrá-lo agora. E é com o fito de que cresça o número desses fiéis devotos, que empunhei a pena para escrever o que tenho, com fruto, ensinado em público e em particular nas minhas missões, durante anos e anos. 

***

111. Muitas coisas já disse sobre a Santíssima Virgem. Mais ainda tenho, entretanto, a dizer, e infinitamente mais omitirei, seja por ignorância, incapacidade ou falta de tempo, no desígnio que tenho de formar um verdadeiro devoto de Maria e um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. 

112. Oh! bem empregado seria o meu esforço, se este escrito, caindo nas mãos duma alma bem-nascida, nascida de Deus e de Maria, e não do sangue, ou da vontade da carne, nem da vontade do homem (cf. Jo 1,13), lhe desvendasse e inspirasse, pela graça do Espírito Santo, a excelência e o prêmio da verdadeira e sólida devoção à Santíssima Virgem, como vou indicar. Se eu soubesse que meu sangue pecaminoso poderia servir para fazer entrar no coração as verdades que escrevo em honra de minha querida Mãe e soberana Senhora, da qual sou o último dos filhos e escravos, em lugar de tinta eu o usaria para formar esses caracteres, na esperança que me anima de encontrar boas almas que, por sua fidelidade à prática que ensino, compensarão minha boa Mãe e Senhora das perdas que lhe têm causado minha ingratidão e infidelidade. 

113. Sinto-me, mais do que nunca, animado a crer e esperar em tudo que tenho profundamente gravado no coração, e que há muitos anos peço a Deus: que mais cedo ou mais tarde a Santíssima Virgem terá mais filhos, servidores e escravos¹, como nunca houve, e que, por este meio, Jesus Cristo, meu amado Mestre, reinará totalmente em todos os corações. 

114. Vejo, no futuro, animais frementes, que se precipitam furiosos para dilacerar com seus dentes diabólicos este pequeno manuscrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para escrevê-lo, ou ao menos para fazê-lo ficar envolto nas trevas e no silêncio de uma arca , a fim de que ele não apareça. Atacarão até, e perseguirão aqueles e aquelas que o lerem e o puserem em prática². Mas não importa! tanto melhor! Esta visão me encoraja e me dá esperança de um grande sucesso, isto é, um esquadrão de bravos e destemidos soldados de Jesus e de Maria, de ambos os sexos, para combater o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que virão, e como ainda não houve. 
"Que legit, intelligat. Qui potest capere, capiat" (Mt 24,15; 19,12). 

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1. Note-se a associação destes dois termos: filho e escravo. A mesma aproximação foi feita pelo Catecismo do Concílio de Trento (p. I, cap. 3, "De secundo symboli articulo", in fine). 
2. Esta predição realizou-se ao pé da letra. Em todo o decorrer do século XVIII, os filhos de Montfort foram o alvo dos ataques dos jansenistas, em vista de seu zelo por esta devoção. E o precioso manuscrito, escondido durante as perturbações da Revolução Francesa, só foi encontrado em 1842 por um padre da Companhia de Maria, em um caixote de livros antigos. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

Fonte: Livro Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem 
Autor: São Luís Maria Grignion de Montfort; Missionário Apostólico, Fundador da Congregação dos Missionários da Companhia de Maria e da Congregação das Filhas da Sabedoria. 
44° edição- Editora Vozes- Petrópolis, 2014.



ARTIGO I 
Os sinais da falsa  e da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

§ I. Os falsos devotos e as falsas devoções à Santíssima Virgem

92. Conheço sete espécies de falsos devotos e falsas devoções à Santíssima Virgem: 1°) os devotos críticos, 2°) os devotos escrupulosos, 3°) os devotos exteriores, 4°) os devotos presunçosos, 5°) os devotos inconstantes, 6°) os devotos hipocritas, 7°) os devotos interesseiros. 

1°) Os devotos críticos

93. Os devotos críticos são, em geral, sábios orgulhosos, espíritos fortes e presumidos, que têm no fundo  uma certa devoção à Santíssima Virgem, mas que vivem criticando as práticas de devoção que a gente simples tributa de boa fé e santamente a esta boa Mãe, pelo fato de estas devoções não agradarem à sua culta fantasia. Põem em dúvida todos os milagres e histórias narrados por autores dignos de fé, ou inseridos em crônica de ordens religiosas, atestando as misericórdias e o poder da Santíssima Virgem. Repugna-lhes ver pessoas simples e humildes ajoelhadas diante de um altar ou de uma imagem da Virgem, às vezes no recanto de uma rua, rezando a Deus; chegam a acusá-los de idolatria, como se estivessem adorando a pedra ou a madeira. Dizem que, de sua parte, não apreciam essas devoções exteriores e que seu espírito não é tão fraco que vá dar fé a tantos contos e historietas que se atribuem à Santíssima Virgem, respondem que são flores de retórica, ou exagero, que aqueles escritores eram oradores; ou dão, então, uma explicação má daquelas palavras ¹. 
Esta espécie de falsos devotos e orgulhosos e mundanos é muito para temer, e eles causam um mal infinito à devoção à Santíssima Virgem, dela afastando efiscazmente o povo, sob pretexto de destruir-lhe os abusos. 
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1. Não se pense que São Luís Maria exagere neste ponto. A época em que escrevia era a desses devotos críticos, que procuravam propagar entre os fiéis escritos críticos venenosos, como o panfleto de Windenfelt, intitulado:"Avisos salutares da B.V. Maria a seus devotos indiscretos" (Cf. LHOUMEAU. "Vida espiritual"). 


2°) Os devotos escrupulosos

94. Os devotos escrupulosos são aqueles que receiam desonrar o Filho, honrando a Mãe, e rebaixá-lo se a exaltarem demais. Não podem suportar que se repitam à Santíssima Virgem aqueles louvores justíssimos que lhe teceram os Santos Padres; não suportam sem desgoto que a multidão ajoelhada aos pés de Maria seja maior que ante o altar do Santíssimo Sacramento, como se fossem antagônicos, e como se os que rezam à Santíssima Virgem não rezassem a Jesus Cristo por meio dela. Não querem que se fale tão frequentemente da Santíssima Virgem, nem que se recorra tantas vezes a ela. 
Algumas frases eles as repetem a cada momento: Para que tantos terços, tantas cofrarias e devoções exteriores à Santíssima Virgem? Vai nisso muito de ignorância! É fazer da religião uma palhaçada. Falai-me, sim, dos que são devotos de Jesus Cristo ( e eles o nomeiam, muitas vezes, sem se descobrir, digo-o entre parênteses): cumpre recorrer a Jesus Cristo, pois é Ele o nosso único medianeiro; é preciso pregar Jesus Cristo, isto sim que é sólido!
Em certo sentido é verdade o que eles dizem. Mas, pela aplicação que lhe dão, é bem perigoso e constitui uma cilada sutil do maligno, sob o pretexto de um bem muito maior, pois nunca se há de honrar mais a Jesus Cristo, do que honrado a Santíssima Virgem, desde que a honra que se preste a Maria não tem outro fim que honrar mais perfeitamente a Jesus Cristo, e que só se vai a ela como a caminho para atingir o termo que é Jesus Cristo. 

95. A santa Igreja, como o Espírito Santo, bendiz primeiro a Santíssima Virgem e depois Jesus Cristo: "benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui Iesus". Não porque a Santíssima Virgem seja mais ou igual a Jesus Cristo: seria uma heresia intolerável, mas porque, para mais perfeitamente bendizer Jesus Cristo, cumpre bendizer antes a Maria. Digamos, portanto, com todos os verdadeiros devotos de Maria, contra seus falsos e escrupulosos devotos: Ó Maria, bendita sois vós entre todas as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!

3°) Os devotos exteriores

96. Devotos exteriores são as pessoas que fazem consistir toda a devoção à Santíssima Virgem em práticas exteriores; que só tomam interesse pela exterioridade da devoção à Santíssima Virgem, por não terem espírito interior; que recitarão às pressas uma enfiada de terços, ouvirão, sem atenção, uma infinidade de missas, acompanharão as procissões sem devoção, farão parte de todas as confrarias sem emendar de vida, sem violentar suas paixões, sem imitar as virtudes desta Virgem Santíssima. Amam apenas o que há de sensível na devoção, sem interesse pela parte sólida. Se suas práticas não lhes afetam a sensibilidade, acham que não há nada mais a fazer, ficam desorientados, ou fazem tudo desordenadamente. O mundo está cheio dessa espécie de devotos exteriores e não há gente que mais critique as pessoas de oração que se dedicam à devoção interior sem desprezar o exterior de modéstia, que acompanha sempre a verdadeira devoção. 

4°) Os devotos presunçosos

97. Os devotos presunçosos são pecadores abandonados a suas paixões, ou amantes do mundo, que, sob o belo nome de cristãos e devotos da Santíssima Virgem, escondem ou o orgulho, ou a avareza, ou a impureza, ou a embriaguez, ou a cólera, ou a blâsfemia, ou a maledicência, ou a injustiça, etc.; que dormem placidamente em seus maus hábitos, sem se violentar muito para se corrigir, alegando que são devotos da Virgem; que prometem a si mesmos que Deus lhes perdorá, que não há de morrer sem confissão, e não serão condenados porque recitam seu terço, jejuam aos sábados, pertencem à confraria do santo Rosário ou do Escapulário, ou a alguma congregação; porque trazem consigo o pequeno hábito ou a cadeiazinha da Santíssima Virgem, etc. 
Quando alguém lhe diz que sua devoção não é mais que ilusão e uma presunção perniciosa capaz de perdê-los, recusam-se a crer; dizem que Deus é bom e misericordioso e que não nos criou para nos condenar; que não há homem que não peque; que eles não hão de morrer sem confissão; que um bom peccavi à hora da morte basta; de mais a mais que eles são devotos da Santíssima Virgem, cujo escapulário usam; e em cuja honra dizem, todos os dias, irrepreensivelmente e sem vaidade (isto é, com fidelidade e humildade) sete Pai- nossos e sete Ave-Marias; que recitam mesmo, uma vez ou outra, o terço e o ofício da Santíssima Virgem; que jejuam, etc. Para confirmar o que dizem e mais aumentar a própria cegueira, relembram umas histórias que leram ou ouviram, verdadeiras ou falsas não importa, em que se afirma que pessoas mortas em pecado mortal, sem confissão, só pelo fato de que em vida tinham feito algumas orações ou práticas de devoção à Santíssima Virgem, ressuscitaram para se confessar, ou sua alma permaneceu milagrosamente no corpo até se confessarem, ou, ainda, que, pela misericórdia da Santíssima Virgem, obtiveram de Deus, na hora da morte, a contrição e o perdão de seus pecados, e se salvaram. Eles esperam, portanto, a mesma coisa. 

98. Não há, no cristianismo, coisa tão condenável como essa presunção diabólica; pois será possível dizer de verdade que se ama e honra a Santíssima Virgem, quando, pelos pecados, se fere, se traspassa, se crucifica e ultraja impiedosamente a Jesus Cristo, seu Filho? Se Maria considerasse uma lei salvar essa espécie de gente, ela autorizaria um crime, ajudaria a crucificar e injuriar seu próprio Filho. Quem o ousaria pensar?

99. Digo que abusar assim da devoção à Santíssima Virgem, a mais santa e mais sólida depois da devoção a Nosso Senhor e ao Santíssimo Sacramento, é cometer um horrível sacrilégio, o maior e o menos perdoável, depois do sacrilégio duma comunhão indigna. 
Confesso que, para ser alguém verdadeiramente da Santíssima Virgem, não é absolutamente necessário ser santo ao ponto de evitar todo pecado, conquanto seja este o ideal; mas é preciso ao menos (note-se bem o que vou dizer): 
Em primeiro lugar, estar com a resolução sincera de evitar ao menos todo pecado mortal, que ofende tanto a Mãe como o Filho. 
Segundo, fazer violência a si mesmo para evitar o pecado. 
Terceiro, filiar-se a confrarias, rezar o terço, o santo rosário ou outras orações, jejuar aos sábados, etc. 

100. Isto é maravilhosamente útil à conversão de um pecador, mesmo empedernido; e se meu leitor estiver nestas condições, como que tenha já um pé no abismo, eu lho aconselho, contanto, porém, que só pratique estas boas obras na intenção de, pela intercessão da Santíssima Virgem, obter de Deus a graça da contrição e do perdão dos pecados, e de vencer seus maus hábitos, e não para continuar calmamente no estado de pecado, a despeito dos remorsos de consciência, do exemplo de Jesus Cristo e dos santos, e das máximas do santo Evangelho. 


5°) Os devotos inconstantes


101. Devotos inconstantes são aqueles que são devotos da Santíssima Virgem periodicamente, por intervalos e por capricho: hoje são fervorosos, amanhã, tíbios; agora mostram-se prontos a tudo empreender em serviço de Maria e logo após já não parecem os mesmos. Abraçam logo todas as devoções à Santíssima Virgem, ingressam em todas as confrarias, e em pouco tempo já nem observam as regras com fidelidade; mudam como a lua¹, e Maria os esmaga sob seus pés como faz ao crescente, pois eles são volúveis e  indignos de ser contados entre os servidores desta Virgem fiel, que tem a fidelidade e a constância por herança. Vale mais não se sobrecarregar de tantas orações e práticas de devoção, e fazer pouca com amor e fidelidade, a despeito do mundo, do demônio e da carne. 


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1. A lua, por suas variações, é tomada frequentemente pelos antigos autores místicos como o símbolo das mudanças da alma inconstante. * Cf. Eclo 27,12. SÃO BERNARDO. "Sermo super Signum Magnum", n.3.

6°) Os devotos hipócritas


102. Há também falsos devotos da Santíssima Virgem, os devotos hipócritas, que cobrem seus pecados e maus hábitos com o manto desta Virgem fiel, a fim de passarem aos olhos do mundo por aquilo que não são. 


7°) Os devotos interesseiros

103. Há ainda os devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para ganhar algum processo, para evitar algum perigo, para se curar de alguma doença, ou em qualquer necessidade desse genêro, sem o que a esqueceriam; uns e outros são falsos devotos que não têm aceitação diante de Deus e de sua Mãe Santíssima. 


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104. Cuidemos, portanto, de não pertencer ao número dos devotos críticos que em coisa alguma creem e de tudo criticam; dos devotos escrupulosos que receiam ser demasiadamente devotos da Santíssima Virgem, por respeito a Jesus Cristo; dos devotos exteriores que fazem consistir toda a sua devoção em práticas exteriores; dos devotos presunçosos, que, sob o pretexto de sua falsa devoção continuam marasmados em seus pecados; dos devotos inconstantes que, por leviandade, variam suas práticas de devoção, ou as abandonam completamente à menor tentação; dos devotos hipócritas que se metem em confrarias e ostentam as insígnias da Santíssima Virgem a fim de passar por bons; e, enfim, dos devotos interesseiros, que só recorrem à Santíssima Virgem para se livrarem dos males do corpo ou obter bens temporais. 


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Nossa Senhora de Lourdes


França

(Festa a 11 de fevereiro) 

O título - Nossa Senhora de Lourdes é muito conhecido, e talvez também a sua origem; mas, apesar disto, não poderá faltar, nesta coleção, o resumo das aparições de Nossa Senhora que deram origem a este título tão querido dos católicos brasileiros. 

A primeira aparição de Nossa Senhora a Bernadete foi a 11 de fevereiro de 1858. 

Bernadete Soubirous, piedosa menina de 14 anos, filha de um pobre moleiro da cidadezinha de Lourdes (nos Altos Pirineus), tinha ido lenhar, nesse dia, nas margens do Gave, com sua irmã e outra menina. Estava ela na frente das rochas Massabielle, ao meio-dia, quando, ouvindo de repente como que o barulho de uma rajada de vento impetuoso, ergue a cabeça e olha. 

Oh, surpresa! Numa espécie de gruta formada por um rochedo, contempla, maravilhada, uma senhora de indizível beleza! Cercada de uma luz deslumbrante, a aparição, de pé, segura um terço, cujas contas lhe vão passando entre os dedos. Traja um vestido ou túnica e um véu brancos como a neve, na cintura tem uma faixa azul, e os pés estão ornados de uma rosa de ouro, e o seu semblante respira grande bondade. 

Bernadete, extasiada, cai de joelhos, e logo depois tira do bolso o seu terço e começa a rezá-lo, e, quando acaba a última Ave-Maria, a visão desaparece. Nesta primeira aparição ninguém foi testemunha do êxtase de Bernadete, porque as outras duas meninas já tinham passado para a outra margem, retardando-se Bernadete, por receio de molhar os pés, pois era muito fraquinha e asmática. 

Na segunda aparição, a 14 de fevereiro, a menina, aconselhada por uma das companheiras que com ela foram ao lugar da aparição, levou um vidro com água benta e aspergiu a Santíssima Virgem, que sorriu afavelmente ao seu gesto. Dissera-lhe a amiga que a aparição podia ter algum artifício do demônio, e Bernadete, por ser muito humilde, atendeu à sua insinuação, apesar de estar convencida de que uma senhora tão linda, e que, por assim dizer, a transportara ao céu, não podia ser artimanha do inimigo infernal. 

A aparição repetiu-se mais dezesseis vezes, do mesmo modo, variando apenas as palavras da Santíssima Virgem. 

Foram dezoito, portanto, as aparições, e da terceira em diante era cada vez maior o número dos que iam contemplar o êxtase da feliz vidente, que era como que transfigurada, parecendo um anjo do céu baixado à terra!...

A Mãe de Deus lhe confiou vários segredos, e um dia escolheu-a como sua mensageira: "Vai dizer aos sacerdotes que desejo me edifiquem aqui uma capela e façam procissões". 

Outra vez convidou-a a rogar pelos pecadores, e repetiu por três vezes: "Penitência! Penitência! Penitência!"...

Noutra aparição disse à menina: "Vai beber água e lavar-te na fonte". Bernadete dirigiu-se imediatamente para o Gave, que corria a poucos passos dali. 

"Não é no Gave", disse a visão, "mas é na fonte que está aqui", e o gesto da Virgem indicava um lugar na gruta completamente seco, no qual nunca existira uma fonte. 

Bernadete, curvando-se, começou a arranhar com os dedos o chão duro, e de repente começou a jorrar água do rochedo. 

Enfim, no dia da festa da Anunciação, Bernadete pediu à aparição que tivesse a bondade de dizer-lhe quem era, e a Virgem, unindo as mãos, lançou para o céu um olhar de ilimitada gratidão, e disse: "Eu sou a Imaculada Conceição". 

E desapareceu.

Os acontecimentos extraordinários que se passavam na gruta de Massabielle e as curas milagrosas obtidas com o emprego da água da fonte nascida debaixo dos dedos de Bernadete em êxtase, eram o assunto de todas as conversas em Lourdes e nos arredores. 

A polícia interveio, o governo quis reagir, muitos taxaram de sonho as afirmações simples e convictas da humilde vidente; a polícia pretendeu até impedir os romeiros de se aproximarem da gruta para rezar; mas tudo foi debalde: os abusos vexatórios de certas autoridades foram obrigados a ceder perante o direito. 

A 18 de janeiro de 1862, uma certa pastoral de D. Laurence, Bispo de Tarbes, reconheceu como sobrenaturais as aparições de Maria a Bernadete, e autorizou o culto de - Nossa Senhora de Lourdes. 

(Para esta notícia histórica foram consultados diversos livros.)

Fonte: Livro Maria e seus gloriosos títulos.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados


A DEVOÇÃO DOS PRIMEIROS SÁBADOS


Na aparição do dia 13 de julho anunciou Nossa Senhora de Fátima: "Para impedir a guerra virei pedir a consagração da Rússia  ao meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora  nos Primeiros Sábados". 
Esta última devoção veio pedi-la, aparecendo à irmã Lúcia a 10-12-1925, em Pontevedra, Espanha. Disse então: "Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, procuras consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos 15 mistérios do Rosário com o fim de me desagravar". 
Nossa Senhora mostrou o seu coração rodeado de espinhos, que significam nossos pecados. Pediu que fizéssemos atos  de desagravo para lhos tirar, com a devoção reparadora dos Cinco Primeiros Sábados. Em recompensa, promete-nos "todas as graças necessárias para a salvação". 
Jesus nos dois anos seguintes, 15 de Fevereiro de 1926 e 17 de Dezembro de 1927, insiste para que se propague esta devoção. Lúcia escreveu:" Da prática da devoção dos Primeiros Sábados, únida a consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra ou a paz no mundo". 


CINCO, PORQUÊ? 

São cinco os Primeiros Sábados porque, segundo revelou Jesus, serem "cinco as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o Imaculado Coração de Maria. 

1. As blasfêmias contra a Imaculada Conceição.

2. Contra a sua Virgindade.

3. Contra a Maternidade Divina, recusando ao mesmo tempo recebê-la como Mãe dos homens.

4.  Os que procuram infundir no coração das crianças a indiferença, o desprezo e até o ódio contra esta Imaculada Mãe.

5. Os que a ultrajam diretamente nas suas sagradas imagens." 


*Primeira ofensa: negação da Imaculada Conceição.

A 8 de dezembro de 1854, definiu o Papa Pio IX: <<Declaramos, pronunciamos e definimos, que a doutrina que sustenta que a bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, foi por graça e privilégio singular de Deus Todo-Poderoso preservada e imune de toda mancha do pecado original, foi revelada por Deus e como tal deve ser firme e constantemente acreditada por todos os fiéis>>. 

Recusam este privilégio várias confissões protestantes, os racionalistas, e implicitamente aqueles que negam o pecado original, pois que a Imaculada Conceição é precisamente a isenção dessa mancha, que em tal hipótese não existiria. 

*Segunda ofensa: negação da Virgindade perpétua de Maria.

A 6 de novembro de 1982 disse João Paulo II no Santuário do Pilar em Saragoça, Espanha: << De modo virginal, 'sem intervenção de varão, e por obra do Espírito Santo, Maria deu a natureza humana ao Filho do Eterno Pai. De modo virginal nasceu de Maria um corpo santo. É a fé que o Papa Paulo IV articulava na forma ternária de Virgem 'antes do parto, no parto e perpetuamente depois do parto'. É a mesma que ensina Paulo IV: 'Cremos que Maria é Mãe sempre Virgem do Verbo encarnado'>>. 

Opõem-se a esta verdade os que negam que a Conceição e o parto de Jesus não foram virginais, e que Maria não conservou no parto a sua integridade, assim como aqueles que afirmam que Ela teve mais filhos além de Jesus. 

*Terceira ofensa: negação da maternidade divina e espiritual de Maria.
 
Declarou o III Concílio de Constantinopla no ano de 680: << Nosso Senhor Jesus Cristo - nasceu do Espírito Santo e de Maria Virgem, que é, segundo a humanidade, própria e verdadeiramente Mãe de Deus >>. 

É também Mãe espiritual dos homens, pela sua participação no Mistério da Encarnação e Co- redenção. 

*Quarta ofensa: ódio para com a Imaculada Mãe de Deus.

A ideologia Marxista-comunista procurou eliminar todos os vestígios da religião, a começar pelas crianças. O Ministério da Educação Soviética declarou nesses tempos: << A educação comunista tem como fim principal eliminar todos os vestígios da religião >>. Ensinava-se às crianças o racionalismo puro e, além disso, em certa nação, os pequeninos aprendiam "ladainhas" de injúrias contra a Mãe de Deus. 

*Quinta ofensa: ultrajes às sagradas imagens. 

Chegou-se ao descaramento de destruir e ultrajar as imagens  de Nossa Senhora, sobretudo quando expostas em público. Certamente também desgostam à Maria Santíssima aqueles que tiram dos templos as suas imagens ou as reduzem ao mínimo, contrariando o Concílio Vaticano II. << Observer religiosamente aquelas coisas que nos tempos passados foram decretadas acerca do culto das imagens de Cristo, da Bem-Avemturada Virgem e dos Santos >>. 

São estas cinco ofensas a Maria que devemos reparar nos cinco primeiros sábados. 

 

CONDIÇÕES

As condições para ganhar os privilégios dos Primeiros Sábados são quatro:

1. Confissão. Para cada Primeiro Sábado é preciso uma confissão com intenção reparadora.  Pode-se fazer  em qualquer dia, antes ou depois do Primeiro Sábado, contanto que se receba a Comunhão em estado de graça.
A vidente perguntou: - "Meu Jesus, as (pessoas) que se esquecerem de formar esta intenção (reparadora)? Jesus respondeu - Podem formá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar. 
As outras três condições devem cumprir-se no próprio Primeiro Sábado, a não ser que algum sacerdote, por justos motivos, conceda que se possam fazer no domingo a seguir. 

2. A Comunhão reparadora. 

3. O Terço.

4. A meditação, durante 15 minutos, de um só mistério, de vários ou de todos. Também vale uma meditação ou explicação de 3 minutos antes de cada um dos 5 mistérios do terço que se está a rezar. 

Em todas essas quatro práticas deve-se ter a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria. 

A devoção dos 5 Primeiros Sábados foi aprovada pelo Bispo de Leiria a 13-9-1939, em Fátima. 


ATO DE CONSAGRAÇÃO E DESAGRAVO

Virgem Santíssima e Mãe nossa querida, ao mostrardes o vosso Coração cercado de espinhos, símbolo das blasfêmias e ingratidões que os homens ingratos pagam as finezas do vosso amor, pedistes que Vos consolássemos e desagravássemos. 
Ao ouvir as nossas amargas queixas, desejamos desagravar o Vosso doloroso e Imaculado Coração que a maldade dos homens fere com duros espinhos dos seus pecados. 
Dum modo especial Vos queremos desagravar das injúrias sacralejamente proferidas contra a Vossa Conceição Imaculada e Santa Virgindade. Muitos, senhora, negam que sejais Mãe de Deus e nem Vos querem aceitar como terna Mãe dos homens. Outros, não Vos podendo ultrajar diretamente, descarregam nas vossas sagradas imagens a sua cólera satânica. Nem faltam também aqueles que procuram infundir no coração das crianças inocentes, a indiferença, desprezo e até ódio contra Vós. 
Virgem Santíssima, aqui prostados a Vossos pés, nós Vos mostramos a pena que sentimos por todas estas ofensas e prometemos reparar com nossos sacrifícios, comunhões e orações tantas ofensas destes vossos filhos ingratos. 
Reconhecendo que também nós, nem sempre correspondemos às vossas predileções, nem Vos honramos e amamos como Mãe, suplicamos para nossos pecados misericordioso perdão. 
Para todos quanto são vossos filhos e particularmente para nós, que nos consagramos inteiramente a vosso Imaculado Coração, seja-nos ele o refúgio durante a vida e o caminho que nos conduza até Deus. Assim seja. 


Fonte: http://www.santuario-fatima.pt