quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Meditação sobre a morte

 
PREPARAÇÃO
1. Põe-te na presença de Deus.
2. Pede a Deus a sua graça.
3. Imagina que te achas enfermo, no leito de morte, sem nenhuma esperança de vida.

CONSIDERAÇÃO

1. Considera, minha alma, a incerteza do dia da morte. Um dia sairás do teu corpo. Quando será? Será no inverno ou no verão ou em alguma outra estação do ano? No campo ou na cidade, de noite ou de dia? Será dum modo súbito ou com alguma preparação? Será por algum acidente violento ou por uma doença? Terás tempo e um sacerdote para te confessares? Tudo isso é desconhecido, de nada sabemos, a não ser que havemos de morrer indubitavelmente e sempre mais cedo que pensamos.
2. Grava bem em teu espírito que então para ti já não haverá mundo, vê-lo-ás perecer ante teus olhos; porque então os prazeres, as vaidades, as honras, as riquezas, as amizades vãs, tudo isso se te afigurará como um fantasma, que se dissipará ante tuas vistas. Ah! Então haverás de dizer: por umas bagatelas, umas quimeras, ofendi a Deus, isto é, perdi o meu tudo por um nada. Ao contrário, grandes e doces parecer-te-ão então as boas obras, a devoção e as penitências, e haverás de exclamar: Oh! Por que não segui eu esta senda feliz? Então, os teus pecados, que agora tens por uns átomos, parecer-te-ão montanhas e tudo o que crês possuir de grande em devoção será reduzido a um quase nada.
3. Medita esse adeus grande e triste que tua alma dirá a este mundo, às riquezas e às vaidades, aos amigos, a teus pais, a teus filhos, a um marido, a uma mulher, a teu próprio corpo, que abandonarás imóvel, hediondo de ver-se e todo desfeito pela corrupção dos humores.
4. Prefigura vivamente com que pressa levarão embora este corpo miserável, para lançá-lo na terra, e considera que, passadas essas cerimônias lúgubres, já não se pensará mais de todo em ti, assim como tu não pensas nas pessoas que já morreram. "Deus o tenha em sua paz" - há de dizer-se - e com isso está tudo acabado para ti neste mundo. Ó morte, sem piedade és tu! A ninguém poupas neste mundo.
5. Adivinha, se podes, que rumo seguirá tua alma, ao deixar o teu corpo. Ah! Para que lado se há de voltar? Por que caminho entrará na eternidade? - É exatamente por aquele que encetou já nesta vida.
 
AFETOS E RESOLUÇÕES
1. Ora ao Pai das misericórdias e lança-te em seus braços. Ah! Tomai-me, Senhor, debaixo de vossa proteção, neste dia terrível, empenha a vossa bondade por mim, nesta hora suprema de minha vida, para torná-la feliz, ainda que o resto de minha vida seja referto de tristezas e aflições.
2. Despreza o mundo. Já que não sei a hora em que hei de te deixar, ó mundo; já que esta hora é tão incerta, não me quero apegar a ti. Ó meus queridos amigos, permiti que vos ame unicamente com uma amizade santa e que dure eternamente; pois, para que unir-nos de modo que seja preciso em breve romper esses laços?
Quero preparar-me para esta última hora; quero tranquilizar minha consciência; que quero dispor isso e aquilo em ordem e predispor-me do necessário para um passamento feliz.

CONCLUSÃO
Agradece a Deus por estas boas resoluções que te fez tomar, e oferece-as à divina Majestade; suplica-lhe que, pelos merecimentos da morte de seu Filho, te prepare uma boa morte; implora a proteção da Santíssima Virgem e dos santos. Pai Nosso, Ave Maria.

São Francisco de Sales - Filotéia ou Introdução à Vida Devota.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Da festa dos Anjos - 2 de outubro



"181. Em que dia celebra a Igreja a festa dos Anjos?
A Igreja celebra no dia 29 de setembro a festa de São Miguel e de todos os Anjos, e no dia 2 de outubro a festa dos Anjos da Guarda.

182. Por que na festa de todos os Anjos a Igreja honra especialmente a São Miguel?
Na festa de todos os Anjos, a Igreja honra especialmente São Miguel porque reconhece como príncipe de todos os Anjos, e como seu Anjo tutelar.

183. Que devemos fazer para celebrar santamente a festa dos Anjos?
Para celebrar santamente a festa dos Anjos, devemos: 1º agradecer a Deus a graça que lhes concedeu de se conservarem fiéis, enquanto Lúcifer e seus sequazes se revoltaram contra Ele; 2º pedir-Lhe a graça de imitar a fidelidade dos Anjos, e o zelo que eles têm por sua divina glória; 3º venerá-los como príncipes da corte celeste, e como nossos protetores e intercessores junto de Deus; 4º pedir-lhes que apresentem a Deus as nossas súplicas, e nos alcancem a sua divina assistência.

184. Quais são os Anjos que se chamam Anjos da Guarda?
Chamam-se Anjos da Guarda aqueles que Deus destinou para nos guardarem e guiarem no caminho da salvação.

185. Como sabemos nós que há Anjos da Guarda?
Que há Anjos da Guarda sabemo-lo por meio da Sagrada Escritura e pelo ensinamento da Igreja.

186. Que assistência nos presta o Anjo da Guarda?
O Anjo da Guarda: 1º assiste-nos com boas inspirações e, recordando-nos os nossos deveres, guia-nos no caminho do bem; 2º oferece a Deus as nossas orações e alcança-nos as suas graças.

187. Que proveito devemos tirar do que a Igreja nos ensina com respeito aos Anjos da Guarda?
Do que a Igreja nos ensina com respeito aos Anjos da Guarda devemos tirar o proveito de um contínuo reconhecimento à bondade divina, por nos ter dado os Anjos como guardas, e também aos mesmos Anjos pelo amoroso cuidado que têm conosco.

188. Em que deve consistir o nosso reconhecimento para com os Anjos da Guarda?
O nosso reconhecimento para com os Anjos da Guarda deve consistir em quatro coisas: 1º respeitar a sua presença e não os contristar com pecado algum; 2º seguir prontamente os bons sentimentos que, por meio deles, Deus excita em nossos corações; 3º fazer as nossas orações com a maior devoção, a fim de que as acolham com agrado e as ofereçam a Deus; 4º invocá-los frequentemente e com muita confiança, nas nossas necessidades, e especialmente nas tentações."
 
Catecismo de São Pio X, p. 182-83.

sábado, 30 de setembro de 2017

Catecismo - 5º artigo: E desceu aos infernos.

 
1. As palavras: e desceu aos infernos, significam que, morto Jesus Cristo, a sua alma desceu aos infernos, onde se demorou todo o tempo que o seu corpo permaneceu no sepulcro, e que a mesma pessoa de Jesus Cristo esteve ao mesmo tempo nos infernos e no sepulcro. Não deve isso parecer estranho,  pois que, embora a alma de Jesus Cristo se separasse do seu corpo, todavia a divindade ficou sempre unida à sua alma e ao seu corpo.
2. Deve entender-se pela palavra inferno os lugares ocultos, os depósitos em que são retidas, como prisioneiras, as almas que não podem gozar logo da beatitude eterna. Neste sentido a Sagrada Escritura emprega esta palavra em muitas passagens. Foi ainda neste sentido que São Paulo disse que em nome de Jesus Cristo todos os joelhos se dobram no céu, na terra e nos infernos.
3. Não obstante designados todos pelo nome de infernos, estes lugares não são iguais. Um deles é como que uma prisão escuríssima e horrível, onde as almas dos condenados estão continuamente atormentadas pelos demônios com um fogo que não se pode extinguir. Denomina-se este lograr a gehenna, o abismo, e com mais propriedade o inferno.
4. No segundo destes lugares encontra-se o fogo do purgatório. As almas dos que morreram em graça permanecem ali durante um certo tempo, até se purificarem de todo, e poderem entrar na pátria eterna, onde não pode ter guarida nem haver a sombra do pecado.
5. Ao terceiro destes lugares chama-se limbo, e neste eram recebidas, antes da vinda de Jesus Cristo, as almas dos santos, que ficavam ali sem descanso, sem nenhum sentimento de dor, na esperança da sua redenção. E foram propriamente as almas destes santos que esperavam o seu salvador no seio de Abraão, que Nosso Senhor libertou quando desceu aos infernos.
6. É um erro supor que Jesus Cristo desceu a estes lugares apenas para fazer brilhar o seu poder. Devemos acreditar firmemente que a sua alma desceu com efeito aos infernos e que se tornou ali realmente presente, como expressamente o indicam estas palavras de David: "Não deixareis a minha alma nos infernos."
7. Esta descida de Jesus Cristo aos infernos em nada diminuiu o seu poder e majestade, e as trevas destes lugares não embaçaram no mundo o brilho de sua glória. Pelo contrário, devemos ver neste fato, não só que era rigorosamente verdadeiro tudo o que se dissera da santidade de Jesus Cristo, como também que Este era Filho de Deus, como já o tinha provado pelos seus milagres.
8. Isto se compreenderá facilmente se compararmos as razões que levaram Jesus a descer aos infernos, com as razões que obrigam os outros homens a encontrar-se ali. Os homens tinham descido ali como cativos, ao passo que Jesus Cristo desceu como aquele que, sendo o único livre entre os mortos e o único vitorioso, ia afugentar os demônios que os retinham ali tão severamente encerrados por causa das suas culpas.
9. E desceu não apenas para arrebatar ao demônio os seus próprios despojos, libertando deste cativeiro as almas dos santos Padres e os outros Judeus ali detidos, como ainda para entrar triunfalmente no céu em sua companhia, o que fez de um modo admirável e glorioso, porque a sua presença derramou uma luz brilhantíssima neste lugar onde estavam os felizes cativos, dilatando-lhes os corações de uma inconcebível alegria e fazendo-os gozar da suprema beatitude, que consiste na união com Deus.
 
 
Explicação da gravura
 
10. Esta gravura representa a alma de Jesus Cristo aparecendo no limbo. Figuram no primeiro plano Adão e Eva de joelhos; seguem-se à esquerda, Abraão brandindo o gladio contra Isaac; Jacó com seu cajado na mão; David com a sua lira, etc., à direita,  Moisés de cuja frente irradiam raios de luz; Aarão com a sua vara; São José segurando uma açucena. Nosso Senhor permaneceu na companhia deles até a sua ressureição.
11. No plano superior vê-se o inferno onde ardem os demônios e os condenados. Jesus Cristo não desceu a este abismo de dores, nem ao purgatório; fez todavia sentir aos condenados a sua ação, dando-lhes a conhecer a sua divindade, e às almas do purgatório dando-lhes a esperança de glória.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910. (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica)
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

sábado, 19 de agosto de 2017

Catecismo - 4º artigo: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

 
 
 

O Mistério da Redenção

1. O mistério da Redenção é o mistério do Filho de Deus morto na cruz para resgatar todos os homens.
2. Estas palavras: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, significam que durante o governo de Pôncio Pilatos na Judéia foi que Jesus Cristo sofreu as maiores dores na sua alma e no seu corpo.
3. Na sua alma Jesus sofreu o desconforto, o pavor, uma tristeza mortal: "A minha alma, dizia, está triste de morte".
4. No seu corpo Jesus Cristo sofreu tais tormentos que o profeta Isaías o chamava "um homem de dores, um homem ferido por Deus, e despedaçado por via dos nossos crimes".
5. Não eram necessários tantos sofrimentos para a nossa redenção, pois que teria bastado a Jesus Cristo derramar uma só gota de sangue, pelo seu merecimento infinito, para a obra da redenção.
6. Quis Nosso Senhor sofrer assim para nos mostrar bem o seu amor e para nos inspirar um maior horror pelo pecado que foi a causa da nossa morte.
7. Jesus Cristo sofreu: 1º No jardim das Oliveiras; 2º em casa de Caifás; 3º em casa de Herodes; 4º em casa de Pilatos; 5º no Calvário.
8. No jardim das Oliveiras Jesus Cristo sofreu as dores da agonia, tão grandes que o fizeram suar um suor de sangue. Foi nesse jardim que Judas, um dos seus Apóstolos, o entregou aos seus inimigos, dando-lhe um beijo.
9. Em casa de Caifás, Jesus foi negado três vezes por São Pedro, esbofeteado, coberto de opróbios, declarado réu de morte por se dizer filho de Deus.
10. Em casa de Herodes, tetrarca da Galileia, vindo a Jerusalém para celebrar a Páscoa, vestiram a Jesus uma túnica branca, por escárnio, tratando-o como a um louco.
11. Em casa de Pilatos, açoitaram Jesus Cristo, coroaram-no de espinhos, e condenaram-no a morrer na cruz, embora o juiz tivesse reconhecido a sua inocência.
12. No Calvário, deram a beber a Jesus Cristo fel e vinagre e crucificaram-no entre dois ladrões. Pregado na cruz, pediu a seu Pai que perdoasse aos algozes; prometeu o paraíso ao bom ladrão; recomendou sua mãe a São João e deu São João por filho à sua Mãe, e depois de ter dito que tudo estava consumado, entregou o espírito nas mãos de seu Pai.
13. Estas palavras do símbolo: foi morto, significam que a alma de Jesus Cristo se separou de seu corpo, mas a divindade permaneceu unida à sua alma e ao seu corpo.
14. Jesus Cristo morreu em Sexta-Feira santa, perto das três horas da tarde.
15. Quando Jesus Cristo morreu, o sol eclipsou-se, a terra tremeu, as rochas abriram-se, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, e muitos mortos ressuscitaram, como se vê na gravura, no plano inferior à esquerda.
16. Após a morte de Jesus, um soldado rasgou-lhe o lado com um a lança, saindo da ferida sangue e água.
17. Nosso Senhor permitiu que lhe fizessem esta ferida para mostrar: 1º que nos tinha amado em extremo, vertendo por nós até a última gota do seu sangue; 2º que o seu coração permaneceria sempre aberto para derramar sobre nós a abundância de suas graças.
18. As palavras do símbolo: e sepultado, significam que depois de morto, o corpo de Jesus Cristo foi despregado da cruz e metido no túmulo.
19. Depois de sepultado Jesus, taparam a entrada do sepulcro com uma grande pedra, que Pilatos mandou selar, encarregando soldados de guardarem o túmulo.
20. Os Judeus tomaram estas preocupações para impedir que fosse roubado o corpo de Jesus, e Deus permitiu-as para tornar mais manifesta a sua ressureição.

Via Sacra

21. A Igreja recomenda aos fiéis o piedoso exercício chamado "Via Sacra", que lhes recorda em 14 estações a Paixão do Salvador. Concede numerosas indulgências a quem rezar a Via sacra com sincera devoção e contrição.

Explicação da gravura

22. A gravura representa a condenação de Jesus por Pilatos, Jesus açoitado, Jesus pregado na cruz e colocado entre dois ladrões, e a sepultura de Jesus.


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910. (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica)
Edição da Juventude Católica de Lisboa.