segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Da festa dos Anjos - 2 de outubro



"181. Em que dia celebra a Igreja a festa dos Anjos?
A Igreja celebra no dia 29 de setembro a festa de São Miguel e de todos os Anjos, e no dia 2 de outubro a festa dos Anjos da Guarda.

182. Por que na festa de todos os Anjos a Igreja honra especialmente a São Miguel?
Na festa de todos os Anjos, a Igreja honra especialmente São Miguel porque reconhece como príncipe de todos os Anjos, e como seu Anjo tutelar.

183. Que devemos fazer para celebrar santamente a festa dos Anjos?
Para celebrar santamente a festa dos Anjos, devemos: 1º agradecer a Deus a graça que lhes concedeu de se conservarem fiéis, enquanto Lúcifer e seus sequazes se revoltaram contra Ele; 2º pedir-Lhe a graça de imitar a fidelidade dos Anjos, e o zelo que eles têm por sua divina glória; 3º venerá-los como príncipes da corte celeste, e como nossos protetores e intercessores junto de Deus; 4º pedir-lhes que apresentem a Deus as nossas súplicas, e nos alcancem a sua divina assistência.

184. Quais são os Anjos que se chamam Anjos da Guarda?
Chamam-se Anjos da Guarda aqueles que Deus destinou para nos guardarem e guiarem no caminho da salvação.

185. Como sabemos nós que há Anjos da Guarda?
Que há Anjos da Guarda sabemo-lo por meio da Sagrada Escritura e pelo ensinamento da Igreja.

186. Que assistência nos presta o Anjo da Guarda?
O Anjo da Guarda: 1º assiste-nos com boas inspirações e, recordando-nos os nossos deveres, guia-nos no caminho do bem; 2º oferece a Deus as nossas orações e alcança-nos as suas graças.

187. Que proveito devemos tirar do que a Igreja nos ensina com respeito aos Anjos da Guarda?
Do que a Igreja nos ensina com respeito aos Anjos da Guarda devemos tirar o proveito de um contínuo reconhecimento à bondade divina, por nos ter dado os Anjos como guardas, e também aos mesmos Anjos pelo amoroso cuidado que têm conosco.

188. Em que deve consistir o nosso reconhecimento para com os Anjos da Guarda?
O nosso reconhecimento para com os Anjos da Guarda deve consistir em quatro coisas: 1º respeitar a sua presença e não os contristar com pecado algum; 2º seguir prontamente os bons sentimentos que, por meio deles, Deus excita em nossos corações; 3º fazer as nossas orações com a maior devoção, a fim de que as acolham com agrado e as ofereçam a Deus; 4º invocá-los frequentemente e com muita confiança, nas nossas necessidades, e especialmente nas tentações."
 
Catecismo de São Pio X, p. 182-83.

sábado, 30 de setembro de 2017

Catecismo - 5º artigo: E desceu aos infernos.

 
1. As palavras: e desceu aos infernos, significam que, morto Jesus Cristo, a sua alma desceu aos infernos, onde se demorou todo o tempo que o seu corpo permaneceu no sepulcro, e que a mesma pessoa de Jesus Cristo esteve ao mesmo tempo nos infernos e no sepulcro. Não deve isso parecer estranho,  pois que, embora a alma de Jesus Cristo se separasse do seu corpo, todavia a divindade ficou sempre unida à sua alma e ao seu corpo.
2. Deve entender-se pela palavra inferno os lugares ocultos, os depósitos em que são retidas, como prisioneiras, as almas que não podem gozar logo da beatitude eterna. Neste sentido a Sagrada Escritura emprega esta palavra em muitas passagens. Foi ainda neste sentido que São Paulo disse que em nome de Jesus Cristo todos os joelhos se dobram no céu, na terra e nos infernos.
3. Não obstante designados todos pelo nome de infernos, estes lugares não são iguais. Um deles é como que uma prisão escuríssima e horrível, onde as almas dos condenados estão continuamente atormentadas pelos demônios com um fogo que não se pode extinguir. Denomina-se este lograr a gehenna, o abismo, e com mais propriedade o inferno.
4. No segundo destes lugares encontra-se o fogo do purgatório. As almas dos que morreram em graça permanecem ali durante um certo tempo, até se purificarem de todo, e poderem entrar na pátria eterna, onde não pode ter guarida nem haver a sombra do pecado.
5. Ao terceiro destes lugares chama-se limbo, e neste eram recebidas, antes da vinda de Jesus Cristo, as almas dos santos, que ficavam ali sem descanso, sem nenhum sentimento de dor, na esperança da sua redenção. E foram propriamente as almas destes santos que esperavam o seu salvador no seio de Abraão, que Nosso Senhor libertou quando desceu aos infernos.
6. É um erro supor que Jesus Cristo desceu a estes lugares apenas para fazer brilhar o seu poder. Devemos acreditar firmemente que a sua alma desceu com efeito aos infernos e que se tornou ali realmente presente, como expressamente o indicam estas palavras de David: "Não deixareis a minha alma nos infernos."
7. Esta descida de Jesus Cristo aos infernos em nada diminuiu o seu poder e majestade, e as trevas destes lugares não embaçaram no mundo o brilho de sua glória. Pelo contrário, devemos ver neste fato, não só que era rigorosamente verdadeiro tudo o que se dissera da santidade de Jesus Cristo, como também que Este era Filho de Deus, como já o tinha provado pelos seus milagres.
8. Isto se compreenderá facilmente se compararmos as razões que levaram Jesus a descer aos infernos, com as razões que obrigam os outros homens a encontrar-se ali. Os homens tinham descido ali como cativos, ao passo que Jesus Cristo desceu como aquele que, sendo o único livre entre os mortos e o único vitorioso, ia afugentar os demônios que os retinham ali tão severamente encerrados por causa das suas culpas.
9. E desceu não apenas para arrebatar ao demônio os seus próprios despojos, libertando deste cativeiro as almas dos santos Padres e os outros Judeus ali detidos, como ainda para entrar triunfalmente no céu em sua companhia, o que fez de um modo admirável e glorioso, porque a sua presença derramou uma luz brilhantíssima neste lugar onde estavam os felizes cativos, dilatando-lhes os corações de uma inconcebível alegria e fazendo-os gozar da suprema beatitude, que consiste na união com Deus.
 
 
Explicação da gravura
 
10. Esta gravura representa a alma de Jesus Cristo aparecendo no limbo. Figuram no primeiro plano Adão e Eva de joelhos; seguem-se à esquerda, Abraão brandindo o gladio contra Isaac; Jacó com seu cajado na mão; David com a sua lira, etc., à direita,  Moisés de cuja frente irradiam raios de luz; Aarão com a sua vara; São José segurando uma açucena. Nosso Senhor permaneceu na companhia deles até a sua ressureição.
11. No plano superior vê-se o inferno onde ardem os demônios e os condenados. Jesus Cristo não desceu a este abismo de dores, nem ao purgatório; fez todavia sentir aos condenados a sua ação, dando-lhes a conhecer a sua divindade, e às almas do purgatório dando-lhes a esperança de glória.



Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910. (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica)
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

sábado, 19 de agosto de 2017

Catecismo - 4º artigo: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.

 
 
 

O Mistério da Redenção

1. O mistério da Redenção é o mistério do Filho de Deus morto na cruz para resgatar todos os homens.
2. Estas palavras: Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, significam que durante o governo de Pôncio Pilatos na Judéia foi que Jesus Cristo sofreu as maiores dores na sua alma e no seu corpo.
3. Na sua alma Jesus sofreu o desconforto, o pavor, uma tristeza mortal: "A minha alma, dizia, está triste de morte".
4. No seu corpo Jesus Cristo sofreu tais tormentos que o profeta Isaías o chamava "um homem de dores, um homem ferido por Deus, e despedaçado por via dos nossos crimes".
5. Não eram necessários tantos sofrimentos para a nossa redenção, pois que teria bastado a Jesus Cristo derramar uma só gota de sangue, pelo seu merecimento infinito, para a obra da redenção.
6. Quis Nosso Senhor sofrer assim para nos mostrar bem o seu amor e para nos inspirar um maior horror pelo pecado que foi a causa da nossa morte.
7. Jesus Cristo sofreu: 1º No jardim das Oliveiras; 2º em casa de Caifás; 3º em casa de Herodes; 4º em casa de Pilatos; 5º no Calvário.
8. No jardim das Oliveiras Jesus Cristo sofreu as dores da agonia, tão grandes que o fizeram suar um suor de sangue. Foi nesse jardim que Judas, um dos seus Apóstolos, o entregou aos seus inimigos, dando-lhe um beijo.
9. Em casa de Caifás, Jesus foi negado três vezes por São Pedro, esbofeteado, coberto de opróbios, declarado réu de morte por se dizer filho de Deus.
10. Em casa de Herodes, tetrarca da Galileia, vindo a Jerusalém para celebrar a Páscoa, vestiram a Jesus uma túnica branca, por escárnio, tratando-o como a um louco.
11. Em casa de Pilatos, açoitaram Jesus Cristo, coroaram-no de espinhos, e condenaram-no a morrer na cruz, embora o juiz tivesse reconhecido a sua inocência.
12. No Calvário, deram a beber a Jesus Cristo fel e vinagre e crucificaram-no entre dois ladrões. Pregado na cruz, pediu a seu Pai que perdoasse aos algozes; prometeu o paraíso ao bom ladrão; recomendou sua mãe a São João e deu São João por filho à sua Mãe, e depois de ter dito que tudo estava consumado, entregou o espírito nas mãos de seu Pai.
13. Estas palavras do símbolo: foi morto, significam que a alma de Jesus Cristo se separou de seu corpo, mas a divindade permaneceu unida à sua alma e ao seu corpo.
14. Jesus Cristo morreu em Sexta-Feira santa, perto das três horas da tarde.
15. Quando Jesus Cristo morreu, o sol eclipsou-se, a terra tremeu, as rochas abriram-se, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, e muitos mortos ressuscitaram, como se vê na gravura, no plano inferior à esquerda.
16. Após a morte de Jesus, um soldado rasgou-lhe o lado com um a lança, saindo da ferida sangue e água.
17. Nosso Senhor permitiu que lhe fizessem esta ferida para mostrar: 1º que nos tinha amado em extremo, vertendo por nós até a última gota do seu sangue; 2º que o seu coração permaneceria sempre aberto para derramar sobre nós a abundância de suas graças.
18. As palavras do símbolo: e sepultado, significam que depois de morto, o corpo de Jesus Cristo foi despregado da cruz e metido no túmulo.
19. Depois de sepultado Jesus, taparam a entrada do sepulcro com uma grande pedra, que Pilatos mandou selar, encarregando soldados de guardarem o túmulo.
20. Os Judeus tomaram estas preocupações para impedir que fosse roubado o corpo de Jesus, e Deus permitiu-as para tornar mais manifesta a sua ressureição.

Via Sacra

21. A Igreja recomenda aos fiéis o piedoso exercício chamado "Via Sacra", que lhes recorda em 14 estações a Paixão do Salvador. Concede numerosas indulgências a quem rezar a Via sacra com sincera devoção e contrição.

Explicação da gravura

22. A gravura representa a condenação de Jesus por Pilatos, Jesus açoitado, Jesus pregado na cruz e colocado entre dois ladrões, e a sepultura de Jesus.


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910. (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica)
Edição da Juventude Católica de Lisboa.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Catecismo - 3º artigo (continuação): Nasceu de Maria Virgem



 
Explicação da gravura
 
1. Ao centro, o Menino Jesus nasce do estábulo de Belém, cercado dos cuidados de Maria, sua Mãe, e de São José, seu pai adotivo. Perto da manjedoura onde o Menino repousa, um boi e um jumento, animais que, segundo a tradição, lá se encontravam.
2. Os pastores vem adora-lo, e no céu os anjos entoam o alegre cântico: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade.
 
 
Nascimento de Jesus Cristo

 
3. "E aconteceu naquele tempo que saiu um edito de César Augusto, para que fosse alistado todo o mundo. E este primeiro alistamento foi feito por Cyrino, governador da Síria. E iam todos alistar-se, cada qual à sua cidade. E saiu também José de Galileia da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, que se chamava Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com sua esposa Maria, que estava grávida. E estando ali aconteceu completarem-se os dias em que ela devia dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e o enfaixou e reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

Vida oculta de Jesus
 
4. Guiados por uma estrela milagrosa, os Magos, em números de três, vieram adorar o Menino Jesus, e ofereceram-lhe ouro como a um rei, incenso como a um Deus e mirra como a um homem mortal, por isso que a mirra era empregada para o embalsamento dos mortos.
5. Nosso Senhor foi apresentado no templo quarenta dias depois do seu nascimento, no segundo dia de fevereiro. A Santíssima Virgem cumpriu nesse dia a cerimônia da purificação, prescrita pela lei de Moisés.
6. Depois da apresentação no templo, os pais de Jesus levaram-no para o Egito, a fim de escapar à perseguição de Herodes, que o queria mandar matar.
7. Para conseguir o seu fim, Herodes mandou degolar todas as crianças até a idade de dois anos em Belém e seus arredores. Estas crianças são os chamados Santos Inocentes.
8. Morto Herodes, o Menino Jesus voltou para Nazaré, na Galileia, onde permaneceu até a idade de trinta anos.
9. A vida de Jesus em Nazaré foi uma vida ignorada, pobre e de trabalho.
10. Ensina-nos o Evangelho que durante este tempo Jesus Cristo frequentava o templo nos dias de festa, era obediente a seus pais, e à medida que ia crescendo em idade, mais dava mostras de sabedoria e santidade.

Vida publica de Jesus

11. Na idade de trinta anos, Jesus Cristo recebeu o batismo das mãos de São João Batista, nas águas do Jordão.
12. E retirou-se em seguida para o deserto onde jejuou durante quarenta dias permitindo ao demônio que o tentasse, para nos ensinar como devemos resistir às tentações.
13. Saindo do deserto, Jesus Cristo escolheu os seus doze apóstolos, e começou a pregar o Evangelho na Judéia.
14. Nosso Senhor tomou para seus apóstolos a uns pobres pescadores que não tinham nenhuma instrução e viviam do seu trabalho.
15. São os seus nomes: Simão chamado Pedro, e André seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu, Tomé, Mateus o publicano, Tiago filho de Alfeu e Tadeu, Simão Cananeu e Judas Iscariota, o traidor.
16. A palavra Evangelho quer dizer "Boa Nova". A boa nova que Jesus Cristo anunciava era ser Ele Filho de Deus, o Messias ou Salvador prometido desde o princípio do mundo.
17. Jesus Cristo reforçava a sua doutrina com a prática de numerosos milagres. Fez o primeiro a pedido da sua Santíssima Mãe, mudando a água em vinho nas bodas de Caná, na Galiléia.
18. Para testemunhar o seu amor às crianças, Jesus acariciava-as com as mãos, abraçava-as e abençoava-as dizendo: Deixai vir a mim os pequeninos, porque destes tais é o reino dos céus.
19. Falando aos desgraçados, Jesus dizia: Vinde a mim, vós todos que sofreis, e eu vos consolarei.
20. Jesus recebia os pecadores com bondade, e dizia: Eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores.


Fonte da imagem: http://www.sendarium.com
Texto: Catecismo Ilustrado, 1910. (com pequenas alterações devido à mudança ortográfica)
Edição da Juventude Católica de Lisboa.